Infeliz é que o Paulo Macedo seja Ministro

Nem outra coisa se podia esperar do antigo Director-Geral das Finanças, que chega à Saúde e faz contas de merceeiro.

Corta onde acha que é desperdício e que se lixem os doentes.

O ministro da Saúde Paulo Macedo diz que tem havido “más interpretações” da legislação que prevê a isenção de taxas moderadoras aos doentes oncológicos e admite que há “casos infelizes” de doentes com cancro a quem é pedido que paguem.

O problema, Sr. Ministro, não é a «má interpretação» nem os casos «infelizes». O problema é que há circulares e orientações para que essas taxas sejam cobradas.

Aquilo que se chama, atirar o barro à parede, e na maior parte dos casos, cola. Com muita ajuda da comunicação social, a alteração da lei das taxas moderadoras criou muita confusão nos utentes e sim, nos serviços. Mas o que gerou mais foi indignação.

Porque não é engano dos serviços quando enviam uma conta a um doente crónico (com, por exemplo, doença de Crohn, colite ulcerosa, diabetes) – é a lei.

Não é engano dos serviços quando os exames ultrapassam os três por ano ou as consultas na especialidade para a dita doença crónica – é a lei.

Não é engano quando um agregado familiar vive com 612 euros por mês e paga taxas moderadoras de 7,75 euros se um deles for ao hospital a uma consulta pela qual esperou seis meses – é a lei.

E quando alguém que tem cancro, e está sozinho, ou mesmo com a família, certamente procurar na lei o que está certo ou errado não será a maior preocupação. Essa será a de sobreviver, a de conseguir os tratamentos e pagar os medicamentos.

E infelizmente é um carniceiro que está à frente do Ministério da Saúde que, sabendo demasiado bem as consequências da sua lei, afirma que são «casos infelizes».

Quando eu recebi uma carta do hospital com os tratamentos do meu pai para pagar, fui informada de que eram ordens da ACSS – não era uma infelicidade. Por acaso, sei de leis e não paguei. Mas não por causa da doença crónica – do cancro. Mas porque se provou a insuficiência económica. Sabe porquê? Porque nem com cancro no estágio IV a Segurança Social atribuiu a pensão de invalidez por considerar que não haveria incapacidade atribuível.

Não é por uma infelicidade, por uma má interpretação, por um acaso.

É porque o senhor Ministro da Saúde e os restantes companheiros do Governo fazem leis e políticas que, objectiva e concretamente – MATAM.

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27 respostas a Infeliz é que o Paulo Macedo seja Ministro

  1. E o que é que são esses senhores que matam doentes, e outros que como pertencem ao governo matam outros tantos para além desses doentes.

  2. Ainda hoje – trinta anos depois e recém regressado a Portugal – me lembro de um ministro da saúde do PSD ter afirmado «alto e bom som» que «quem quer saúde paga-a»…

  3. A.Silva diz:

    E o ódio a esta gente vai crescendo, vai crescendo…

  4. De diz:

    Muito bom Lúcia, muito bom mesmo

    “É porque o senhor Ministro da Saúde e os restantes companheiros do Governo fazem leis e políticas que, objectiva e concretamente – MATAM. “

  5. José Sequeira diz:

    Lúcia, faça-me um favor: diga-me o nome de um bom ministro da saúde que tenha conhecido, ou de que tenha tido conhecimento histórico, digamos, desde 1900.
    Tenho curiosidade.
    Já agora também pode ser da Educação.

    • Lúcia Gomes diz:

      Lamento, mas não consigo.
      Mas há uns bem piores do que outros.

    • Essa é fácil. Será um qualquer Ministro da nomenklatura definido pelo comité central super-democrático do PCP ou qualquer outro partido marxista-leninista, estalinista ou maoista e que magicamente, decorrente da fábula marxista, garantirá saúde e educação gratuita para todos — sim, porque esse conceito existe! —, sem mortos ou excluídos, excepto os contra-revolucionários assim identificados pelo grande Partido que salvará o mundo.

