PCP em Novembro de 1975

L1 – Gostaria de lhe fazer duas perguntas sobre um livro que escreveu intitulado “A História do PCP na Revolução dos Cravos”. Afirma que o PCP foi o principal responsável por não ter havido mortes no 25 de Novembro de 75, embora tivesse os fuzileiros do seu lado, que constituíam a principal força militar. Acha que esta decisão do PCP se baseou exclusivamente na vontade de evitar uma guerra civil ou também contém em si uma vertente estratégica, uma vez que, em caso de guerra civil, a Nato poderia intervir?

RV – Não sei, essa é uma pergunta contrafactual. O que é que teria acontecido… Não sei o que teria acontecido… Sei o que é que aconteceu. Sei que o PCP impediu os seus militantes de se armarem, desconvocou a intersindical, conteve as principais unidades militares onde tinha peso qualitativo, nomeadamente nos fuzileiros. O que eu penso que o PCP queria, e acreditava, era a constituição de um regime democrático, num capitalismo regulado, com uma banca nacionalizada, com um sector público forte, com uma reforma agrária, sem pôr em causa a generalização da propriedade privada.

L1 – Capitalismo de Estado, podemos dizer assim?

RV – Não sei, acho que esse conceito não é bom, é muito polémico na História. Na verdade, não creio que na União Soviética existisse este Capitalismo de Estado, na União Soviética não existia capitalismo mas existia uma ditadura burocrática, existia uma ditadura da minoria sobre a maioria. Na verdade, tendo em conta a acepção histórica, não me parece um bom termo. Parece-me que é um capitalismo fortemente regulado, esse era o projecto de Álvaro Cunhal, como etapa futura, em direcção a uma sociedade mais justa. Mas a democracia nascida a 25 de Novembro é muito menos democrática do que a que se viveu entre 1974 e 1975, em que havia, com erros e aprendizagens que se foram fazendo no caminho, controle sobre a produção, democracia directa, assembleias, conselhos directivos, órgãos de gestão com mandatos revogáveis, etc.

L1 – Diz também que Álvaro Cunhal se adaptou ao rumo da revolução, não questionando a propriedade privada e projectando um capitalismo regulado. Sendo assim, era Cunhal um defensor do capitalismo regulado?

RV – Sim, eu creio que era uma estratégia, no sentido de fazer reformas para trazer melhorias e algum ganho à classe trabalhadora, sem haver uma ruptura revolucionária, que poria em causa o pacto de distensão entre os EUA e a URSS. O PCP acreditava que os trabalhadores podiam ganhar mais, e podiam trabalhar muito mais protegidos, dentro do sistema capitalista.

L1 – Podemos, então, dizer que Álvaro Cunhal estava mais próximo de Eduard Bernstein, grande teórico da social-democracia, do que do próprio Karl Marx?

RV – Não, eu acho que o movimento comunista internacional é diferente do movimento social-democrata. A base social dos partidos comunistas que são dominantes no Sul da Europa, que é mais pobre, é diferente da base social do Norte da Europa, onde os partidos social-democratas têm mais fôlego, têm mais força, sendo que os ganhos salariais são muito maiores. Eu creio que não é exacto dizer isso, embora partilhassem muito da visão de um Estado amplamente regulado e protector.

A restante entrevista está publicada aqui.

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23 respostas a PCP em Novembro de 1975

  1. JgMenos diz:

    A visão do Cunhal seria então a do ‘Portugal dos pequeninos’:pequenos agricultores, pequenos industriais, pequenos comerciantes, todos a trabalhar afincadamente para continuarem pequeninos; – faz todo o sentido, porque manda a norma de que quem cresce ‘morre’ às mão do grande colectivo superiormente liderado…(cassete)!
    Quanto a 1975, a estratégia estava consumada no essencial (Ultramar para os comunas); quanto ao rectângulo, havia que sobreviver à onda de revolta popular e abrigar-se à sombra da tropa ainda fiel.

    • A.Silva diz:

      Pequenino, mas mesmo miserávelmente pequenino é gente da tua espécie ó menos.

