Luís Amado: peca por alguma originalidade?


Luís Amado não é um português anónimo nem um militante socialista «de base». Tem uma longa carreira no partido do Largo do Rato, foi deputado, pertenceu a governos socialistas pelo menos desde 1995, foi ministro dos Negócios Estrangeiros (e até de Estado) em governos de José Sócrates.

Ontem, numa conferência realizada em Lisboa, resolveu «ajudar» o partido a que pertence, referindo as cautelas que este é obrigado a ter no seu posicionamento político por existirem na AR «forças revolucionárias» que identificou com a «extrema-esquerda parlamentar». Se não fosse patético, e pateta, seria apenas cómico dizer-se que PCP e Bloco são «forças revolucionárias» (antes fossem, antes fossem…), mas adiante.

O único objectivo de LA foi defender a criação de um bloco central (entenda-se uma grande coligação do PS com os partidos à sua direita). Lamenta mesmo que isso não tenha acontecido em 2009 (quando o PS formou o XVIII Governo Constitucional com maioria relativa), com um argumento curioso: teria sido mais fácil «a gestão das expectativas dos eleitores, por um lado, e dos credores, por outro, considerando que a mesma é “incompatível”», «porque, “a maioria [parlamentar] preocupa-se com os credores e a oposição com os eleitores”». Registe-se.

Indo ao que mais interessa. LA diz-se convicto de que «no próximo ano, ou no seguinte, isto [a formação de um bloco central] poderá acontecer». De acordo: o PS de Amado e de muitos outros não se aliará à perigosíssima «esquerda revolucionária» portuguesa presente na AR e cimentará a sua força de braço dado com a direita. Mas aquilo que eu apreciaria mesmo era que fosse feito um inquérito (com voto secreto, claro) dentro dos principais órgãos actuais do PS (Comissão Nacional e Comissão Política, por exemplo) e saber-se-ia então para que lado penderia a balança em termos de desejos de alianças. Por mim, não tenho dúvidas: LA está muito longe de ser minoritário, porque é muito mais o que aproxima o actual PS da direita do que aquilo que tem em comum com a esquerda. Com «culpas» de todos? Certamente. Mas, contra factos, raramente há argumentos.

(Fonte)

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23 respostas a Luís Amado: peca por alguma originalidade?

  1. O PS tem alianças com o CDS e o PSD, aliás são uma união nacional. E partidos que matam todos os dias milhares de pessoas com as suas posições fascistas, não me parece que sejam só de direita. Mas a maioria dos camaradas contínua com a mania de chamar direita à extrema-direita retirando a dureza e crueldade destes ditadores fascistas.

  2. huy diz:

    Mas,este ‘sr.’ não é um agente da cia?Ah! e,agora é bankster.Está a fazer carreira….

  3. z diz:

    Luís Amado e a «suposta» Nova Ordem Mundial …dizem eles os illuminati… deve ser …

    Vale a pena ouvir:
    Roteiros – Presidência da República:
    http://www.presidencia.pt/?idc=419&idi=75553&idt=47 (17m05s)

    A sua participação em Bilderberg (2012):
    http://resistance71.wordpress.com/2012/06/03/liste-des-participants-a-la-reunion-bilderberg-2012/

  4. Bolota diz:

    Joana,

    Porque será que não fiquei espantado com o que disse o Kenny Roger do PS???

  5. Manuel Mendes diz:

    Joana Lopes esperamos com paciência que funde um partido verdadeiramente revolucionário já, que segundo a sua opinião,os que existem (PCP e BE) não servem. Estou convicto que com a sua grande experiência revolucionária vai conseguir. Seja breve porque a minha idade já vai avançada.

    • E um pouco de sentido de humor, não se arranja?

    • Argala diz:

      A Joana tem razão, pelo menos sobre isto.
      O PCP e o BE não são partidos revolucionários. Um partido revolucionário é um partido que pratica a luta revolucionária. E revolução todos sabemos o que é, é o derrube violento da ordem burguesa.

      Este debate já ficou resolvido há mais de cem anos, e todos sabemos o que é reforma e o que é revolução. Lá porque o vírus do reformismo alastrou aos partidos da antiga III Internacional, não significa que tenhamos de esquecer o que está em causa neste debate.

      Em suma, Luís Amado fez um elogio que tanto o BE como o PCP não merecem. Pode ser que um dia, quando realmente aparecerem partidos revolucionário, lhe caia a bonomia.

