O empreendedorismo: a doença infantil do capitalismo

Não há jornal ou revista que nos últimos três anos não tenha apresentado uma ou mais reportagens sobre “empreendedores” de sucesso vário. Normalmente a reportagem apresenta X portugueses que triunfaram na sua área / abriram um pequeno negócio de sucesso / tiveram uma ideia genial / regressaram da emigração (riscar o que não interessa). São normalmente caras simpáticas e jovens, umas mais abetalhadas outras mais sóbrias, sempre com alguma designer mais moderna pelo meio. A omnipresença e assiduidade deste tipo de artigo é justificada pela intenção de mostrar a viabilidade criativa e renovadora do que por “cá” se vai fazendo, ou seja, que o remédio para a macambúzia e cinzenta falta de produtividade nacional é o génio da juventude empenhada em explorar novas formas de valorização capitalista, uma merdinha às cores de cada vez. Num pais onde o grande trunfo da exportação é uma linha de papel higiénico colorido as ideias dos jovens seguem mais ou menos a mesma ordem conceptual: “empreender” significa essencialmente pegar num pequeno negócio banal, dar-lhe um nome giro em inglês e comprar a mobília da loja no IKEA. O jovem “empreendedor” acha que por a sua empresa de aluguer de bicicletas a turistas se chamar “lx bike tour experience” ou que por propor uma marca de café com leite sob o nome “gallonize your life” irá reinventar a roda. A difusão desta ideia é essencialmente propagandística ao sugerir uma reorganização do trabalho em modelos cada vez mais isolados, autónomos e desprotegidos enquanto última tábua de salvação no naufrágio que é a crise. Uma mínima percentagem destes novos empresários irá triunfar constituindo mini-núcleos de exploração brutal e todos os outros irão terminar enquanto reforço da mão-de-obra barata ou, na melhor das hipóteses, organizando-se dentro de um aparato ideológico de assistência ao “empreendedorismo”. O “empreendedorismo” não é a renovação do tecido empresarial do país, a excelência criativo-técnica da sociedade ou o sentido de aventura dos jovens, mas sim a crise, a austeridade e a precariedade pintadas de amarelo e azul com o lettering em helvetica neu. A capacidade inovadora do capitalismo deveu-se à sua inédita capacidade de mobilização gigantesca de recursos e de trabalho, ou seja, precisamente o contrário destes microscópicos centros de valorização banal que procuram emular o consumo de rua dos grandes centros cosmopolitas, esquecendo no entanto que, em Portugal, não há uma circulação de capital e de agentes económicos que permita sustentar esse nível de consumo quotidiano. Os heróis que o capitalismo tardio produziu não deveriam servir de inspiração mas sim de aviso, sendo a sua emulação semelhante à de qualquer outra estrela: qualquer tótó a mostrar o seu projecto empreendedor na televisão se sente o próximo Steve Jobs, mas na verdade está tão próximo dele como qualquer concorrente de fundo de concurso de talentos televisivo está da Beyoncé.

Fosse o “empreendedorismo” apenas a brincadeira trágica da burguesia jovem nos últimos dias do capitalismo ou apenas mais um dos indicadores da perversidade e da miséria dos tempos em que vivemos e ficaríamos por aqui. A questão mais vasta e preocupante, impregnada pelos processos acima descritos, é a da redução da capacidade de pensamento e de problematização do existente, da política enfim, ao campo da “ideia gira” e de uma profundamente banal e medíocre ideologia da participação vácua que se justifica a si própria. De certo modo o “activismo” espelha totalmente o “empreendedorismo”, revendo-se várias vezes até no conceito macabro de “empreendedorismo social”, ou seja, num elogio da acção nua desprovida de contexto e problemática. A multiplicação de acções apenas simbólicas, de momentos em que se pede a “todos os portugueses que escrevam em folhas de papel as suas ideias para mudarem o pais” e de reportórios de contestação apenas emotivos e estéticos obedece totalmente a um espírito do tempo que apenas preza o que imediatamente se dissipar numa espuma dos dias que, obviamente, de suave e ligeira tem muito pouco.

Não é nada inocente que no momento em que o governo em exercício leva a cabo uma utilização totalitária das instituições do estado no sentido de reorganizar produtivamente a sociedade surja precisamente esta ideia do trabalho e do capitalismo enquanto uma tarde bem passada a fazer cupcakes com as amigas para vender a outras entidades cosmopolitas em passeio pela baixa. Porque a realidade é obviamente outra, e é intolerável.

PS: Na altura de postar procurei no google images “empreendedor”. O resultado é profundamente sinistro, cínico e esclarecedor.  O momento empreendedor de orgasmo divino no escritório é todo um novo programa de alegria no trabalho.

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90 respostas a O empreendedorismo: a doença infantil do capitalismo

  1. Francisco diz:

    Muito, muito bom! Todo o texto, mas destaco o segmento abaixo que é uma boa síntese das contradições actuais

    “A capacidade inovadora do capitalismo deveu-se à sua inédita capacidade de mobilização gigantesca de recursos e de trabalho, ou seja, precisamente o contrário destes microscópicos centros de valorização banal que procuram emular o consumo de rua dos grandes centros cosmopolitas, esquecendo no entanto que, em Portugal, não há uma circulação de capital e de agentes económicos que permita sustentar esse nível de consumo quotidiano.”

    • JgMenos diz:

      Faz bem em enfatizar essa bem conhecida característica do capitalismo, em que «nada do que nasce pequeno cresce», excepção feita aos caso da Micosoft, da Apple e mais uns tantos!
      Merece igualmente destaque a questão do consumo de rua e congéneres, já comprovado.em inúmeras experiências socialistas, «retirando a oferta a procura baixa e aumenta a poupança»!

  2. Dezperado diz:

    Sinceramente não percebo se esse odio ao “empreendorismo” passa por ser uma palavra que sai muitas vezes da boca do governo para a salvação do país (o que obviamente não chega, nem pouco mais ou menos) ou será apenas uma critica às pessoas que saem do sofá e com uma ideia inovadora conseguem criar bons negocios….uns tem sucesso, outros abrem falencia.

    “qualquer tótó a mostrar o seu projecto empreendedor na televisão se sente o próximo Steve Jobs, ”

    e com esta frase diz tudo…..é que o Steve Jobs pensasse como a autora do post….nunca tinha aparecido a Apple….porque nunca iria querer ser um tótó apresentar uma ideia que poderia ser um grande falhanço.

    Mas sabe que só falha quem arrisca….

    Se calhar bom bom, é ficar no sofa, à espera que o Estado trate de nós.

    • É óbvio que se o Steve Jobs pensasse como a “autora” do post não teria surgido a apple, isso porque dentro de toda a megalomania programática de quem escreve no 5dias não me parece que esteja incluida a vontade de fundar impérios comerciais. De resto se há tanta apetência pelo risco e pela aventura é um bocado como dizia o outro: “num sistemea que aboliu toda a aventura a única aventura é abolir o sistema”. É miserável a ideia que a única escolha possível na vida é entre ficar no sofá ou abrir empresas.