    • Herberto diz:

      No entanto, esse não é o seu ponto de vista no seu blog, chamado de “A Chispa”, onde defende ideias ligadas ao comunismo.
      É bastante estranha esta sua faceta dupla. Poderá ser um problema psicológico ou então é uma maneira de ser que o liga à internet. Enquanto no seu blog “A Chispa” faz de “Dr. Jekyll”, neste espaço de comentários, como “JgMenos”, faz de “Mr. Hyde”.

  2. E depois há que considerar que os comunistas, a começar por Álvaro Cunhal, têm uma visão e um projecto histórico de muito longo prazo. Têm também a noção do «tempo que passa» e a ideia de um devir histórico permanente. Enquanto que Bernstein parecia que se contentava com o movimento em si mesmo («o movimento é tudo»), os comunistas sabem bem para onde querem ir. Vão é escolhendo – ou adaptando-se a – os «caminhos da História».
    O «capitalismo regulado» de que fala a Raquel, é uma fase de transição – em História tudo é transição – e o “capitalismo regulado” não é um sistema estacionado (ou estacionário). Ou há recuos (para uma espécie de «fascismno sem dor» (?…) ou háverá uma continuada (mais lenta ou mais rápida…) «progressão para o Socialismo».
    Nós sabemos disso e «eles» também. Daí a reacção…

    • Rocha diz:

      Estou aqui num dilema. Não vou sair em defesa da entrevistada e do entrevistador que repúdio pela hipócrita lenga-lenga do costume: o PCP não fez a revolução armada em 75 logo é reformista. E os troskistas e os maoístas e todos os demais super-revolucionários não fizeram nada porquê?

      Mas por outro lado acho que este comentário de resposta ainda empastela mais a coisa. Sai pior a emenda que o soneto. Muito-longo prazo? Caminhos da história? Progressão para o Socialismo? Epá expressões destas fazem-me lembrar as seitas cristãs que esperam a segunda vinda de Cristo.
      Os comunistas não podem marcar a data da Revolução no calendário num momento em que não está estabelecida a hegemonia dos revolucionários é verdade. Mas isso não significa uma espécie de espera resignada por melhores dias que virão ou a pior ainda espera pela mudança progressiva das cosias. Em primeiro lugar não há nenhuma via para o Socialismo que não seja revolucionária (isto quer dizer abrupta, violenta, etc) e além disso cabe aos comunistas mesmo que ainda sem hegemonia (a tal correlação favorável) estabelecer um plano (e falo num plano minimamente detalhado e que vai ao concreto sem ambiguidades) para chegar à revolução socialista.
      E era nesses pontos em que a discussão está infelizmente aquém de chegar a sólidas conclusões e não nos alardes dos esquerdistas “armados” que nunca pegaram numa fisga que se devia centrar a discussão.

      • A expressão «progressão para o socialismo» está entre aspas de propósito.
        «Muito longo prazo» quer aqui dizer que a revolução não está ali ao virar da esquina.
        Aliás o «filósofo da barbas» de Trier fala a certa altura de «era de Revolução» referindo explicitamente «eras geológicas» (o tal «muito longo prazo»…).
        Pela minha parte não falo em «espera resignada» (do que quer que seja).
        Se há ou não uma «via para o Socialismo que não seja revolucionária (abrupta, violenta)», confesso que não sei…
        Quero eu dizer que não conheço nenhum «plano minimamente detalhado para chegar à revolução socialista».
        Tenho apenas uma noção – como julgo que muita gente tem – de como pode vir a ser uma sociedade socialista. Vou procurando trabalhar para isso.
        Uma coisa me parece «certa» (ou «indiscutível»): para superar o capitalismo uma condição necessária (mas não suficiente…) é o conhecimento da sua lógica intrínseca de funcionamento.

  3. Não me apetecendo discutir as questões de fundo e de contexto (essa pequena coisa da «correlação de forças» a que RV nunca liga), só deixo escrito que bastaria o facto conhecido de o presumível chefe militar (Otelo Saraiva de Carvalho) ter ido dormir para casa no Dia D
    para o PCP ter feito muito bem em não embarcar numa aventura que teria conduzido a uma sangrenta derrota do movimento operário.

    • Augusto diz:

      Vitor Dias, o conhecido chefe militar foi dormir, porque a esquerda militar não tinha preparado NENHUM GOLPE.