      • De diz:

        Precisamente porque o debate continua em pé, é inútil Argala tentar refugiar-se com um debate encerrado por ele há mais de 100 anos.
        A impotência dá nisto.Mas como argala é apesar de tudo um dos que deve estar no mesmo lado da barricada não iremos mais longe do que .
        Enquanto serenamente ansiamos pelos partidos “revolucionários” tão ao gosto de um durão barroso , colheita 1975.

        E não,não esquecemos

        • Argala diz:

          Vá De,

          Mas olhe que o MRPP também não é, nem foi, um partido revolucionário. É um partido palavroso, mas sem prática revolucionária alguma. Contudo, ao ler nos estatutos coisas como a que se segue, não posso senão considerar que uma pequenina parte do trabalho está feito:

          “O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, ciente de que nenhuma classe exploradora se retira voluntariamente da cena da história, e ciente ainda de que a revolução é uma insurreição, um acto de violência pelo qual uma classe derruba a outra, considera que o proletariado e a restante massa de trabalhadores assalariados só podem alcançar os seus justos objectivos se não alimentarem nenhuma espécie de ilusões pacifistas e se forjarem o instrumento político-militar adequado à obtenção da vitória no seu combate popular prolongado.”

          E é aqui que se separam as águas. É revolucionário o partido que, organizando-se fora do alcance das forças repressivas do Estado burguês, consegue construir as ferramentas necessárias para o derrubar. Não significa isso que o partido não possa ter uma “cara legal”. Mas o partido não é essa entidade jurídica que se vai inscrever no TC. E isso não existe por cá.

          E sim, estamos do mesmo lado da barricada. Eu estou só com medo que do nosso lado continuemos a comer e calar, e de recuo em recuo, até o inimigo entrar definitivamente nas nossas linhas.

          Cumprimentos

          • De diz:

            De facto, de facto poder-lhe-ia responder na mesma onda e ainda para mais também com algum humor .

            Mas não é este nem o tempo nem o momento.
            E a canalha espera-nos…cada vez mais violenta.

          • Não estamos a comer e a calar, só não estamos a agir da melhor forma. Greves totais é impossível, e as manifestações não trazem beníficios, ainda assim, tenta-se. Estamos a lutar de forma errada, tal como o PCP, a CGTP, e os movimentos de esquerda ainda não viram ou ainda não assumiram/disseram o que estamos a combater.

          • Com comportamentos cada vez mais nazifascistas queres tu dizer De. Mas com novas técnicas.

  6. JgMenos diz:

    Não há Bloco central antes que o PS seja ‘o mais votado’ – esse atributo que naturalmente lhe pertence pela herança de liberais, republicanos e reviralhistas, numa tradição de 200 anos de conluios de aventais e outros instrumentos democráticos.
    Ah! e por ser muito de esquerda!

    • De diz:

      Mais confusões e tentativas de confusão made in Menos, servidas naquela amálgama de que é feritl ao jeito de manipulação histórica dos factos.

      De facto ao PS não lhe pertence por herança os temas apontados atrás por Menos. As coisas são bem mais complexas do que este pretenso inocente rosário de mágoas. Poderemos dizer com mais propriedade que o PSD é o herdeiro do Miguelismo, daquele conservadorismo absolutista que já na altura lutava com o cacete contra a carta constitucional e que era apoiado pela fina flor da escumalha portuguesa, tendo ao seu lado latifundiários, marialvas, mariolas e a Igreja Católica, De lembrar que esta tropa canalha de D.Miguel tinha em 1831, 26 000 prisioneiros considerados liberais e que este período foi designado como do “terror miguelista”.
      (Não confundir com: “*** “Miguelismo”: forma de estar na vida caracterizada pelo oportunismo, “chico-espertismo”, facilitismo, tráfico de influências, “mafiosice” e “cunhas”. A designação vem de Miguel Relvas e do seu delfim Miguel Gonçalves, exemplares representantes desta corrente”).

      Mas o percurso da nossa direita troglodita poderia ir mais além ou mais aquém.Poderiamos considerar salazar como um antecessor da canalha que nos poverna sem estarmos muito longe da realidade.E até há um pormenor bem curioso
      na linguagem de Menos.O termo “reviralhistas ” com o qual se descai Menos.
      Como se sabe o termo reviralho terá provavelmente sido inicialmente utilizado pelos apoiantes do regime, com um sentido claramente depreciativo, como aliás o sufixo indicia. E era habitual ouvir os néscios e gordos fascistas usar tal termo.

