Abstenção, Participação, Oceano Pacífico

De um artigo incluído num manual de antropologia surge a seguinte história: Uma manhã numa ilha do Pacífico os edifícios do governo colonial são alertados de que uma massa enorme de autóctones se dirige para lá. Apavorados os colonos reúnem todas as espingardas e barricam-se num dos edifícios esperando os profissionais da desordem, mas os indignados avançam calmos e até cabisbaixos. Um voluntário vai ao encontro da manifestação, que reúne a quase totalidade da população da ilha, e é-lhe entregue um documento onde os locais alfabetizados escreveram um pedido: dado que contabilizam já inúmeros anos de trabalho ordeiro e esforçado creem ter chegado a hora de lhes ser revelada a magia dos brancos que lhes providencia tantos bens e produtos sem mais esforço do que escrevinhar uns números nuns quantos papéis; querem ser apresentados aos deuses dos barcos que materializam nos portos incontáveis riquezas, querem ser meritoriamente incluídos nessa troca mágica que traz prosperidade exigindo apenas a manipulações de uns quantos símbolos estranhos. O artigo não diz da resposta dos colonos, mas não conta que se tenham formados grupos de leitura interétnicos do primeiro livro do Capital. Passe a relativa deselegância de utilizar uma anedota da etnografia, sempre tão predisposta a projectar num outro as nossas próprias ansiedades, há aqui duas interpretações imediatas: A primeira, tão cara à esquerda, afirmará alienadas as pessoas que não sabem o que não sabem e assumirá a missão de as educar, menosprezando que, inevitavelmente, também não saberá o que não sabe. A segunda afirmará uma vaga necessidade de sairmos das nossas “caixinhas”: a política será um momento mágico de emancipação pessoal, uma singularidade iluminada que se retira da história e numa fúria divina diluviana descoloniza a vida, tendo faltado aos colonizados apenas uma boa dose de voluntarismo iconoclasta.  

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O debate sobre o abstencionismo obedece a estas interpretações. Por um lado a esquerda institucional afirma, sem grandes doçuras, o imperativo moral do voto. Ante a necessidade de uma governamentalidade de esquerda composta por um governo de esquerda, um ministério das finanças de esquerda, uma polícia de segurança pública de esquerda, tribunais de esquerda, bancos de esquerda, patrões de esquerda e prisões de esquerda quem não votar será preguiçoso, alienado, “colaboracionista da austeridade” ou pior, passivo ante os ultimatos da história. A política será a gestão das direcções e velocidades do existente e o voto, pior ou melhor, é o modo que temos para intervir nessa economia. A instituição elegível é o único sujeito com real legitimidade operacional, sendo a função da sociedade civil providenciar o ovo e a saladinha do bitoque. Ausentar-se desse processo significa colaborar com um populismo mole e pantanoso onde grassa decadência das instituições democráticas e haverá portanto 4,500,000 de portugueses estúpidos e/ou maus a precisar de algum tipo de reeducação cívica. O voto na esquerda institucional será assim a última barricada da sociedade ante a sua desagregação, encurralada entre as elites corruptas e as massas ignorantes. No outro lado do ringue é considerado que o enviesamento do sistema é tal que votar significar legitimar todos os crimes e ingerências do estado. As instituições da esquerda parlamentar serão apenas seitas identitárias, as eleições o seu momento reprodutivo, e qualquer elemento que entre em contacto com o estado é contaminado, ou pior, constitui-se enquanto proto-estado, reproduzindo no seu seio os mecanismos disciplinários e palacianos do poder. Há um continuo monolítico entre sistema, estado e capitalismo e apenas para lá das suas fronteiras numa terra do nunca a descobrir se poderá viver a boa vida, sendo inacessível esse local a única resistência será uma salvaguarda moral confortável onde esperar o despertar selvagem das pessoas/povo/proletariado/pessoal.