      Já ouvi histórias de embalar mais credíveis, mas admiro-vos pela perseverança de acreditarem que a vossa é verdadeira.

      • Se fosse mamar na quinta pata do cavalo da Batalha, fazia melhor figura que vir para aqui dizer tais disparates. Pobre mãe que pariu uma besta humana como o senhor.

      • De diz:

        Lopes diz que é fácil.E depois debita o discurso aprendido numa qualquer esquina mal afamada dum neoliberalismo rançoso e ávido de sangue e sofrimento

        Lopes diz que é fácil, enquanto se abana com o leque dos lugares-comuns do anti-comunismo primário e ajeita a peruca com que sai para tomar o chá das cinco na companhia dos amigos de peito e de criação,

        Lopes diz que é fácil mas o coitado esconde que de facto há países em que a saúde é um direito e que como direito deixam à beira de um ataque de nervos coisas assim como o lopes.

        Lopes diz que é fácil ,mas por exemplo um país que estava ao nível do Haiti como Cuba em 1959 ,apresenta hoje dos mais altos índices de saúde de toda a américa latina, o que como é óbvio transforna qualquer neoliberal num candidato a Pinochet,Foi isso que fizeram no Chile relembre-se

        Lopes diz que é fácil mas o que não é fácil é o papel do Lopes e esta corrida à pressa aqui e a todos os sítios onde, com a limpidez do texto da Lúcia, se desmascara a política criminosa e sem perdão dos pulhas que nos governam.E o lopes tem que vir dar uma ajudinha ao Macedo porque a área de negócio não pode sair beliscada.

        Porque Lopes no fim mostra finalmente ao que vem.Abandona os lugares-comuns com que nos brinda na sua espécie de prosa e tenta-nos convencer que o denunciado pela Lúcia é apenas uma história ,,,e ainda por cima não verdadeira.
        Eis o objectivo do lopes.Tenta limitar os estragos enquanto faz o seu metier ideológico ao serviço da canalha

        Sorry lopes mas os cúmplices são o que são.E não têm direito a qualquer admiração

      • Herberto diz:

        Já cá só faltava este imbecil que ainda usa calções do século XVIII e meias de seda até aos joelhos. Este parolo, chamado Mário Amorim Lopes que, de vez em quando, puxa pela caixinha de rapé e defende as suas ideias conservadoras, com os seus punhos de renda. Este imbecil que usa o retrato to avô cruel, o tal que tinha escravos e sovava no pobre e no mendigo.

      • Registo a evolução comunista no contraditório. Antigamente, seria fuzilado ou enterrado num Gulag. Hoje, sou somente insultado. Clap, clap.

        • De diz:

          Contraditório?
          Mas que contraditório?
          Um idiota falar em “ministro da nomenklatura” seguido dos disparates que se lhe seguem é o início de qualquer contraditório?
          Ou é apenas um tipo qualçquer do comité do mises ( aquele que elogia o fascismo) ou doutro qualquer, a fazer o seu trabalho em prol da sua ideologia bafienta e criminosa?

          Um provocador emplumado?
          Enquanto fala em gulags e em fuzilamentos?
          Pobre peralvilho …

        • De diz:

          Já gora citemos uma frase de Jefferson, autor também de uma declaração que ajuda a explicar a crise dos défices e das dívidas e a liquidação das soberanias e dos estados sociais, desencadeada pelo gangsterismo-banqueirismo planetário, sobretudo a partir do seu pólo norte, o banquistão euro-americano, modelo esclavagista contemporâneo:

          “Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que exércitos prontos para o combate. Se o povo americano alguma vez permitir que bancos controlem a sua moeda, os bancos e todas as instituições em torno dos bancos despojarão o povo de toda a posse, primeiro pela inflação, depois pela recessão, até ao dia em que os seus filhos vão acordar sem casa e sem tecto”.