      • Dezperado diz:

        Acha que o Steve Jobs quando começou a pequenina empresa que fundou, alguma vez lhe passou pela cabeça que iria transformar-se no enorme sucesso que é?

        E não, a unica escolha possivel não é entre ficar no sofa ou abrir uma empresa….Agora nao percebo é porque lhe faz tanta confusão uma pessoa que acha que tem uma ideia inovadora, nao arriscar e apostar nela. Acho que se confunde muito, os Martins desta vida, com pessoas que abriram um negocio e tiveram sucesso….é que essas não precisam de ir para a TV vangloriar-se da sua aposta.

        Mas nem precisamos de ir à Apple…..por exemplo, sabe que a Via Verde foi inventada em Portugal, e agora é usada em todo o mundo….Tambem podiam ter ficado quietos….mas decidiram arriscar.

        O que me parece, depois de ler o post….é que da mais valor a quem fica à espera que lhe resolvam a vida, do que a quem se arrisca a ter ou nao sucesso empresarial.

        • Por acaso sabe que o Cocktail Molotov foi inventado na Rússia e agora é utilizado em todo o mundo? Ou que o comunismo foi inventado algures nas fábricas da europa é agora é pensado em todo o mundo?

          Também podiam ter ficado quietos, mas decidiram arriscar…

          Acho muito bem que quem tenha uma ideia a ponha em prática. Acho muito mal que se ache que o mundo empresarial seja um forum preferencial para a execução de ideias. Quem continua a colocar a questão entre ser uma batata de sofá e um jovem capitalista é o dezperado.

          • Dezperado diz:

            “Quem continua a colocar a questão entre ser uma batata de sofá e um jovem capitalista é o dezperado.”

            Finalmente percebi o seu ponto de vista….é que quem cria uma empresa, torna-se logo um jovem capitalista (palavra do demo)….e como todos sabemos, o objectivo de um capitalista é a exploração dos seus empregados.

            Ou seja patrão = explorador…

            Por isso o unico patrao que deveriamos ter na vida….seria o patrao Estado.

          • Estamos finalmente a chegar a algum lado. Apenas um último reparo, ou talvez mesmo o primeiro reparo: nem sequer o patrão estado.

          • JgMenos diz:

            ‘Nem sequer o patrão Estado’.
            Carvalho, gostei! Muito bem!
            Então é por isso que as cooperativas nascem como cogumelos pela acção dos arrojados militantes de esquerda. Qual é a sua?

          • De diz:

            Cooperativas?
            ó Menos deixe de dizer asneiras.Está-se muito mais além do que esse álibi que utiliza a torto e a direito

          • NSP diz:

            Excelente x 2

        • bruno diz:

          Leia isto:
          http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/detalhe/histoacuterias_da_carochinha_para_grauacutedos.html

          O exemplo da Via Verde é excelente, porque foi precismente uma excelente ideia instituída por uma empresa pública e que exige imensa infra-estrutura, completamente fora do alcance deste “empreendedorismo”. Isto é verdade de essencialmente todos os avanços tecnológicos relevantes, que aliás beneficiam também muito da investigação teórica que é feita em universidades e financiada de forma pública. Toda a gente gosta muito de falar da Apple mas a verdade é que a Apple tinha também um contexto incrivelmente favorável, inserida num contexto cheio da tecnologia mais avançada da época e com imensa sinergia com outras (grandes) empresas que faziam negócio na mesma altura.

          O problema deste empreendedorismo individualista e sonhador é que não é solução nem para a sociedade nem para a crise. Poderá dar sucesso a um ou outro caso individual (mas fracasso a muitos muitos mais), mas só em casos verdadeiramente raros terá de facto algum benefício visível para a sociedade. Insistir neste empreendedorismo é uma forma de desvalorizar tudo o que ele precisa de contexto para funcionar (educação, investimento, salários que sustentem a oferta, etc.). De culpar os desempregados pelo seu desemprego, quando manifestamente é insustentável (e ineficiente) empregar todos estes desempregados via “empreendedorismo” individual. De fazer passar a ideia de que não há problemas de fundo que têm de ser resolvidos para a economia funcionar, basta só “ter uma ideia”. O capitalismo não funciona assim. Isto corresponde mais ou menos à ideia de jogar no Euromilhões para vencer a crise (ahh!, mas para o Joaquim Inácio funcionou! se ele pensasse assim e não tivesse jogado…).

          Repare-se, não é realmente ódio aos empreendedores, é ódio à ideia do empreendedorismo (sobretudo este empreendedorismo) como solução para o que quer que seja. E sobretudo ódio a esta ideia de que não empreender é resignar-se, ou “ficar no sofá”, ou de alguma outra forma uma escolha de vida inferior visto que assim não se vai ser o Steve Jobs.

          • Dezperado diz:

            Bruno
            Concordo inteiramente com o que diz, mas pelos vistos nao leu o meu comentario todo, principalmente onde digo:

            “Sinceramente não percebo se esse odio ao “empreendorismo” passa por ser uma palavra que sai muitas vezes da boca do governo para a salvação do país (o que obviamente não chega, nem pouco mais ou menos)”

            Não é o empreendorismo que nos “vai salvar”. Não é a salvação para todos os desempregados que infelizmente perderam o seu emprego.

            Agora se ha uma pessoa que tem uma ideia e aposta nela….não deve ser criticada, nem ridicularizada, nem deve servir de bandeira para o governo vir dar como exemplo.

            Essa pessoa aposta, arrisca e poderá ter ou não sucesso.

  3. JP diz:

    Lunhuna, creio que o seu texto tem o mérito de estruturar bastante melhor a questão que a Raquel Varela tentou abordar aquando da polémica com o Martim. Tal como na altura, considero que esta questao é relevante por aquilo que revela sobre alguma da nossa esquerda. Passo a explicar;
    Concordo com muito do que diz no seu texto (com quase tudo até) mas isso não me obriga a censurar “o empreendedorismo” ou “os empreendedores.
    Com efeito é preciso perceber que a Luhuna tem a sua informação daquilo que vai vendo e ouvindo no jornalismo português. Ora isso diz mais acerca do jornalismo do que do empreendedorismo.
    Frequentemente as reportagens são sobre aquilo que é o “kitsch” do empreendedorismo, ou seja, os negócios que têm zero valor acrescentado e que não são mais que negócios já existentes mas com novas roupagens (vender sabões, ou cupcakes, fazer uma coisas “artesanais” na cave e vender no facebook, etc…).
    Outra coisa diferente é o empreendedorismo que resulta em projetos apoiados por business angels ou por capital de risco (que são avaliados por profissionais e que geralmente conseguem separar o trigo do joio). Projetos com patentes e únicos no mundo.
    E aqui, convido-a a visitar os sites das sociedades de capital de risco e ver aquilo que de bom e verdadeiramente inovador (até mundialmente) se faz por cá. Com muita gente (jovem e menos jovem) a desenvolver projetos (e não ideias de “conversa de café”) altamente estruturados, tecnológicos e de valor acrescentado.
    E é aqui que a minha divergência consigo começa. É que considero que esta forma de dinamização da economia é essencial (o estado português até tem a Portugal Ventures para estas participações) porque não há nenhuma empresa que nasça grande e toda a gente precisa de um empurrão.
    Permita-me por isso um conselho de quem conhece esta indústria por dentro: Não cometa o erro de colocar tudo no mesmo saco.