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Uma terceira hipótese parece mais interessante ao sugerir uma problematização do político que não passe imediatamente por programar um redireccionamento das instituições presentes mas que comece por uma cartografia das suas funções, metodologias e relações de força que ponha em causa as categorias de participação construídas pelo poder. A percepção desta necessidade, expressa com certeza de múltiplas e variadas formas, é visível nos resultados eleitorais. Contrariamente ao esperado e vaticinado durante anos é a consistência ortodoxa do PCP que o torna um receptor credível de um voto de protesto que pouco se reverá ideologicamente e organicamente no partido mas que o entende enquanto contrapoder, contrariamente ao BE que parece tristemente entregue a um processo em que os espaços esvaziados são preenchidos por um aparelhismo exclusivamente eleitoralista demasiado evidente. Que a correlação entre presença massiva nas ruas e votação no partido de protesto não tenha sido afinal proporcional mostra que todo o esforço do BE no sentido de dirigir o protesto para um campo de reforma institucional no último ano foi uma estratégia equivocada, prejudicial tanto para ele como para o movimento.

Regressando à anedota, o absurdo da situação seria então a ausência de uma epistemologia autónoma que partisse de um questionamento do que é assumido enquanto natural e férreo, ou seja, que se interrogue sobre que novos conceitos terá de conceber para que o real seja afinal plástico e não fatal. Por todo o lado se escuta da necessidade de acrescentar sociedade civil à democracia representativa. Trata-se na verdade de inverter a ordem e de virar os conceitos do avesso, de partir não dos mecanismos de inclusão da sociedade mas dos de exclusão – desempregados, pensionistas, jovens precários – e de os dotar da mesma concepção maquiavélica do poder que transpira nos corredores das instituições, fora das instituições. Muito mais perigoso e interessante do que um cidadão informado é um marginal organizado e no estado de excepção em que vivemos não há quem não seja marginal no sentido da sua exclusão de um centro de decisões. Talvez esta hipótese permita abandonar o argumento do imperativo moral no campo de discussão que nos reúne. Não há neste momento qualquer exterioridade possível ao sistema e portanto conceitos como colaboracionismo e/ou secessão perdem a sua pertinência, restando apenas a possibilidade de uma ciência autónoma dos territórios que vire do avesso o paradigma: a oposição política a fomentar não decorre nas dicotomias voto/abstenção, partido/movimento, parlamento/rua mas sim na de governabilidade/ingovernabilidade. É a inevitabilidade e omnipresença da austeridade, e do programa que implica, que faz com que todos os sítios e todos os locais sejam potenciais focos de resistência sempre e quando interrompam os fluxos de normal decurso da governação.

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52 respostas a Abstenção, Participação, Oceano Pacífico

  1. José Sequeira diz:

    Assumo-me como um revolucionário de direita e gostei.

    • Luis Magalhães diz:

      Um fascista portanto…

      • José Sequeira diz:

        Caro Luís Magalhães, se fosse adepto do fascismo não teria problemas em assumi-lo. Como não sei se você sabe o que é ou foi o fascismo ou sequer se alguma parte da sua vida foi vivida numa ditadura não tenho condições para retorquir.
        Cumprimentos.

        • Luis Magalhães diz:

          É-me completamente indiferente que você tenha vivido ou não em ditadura, tal como me é completamente indiferente que tenha ou não problemas em assumir-se como fascista.
          Mas que “revolucionário de direita”, até por ser uma contradição em termos cheia da irracionalidade característica do fascismo, é uma bela definição de fascista, lá isso é.

    • Huy diz:

      Bem, a vossa ‘revolução’ está quase feita com o psd/cds/ps!Não se esqiueça de lamber muito bem os co***** dos banksters!
      Idiota!

      • José Sequeira diz:

        Huy
        Não confunda revolução (neste caso de direita) com os partidos do centro, mais ou menos social-democrata, que nos têm governado.
        Cumprimentos.

  2. Rocha diz:

    A pequeno-burguesia não sabe o que há de temer mais, numa época de crise, se à burguesia toda-poderosa se à classe operária e demais sectores “popularuchos” demasiado mal-educados (antropologia? isso come-se?) para entender as suas iluminadas elucubrações (e esta tive de a ir ver ao dicionário) de torre de babel.

    Tanta tinta para defender a abstenção não é necessária, basta mandar umas quantas atoardas contra a “classe política”, essa imbecil categorização de classe que até dá jeito, e cerrar fileiras com a última diatribe do Marinho Pinto.