      O que se tem escrito, é uma perfeita TRETA.

      A direita com o apoio do PS e do Grupo do Nove tinham preparado um golpe, que tinha como objectivo travar o movimento popular, e desactivar todas as unidades militares afectas ao Copcon, que eram na prática o apoio desse movimento.

      Qual foi o papel do PCP nesse projecto, a verdade é que dias antes do Golpe do 25 de Novembro, Melo Antunes reuniu-se com Cunhal, o que é que Melo Antunes deu em troca a Cunhal , para que o PCP não se opusesse ao Golpe, pode-se imaginar, mas como os dois protagonistas já faleceram ficamos no campo das hipoteses.

      Na prática a direita vende a ideia que no 25 de Novembro travou um golpe da esquerda revolucionária e do PCP, o PCP que NUNCA quis nenhuma revolução em Portugal , assobia para o lado, e a esquerda revolucionário e o Copcon, foram neutralizados a contento do Melo Antunes e de Alvaro Cunhal.

    • De diz:

      Na mouche.Tal como o comentário de Fonseca-Statter.
      O resto…

    • Ash diz:

      Mesmo sabendo que vmcvítor dias não tem vontade de discutir questões de fundo, gostaria, se não for pedir muito, que por motivos estritamente pedagógicos pudesse iluminar um pouco o pessoal que (como eu) ainda não era nascido por altura dos acontecimentos históricos abordados na entrevista. Isto porque chegar aqui e, sem mais, largar a bomba atómica da “correlação de forças”, deixa a malta a pensar se “A Revolução” eram afinal de contas meia dúzia de gatos pingados armados com fisgas e chefiados por um tipo que estava com sono.

      Entretanto, e já que aqui estou com a mão na massa, perguntava a Raquel Varela o que há assim de tão polémico com o conceito de “Capitalismo de Estado”, com que às vezes se descreve o modelo social da URSS? Não existiria concentração de capital nas mãos de uma classe gestora especializada? os meios de produção não eram controlados por uma elite exploradora? o modo de produção, quero dizer, a organização do trabalho, era assim tão diferente dos métodos capitalistas fordistas, etc?

      P:S: Qualquer das questões que coloco, tanto a Raquel Varela como a vitordias, não têm nada de retórico, é verdadeira vontade e gosto em saber o que pensam.

    • proletkult diz:

      O movimento operário já estava derrotado a 25 de Novembro, devido a uma sucessão de acontecimentos que tiveram no PCP e aliados (e nas suas acções) o papel central. Por exemplo, a “venda” do V Governo Provisório a troco de poder negociar, com a burguesia, a participação no VI (manipulando a vontade revolucionária da “rua”, como no caso da “adesão” à FUR).

      No caso do Otelo, o PCP tem-se aproveitado bem das suas (de Otelo) decisões ridículas na época. Como se algum dia o PCP deixasse a sua massa militante pegar em armas e aliar-se aos “esquerdistas”… Não porque fossem “esquerdistas”, mas apenas porque essa nunca foi a intenção do PCP, que nunca esteve interessado na tomada violenta do poder pelos trabalhadores. Nem em 75 nem nunca na sua história. A escola de Cunhal tinha sido a mesma de Bento Gonçalves, Pavel ou Júlio Fogaça.

  4. Argala diz:

    Boa malha.

    Só um reparo em relação a esta parte da entrevista, não estás a responder à última pergunta.

    Primeiro a pergunta está mal formulada, porque Marx, em alguns dos seus escritos, também colocou a possibilidade da reforma como forma de superar o capitalismo. Bernstein apenas desemvolveu mais essa possibilidade.

    O entrevistador devia talvez querer perguntar outra coisa qualquer, como se Cunhal era reformista ou revolucionário. E sobre isso não há dúvidas. O socialismo evolucionário do Bernstein é a cara do Cunhal. O entrevistador não perguntou se há diferenças entre o “movimento comunista internacional” e a social-democracia actual – até porque a social-democracia actual não defende a superação do capitalismo. Ele perguntou se Cunhal está mais próximo de Bernstein ou de uma outra figura (Lenine?) que representasse a revolução. E é óbvio que Cunhal está mais próximo de Bernstein.