    • Antónimo diz:

      Mas há assim tanta gente com “projectos altamente estruturados, tecnológicos e de valor acrescentado”. Duvido, pois também não existe assim tanta gente com essas capacidades. o grosso dos que conheço – e o que não falta são engenheiros nas minhas relações – são no essencial micro e pequenas empresas.

      Mesmo que tenham sido formadas 20 mil pessoas com capacidade de ponta informática (se formos para outras áreas, temos bem menos gente tirando talvez nas áreas Civil e Mecânicas, excluído o pessoal de sistemas) nos últimos vinte anos, boa parte foi absorvida por grandes empresas e consultoras, quandos sobrarão com a sua empresa? e quantos empregos gerarão e com que volumes de negócios?

      • JP diz:

        Excelente comentário.
        De facto não há muitos projetos assim, tipicamente chegarão à fase de investimento 10 a 15% do total de projectos analisados. Destes, cerca de 20% sobrevivem aos primeiros 3-5 anos de vida.
        Mas essa, para mim é que é a questão.
        Se não fomentarmos esta possibilidade teremos sempre poucas empresas de qualidade e ainda menos a sobreviverem a longo prazo. É por isso que não compreendo esta animosidade por parte de alguma esquerda. Se não for assim, como crescemos? Como criamos emprego?
        Uma última nota para acrescentar que muitas das empresas grandes ou consultoras que referiu também começaram assim, pequenas e modestas.
        É sempre um jogo de números: quantas mais forem criadas, mais sobrevivem (Repare no exemplo de silicon valley ou na indústria de ponta em Israel).

        • De diz:

          Li num texto do Bruno este excelente comentário, que perdoe-se, vai muito mais longe que algumas trivialidades a endeusar o empreendedorismo:

          “São dois pontos comuns na linguagem dominante que anda à volta do chamado empreendedorismo: acção e organização. Se é preciso agir, não ficar parado à espera, ser pró-activo, etc e tal, é repetido à exaustão, também a organização é um factor importante, tanto individualmente, por exemplo, na gestão do tempo, como numa equipa.

          Curiosamente, é muito comum que os mesmos que reconhecem a importância da acção e da organização, quando o assunto é política e acção de massas, eles já não têm uma postura de pró-actividade, antes pelo contrário, são conformistas e inactivos, e, frequentemente, optam também por depreciarem a necessidade das massas terem de se organizar politicamente para verem os seus objectivos alcançados.

          Agir organizadamente é uma necessidade, e é tanto maior quanto for a grandeza e complexidade da obra a construir. Não há argumentos que refutem isto, a prática confirma-nos diariamente. No dia 19, sábado, é muito importante agirmos ao participar na marcha da organização dos trabalhadores com o nome CGTP. Objectivo: aproveitar o know-how da intersindical para empreender um futuro melhor.”

          http://tres-paragrafos.blogspot.pt/2013/10/empreendedorismo-de-novo-tipo-pro.html

  4. Joana Pereira diz:

    Luhuna, tomei a liberdade de sacar esta parte do teu texto, que no geral considero de uma lucidez brilhante:
    “De certo modo o “activismo” espelha totalmente o “empreendedorismo”, revendo-se várias vezes até no conceito macabro de “empreendedorismo social”, ou seja, num elogio da acção nua desprovida de contexto e problemática. A multiplicação de acções apenas simbólicas, de momentos em que se pede a “todos os portugueses que escrevam em folhas de papel as suas ideias para mudarem o pais” e de reportórios de contestação apenas emotivos e estéticos obedece totalmente a um espírito do tempo que apenas preza o que imediatamente se dissipar numa espuma dos dias que, obviamente, de suave e ligeira tem muito pouco.”
    e pergunto-me que alternativas (des)construtivas familiares, tribais, de clã ou comunais se poderão propôr num espaço de “empreendedorismo social” como este? É que vender cupcakes com as amigas pode ser visto por ti como um escape da realidade, mas enquanto existir um Sistema Monetário Internacional, pode até ser uma ideia divertida, para mim por exemplo.

    • Vender cupcakes com as amigas parece-me estupendo e mil vezes melhor que trabalhar num call center, essencialmente por não estares confinada a um horário, local e hierarquia, não acho que seja um escape a rigorasamente nada. Mas também é preciso considerar que a essa “liberdade” informal não corresponde necessariamente uma liberdade formal. Ou seja a atomização da produção e do trabalho também significa uma perda de poder do trabalhador…

    • Antónimo diz:

      Cupcake é queque colorido em inglês?

      A minha preocupação vai também para quando passar a novidade do Queque às Bolinhas. Passa-se para o Cream Tartlette, que o saudoso alvarinho tentou implementar, passeiam-se cães?

      Andar de negociozinho, em negociozinho e de falência, em falência para sobreviver não parece grande vida.

  5. Pedro R. diz:

    O que a droga faz às pessoas…

  6. kur diz:

    Dezperado,e os subsídios ao ‘empreendedorismo’…….engenharia social!A India é o maior país com empreendedorismo de pacotilha e, veja-se o resultado: uma sociedade de miseráveis!
    Dê uns abraços fortes ao dias loureiro, oliveira costa, machetes e outros q tais.

    • Rafael Ortega diz:

      “veja-se o resultado: uma sociedade de miseráveis”

      miseráveis sempre foram, não é de agora.

      bom bom é estar à espera que o papá estado nos dê um empregozinho.

  7. imbondeiro diz:

    Excelente texto. Que nunca perca a lucidez de pensamento e que nunca lhe doam os dedos é o que eu lhe desejo.

  8. O país necessita de produzir, produzir, prefiro, e alguma experiência tenho nesse campo, os projectos colectivos o cooperativismo.
    Os tais empreendedores, a grande parte administrativos, mais não são do que vendedores intermédios, enriquecendo à custa da miséria dos outros.Essa sociedade já deu o que está à vista.
    mário

  9. Antónimo diz:

    E se em vez do aportuguesado Empreendedor, buscar antes as imagens sob o amaricano “Empreendedoring”, o que é que dá de bonecada?