  3. A T diz:

    Antes de mais, não é um texto fácil de ler. E facilmente nos perdemos em algumas divagações (e confesso, também, que tive dificuldade em respirar dada a ausência de pausas 🙂 )
    Foquei-me principalmente no terceiro parágrafo; porque é, para a esquerda ”não-institucional”, uma análise errada daquilo que a esquerda ”institucional” defende. Nem os tribunais, nem a PSP nem os diversos sectores públicos devem assumir uma postura de militância, quer à esquerda quer à direita. Devem obedecer a uma metodologia de imparcialidade. E ser rigorosos, tanto para uns, como para outros. Devem cumprir as suas funções independentemente de quem está no governo, obedecendo à lei desta terra, a Constituição. Dizer que a esquerda quer isso tem o mesmo valor que dizer que a esquerda não admite outras formas de pensamento que não o seu. E isso é falso. Não há um partido à esquerda que defenda a existência de um único partido, e mais, muitos sempre se bateram para que fosse reconhecida às populações a autodeterminação de se organizarem, quer por partidos, movimentos, sindicatos.
    Para alguém que defende o seu direito a não votar (e respeito, como deves respeitar o meu ao voto), acabaste por fazer uma caricatura, ‘(anedota’) dos resultados eleitorais, o que para mim revela um profundo desrespeito pela liberdade de escolha de outrém. Ou seja, a abstenção não pode ser tratada com certos termos, a vontade de milhares de pessoas que no domingo foram votar já. A abstenção é reflexo de 3 situações, podemos então ignorar uma leitura a cores. Quem vota, vota mal. Quem não vota protesta. Quer dizer, se nem todos votam no mesmo, por que é que aqueles que não votam têm uma, de poucas (pelo que li) intenção? Podes dizer ”puta que vos pariu”, mas é um exagero dizer a quem não vote que está a colaborar para perpetuar o poleiro dos suspeitos do costume.

    É tudo, por agora.

    • Cara Angelina,
      1) Não quis dizer que seria intenção da esquerda institucional que os tribunais, a PSP ou os sectores públicos deveriam assumissem posturas de militância, o que quis atentar foi o facto de a esquerda institucional não questionar à partida estas instituições e considerar que pode haver um posicionamento “imparcial” para elas, ou seja, por considerar que o problema é a perversa gestão das instituições e não elas em si próprias.

      2) A foto não é do meu voto. Não digo nada no texto sobre se votei ou não

      3) O que procurei ilustrar foi o facto de tanto o discurso eleitoralista como o discurso abstencionista serem insuficientes para responder às questões do nosso tempo. Não acho qualquer postura necessariamente melhor ou pior do que a outra

  4. José Luís Moreira dos Santos diz:

    Ponto prévio: o voto é o cimento da democracia.
    Sobre este post, cabe-me dizer o seguinte: uma oportunidade excecional, do ponto de vista da argumentação, para quem deve refletir acerca do assunto.
    Aqueles que, às vezes de forma precipitada, associam a abstenção a uma crise reflexa da democracia, têm a obrigação de desafiar todos os interessados a dar um qualquer contributo para tentar minorar todos os estragos possíveis. Assim, aproveito esta oportunidade para afirmar o seguinte: se a luta pelo voto, à qual os partidos, sobretudo os que têm representação parlamentar, se devotam em períodos eleitorais, se restringir ao núcleo central dos votantes, este núcleo terá tendência a diminuir. E é fácil conhecer a razão;
    O primeiro partido que pensar e adequar um discurso para dirigir aos abstencionistas, não sei em que prazos, haverá de vir a colher frutos disso, o primeiro dos quais será contribuir para a diminuição da abstenção e correspondente fortalecimento da democracia. Está comprovado, pela repetição do fenómeno, que não é fácil um votante de uma determinada força política mudar a sua orientação noutro sentido, sendo mais verosímil que pause na abstenção para posteriormente, depois de esquecer as razões da sua aparente indiferença, retomar o seu anterior caminho;
    Não combate ativamente a abstenção, quem não é capaz de compreender os seus malefícios a médio prazo para a democracia. O resto, palavreado, simplesmente!
    José Luís Moreira dos Santos

    • kur diz:

      ‘O voto é o cimento da democracia’-frase profunda comó caralho,numa ditadura burguesa de fachada democrática!Não pensa??????Da-se!
      É capaz de chamar ditadura à democracia venezuelana,já vi!
      E os CA’s das empresas são democráticos nas decisões que tomam, chamam todos os trabalhadores? É uma democracia à moda dA Grécia em q os escravos não podiam votar….Por favor,quem pensa que é?um profundo filósofo pertencente à nata da fina flor do entulho?????Não há pachorra ,para o ‘senso comum’!