      • JgMenos diz:

        Aprender algo de História em banda desenhada dá nestes conceitos muito rigorosos de fascistas néscios e gordos,
        Já o Salazar como antecessor do PPC é algo que merece um bocejo de entediamento total.
        Mais colorido é o Miguelismo congénito do PSD, caso muito imaginativo de transformismo histórico.
        Como habitualmente a alhos correspondem bugalhos, e fica o PS sem ascendência…

        • De diz:

          🙂
          Percebe.se o incómodo do anti-revilharista.
          O boneco estórico” traçado pelo dito Menos acerca dos últimos 200 anos é o padrão do conceito rigoroso da História para Menos?
          Não está mal.

          Como não está mal ver o esforço para o bocejo de Menos diante de salazar a aparecer como antecessor do coelho.Poder-se-ia pedir para Menos ler de novo e verificar as diferenças entre o que se disse e o que ele diz.Mas percebe-se que está zangado, pois nutre aquela admiração néscia pelo primeiro e despreza o segundo por ainda não ser como o primeiro.
          🙂
          Um verdadeiro miguelista a ruminar contra os liberais.Um verdadeiro salazarista a bramar contra o reviralho.Um verdadeiro alemão a dar ordens em alemão,sob as botas de merkel?

          Tem razão Menos.Estragaram-lhe as suas pseudo-divagações históricas.

        • De diz:

          Quanto à ascendência do PS…Oh dúvida atroz Oh céus e coriscos. Oh inclementes deuses que não seguis as pisadas menores para chegarmos às maiores.
          Ao menos uma pequena pitada de sociologia larvar, para compensar as frustrações adivinhadas diante de uma pseudo-caveira de um outro Yorick

          “…Whether ‘tis nobler in the mind to suffer
          The slings and arrows of outrageous fortune,
          Or to take arms against a sea of troubles…”

    • De diz:

      Mas o tema central do post é de facto Luís Amado, um homem sinistro, o homem de mão dos americanos e amado pelos mercados, pela troika e pelo capital
      Um dos homens chave na alternativa engendrada pelo capital em caso de necessidades óbvias no continuar da governação pelos amigos de Menos.

      Um dos colaboracionistas regimentais a que só um néscio pode associar a qualquer ideia de esquerda.

      Há muitos dados sobre este personagem LA..Eis um deles:
      “Segundo um documento de 2006 da embaixada dos EUA em Lisboa, divulgado pelo Wikileaks, o então ministro da Defesa Luís Amado prometeu ao embaixador pressionar Sócrates para o uso das Lajes no repatriamento dos prisioneiros de Guantánamo. Amado referiu também a necessidade de “controlar” o PS.” Antes tinha negado tais factos.
      A direita é assim. E este tipo é um autêntico crápula

      • JgMenos diz:

        Juízos de carácter a partir de acções políticas só excepcionalmente participo (como seja o caso do Sócrates)..

        • De diz:

          Juízos de carácter a partir de acções políticas?
          Não está mesmo bom da cabeça..
          Um colaboracionista é o que é e como tal deve ser tratado.E LA é bem mais do que isto.

          Ou Menos que nutre um ódio visceral a tudo o que seja trabalhador, funcionário público,sindicalista, ou que se atreva a desmascarar quem denuncia as manhas do capital, mas que se comove perante os desvalidos senhorios ou as desgraças de relvas pensa que depois estes terroristas sociais se podem limpar com as palavras mágicas da “acção política”?

          tchtchtch. No julgamento de Nuremberg em vez da “acção política” falou-se no “cumprimento de ordens”.
          O palavreado de Menos apenas se actualizou

          • JgMenos diz:

            …chegará o dia em que prostrado enfim, carácter ao léu, crenças estendidas ao sol, sentimentos publicados, eu me reveja nesse quadro de horrores e decida por fim a esta vida tornada ignóbli por decreto de DE, essa versão dominicana de marxista ????
            Interrogações que ficam para um momento de poesia dramática…

          • De diz:

            Isso é apenas consigo.
            Respeito sempre as cogitações introspectivas dos outros…por mais tonto que possa parecer o efabulado.

            Mas por favor não arremeta dessa forma um pouco grosseira com a poesia. Porque também já não convence.Faz lembrar o “piegas ” do coelho e a sua (dele,coelho) inestimável canalhice

  7. Ash diz:

    Não, até no corte de cabelo e na barba é (mais ou menos) a imitar o Sandokan.

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