  10. imbondeiro diz:

    Indo à questão propriamente dita do luso “empreendedorismo”, devo acrescentar que o embevecimento mediático com o novel conceito mais não é do que o glosar de uma velha mania (tara hereditária?) nacional: a do saloio e ferozmente individualista luso chico-espertismo. É o golpe de asa, o tiro mágico da bala única, o miraculoso coelho miraculosamente sacado da não menos miraculosa e luzidia cartola, o “flash” inteligentíssimo que fará as vezes do Sol que ilumina o Mundo. É claro que a asa, um golpe dando, outros não dará, pois será inexoravelmente chumbada pelo grosso chumbo da realidade; o tiro falhará o procurado alvo, porquanto é de intrujona pólvora seca; o coelho, coelho parecendo, não passa de uma mal disfarçada ratazana trapalhonamente saída de fanada cartola; o “flash”, que por Sol passa, em verdade não passará de pífia candeia que nem sequer à frente vai, multiplicando, assim, por duas vezes, o breu. Os outros estão no desemprego e passam necessidades? É porque querem: fossem eles agudamente inteligentes como eu sou, tivessem eles a extraordinária capacidade de trabalho
    que eu tenho, possuíssem eles a mais do que admirável coragem que eu possuo e as suas vidas seriam a consumação do Paraíso na Terra. “Eu” farei a diferença, porra!!! E por que razão fará ele/ela a diferença (pergunto eu)? Porque o/a convenceram disso. E fizeram-no com a mesma facilidade e com os mesmos meios de alienação em massa com que o/a convenceram de que, ao comprar o detergente X, se tornou um ser singular neste Mundo. Atomização, com efeito, mas não só: reificação do indivíduo ao, paradoxalmente, aliená-lo na firme, voluntária e orgulhosa decisão de se catalogar e de se arrumar no arquivo morto do nada que é o “empreendedorismo”. Ou, por outras palavras, dividir ( em singulares “empreendedores”) e coisificar ( numa classe onomástica em “economês” charlatão – perdoem-me o pleonasmo) o indivíduo, para que alguém (sempre os mesmos) possa reinar sem sobressaltos de espécie alguma. A miséria, essa, com mais ou com menos “empreendedorismo”, segue dentro de momentos. E não se lhe dá remédio com singulares e episódicas chico-espertices, por mais “empreendedorísticas” que elas sejam.

    • JP diz:

      Atenção que o seu comentário comete o mesmo erro de meter tudo no mesmo saco e de achar que aquilo que os média lhe mostram (o kitsch) é que é “o empreendedorismo”!

      E já agora, concordando consigo, mas então como crescemos? Como criamos riqueza e emprego?
      Por decreto?
      Com que empresas?

      • imbondeiro diz:

        Caro JP: eu, perdoe-me a imodéstia, creio não me ter enganado ao fazer uma singela análise das imagens e dos exemplos com que os nossos “media” diariamente nos bombardeiam, como creio também não me ter equivocado no apontar da mal escondida intenção desse bombardeamento, intenção essa que mais não é do que a de fomentar a autoculpabilização ( Foi despedido e está desempregado há um ror de tempo? A culpa da sua desgraça só pode ser sua: olhe aí a oportunidade “empreendedorística” mesmo aí à mão de semear…) e o cego individualismo (na sua versão “salve-se quem-puder-que-isto-até-vale-tirar-olhos-e-o-espírito-de-classe-profissional-que-se-lixe-que-eu-quero-é-amanhar-me”). E, como anteriormente afirmei, os nossos “media”, parolamente julgando instilar na lusa grei um cosmopolita gosto pelo risco e pela iniciativa, mais não fazem do que, da maneira mais leviana possível, fortalecerem um dos piores atavismos do nosso Povo: o gosto assolapado pelo expediente escapatório de resultado ( julgamos nós) sensacionalmente imediato.
        Exemplificando: aqui há cerca de mês e meio, uma das nossas televisões passou uma reportagem sobre um novel empreendimento agrícola aqui do luso rectângulo. Elogios sobraram para as virtualidades do negócio, para a excelência dos produtos, para a coragem da verde empreendedora do projecto, pairando por toda a reportagem um silencioso, mas muito veemente, convite aos jovens desempregados deste país: «Vinde e dedicai-vos à terra, ó jovens almas!» O que faltou foram as perguntas que demoliriam inexoravelmente tão cativante e “empreendedorístico” convite: Com que terra?; E, terra não tendo os putativos empreendedores agrícolas, com que crédito para a comprar?; E, tendo dinheiro para a comprar, que terra comprariam que fosse economicamente rentável num país de micro e de médias explorações agrícolas (onde ficaram as boas intenções do emparcelamento)? Só facilidades, como podemos constatar. Mas nada disto interessa quando existe vontade e sobejam os castelos no ar, não é? Não interessa nada disto, como igualmente nada vale um mero pormenor sem a mínima importância: a quem venderiam estes novíssimos “empreendedores” os seus produtos? É que estes génios que nos governam inventaram uma originalíssima forma de capitalismo: o capitalismo do magnífico “empreendedor” sem mercado para, “empreendedoristicamente”, poder vender os seus produtos ou os seus serviços. Caríssimo JP: concluíndo, não há “empreendedorismo” que nos valha quando se retira ao Povo aquilo que mantém os negócios a funcionar – o dinheiro. Sem ele, o “empreendedorismo” mais não é do que um carrossel sem parança que estonteantemente vai alternando fundações e falências de geniais e promissoras empresas, com o consequente endividamento dos titulares. E o povo trabalhador, o mais qualificado de sempre neste país, esse, vai continuar a ir “empreender” para a Alemanha, para a Inglaterra, para a França, para a Holanda, para Angola, para Moçambique, levando os filhos com ele ou por lá constituíndo família e, provavelmente, jamais voltando ao seu país. E este desgraçado Portugal vai continuar a enterrar-se, mais e mais, na miséria e na hecatombe demográfica. Saudações cordiais e um muito obrigado pelo seu comentário.

        • JP diz:

          Estou 150% de acordo.
          Mas assim sendo, devemos atacar a falta de poder de compra e quem nos condena à pobreza ou quem (ainda) tenta reagir mesmo com os defeitos que todos conhecemos?
          Eu acho que os carrascos devem ser combatidos. Mas também acho que as pessoas devem ser estimuladas a criar coisas novas e melhores. Parece-me que isso é o progresso.
          Caro Imbondeiro, volto a perguntar: se não for assim, como damos a volta a isto?
          Cumprimentos

          • X diz:

            Não pude deixar de ler até ao fim este pequeno “debate” de ideias e caro JP, o que está errado é o próprio sistema, neste caso o sistema capitalista, nunca vamos conseguir mudar nada no sistema se as ferramentas ao nosso alcance forem as ferramentas criadas pelo próprio sistema. Quando se fala em combater a desigualdade, a miséria, as diferenças sociais e se quer melhorar as condições de trabalho das pessoas, e dar igualdade de oportunidades e melhorar a educação, tudo isso se torna impossível num sistema em que a existência dele próprio está dependente de uma única ideia: “COMPETITIVIDADE”, na realidade esta palavra não é nada mais do que a necessidade de evoluir nas formas de produção e exploração de recursos para reduzir custos de produção e distribuição para que com isso se consiga se possa ganhar mercado e vender os produtos a um mercado que antes comprava a outros produtores, tornando os outros agora eles próprios não competitivos e empurrando-os para a miséria ou obrigando-os a evoluírem no método de explorar para que se tornem competitivos outra vez., uma pescadinha de rabo na boca sem fim alimentada pelos donos do dinheiro do mundo para que eles possam fazer os seus joguinhos de poder e manter o seu estilo de vida e das suas famílias.