  5. Kasky diz:

    Não concordando com toda a interpretação, vejo-a como bastante útil, como separa águas.

    Avanço desde já que não “cuspi” no meu voto, não porque tenha alguma especie de convicção nesta democracia como ela se realiza. Mas votando num futuro e verdadeiro processo democratico.

    A esquerda institucionalizada não capitaliza em votos de protesto, porque, na minha opinião, também sofre de uma desconexão com a realidade por onde muito desse protesto grassa.

    Iremos talvez bastante conexos até onde chega o protesto, menos quanto às razões subjacentes e a interpretação da realidade capitalista, ainda menos quanto à forma de superar e controlar verdadeiramente o destino. Os primeiros porque garantidos na experiência adquirida e histórica substimando as novas realidades, os segundos porque absolutamente deslumbrados sobreestimando e tomando por adquirida a impotência perante a complexidade de uma solução.

    Aos primeiros caberia não convencer os segundos (o conhecimento conquista-se e peca sempre se transmitido), aos primeiros caberia reconhecer as novas realidades. Aos segundos caberia não espatifar o trabalho dos primeiros no desespero, mas restabelecer o dominio sobre si próprios para de seguida reconhecer o seu papel no colectivo social. As mudanças que se exigem são culturais, e o inimigo sabe que é por aí que vem o frio.

    Exemplificando: os camaradas sabem muito bem e serão do mais útil que existe aos que se encontram na condição de explorados (são-no sobretudo também na própria pele). Mas não fazem a real puta da idea do que significa estar na condição de desempregado no mundo de hoje, e muito pouco de útil lhes têm para dizer para além de reconhecerem aqui e ali que o desemprego é uma chaga social. Nunca lhes responderam à pergunta: “O que fazer?”

    • y diz:

      O seu exemplo não corresponde à realidade. Aliás, não só não sentem e sabem o que fazer como se organizam em movimentos de «camaradas» desempregados. Mas para compreender isso teria que ter menos algumas reticências quanto à capacidade organizativa dos mesmos. Não é tarefa fácil, concordemos que os números são assustadores e paradigmáticos, nunca a realidade os teve tão elevados, logo, ninguém pode esperar uma poção mágica quando as políticas são desastrosas… mas creio que a resposta à pergunta ”O que fazer” é evidente: correr com estes gatunos, que não querem mais nada do que empobrecer isto a tal ponto que por 250 euros qq um de nós trabalha mais de 10 horas por dia. As negociatas do FMI, do governo português, do BCE, da CE não tem apenas a ver com os juros da dívida e com os milhões que os bancos lucram (isso é um bónus), a questão é que querem (e estão a conseguir) um retrocesso social com a retirada de direitos e de serviços, para chegar ao ponto em que qualquer um de nós vende a sua mais-valia para saciar a fome, seja mão-de-obra qualificada ou não. É o que se está a passar no sul da Europa. Puro fanatismo ideológico e não é a primeira nem a última vez que veremos e sentiremos isto a acontecer, pelo menos enquanto vivermos neste sistema. É o capitalismo, o nosso inimigo nº1, ele e os demais aliados, e eles alimentam-se da nossa miséria, porque somos subjugados à sua mercê e competimos entre nós, não com eles.

      • Kasky diz:

        O meu último paragrafo talvez me tenha escapado num tom damasiadamente em desabafo. Visto daqui agora, claro que não temos poções mágicas.

        Talvez devesse ter explicitado melhor que não era um mero “que fazer?”, faltou-me carregar na tónica revolucionária. Que organização e luta é essa que cabe à condição de desempregado, visto que poucos ou nenhums são já os laços com a profissão para que estudaram e eventualmente (com muita sorte) praticaram? Como alterar relações de classe que já nem sequer existem?