    Todas estas pessegadas com que temos de gramar do “caminho pacífico para o socialismo”, do abrilismo, da Constituição como programa dos trabalhadores, são o legado de Cunhal. A nossa versão do Bernstein.

    Cumprimentos

  5. Argala diz:

    Adenda ao que acabei de escrever.
    O entrevistador ainda vai mais longe, ao insinuar também que Bernstein, ao contrário de Marx, não defendia a superação do capitalismo, mas apenas a existência de um capitalismo regulado. É mentira. Não é isso que historicamente distingue social-democracia do movimento comunista. O facto de as pessoas pensarem que é essa a distinção, apenas o reflecte o pântano em que vivemos, onde houve um deslocamento do espectro e as definições históricas ganharam pernas próprias.

    O que se chama hoje social-democracia é apenas outro nome para ‘liberalismo’. E o que se chama hoje “movimento comunista internacional”, é apenas outro nome para ‘social-democracia’ (com pontuais e honrosas excepções!!!).

    Quando lemos um pascácio dizer, em resposta ao livro da Raquel, que não se fez uma Revolução porque senão ele morria de morte matada, sabemos com o que contamos.

    Cumprimentos

  6. Joana diz:

    sociais-democratas

  7. Victor Nogueira diz:

    Em 1975 o psd e o cds estavam contra as transformações sociais em curso e o Partido Socialista com aueles arregimentava as camadas intermédias, a chamada pequena burguesia e o campesinato do norte – que não eram assalariados rurias – de mãos dadas com e rede bombista de extrema direita do ELP/MDLP/Spínol e a Maria da Fonte de Paradela de Abreu, entre outros. Portugal, segundo eles.era de Rio Maior para Norte e no Sul era preciso esmagar aquilo a que Soares/PS – com a ajuda da Nato, se necessário – chamava a Comuna de Lisboa (as cinturas industriais de lisboa e de setúbal) para além da Reforma Agrária nos moldes em que estava a ser feita nos campos do Alentejo. Em todo este processo o COOPON e Otelo – o tal que com as suas tropas na rua desapareceu – não repôs a legalidade democrática no Norte, que estava a ferro e fogo.Aliás, só o não apoio do então Presidente da República Costa Gomes e do MFA gorou a intenção de Soares/PS transferir a assembleia constituinte para o Norte, onde o PCP, o MDP e a UDP estavam sujeitos às intimidações, ataques bombistas, assaltos e mesmo homicídios feitos em nome da “liberdade” o0u do “socialismo em liberdade” E qd foi o 25 de Novembro Melo Antunes dos Nove teve de vir à TV opor-se à ilegalização do PCP que a direita revanchista, incluindo a do MFA – pretendia.

    Neste quadro, Raquel, com a URSS a pretender não intervir em Portugal, quais as possibilidades da instauração do socialismo em Portugal, sendo certo que uma hipotética mas não previsível vitória do socialismo – não o do PS, pk esse é apenas o do súcialismo – levaria à intervenção dos EUA e da NATO ?

    • JP diz:

      Neste, como em todos os posts a Raquel só lida com absolutos.
      Nunca entra em linha de nota com as condições que cada agente tem, na altura, para tomar decisoes que toma.
      É por isso que, para ela, as correlações de forças são um detalhe. Causa-lhe tanta estranheza como um partido de esquerda poder defender a existência de iniciativa privada.

    • Argala diz:

      “Neste quadro, Raquel, com a URSS a pretender não intervir em Portugal, quais as possibilidades da instauração do socialismo em Portugal”

      Quem quer instaurar o socialismo raramente encontra contextos favoráveis. A alternativa foi deixar aqueles filhos da puta fazer a quartelada. Não vale a pena arranjar desculpas para não ir ao combate.