            Para dar resposta às suas perguntas sobre como criar emprego, crescimento económico e riqueza, ideias estas também inventadas pelo capitalismo, tem que sair de dentro da caixa, já ouviu este termo nas suas formações, não? Ler documentação séria sobre o comunismo com certeza que lhe iria dar todas as respostas, mas como não me parece que o sr. tenha ideais comunistas, pelo menos é o que você pensa, não quero deixar de partilhar consigo um link onde terá a respostas para todas as suas perguntas sobre economia e muito mais, quem sabe se até conhecer como vai funcionar a nossa sociedade mundial do futuro, se não nos exterminarmos primeiro é claro. Saúde!!

            aqui vai o link: http://www.zeitgeistportugal.org/

          • imbondeiro diz:

            Caro JP, o senhor bem sabe quem eu penso que devemos atacar: quem nos condena à miséria não são aqueles que abrem o seu modesto negócio; quem nos condena à miséria são aqueles que destroem o tecido industrial e empresarial do país, criam milhares e milhares de desempregados e, depois, cinicamente, os mandam abrir, “empreendedoristicamente”, o seu negócio. E nesse imperativo dos nossos governantes não entram bagatelas de pormenor como capital de financiamento dos futuros negócios, formação e bagagem tecnológica dos putativos “empreendedores” e escoamento dos seus produtos ou dos seus serviços.
            Eu não sou contra o espírito de iniciativa, como nada tenho contra a autodeterminação económica do cidadão que pretenda autodeterminar-se e, com isso, criar emprego. O que eu sou, caro JP, é contra a fantochada mediática que maquiavelicamente pretende veicular a teoria (e fazê-la aceitar e assumir pela generalidade da nossa comunidade) de que a miraculosa solução para o incomportável desemprego das massas trabalhadoras é o “empreendedorismo”, ainda por cima, indo buscar os exemplos, supostamente “de sucesso”, os mais ridículos e risíveis que imaginar se possa. Não é, caro JP, e o senhor bem sabe que não é. Só o será se, jocosamente, considerarmos “empreendedorismo” o vender de fruta à beira da estrada. Mas, se isso acontecesse, se todos nós isso fizéssemos , uma pergunta eu lhe deixo: quem cultivaria e quem compraria essa fruta?
            Cordiais cumprimentos e obrigado pelo seu comentário

          • De diz:

            Ora aí estão alguns elementos bastante correctos.
            O que se tem que mudar é mesmo esta sociedade.Sem apelo nem agravo.
            Está podre e caduca

        • Portuguesmente diz:

          Comungo a 100% com o atrás referido. Sonhar é sempre bom ,mas com os pés sempre assentes no chão. Empreendorismo, sem capital é morte anunciada e num país em que quem tem a ideia não tem ajuda e incentivo por parte de quem monopoliza o capital, o melhor é pensar duas vezes antes de enveredar por compromissos financeiros que à primeira vista parecem ser exequíveis, mas depois por alterações legais muitas das vezes introduzidas pelas Instituições financeiras e pelo próprio estado deitam tudo a perder, Porque de início tudo são rosas, mas depois do empreendedor estar acorrentado passa a ser diferente. Que se continue a sonhar como diz o poeta o sonho comanda a vida,mas que sejam sonhos, que nãor levem o sonhador a ser escravo do seu próprio sonho.

    • De diz:

      Excelente comentário caríssimo imbondeiro

  11. Parece-me que a autora está a tentar fazer aquilo que eu tento fazer sem sucesso: explicar aos capitalistas que o empreendedorismo só por si não é nada, tem de ter alguma substância ou valor acrescentado. Nos exemplos dados são mais que conhecidas outras empresas do sector que nunca vigaram em termos de sistemas operativos (Xerox, Linux- demorou, HP, IBM, Sun, n… e a própria Microsoft se não se tem adaptado a tempo ficaria pelo caminho. Como muitas outras: NeXT, ComputerVision da Prime Computer, Amiga, Atari, etc.). Pelo outro lado, perceber que a esquerda enquanto for mera observadora também não vai conseguir resultados. É necessário mudar-se a filosofia participativa e o reconhecimento do risco entre os vários parceiros de negócio. É necessário que as gerações novas tenham alguma capacidade de aprenderam com os que têm mais experiência, que o mundo é feito com todas as marcas e sem marcas, à direita e à esquerda e que pretendemos uma socieade mais justa e menos dominada pelos interesses tanto do capital D, como do capital E. Que o mundo onde vivemos se não for cuidado não serve para ninguém. Há mesmo demasiadas questões pertinentes a discutir em paralelo.

  12. um anarco-ciclista diz:

    belo texto, pá!

  13. Joaozinhoipanema diz:

    Empreendedores, pessoas com ideias, que se levantam, criam, trabalham, caiem, levantam-se, pessoas ativas, que arriscam, uns com sucesso, outros nem tanto, todos estes são de louvar.
    Agora, treinadores de bancada, críticos de sofá, está este País infelizmente cheio.
    Ides todos cavar vinha para o Alentejo, e metam a verborréia no ….texto redondinho,giro, até tem graça.
    Mas padece do mal, de não contribuir com ideias. Sim eu sei que não é fácil.

    • Porque o resto da humanidade não vive, falha, cria, destroi, sonha, triunfa, cai e levanta? É precisamente este o carácter ideológico do empreendedorismo: afirmar que a mais alta expressão do espirito humano se dá na criação de empresas e na comercialização de produtos

      • De diz:

        Clap!Clap!

      • PjdG diz:

        Luhuna o texto está muito bem escrito, para quando um livro? Ou já tem?
        Mas permita as minhas questões:
        Se não se criam empresas e comercializam produtos ou serviços como se criam empregos?
        É o estado que deve empregar todos nós?
        Todos os actuais desempregados, empregados precários, empregados em empresas privadas, devem ser empregados do estado?
        Se assim for não quero saber de onde vem o dinheiro… desde que me paguem ao fim do mês sem falta, quero desde já saber onde me posso inscrever?
        Qual a morada das sedes do BE ou do PCP para eu aderir a uma das sociedades?

        • De diz:

          Uma das sociedades?
          Desculpe mas a ignorância tem limites.Daí que deve ir estudar um pouco mais,sair da sua zona de conforto como diz o chefe da quadrilha e tentar procurar resposta para as suas peculiares questões.
          Aposto que depois saberá porque motivo foi apanhado com as calças na mão
          🙂

      • Rafael Ortega diz:

        Não percebeu.