        A resposta, a que existir, terá que ser inevitavelmente ser uma construção do conhecimento. A lacuna é concerteza minha mas não vislumbro nem o espaço, nem as fundações. Muita pedra, muita energia sem projecto.

      • Kasky diz:

        Ainda no seguimento da pergunta que deixei… depois de ser feita rapidamente se transforma em: Para quê alterar relações de classe que deixaram de existir? É como se o fulcro onde assenta a resposta à pergunta original tivesse pura e simplesmente desaparecido. Sobra a alavanca sem ponto de aplicação.

        O Capital conseguiu garantir para a condição de desempregado como única função social possível servir de “exército de reserva”. É de uma preversão…

        Na condição de desempregado é-se sempre o primeiro a sofrer se a luta falha, e sempre o último a beneficiar quando a luta vence. Esta perspectiva de eficácia dificilmente convencerá quem quer que seja. Nos termos em que a luta existe, a única coisa que pode fazer por si, só fazendo-o primeiro pela sociedade.

        O única coisa que resta à condição de desempregado é fazer anti-tese à função de exercito de reserva. Isto choca frontalmente com a sua sobrevivência.

        O desempregado precisa de outro fulcro, precisa de outro projecto, precisa de uma alternativa à função social existente.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        “É o capitalismo, o nosso inimigo nº1”

        Pois. E como é que se combate este capitalismo? Pondo a CGTP a reclamar menos despedimentos, salários maiores e menos horas de trabalho? Como é que isso permite acabar com o capitalismo? Quanto muito encoraja o capitalismo a tornar-se mais feroz para dispensar o maior número possível de trabalhadores. Que sistema se propõe para substituir este capitalismo? O velho capitalismo de estado soviético? Os que reclamam o fim do capitalismo no fundo já se contentavam com uma fatia maior do bolo ir parar aos bolsos dos trabalhadores, sem nada mudar no sistema produtivo. No fundo , não querem acabar com o capitalismo, querem ser eles os seus principais beneficiários, mantendo os capitalistas nos seus lugares. É esta inconsistência que faz com que partidos como o PCP não saiam da cepa torta.

        Sim, o capitalismo é o nosso inimigo nº 1. Mas para acabar com ele é preciso acabar com os capitalistas. Entregando a posse e gestão das empresas aos trabalhadores – e não ao Estado! – e socializando todo o aparelho financeiro para que os meios necessários ao investimento não sejam controlados pelos capitalistas e seus apaniguados. Onde é que se viu o PCP ou a CGTP a defenderem isto? Não, o PCP e a CGTP não querem o fim do capitalismo, querem apenas ser os seus chulos…

        • Kasky diz:

          Deves demasiado a forças como o PCP ou a CGTP para lhes agradeceres com tanto preconceito junto…

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            É essa a tua defesa do PCP e da CGTP? “Deves demasiado…” Olha que não é lá grande defesa. O que eu lhes devo é a preservação de um sistema iníquo e a incapacidade para minimamente o abalar. É andarem a entreter os trabalhadores com tretas em vez de os ajudarem a tomar posse do que devia ser seu.

          • Kasky diz:

            Não, efectivamente a defesa foi apontar os preconceitos que debitas constantemente por onde passas. O meu comentário critico a essas forças, não foi um convite a esse tipo de infantilidades. E sim. deves bastantes a elas, sem elas nem sequer estariamos aqui a discutir.

            A tua interpretação de que “Não, o PCP e a CGTP não querem o fim do capitalismo, querem apenas ser os seus chulos…” não passa disso: uma opinião, é do mais ofensivo e ainda por cima não validado pelos factos correntes e historicos, para me mereceres qualquer crédito. Agradeço que te retires do meu fio de comentários se fôr para insistires nesses estilhaços de frustração auto-infligida e mau gosto. Obrigado.

