O testemunho da Rita

Num dos comentários, ali estava:

O meu pai esteve 4 meses à espera de ser operado a um cancro num rim. 4 meses. No dia em que me despedi dele para a cirurgia não sabia que era o último que, em consciência, ele me abraçava. Morreu outros 4 depois. Complicações da operação – não, complicações de 4 meses à espera de se ser operado por uma situação de urgência, decretada pelo médico como tal.

Que ninguém se atreva a incomodar-se quando se lhes chama assassinos, fascistas. Isso é tão pouco. É tão pouco para os 13 anos da minha irmã agora sem pai, para os 50 da minha mãe que ficou sem o companheiro de uma vida ou para os meus 24 que às vezes gostavam tanto de lhe contar as peripécias do dia-a-dia.

É por isto que passar a Ponte(a)pé dia 19 é uma obrigação. Tanto se fala em cidadania, é nas Pontes que ela vai estar.

Eu vou estar com a Rita. Com a irmã e com a mãe, certamente. As minhas irmãs e o meu sobrinho, a marchar sobre a Ponte do Infante. E dia 26 de Outubro, rumando a S. Bento, porque não há becos sem saída e é na rua que vamos transformar este mundo.

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9 respostas a O testemunho da Rita

  1. Herberto diz:

    Antes que apareçam os tradicionais “conservadores” e “opinion makers” do costume, como José Sequeira (que votou sempre no CDS-PP, mas que depois de ter votado na CDU para as autárquicas julga ter salvo-conduto para criticar de maneira cínica todos os textos escritos por gente generosa deste blog); ou “Dezperado”; ou o estranho “JgMenos” (que escreve textos ligados ao comunismo no blog “A Chispa”, para depois escrever aqui pontos de vista cheios de ressentimento)… Enfim, antes que apareçam todas essas tradicionais múmias da internet, quero mandar à Lúcia um abraço e dizer que a apoio nas suas convicções, como também na marcha a ser realizada no próximo sábado.

  2. LP16 diz:

    SIGA, A PONTE E’ NOSSA.
    AS RUAS TAMBEM…

  3. m. diz:

    Pois eu vou estar no dia 19 de Outubro na Ponte de 25 de Abril.

    Já fiz a reserva no autocarro da CGTP para ir de Lisboa para Almada.

    P.S. Para informação geral, não sou sócia, o que quer dizer que as reservas são abertas ao público em geral.

  4. Rita Catita diz:

    Tinha, também, 24 anos quando o meu pai partiu.
    Homem forte de, então, 45 anos, tinha rumado a outro país em busca de um futuro melhor pois, por cá, ainda não se tinha percebido bem se só os fortes ficavam, ou se apenas os fortes partiam e foi essa partida, em busca de uma saída, que lhe custou a vida. À minha mãe, com 46 na altura, custou-lhe “o futuro”. O tapete fugiu-lhe debaixo dos pés quando viu partir o companheiro de uma vida e, desempregada, ficou dependente da filha e de uma pensão de sobrevivência de cerca de 300€.
    Quase 9 anos depois, muita coisa mudou… Mas tudo para pior!
    É preciso correr com estes pulhas!… Urge correr com estes desenhadores que, de régua e esquadro, traçam os nossos destinos e a forma como passamos a (sobre)viver!
    Manifestar é preciso e não nos venham dizer que a ponte não é nossa, porque é e será sempre, para infelicidade do Aníbal.

  5. Pingback: Assassinos – Aventar

  6. Rita Governo diz:

    Estaremos lá as três, ao lado de outros tantos milhares. De ti, das tuas irmãs, do teu sobrinho. Em Lisboa ou no Porto, estaremos juntos. Tal como a 26. E sempre, até que se cumpra Abril.

  7. celesteramos diz:

    Passar Pontes e derrubar muros – e por cada flor esmagada há milhões se sementes a florir

  8. celesteramos diz:

    Vejo na RTPInformação-Ukrania em revolta “na rua” E Espanha ainda resolve em tribunal problemas tão graves derivados da Taladomida – as farmacêuticas que nunca param de fazer das pessoas cobaias – não há coisas bonitas para falar delas – ou ler – ou sou eu que não vejo – Pois é Rita eu podia contar uma história igual à sua – 3 anos de diagnóstico errado – 3 anos – 4300 participantes em corrida pela PAZ em Budapeste – Mare Nostrum – implantação de programa de vigilância agora ao fim de centenas de afogados de Lampedusa – os governos não vêm nem ouvem nem se importam – nem governam – Ao olhar o planeta no programa das previsões climáticas cresce de tal velocidade a área de deserto que parece já ser mais de 50% do planeta – Na Rússia emigrantes fazem voltar mercenários para os combater – crime racial em cada 10 dias – in firing lane – campos de batalha urbana e emigrantes mantidos à parte da vida social do país (euronews) –

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