Massacre

A partir de agora, os colaboracionistas serão aqueles e aquelas que continuarem a imitar o dr. Pangloss. O Orçamento Geral do Estado para 2014 é um acto de guerra. É um orçamento de guerra porque prevê uma subida absurda da despesa consolidada para a Defesa, mantém, apesar dos disfarces contabilísticos, o aparato de (in)Segurança Interna e destrói a fraca capacidade redistributiva que o Estado português ainda detinha, além de atacar a Ciência, a Educação e a Saúde. Nenhuma sociedade pode ser próspera assim. Assim, só existirá uma sociedade refeudalizada, com corveias, indignidade e servidão. Responde-se a este massacre com o voto? É mesmo possível que ainda possamos continuar com essa ficção democrática? E é mesmo possível que continuemos a afirmar coisas como “esta gente tem o governo que merece”, com base em inquéritos de opinião que não passam de uma expressão podre da doxosofia e dão azo a diatribes de uma esquerda urbana, mesquinha e misantrópica, que não percebe quais são as razões dessa concordância aparente com o governo neoliberal dos desastres sociais programados?

(Claro que é possível. De derrota em derrota, até à vitória final.)

Um governo que declara guerra a quem vive em Portugal, à revelia do mandato atribuído pela AR, deixa de poder ser concebido como legítimo. Não o é. É um instrumento repressivo que pretende tornar a violência estrutural irreversível. E só aceito opiniões discordantes sustentadas em dados empíricos – nomeadamente dados patentes no Relatório do Orçamento Geral do Estado, disponível no website da Direcção-Geral do Orçamento. Por agora, falta-me o tempo, mas encarregar-me-ei de escrever mais sobre a Lei, os mapas anexos e o Relatório. Friso: dispensam-se comentários burros. Discordantes e concordantes, já agora. O tempo da estupidez obscurantista acabou.

Quando me voltarem a falar de pedras, falo-lhes deste orçamento. A ver qual é o calhau mais duro.

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2 respostas a Massacre

  1. JgMenos diz:

    Interessante discurso que ignora um simples facto – não fabricamos moeda e não há quem no-la dê.
    Mas há um consolo, não faltam pedras em que bata com a cabeça!

  2. fs diz:

    A PONTE É DE 10 MILHÕES DE PESSOAS. A PONTE NÃO É DE MEIA DÚZIA DE GAJOS COM A CABEÇA VAZIA.

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