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Desculpa se ofendi a tua virginal inocência. Mas o que todos vemos é um PCP e uma CGTP incapazes de fazer a menor mossa no actual sistema. Não porque o não pudessem fazer, mas porque não querem. O governo pode-se dar ao luxo de ignorar tudo o que o PCP faça ou diga, porque tudo é supinamente inofensivo. O patronato pode dar-se ao luxo de ignorar as greves da CGTP porque elas – de 24 horas e bem espaçadas – nem sequer beliscam a sua actividade e lucros. Só os estivadores – que não dependem da CGTP – conseguem preocupar esse patronato. Arrancar mais uns míseros cobres ao patronato é o objectivo máximo do PCP e da CGTP, deixando esse patronato completamente à vontade para actuar da habitual maneira opressiva. Vocês brincam com o que é irrelevante e recusam tocar no que é essencial. Podes não gostar de ouvir isto, mas é a pura verdade. Ou consegues contestar?…

          • Kasky diz:

            Como esta caixa já perdeu o folego, aqui vai…

            Parabens por teres conseguido descentrar do propósito do meu comentário, e pelo menos, teres adocicado o teu incontornável ódio.

            “incapazes de fazer a menor mossa no actual sistema.”
            “Não porque o não pudessem fazer”
            “porque não querem”
            “tudo é supinamente inofensivo”

            Já reparaste que nunca vais além da conclusão, que nem te esforças por fundamentar as opiniões que avanças? Que o conteúdo é demasiado interpretativo e polémico para não admitires sequer o ponto de vista que afirmará o contrário? Que não fazes qualquer esforço dialético?

            “elas – de 24 horas e bem espaçadas – nem sequer beliscam a sua actividade e lucros”

            Finalmente ocorreu-lhe! Como se o propósito de uma greve fosse esse exclusivamente, e como se não fosse observação de facto, pelo contrário, dependendo do sector que a sua actividade e lucros serão postos em causa.

            “Só os estivadores – que não dependem da CGTP – conseguem preocupar esse patronato”
            “Arrancar mais uns míseros cobres ao patronato é o objectivo máximo do PCP e da CGTP, deixando esse patronato completamente à vontade para actuar da habitual maneira opressiva.”
            “Vocês brincam com o que é irrelevante e recusam tocar no que é essencial.”

            Lá está ele outra vez. Mas tu sequer pensas no que dizes? Mas tu fazes algum esforço por manter coesão e lógica nos teus raciocícinios, ou estás constamente à espera que quem te ouve o faça por ti. Não sou advinho. Sustenta as tuas conclusões, e apresenta causas e razões. Foram 8 as afirmações e, apenas uma, ainda por cima insuficiente sustentação.

            “Desculpa se ofendi a tua virginal inocência”
            “Podes não gostar de ouvir isto, mas é a pura verdade. Ou consegues contestar?…”

            Continua a desrespeitar a inteligência do teu interlocutor, farás bom caminho do outro lado da barricada, deste lado só sabes tropeçar.

            Caso não te tivesses apercebido, a minha pergunta foi:
            Para quê alterar relações de classe que deixaram de existir?
            e o meu apelo foi:
            A resposta, a que existir, terá que ser inevitavelmente ser uma construção do conhecimento.

          • De diz:

            Já começa a faltar a paciência para Cardoso da Silva.O mesmo estribilho, as mesmas mágoas, o mesmo tom miserabilista e claramente conivente com o discurso velho e bafiento ouvido já milhares de vezes e por demais replicado.
            Ainda por cima com a dose de desonestidade própria de quem pensa que a mentira faz caminho à custa dos chavões ignorantes. O umbigo não é ainda centro de qualquer querela ideológica de relevo
            Os factos teimam em contradizê-lo. Infelizmente para o referido cujo.Uma pobreza franciscana a que nem o seu desabafo de alegre portador de pele dura confere algum benefício de dúvida.
            Cardoso da Silva não se enxerga nem quando o interpelam de forma directa.

            Ainda o convidam para professor de qualquer coisa como por exemplo uma cátedra da chulice de que parece ser fã.