        Criar empresas e comercializar produtos não é a mais alta expressão do espírito humano.

        Mas é o que põe comida na mesa.

        Ou quer a paparoca e os trapinhos para vestir entregues em casa pelo papá estado?

        • O que põe comida na mesa não é criar empresas e comercializar produtos, mas sim, no capitalismo, a criação, acumulação e distribuição de valor, sejam organizadas pelo estado ou por privados, não vejo grande diferença – se defendo algo politicamente será um terceiro polo que transcenda o público/privado.

          Sinceramente, tanto jovem empreendedor que vem aqui comentar e pergunta se a alternativa a este empreendedorismo bacoco é então estado, não seriam vocês os mais capacitados para pensar “out of the box” e ter a coragem das ideias e patati-patatá?

          • Rafael Ortega diz:

            “a criação, acumulação e distribuição de valor”

            Porque é que novas empresas não podem criar, acumular e distribuir valor?
            As empresas que existem hoje apareceram por geração espontânea?
            Alguém teve que as criar. Alguém teve que ter uma ideia, pensar num negócio e por as coisas em marcha.

      • JgMenos diz:

        Nada como divagar para evitar o argumento.
        Onde está o emprego (assalariado) de que tanto se fala? Estado, empresas, particulares.
        Mas também se pode falar de literatura, pintura, RSI e outro tipo de actividades…

        • De diz:

          A divagação sobre os assuntos é um dos grandes métodos usados por Menos.
          O que irrita sobremaneira o “rapaz” é ver o capitalismo ser acossado e denunciado.Entra em órbita e produz estas “pérolas”

          A prova?
          O ódio sebento denunciado pela tentativa de misturar o famoso RSI com a literatura e a pintura.

          O “rapaz” quer ainda ir mais longe.E não se veda.

      • NSP diz:

        É precisamente esse o ponto, Luhuna.

  14. Luis Moreira diz:

    Empreendorismo é a diferença entre o bem estar da sociedade capitalista e a miséria da sociedade comunista. Já alguém viu uma sociedade comunista produzir o suficiente para tirar o povo da miséria? nem um exemplo!

    • Paco diz:

      Que bem estar? Estas, por acaso, a falar de Portugal, ou da Europa?. Dos miilhões de desmpregados da UE? e dos milhões de pobres e indigentes que se arrastam famintos, por essa Europa for a? e dos reformados que têm que se governor com duzentos ou trezentos euros por mês? É desse bem estar que falas? é esse o bem estar da sociedade capitalista?

    • X diz:

      Caro Luís,

      Também ainda não vimos nenhum estado ser realmente comunista, alguns quase que alcançaram e outros não passaram de ditaduras disfarçadas.

      No entanto o que vejo nas sociedades capitalistas chega muitas vezes ao cúmulo de destruírem o que eles próprio produzem para que com isso não baixe preços de mercado por excesso de oferta, nunca vi nenhum estado capitalista agarrar nesses excessos de produção e dar aos miseráveis que vivem escondidos pelas nossas cidades fora, ou reduzir os horários de trabalhos para obrigar as empresas a contratar mais pessoas para fazer frente às encomendas e com isso reduzir o desemprego, ou aumentar os vencimentos das pessoas para que com isso se mantenha o dinheiro no país no lugar de exportar milhões de € para o Estrangeiro pelas grandes multinacionais cá implantadas a sugar lucros.
      Mas o maior risco disto tudo são as crises económicas provocadas deliberadamente para nos levar no caminho de países como os Estados Unidos, e perder o bom censo e ideais de esquerda e de igualdade que ainda existem nas constituições europeias.

      Saúde!

      • PjdG diz:

        Caro X… afinal lendo o seu primeiro parágrafo está tudo dito… aliás é o que eu digo aos meus amigos do BE e do PCP… o comunismo nunca existiu… é um ideologia de sonhadores… nada mais!

        No segundo parágrafo afirma que estamos a ser levados no caminho de países como os Estados Unidos… se assim for que seja depressa!!

        Quase todos os dias falo com pessoas nossos compatriotas que trabalham lá, que são “explorados” pela sociedade capitalista americana e todos os dias me arrependo de não estar a ser explorado nesse país!!!

        Ainda hoje almocei com um desses, um “simples” encarregado de carpintaria…. que conseguiu finalmente vir a Portugal ao fim e 5 anos… não por falta de dinheiro, mas porque a empresa não o podia dispensar… existiam trabalhos para executar… com prazo de entrega rígido… e o que ele se queixou… sabe do quê e de quem?

        Queixou-se de nós… do nosso país… do nossa constituição… da burocracia estatal para arranjar um simples documento… do número de funcionários que tem que falar para resolver um problema… da greve do metro… o pior foi quando lhe disse quanto ganhava mês um maquinista do metro e quanta horas fazia… os palavrões que disse foram todos em inglês, e concluiu: já percebo porque está tudo mal em Portugal!

        • Northind diz:

          PjdG – fala como se o estivesse a fazer na mesa do café usando a sua retórica sofista aos pacóvios que o escutam cujos olhos pouco mais viram do que as serranias à volta da aldeia. Eu falo pelo que os meus olhos viram, e viram lá no ‘seu’ paraíso americano filas de indigentes ‘homeless’ junto às instalações duma ‘bigpharma’ para darem o seu sangue que depois é usado como matéria prima para a confecção de medicamentos. Muitos destes sem-abrigo vivem disso, isto é, comem com o dinheiro que recebem desta venda. Certo dia caminhava eu num parque de NY e vi uma indicação de WC, tendo que satisfazer uma necessidade fisiológica, disse à minha companheira que esperasse um pouco nas cercanias; próximo da entrada dos mictórios fui positivamente rodeado por um bando de indigentes a “oferecerem-me” os seus serviços. Pode-se imaginar o meu susto e a rapidez com que fugi do local sem fazer o que queria. Outra coisa giríssima lá nos ‘states’ é a abordagem da polícia quando conduzes e te mandam parar; aqui dizem-te boa tarde e pedem os documentos, lá colocam as mãos nos coldres das pistolas, uma de cada lado e mandam-te sair do carro. Ah, a propósito da “LA COSTE” do Fernando Ruas, ele compra essas coisas aos ciganos na feira de Carcavelos 😉

        • De diz:

          Ainda não teve tempo de estudar nada pois não?
          Mas aqui sobra outro pequeno pormenor:
          É que qualquer dos seus putativos amigos devia saber responder-lhe que pelo facto de não ter existido nenhuma sociedade comunista, não quer dizer que esta ideologia não exista.
          E ainda para mais, resista ao tempo para desconforto do pjdg

          Quanto ao seu americanismo primário…desculpe mas para essa discussão já demos.
          E para não sermos mais cáusticos perante a figurinha, admire-se a forma como o imperio trata os seus vulgares cidadãos:
          http://actualidad.rt.com/sociedad/view/108243-video-policia-brutalidad-mujer-eeuu-pared
          O azar foi o vídeo.Senão quem se tramava era a vítima.
          E não,não vale a pena dizer que foi um acontecimento fortuito.Há mais e muito mais.Se quiser mais links é só dizer.

