Há alturas em que a única solução é desobedecer


O Governo não tem qualquer problema em desobedecer aos tribunais, nomeadamente ao Tribunal Constitucional. Basta olhar para os subsídios que já deviam ter sido pagos e ainda não foram.
Já a CGTP, pelos vistos, tem problemas em desobedecer ao Governo. Na Intersindical, sabe-se quem manda. Não é que desobedecer por desobedecer deva ser uma regra. Antes a excepção. E é disso que agora se trata, visto que vivemos momentos excepcionais.
Como eram excepcionais aqueles momentos que conduziram ao 25 de Abril de 1974. Na altura, Salgueiro Maia não teve problemas em desobedecer. Porque aquele era o momento para isso. Mas Salgueiro Maia foi Salgueiro Maia, os outros são o que são.
25 de Abril – será que Arménio Carlos e os seus camaradas já ouviram falar?

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Sobre Ricardo Ferreira Pinto

ricardosantospinto@gmail.com
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17 respostas a Há alturas em que a única solução é desobedecer

  1. Grevista diz:

    Ó Ricardo, ninguém o impede de ir tomar a ponte, juntamente com o Paulo Granjo e com o Renato Teixeira. É tomarem a iniciativa e não ficarem sempre à espera do escudo humano da inter-reformados. (PS: o Salgueiro Maia, que infelizmente já não está entre nós, também esteve do lado errado da barricada após Setembro de 1975 e até estava pronto a sair para a rua com armas na mão em Novembro do mesmo ano)

  2. Vítor Vieira diz:

    Nos idos de 74/75 havia uns rapazitos que gostavam de andar a escaqueirar sedes de partidos, embaixadas, congressos, etc. Alguns faziam também uns murais muito giros.

    Até houve quem chegasse a convencer pessoal operário a “marchar sobre Lisboa” empoleirados em escavadoras e outra maquinaria pesada… E a publicar panfletos com a descrição da G3 como forma de “educar as massas” para a “insurreição armada”…

    Agora, um é Ministro da Educação, outro é Presidente da Comissão Europeia, outra anda no Ministério Público, mais uns tantos na SLN/BPN, na Câmara de Oeiras (agora atrás de barras, temporariamente decerto), na Mota/Engil, etc, etc, etc.

    Por isso pergunto-me, às vezes, se determinados apelos irresponsáveis não serão, afinal, apenas a construção de novos curricula…

    • Isabel diz:

      Havia outros que ” responsávelmente ” faziam parte dos governos com o PSD e o PS, atacavam as manifestações operárias que , essas sim , atravessaram a Ponte 25 de Abril, em 12 de Setembro de 1974 e em 7 de Fevereiro de 1975, apelavam “responsávelmente” a população de Lisboa a receber com flores os marinheiros de uma frota da Nato, e por ultimo , “responsávelmente”, reuniram com um dos homens chave do 25 de Novembro, Melo Antunes, dias antes do golpe, para negociarem “responsávelmente”, a sua CAPITULAÇÂO perante o golpe.

      Ontem como hoje, sempre muito “responsàveis”

      • proletkult diz:

        Precisamente Isabel. Eu acrescentaria ainda que foram os mesmos que ofereceram de bandeja o Vasco Gonçalves em troca de poder participar no governo do Pinheiro de Azevedo. E para isso já não houve problema em ir para o Terreiro do Paço ao lado dos “procadores”, manipulando de uma forma deplorável o movimento de massas.. De resto, esses mesmos senhores saem do 25/11 do lado dos vencedores, legais e em franco crescimento. Afinal, estava aí a “revolução democrática e nacional” dos “portugueses honrados”.

        Este comentário de vítor vieira, atribuindo a dinâmica revolucionária dos operários a meras manobras “provocatórias” e “irresponsáveis” de “grupos aventureiros” é indicativo da forma como o PCP vê os trabalhadores e o movimento operário: uma coisa que serve para manobrar, para colocar ao serviço dos seus interesses. Se não foi o PCP que os manobrou, então foram outros. Mesmo que sejam grupos que pouca relevância política tinham, nas palavras do próprio PC (e aqui tem razão). Incrível, como “grupelhos” conseguiram mobilizar dezenas de milhar de trabalhadores ao longo de um ano e meio.

  3. Dezperado diz:

    Então mas a manifestação era só da CGTP??? não me parece.

    Quem quer ir fazer a manifestação na ponte que vá…..afinal estão no seu direito, segundo os artigos que fui lendo aqui no blog.

    Ou será que precisam de se enconderem atras da CGTP para fazer a manifestação?

  4. Victor Nogueira diz:

    Não há comparação entre as forças armadas em 25 de Abril de 1974 e uma manifestação de protesto e luta, de civis. E uma parte do MFA estava com Marcelo e assim se explica que Spínola tivese a todo o custo tentado inverter o processo. Jaime Neves, encarregado de ocupar a sede nacional da PIDE “perdeu-se” em Lisboa e Spínola chegou mesmo a nomear um novo director para a PIDE, que aliás colaborava com as Forças Armadas na Guerra C<olonial. . E em 25 de Abril o MFA fez apelos cnstantes para que o povo se mantivesse em casa e foi a saída deste para a rua que derterminou o rumo dos acontecimentos. Quanto a Salgueiro Maia teve apenas a sorte de estar no local certo na hora certa, partindo do príncipio que Spímola não sabia qe Marcelo se refugiaria no Quartel do Carmo. Mas em 25 de Novembro, com o chamado processo recoliucionário em curso, Salgueiro Maia esteve com os Nove no Golpe Militar dp n25 de Novembro de 1975 que p<<ôs fim *a "revoluçao" e abriu caminho ao "súcialismo em liberdade". Doutros 2 "her+ois" do 25 de Abril,e membros do MFA, um . Otelo comandante do poderoo COPCON – com as tropas e os apoiantes na rua – desapareceu, incomumicável – e outro, Jaime Neves, queria liquidar as organizações dos trabalhadores e os partidoas de esquerda, sobretudo o PCP. Liquidar fisicamente, como Kissinger pretendera e fora dissuadido..