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Ao De não vale a pena responder. Basta ver o seu estilo arruaceiro. Mas tu, Kasky, devias perceber onde eu quero chegar. Eu digo:

            – A acção do PCP é ineficaz porque não consegue ameaçar o predomínio absoluto do capitalismo;

            – A acção da CGTP é inefica, porque não impede esse predomínio nem melhora as condições de vida de quem trabalha;

            – Não me parece que a ineficácia de uns e outros seja estrutural, mas apenas devida a falta de vontade e falhas quer de estratégia quer de táctica;

            – A recusa do diálogo sério com quem não pertence ao PCP e à CGTP impede acções de conjunto capazes de abalar o sistema. O PCP insiste em agir sozinho ou em agir apenas com quem se submete à sua visão e à sua estratégia.

            Os factos demonstram a veracidade do que digo. Se achas que não, dá exemplos de que isto não se passa realmente assim. E não há ódio nenhum meu contra o PCP. Já aqui referi que tenho votado com alguma frequência na CDU. Mas sem grandes esperanças, confesso…

          • De diz:

            Qual arruaceiro qual carapuça.
            Apenas farto de uma figurinha a fazer figura de figurão…(ou seja a mesmíssima coisa).

            Não critico habitualmente outros partidos de esquerda, nem mesmo aqueles que possa ter alguma razão para o fazer.Quer sejam libertários quer sejam o oposto, dirijo habitualmente as minhas críticas para o outro lado da barricada.
            Mas há coisas que são demais e não devem ser admitidas pelo respeito que me merece o debate político sério e honesto
            E o chamar chulo da forma como Cardoso da silva o faz não pode ser tolerado.

            Ah e nem falo agora deste babar constante de cardoso da silva qual baixo-contínuo em ritmo de conversa da treta sem qualquer fundamentação mas como que debitada em forma de breviário
            Nem quero saber o local onde o mesmo Cardoso da Silva coloca o seu voto
            Ponto final parágrafo

  6. JgMenos diz:

    Há alguma versão em português corrente, menos plástico e fatal?

    • kur diz:

      Há.O Duarte Lima,o oliveira costa,o fantasia,…..!

    • Khe Sanh diz:

      Caro Nuno Cardoso da Silva.

      Por aquilo que escreve deduzo que é muito jovem ou então entrou há pouco nesta coisa da politica, porque se assim não fosse sabia que o PCP após o 25 Abril quando as condições politicas eram favoraveis não só mobilizou como insentivou os trabalhadores a tomarem em suas mãos o controle dos meios de produção (em particular dos setores estrategicos da economia).

      O que foi essa experiência maravilhosa da Reforma Agrária senão o controle por parte dos camponeses dos meios de produção agro-alimentar?

      Foi o PCP que esteve na frente dessa enorme mobilização dos trabalhadores agricolas do Sul.

      Neste sentido para sermos honestos devemos render a nossa justa homenagem ao grande Anarquista António Gonçalves Correia, foi ele o percursor (em Portugal e talvez na Europa) na formação de Cooperativas Agricolas de iniciativa popular quando em 1918 criou a Comuna da Luz .

      Quem mais se empenhou na nacionalização da banca, dos transportes, da metalomecanica, do setor energetico senão o PCP?

      Acha que existem condições ou que os trabalhadores deste país estão dispostos a fazer uma paralização para além de 24 horas?

      Nuno as suas palavras esboçam a inexperiência que tem sobre esta questão.

      Por favor tente mobilizar os trabalhadores escravizados da hotelaria para aderirem a uma greve de um dia.

      É com tristeza que leio comentários saídos de pessoas que deviam ter a responsabilidade de esclarecer os trabalhadores acerca da conjuntura que vivemos e apontar os verdadeiros responsáveis por a degradação laboral e social em que mergulhamos, pelo contrario em vez de informar confundem, elegendo como inimigos aqueles com quem deviam ombreagar na luta contra os depradadores dos direitos dos povos.