          César Príncipe

          • Muito bem, De. Fez progressos. Até o chamaria de progressista, mas presumo que ficasse profundamente ofendido por essa associação despojada ao BE.

            O que Thomas Jefferson antecipa, e bem, é a criação de reservas fraccionárias. Se todo o dinheiro fosse “backed up” por um mineral precioso, como o ouro, não existiria nem o perigo da inflação, nem o perigo de os bancos controlarem a moeda, porque a moeda valeria exactamente o seu valor em ouro. Nem mais, nem menos. Dou-lhe um 15 por citar Jefferson.

          • De diz:

            Lopes.Deixe-se de tretas malcheirosas e pedantes próprias dum emplumado charlatão.
            As aulas deve guardá-las para o seu comité onde poderá dar as prédicas envolto nas roupagens que quer
            (A última vez que o ouvi aqui a falar de economia foi para levar um autêntico banho de Fonseca-Statter, o que motivou a sua retirada apressada em busca do manto protector do neoliberal de turno.)

            Jefferson não precisa de um peralvilho a explicar o que antecipa ou não.A mediação ideológica tem destas coisas e é tramada.Cheira a naftalina e mascara-se de coisa séria.Mais não esconde que a manipulação doutrinal.

            Qualquer dia ainda o convidam para professor.Para substituir o relvas decerto

          • De diz:

            E já agora é bom não esquecermos o autêntico esclavagista que foi Jefferson.Mas não só.
            ” It also points, albeit only in a suggestive way, to the future, to the twentieth century and European doctrines of racialized fascism.
            Jefferson, I would submit, should be remembered not only as the writer of the Declaration of Independence and owner of slaves, but also as a contributor, along with his successors, to a doctrine of race war and what Hannah Arendt would later call, in another context, “race imperialism”—which would find its ultimate fulfillment a century later, and a continent away.”

            Fica o resto para mais tarde

        • De diz:

          E por favor deixe-se de choraminguices sobre o seu futuro passado,como gulags ou fuzilamentos. Pode estar descansado que por aqui ainda consideramos a dupla Pinochet-milton friedman uma dupla de criminosos a não seguir de modo nenhum

          • De, desiludiu-me. Esperava que pelo menos não descontextualizasse um homem do seu momento histórico. Na altura de Jefferson, meio mundo tinha escravos, assim como quase todos os países ocidentais eram imperialistas. Fazer um julgamento moral do passado à luz do presente é um erro de palmatório. 8 valores.

          • De diz:

            Eu neste momento tenho mais preocupações do que argumentar com um que escamoteia o simples facto que contemporâneos de Jeffereson eram anti-esclavagistas.E que não detinham 150 escravos.Mais.Que abominavam o racismo explicito de jefferson, passado para o papel em textos que se quiser lhe posso esfregar no rosto . E sim.Estes eram também ocidentais e muitos viviam no mesmo território que Jefferson.
            Com uma condição prévia para apresentar estas cenas tristes.Que depois não vá choramingar sobre “insultos” saídos da sua imaginação.

            E não.Não se pode defender com o seu meio mundo da época.Isso foi precisamente o que disseram muitos alemães sobre o nazismo de que foram contemporâneos.”Meio-mundo” também o era, diziam eles.Ou que apenas cumpriam ordens.
            O pior foram as vítimas.

            E não.Não se trata de juizos morais acerca do passado.Trata-se de analisar as coisas à luz crua da realidade e não deixar pequenos pedantes saídos da escola de chicago , tomarem o freio nos dentes e debitarem as suas tiradas de economês patético como se traduzissem o avant-guard do pensamento de jefferson. E também denunciar a defesa da escravatura como um “julgamento moral do passado” desprovido de valor actual, quando na época já denuniavam um estilo,um modo e uma posição.

            O não enxergar o ridículo tem destas coisas.A ausência de amigos verdadeiros que não ponham um espelho diante da face de Lopes a ver se ele se enxerga, ocasiona estas situações patéticas.