          Estranha-se que não tenha ido ainda a correr ter para os braços do tio sam.Um trabalho de carpintaria aguarda-o e pode crer que depois nãp podem prescindir de si.Chorarão até se for de férias.Ainda para mais dar-lhe-ão o dinheiro que lhes faz falta para executar os seus prisioneiros
          http://actualidad.rt.com/sociedad/view/108168-eeuu-ejecutan-presos-farmacos-homolgados

        • De diz:

          Depois veja se se enxerga um pouco mais.
          Sabe?
          Nós não estamos interessados nos seus almoços nem nas choraminguces dos seus “amigos” nem na propaganda escondida com o rabo de fora dessa forma grotesca como o faz.
          Que diabo.Um sicário do portas reconhece-se em qualquer lado
          E quando o conviva para o almoço não é um tipo mas uma gaja de nome Lagarde …estamos conversados

          É que a tipa disse exactamente o mesmo que o seu”amigo”… E ainda ninguém a colocou em sentido

          Será que é pelo facto do cavaco do portas ou do coelho estarem habituados a obedecer a ordens em línguas como o inglês ou o alemão?

    • Northind diz:

      Luis Moreira – Visão maniqueista mandada para o ar sem conhecimento nem análise crítica do que são uma e outra sociedade. Eu ponho-lhe a questão ao contrário: já alguém viu uma sociedade capitalista tirar o povo das misérias? E a China? Ah, vai dizer que já não é comunista. E quem lhe disse a si que a miséria se mede exclusivamente pela carência de bens materiais? Se eu acreditasse em deus diria: -meu deus, perdoai-lhes porque eles não sabem o que dizem!-

  15. NL diz:

    Luis Moreira, bem estar da sociedade capitalista? Só porque porventura vive bem, não julgue que o povo das sociedades capitalistas não está na miséria.

  16. Paco diz:

    Gostei do texto inicial. Concordo. Nos comentários que se seguem há de tudo. Desde quem sabe o que diz até quem não sabe nada de nada. Porém e, muito embora alguns tenham razão quanto à importância do empreendedorismo eu só quero acrescentar uma coisa. Mudar a forma, a cor, e retocar o conteúdo pode ter um enorme sucesso para quem o fez. Seguramente a economia não sairá minimamente enriquecida e o negócio noa sera sustentado. As permissas estão erradas. Quando se cria o produto e se inventa a necessidade dele à posterior, ou mesmo, quando se inventa a necessidade anteriormente e se prepara o caminho para o aparecimento do produto… o resultado a médio prazo é o insuceço a a falência. Já se o negócio corresponde à satisfação de uma necessidade real pos consumidores, então ele terá sucesso. O capitalismo é particularmente pela primeira estratégia. Daí termos chegado onde chegamos. Por isso eu digo… por mais que o capitalismo se traveste, se pinte, mude de roupagem, a prazo acaba sempre nisto. A falência do sistema, com proveitos acrescidos para uma pequena minoria e a desgraça para a população em geral. E não há empreendedorismo que nos valha. É, pois, urgente reverter esta situação . O capitalismo tem que ser banido. Pnto Final

  17. Ines B. diz:

    Magnífico texto!

  18. Morgada de V. diz:

    “Porque o resto da humanidade não vive, falha, cria, destroi, sonha, triunfa, cai e levanta? É precisamente este o carácter ideológico do empreendedorismo: afirmar que a mais alta expressão do espirito humano se dá na criação de empresas e na comercialização de produtos”. Brava!

  19. ru diz:

    considerar que “qqr um” pode ser um “empreendedor” é de uma extrema ingenuidade.
    é tapar o sol com a peneira … empreendedorismo é competir pelos mínimos buracos deixados pelos grandes capitalistas. não dá para muitos, dará para uns quantos oportunistas com tendências sociopatas. convencidos de que ir às raízes dos problemas nada resolve, tratar da sociedade como um todo, portanto é o salve-se-quem-puder do desespero.

  20. PjdG diz:

    Capitalismo vs Comunismo em Portugal
    A imagem da esquerda em Portugal foi por diversas vezes deixada pelo Fernando Rosas do BE no parlamento: a falar, muito bem, contra a direita, contra o capitalismo… mas os mais atentos olhavam para a marca da camisola que tinha vestida: LA COSTE!
    essa marca, esse símbolo máximo da sociedade proletária!

    • Paco diz:

      Olho vivo..hein!
      É pena que só tenhas o olho vivo para esses pequenos pormenores ) sabes lá se nao foi comprada na feira aos ciganos?) e sejas completamente cego (a) quanto às evidencias que entram pelos olhos dentro a qualquer um.Basta querer vê-las!!!

      • Paco diz:

        E nos E.U. estão bem? Então o pais em que o Governo tem que fechar as portas – e toda a administração – porque não tem dinheiro para pagar aos funcionários está bem?
        Abre os olhos!!!!

        • nightwishpt diz:

          Não, o governo fechou as portas porque um partido foi tomado de assalto por radicais que não aceitam uma lei que foi votada 50 vezes.

    • De diz:

      Ah
      Então foi pela marca La Coste (?) que pjdg concluiu que a esquerda etc e tal?

      É então isso o expoente da luta entre capitalismo e comunismo?

      Estamos a ver.Já percebemos que a idiotice do americano médio é contagiosa.

  21. Quiapulvises diz:

    Este artigo é demasiado redutor e aplica-se apenas à realidade de um tipo de empreendedorismo marginal a que chamo “empreendedorismo barato”. É certo que o “empreendedorismo” é moda nos meios de comunicação social e na boca dos governantes com o objectivo de nos “entreter” com a falácia de que todos devemos e podemos ser empreendedores, quando não é assim. Mas o verdadeiro empreendedorimo é muito mais do que esta análise redutora, que apenas apresenta a caricatura do empreendedoremos mediático da TV, apresentado como entertenimento do final dos serões.
    Há verdadeiros empreendedores por este país fora a crescer nos mercados internacionais, a contratar pessoal com elevada formação técnica e superior e com salários acima da média. Procurem pela incubadoras e vão encontrar alguns exemplos muito bons. É uma questão de perder um pouco mais de tempo nas pesquisas no google …

    • JP diz:

      Caro Quiapulvises, isto é tão óbvio que nem devia ser preciso dizê-lo. Foi, aliás, o que tentei expor atrás.

      Mas se reparar os comentários dos “colegas” de blog (com honrosas excepções) optam por ignorar essa informação.