  5. Bento diz:

    Camarada

    Porque nao organizas e mobilizas tu uma manif na ponte ?
    Vá põe te ao trabalho!

  6. JS diz:

    Sou sindicalista. Dirigente sindical num sindicato filiado na CGTP. Comunista. Estou muito triste. Por muitas voltas que dê não consigo encontrar uma explicação para esta posição da direcção da central sindical. Sinto uma tremenda revolta com tentativas de explicação como “o governo tenta com manobras destas desviar as atenções de problemas graves como este orçamento de estado”. Como se isso fosse possível. Tenho vergonha pelo meu Pai e outros tantos Pais que lutaram, foram presos e torturados numa altura em que lutar era mesmo perigoso. Sinto-me um cobarde por interpostas pessoas. Era AGORA. Estou mesmo triste.

    • kur diz:

      JS,não vás! como eu.O Arménio que vá e,pode levar o ministro da administração interna mais os seus amigos dias loureiro,duarte lima,e o caraças!os outros criminosos com muito bem diz o SÓares….

  7. castendo diz:

    Bom dia Ricardo,
    1. É um verdadeiro insulto à memória de Salgueiro Maia – e de todos os militares e civis que participaram no 25 de Abril de 1974 (antes e depois, nos dias decisivos que se seguiram) – reduzir toda a acção libertadora ao seu (dele) papel.
    2. Só aqui de Viseu partiram de madrugada 2 mil militares em direcção a Lisboa, tendo pelo caminho cumprido vários objectivos (tomar o Forte de Peniche, por exemplo). Chegando a tempo de participar na capital no processo de consolidação da vitória.
    3. Sugiro a leitura dos livros de Dinis Almeida sobre o MFA e o 25 de Abril. São os mais completos e objectivos que conheço.
    4. Quem escolheu a data de 25 de Abril de 1974 não foi o poder fascista de então. Foi o MFA. Quem definiu os objectivos militares, civis e políticos não foi Marcelo Caetano e seus apaniguados. Foi o Movimento das Forças Armadas.
    5. Quem chamou a população à rua, DESOBEDECENDO AO MFA, não foi a Legião Portuguesa, nem a PIDE/DGS. Foram os sindicatos e o PCP.
    6. Sun Tzu em «A arte da Guerra», define em que condições devemos travar os combates com os nossos inimigos. Adaptando-a aos nossos dias, pode-se afirmar que o porquê, o quando, o como, o para quê das acções somos nós que as decidimos e não as classes dominantes e os seus mandantes.
    Fraternais saudações revolucionárias.

    • Khe Sanh diz:

      “castendo diz:

      É um verdadeiro insulto à memória de Salgueiro Maia”

      Camarada reconheço e respeito o enorme contributo que tens prestado ao partido e à luta de classes.
      Ainda mais me sinto na obrigação em respeitar o sacrifício as privações, as perseguições, as torturas que foram vitimas os teus progenitores, é um dever primordial de qualquer comunista não esquecer aqueles que mais contribuíram para a liberdade que hoje respiramos.

      No entanto não é isso que faz com que deixe de manifestar o meu desacordo em relação à tua opinião acerca de Salgueiro Maia.

      É verdade que deu um enorme contributo no dia 25 de Abril para a aceleração da queda do regime fascista. Mas esse mérito perdeu-o todo em 25 de Novembro ao colocar-se (consciente ou inconscientemente) do lado dos contra revolucionários.

      Lembro-me muito bem de uma entrevista que Salgueiro Maia deu ao ” Jornal” quando estava posicionado próximo de Vila Franca de Xira com os auto-obuses e os tanques da EPC, dizer que aquelas armas tinham capacidade de atingir qualquer alvo em Lisboa.
      Se não o fez foi porque as condições não se propiciaram, mas que estava pronto e preparado estava.

      Depois foi ele vitima dos contra revolucionários que ajudou.

      Cumprimentos

  8. JP diz:

    Tenho para mim que esta questão ainda não está fechada. A história dos autocarros na ponte e a concentração em Alcântara…

    Serei só eu ou está-se mesmo a ver os autocarros vindos de sul a pararem em cima da ponte ou na praça da portagem, cortando o trânsito de sul, e a multidão a tomar a ponte a partir de Alcântara através do acesso norte.

    É que o local da concentração é atípico e muito perto do acesso. Por outro lado, a tónica do Arménio nos autocarros que vêm de sul e de norte (disse-o na conferência de imprensa várias vezes) pode antever um corte da ponte por parte dessas pessoas (que ainda serão alguns milhares).

    Com esta estratégia, a polícia é contornada (porque não pode impedir a circulação na ponte e não terá meios para impedir o “descarregamento” de alguns milhares no tabuleiro), não conseguirá conter quem venha de Alcântara e o efeito mediático seria ainda maior…

    Eu se fosse a vocês não mandava já a toalha ao chão…

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