            Ou pensando melhor.A náscara escolhida por lopes está de facto bem aplicada, já que sobra apenas quase que só o boneco e a cabeleira.E um gosto pela cultura académica tão ao gosto de Relvas.
            Ainda convidam o lopes para uma univerdidade próxima , se possível privada e que defenda o criacionismo.

    • Chico Ramires diz:

      E o Sr. José Sequeira? Lá em casa era só educação e “o respeitinho é muito bonito”?
      Continua a tratar os escritores da 5dias com esta desconfiança toda? Porque será? É porque o seu subconsciente é fascista? Essa velhice já não tem cura.

  6. Carlos Carapeto diz:

    Lúcia.

    Quero agradecer-lhe por ter abordado este assunto neste preciso momento.

    Não imagina a desgraça que me aconteceu e o martirio por que tenho passado nestes últimos 15 dias.

    Fui fazer uma pequena cirurgia (hérnia inguinal) num hospital privado (aquele que o Padrinho Masoquista interrompei as férias para inaugurar este verão) sai de lá numa ambulância do INEM para um hospital publico, nem passei por o CODU tal era o estado que me encontrava.

    Uma cirurgia que nos hospitais públicos já é praticada em regime ambulatório. Recusei essa modalidade por recear as complicações pós operatórias. Afinal fui meter-me na boca do lobo.

    Recusei o ambulatório porque fui operado há poucos anos a um cancro, as coisas felizmente têm corrido bem e situação encontra-se controlada, embora me mantenha sob vigilância médica. Por outro lado sofro de uma arritmia já com pausas de 3,9 segundos, além de uma fibrilação auricular.

    Por esta razão recusei os serviços públicos e aceitei o cheque de cirurgia do CIGIC. No entanto tive o cuidado de antecipadamente informar sobre o meu historial clinico e entregar as cópias com as informações da Urologia da Cardiologia e da Anatomia Patológica. Não serviu de nada para tomarem medidas preventivas.

    Resultado; tive cerca de oito horas a agoniar com dores atrozes. A minha sorte foi que tive um momento de lucidez e exigi que chamassem o INEM. Inclusivamente impediram a minha esposa que fizesse a chamada do telefone do hospital.

    O meu estado era tão critico que o assistente do INEM se recusou em seguir os protocolos de primeiro passar por o CODU para fazer a reciclagem, seguiu imediatamente para o hospital publico mais próximo.

    Quando lá cheguei fui imediatamente atendido e a solução foi fazerem um punção na barriga para colocar uma algalia supra-pubica. Agora aqui ando eu com um tubo enfiado na barriga ligado a um saco.

    Estou à espera de uma consulta no hospital em Lisboa onde fui operado ao cancro para ser submetido a nova cirurgia para reparar os danos provocados pelas lesões sofridas na uretra e na bexiga.

    E assim se assassina uma pessoa.

    Quando recuperar , conto mais em pormenor a situação, tenho documentos para tornar públicos e denunciar a situação.

  7. Rita Governo diz:

    O meu pai esteve 4 meses à espera de ser operado a um cancro num rim. 4 meses. No dia em que me despedi dele para a cirurgia não sabia que era o último que, em consciência, ele me abraçava. Morreu outros 4 depois. Complicações da operação – não, complicações de 4 meses à espera de se ser operado por uma situação de urgência, decretada pelo médico como tal.

    Que ninguém se atreva a incomodar-se quando se lhes chama assassinos, fascistas. Isso é tão pouco. É tão pouco para os 13 anos da minha irmã agora sem pai, para os 50 da minha mãe que ficou sem o companheiro de uma vida ou para os meus 24 que às vezes gostavam tanto de lhe contar as peripécias do dia-a-dia.

    É por isto que passar a Ponte(a)pé dia 19 é uma obrigação. Tanto se fala em cidadania, é nas Pontes que ela vai estar.

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