  8. Alguns comentários parecem assumir que a História é assim a modos que um cardápio de cenários à esolha do freguês.
    Ou teremos «isto» (por exemplo, um hipotético «Estado Regulado») ou teremos «aquilo» (por exemplo, um também hipotético «Estado Desregulado»). Ou temos ainda toda uma série de cenários alternativos ou «intermédios».
    A noção de devir e transformação permanente, parece estar ausente.
    É nesse contexto que parece que a noção crucial – de CAPITALISMO e sua lógica – parece não estar a ser considerada quando se comparam as posições relativas de Cunhal e Bernstein.
    O Bernstein embora fale de «movimento» é, em rigor, um «estacionário»…
    A sua social-democracia seria assim como que o «fim da História»…
    Recomenda-se a leitura de «A Ciência da Lógica» ( a do Hegel).
    Há uma boa tradução em castelhano…
    http://cepcritico.files.wordpress.com/2013/01/ciencia-de-la-lc3b3gica-hegel.pdf

  9. José Sequeira diz:

    Não tenho balanço teórico para intervir em termos de disputa de conceitos, nem se Álvaro Cunhal seguia Marx ou Bernstein. Por isso li o post e os comentários procurando apreender essas noções. Apenas posso referir, uma vez que participei activamente nesses dois anos de brasa, que o que lixou tudo (em termos de PCP + a chamada esquerda revolucionária) foi a sua corrente no interior do MFA não ter tido a força e a capacidade de impedir a realização das eleições para a Constituinte de Abril de 1975. Bem o tentou, juntamente com o MDP e a Intersindical mas a correlação de forças já era então favorável à implantação de uma democracia parlamentar, chamemos-lhe burguesa.
    Enquanto não houve eleições a força organizativa, o volume das manifestações, a presença nos meios de comunicação atribuía ao PCP uma força que não tinha.
    Após os resultados eleitorais, com um frustrante terceiro lugar, a legitimidade do PCP sofreu um rude golpe de que nunca mais se recompôs.
    A direita, com o PS à frente, até cometeu a ousadia de retirar a rua à esquerda, como na verdadeiramente gigantesca manifestação da Alameda.
    Daí, apesar do 11 de Março, todo o sistema político, toda a orientação de Portugal foi no sentido que se conhece. Quem diz que o Copcon nunca repôs a legalidade democrática no norte, é porque tem a ilusão de que isso teria sido possível o que não é verdade. Depois, em Novembro de 1975, a chamada tropa macaca do SMO, já não tinha experiência de combate em África, com as recrutas dadas já em plena desagregação do espírito de corpo. Pelo contrário os profissionais (oficiais e sargentos), regressados de África (havia em Novembro pelotões só com malta do quadro) e os comandos mantinham-se em plena forma. Isto porque os fuzileiros eram tanto do PCP (diz-se no texto que o PCP “tinha” os fuzileiros) como agora dizer-se que os trabalhadores “são” da CGTP. Portanto neste quadro de decadência do poder da esquerda revolucionária onde incluo o PCP (chegou a existir uma FUP), de tomada progressiva das posições militares por oficiais ligados à que se pode designar por contra-revolução (incluindo o agora tão incensado Vasco Lourenço), não haveria qualquer hipótese de vitória do lado da revolução. Basta ver a patética intervenção do Duran Clemente, rapidamente substituído por um filme do Danny Kaye, ou dos ÈmeErres que “dominavam” a PM que, mal o Jaime Neves deu um traque, se renderam após dispararem um carregador para o ar. Saliento que deste caso da calçada da Ajuda ficaram, infelizmente, no chão as únicas baixas desse dia.
    Portanto qual estratégia, qual visão; foi certamente mais impotência.
    Cumprimentos.

  10. A Doutora Raquel Varela comete dois erros metodológicos no seu livro sobre o PCP. Um deles está neste trecho de entrevista. Varela supõe quando lhe convém. Ela supõe o que se passa na cabeça de Álvaro Cunhal: que estava de acordo com os pactos de Ialta e Postdam. Mas recusa-se a supor a possibilidade de uma intervenção da NATO em Portugal. Ela pode se desculpar. O seu objeto é o PCP. Ela tem que fazer suposições sobre o primeiro, e pode deixar para outros (Bernardino Gomes e Tiago Moreira de Sá) fazerem suposições sobre o segundo. Mas essa escolha tem consequências enormes que determinam as suas conclusões.

  11. proletkult diz:

    Em 75 comprovou-se que os “portugueses honrados” eram os burgueses, não os trabalhadores. A burguesia portuguesa tem sido muito ingrata para com o PCP e o seu líder histórico.

Os comentários estão fechados.