      Optam por ignorar que o que vemos na TV é apenas o lado Kitsch do empreendedorismo (já agora pergunto se o que vemos na TV em relação à cultura é representativo do sector? E na política, é representativo? E na educação?) e não procuram perceber o que é feito (a sério e profissionalmente) nesta área.
      Como optam por ignorar que nenhuma empresas nasce do nada e sem a visão de uma ou mais pessoas (os famigerados empreendedores); Como optam por ignorar que são essas mesmas empresas que empregam a maioria das pessoas em Portugal; Como optam por ignorar que são estas empresas que sustentam o estado (com os impostos e contribuições dos seus trabalhadores); Como optam por ignorar que quem tiver, hoje, um projeto inovador pode conseguir financiamento para o mesmo sem ter que se endividar na banca.

      É muito mais fácil não apresentar nenhuma solução para o problema e apenas “mandar abaixo” quem tenta reagir.

      Repare que o próprio PCP tem um discurso com uma preocupação permanente com os trabalhadores e com as PME’s. Precisamente porque percebe que não existe economia sem PME’s e que sem elas o país não sobrevive.

      Infelizmente, percebe-se que a maioria da argumentação que aqui lemos é apenas preconceito de quem, simplesmente, não sabe do que é que está a falar e não conhece o sector.

      • De diz:

        A realidade para os JP deste mundoé triste mas é esta:
        O trabalho não precisa de patrões.São os patrões que precisam dos trabalhadores.

        O mais é o esforço titãnico de alguns que até concordam em 150% (!) na sua ânsia patética de venderem a defesa dos mecanismos de exploração

  22. New Age diz:

    Andar na internet tem destas coisas.. de vez em quando é-se confrontado com diarreias intelectualóides destas. Numa altura em que arranjar emprego nunca foi tão difícil, numa altura que temos tantos jovens qualificados, critica-se com esta irresponsabilidade a iniciativa jovem, a luta de criar emprego uns para os outros, a vontade de ficar no país e criar valor para ele, a exploração do potencial de exportação…
    Vamos mazé dar a foice às pessoas, viver todos em camaratas e plantar batatas. Isso sim, era empreendedorismo de valor!

    • As críticas que aqui escrevi têm assumidos duas formas:
      a) a realidade empresarial e empreendedora é mais complexa e variado do que conheço. O que assumo sem qualquer problema
      b) o post é uma “diarreia intelectualóide” em que é atacada a única forma do pais sair da crise – isto sem que sejam apresentados quaisquer argumentos, baseando a crítica apenas num vago “pelo menos eles tentam” ou “estão a lutar pela vida”, ou seja, argumentos essencialmente ideológicos e voluntaristas que parecem querer ignorar os reais funcionamentos da economia e do trabalho. Talvez seja este o lado mais tristemente caricato da crise e da austeridade: ver toda uma série de gente ideologicamente alinhada com o governo a utilizar argumentos que apenas a mais marginal das esquerdas utiliza

  23. Pedro diz:

    Custava muito a Luhuna Carvalho aprender a raciocinar?!?!? Sabe o que é a lógica?
    Qualquer Martim desta vida lhe diz que o resultado da ausência generalizada do empreendedorismo é a fome. Ou pensa que o que lhe aparece na prateleira de um super mercado não resulta do empreendedorismo de alguém/alguns. Antes que responda (que não responde, eu sei) que o estado tem a “obrigação” de abastecer os supermercados e alimentar os seus cidadãos, lembro-lhe que já se tentou fazer isso e o resultado são as icónicas filas de pessoas à espera de entrarem num supermercado de prateleiras vazias.
    Só espero que a Luhuna Carvalho não seja professora porque o mal que uma pessoa que não sabe raciocinar faz, é sempre infinitamente maior quando se está no posição de “domínio”.

    Sinceramente espero que esta forma de “pensar” parasitária (porque para consumir, alguém tem que produzir para si) seja induzido por algum produto alucinogénico…

  24. huguini diz:

    Procurei no Google Images a palavra “communist”. A pessoa que mais aparece nos 5 primeiros resultados é o Obama.
    Pode ajudar-me a interpretar este resultado?

  25. empassagem diz:

    depois de ler com muita atenção este (pertinente) texto eu diria
    “O empreendedorismo: os bicos de papagaio do comunismo”

  26. Me diz:

    O comunismo não foi criado numa fábrica…
    Foi criado em Manchester e Londres, por dois capitalistas, Engels e Marx.

    Engels roubava dinheiro à empresa do pai (que ele geria…) para sustentar Marx. Eram ambos burgueses com antecedentes aristocratas que caçavam com matilhas, tinham cavalos e, no caso de Marx, enviava as filhas para as melhores e mais caras escolas da Europa (Engels pagava).
    Engels achava que os pobres eram responsáveis pelo seu destino em serem pobres (uma visão um pouco infeliz para quem fundou tal movimento, mas vá) e Marx assinava artigos escritos por Engels para o New York Tribune e, ainda por cima, ficava com o dinheiro (Marx pouco ou nada sabia de inglês, mas aceitou o “trabalho” na mesma).

    Eis os founding fathers do comunismo.
    (tudo isto apenas para clarificar algumas informações que aqui têm sido discutidas).
    Obrigada.

  27. Pingback: O Empreendedorismo e os seus descontentes | cinco dias

  28. Pingback: O empreendedorismo: a doença infantil do capitalismo

  29. eu diz:

    Ide viver pra Venezuela que lá já é natal !!! 🙂

  30. Luis Pinto diz:

    O/A autor(a) do artigo constitui também um exemplo de empreendedorismo, uma vez que se dedica a criar e a multiplicar ideias. Pelo facto de estimular este tipo de discussões, estará mais no grupo de empreendedores ou transformadores sociais – aqueles que estimulam o outro a ser agente da própria mudança.

    • De novo a ideia de que qualquer produção é humana é empreendedorismo. Não é, o meu propósito ao escrever este post não foi gerar lucro.

      • Luis Pinto diz:

        Qualquer produção humana tem uma causa e um propósito, seja gerar lucro, satisfação pessoal ou reconhecimento.
        A ciência económica não é uma ciência sobre dinheiro, é sobre necessidades e escolhas na satisfação das necessidades.
        A história está cheia de empreendedores, ou seja, pessoas que tiveram vontade e iniciativa pessoal, para transformar a própria vida e a vida dos outros, alguns melhor, outros pior. Exemplos? César, Marx, Chaplin, Colombo, Mandela, Hitler, Zuckenberg, o nosso vizinho ou o nosso irmão, etc. Cabe-nos em liberdade escolher os melhores exemplos.
        Quanto ao artigo, penso que a questão é bastante pertinente e oportuna.
        De facto, o poder, seja politico ou financeiro, tende a aproveitar a subversão em seu próprio proveito, por vezes de forma bastante inteligente e manipuladora, convertendo para a sua causa, pessoas que à partida tinham a melhor das intenções.
        A iniciativa pessoal é algo incontrolável, mas os seus efeitos na sociedade são imprevisíveis.

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