      Com revolucionários destes a burguesia não tem que se preocupar em combater os seus verdadeiros inimigos.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Deixemo-nos de ingenuidades. Não me interessa o que o PCP em tempos tentou fazer nem as dificuldades em fazê-lo. O que interessa é a total incapacidade actual do PCP para levar os trabalhadores a assumirem o controlo das empresas e para subverter a ordem burguesa. Falta ao PCP imaginação, talento táctico e estratégico e, sobretudo, vontade. Por outro lado o PCP não dialoga, não quer colaborar com forças e pessoas que se não submetam à sua vontade, pelo que não consegue massa crítica para poder desenvolver acções eficazes. Acha, com razão, que os trabalhadores não se podem dar ao luxo de ficar em greve mais de 24 horas. Mas então a táctica não pode ser a de repetir acções de 24 horas que não levam a lado nenhum. O que pode paralisar o governo é uma greve por tempo indeterminado de parte da função pública. Pois então ponha-se esse sector da função pública em greve por tempo indeterminado, com o resto dos trabalhadores a contribuirem com uma pequena parte do seu rendimento para sustentar os seus camaradas em greve. Não é possível? Mas já se tentou? Não. Porque o PCP e a CGTP não vêem um palmo à frente do nariz. É esse o problema. Deixem-se de desculpas esfarrapadas e mexam-se.

  7. m. diz:

    Do meu ponto de vista, este texto é um bocadinho confuso. Porventura serei eu que não terei a capacidade cognitiva suficiente para não perceber o alcance do mesmo, nem mesmo o sentido político.

    Como tenho formação em Antropologia, aqui deixo umas dicas para quem quiser ler sobre o tema e sobre o que estudei em tempos de (pré-Bologna). O bê-à-bá da antropologia pode ser visto como a constante procura do «missing link», ou seja, quando se deu o salto da natureza para a cultura, isto em termos muito abrangentes. Por outras palavras, quais são os «limites da humanidade» (Lévi-Strauss).

    Aqui vai:

    As características fundamentais da cultura humana e da humanidade são: (1) a linguagem simbólica, (2) a aprendizagem em termos de pedagogia dentro do quadro das relações sociais, e a (3) memória do conhecimento armazenado em suportes materiais (arfectos) e (4) a passagem do conhecimento através das gerações de uma maneira colectiva.

    1) A capacidade “inata” que os seres humanos têm de simbolizar e representar os objectos do mundo real na sua ausência entre as quais a forma de simbólica de natureza linguística, gestual e gráfica. Esta capacidade de conceptualizar uma abstracção permite fazer categorias, classificações ou taxonomias.

    A característica da linguagem simbólica que é provavelmente a mais importante que é a capacidade metafórica e analógica dos seres humanos. Essa capacidade possibilita o fluxo dos mútiplos sentidos e significados de objectos, ideias, sons e conceitos de domínios de conceptualização diferentes e que encontram também na organização social e das culturas específicas e das instituições que as compõem.

    (2) Na aprendizagem entre seres humanos encontramos existe uma relação pedagógica,ou seja, um feedback constante. As crianças estimuladas pelo ensino pedagógico têm a capacidade de metaforizar e de colocar conceitos de ordens de realidade diferentes sob uma mesma unidade abstracta mas que ao longo da sua aprendizagem cultural aprendem a distingui-las. Esta aprendizagem é feita dentro do quadro de uma relação social (por exemplo, mãe e filho) que por sua vez está contida dentro da instituição social da família e que faz parte de um processo de sociabilização colectivo dos seres humanos.

    (3) A atribuição de sentidos e significados à informação transformando-a em conhecimento assim como a capacidade de guardar a informação em suportes materiais é também uma das características do processo social e cultural das sociedades humanas.

    (4) A informação e o conhecimento têm sido armazenados pelas sociedades humanas em artefactos culturais (formas materiais da memória) e em instituições sociais tendo em vista a transmissão de formas cumulativas de conhecimentos entre gerações de forma colectiva. Esta armazenagem de conhecimento é também é feita através da linguagem corporal que se materializa em gestualidades e rituais, ou seja formas convencionadas e controladas que asseguram a transmissão de sentidos e significados colectivos de geração em geração

    Nas sociedades humanas a passagem do conhecimento cumulativo é realizada através das instituições sociais, ou seja de uma forma colectivamente partilhada. Esse conhecimento é transmitido sob formas de hábitos e maneiras de fazer através da materialização da linguagem simbólica: por exemplo, da escrita, da música e da dança transportam consigo significados e sentidos culturais. Estes suportes de memória exteriores ao indivíduo e que são enquadrados por instituições sociais são colectivamente partilhados o que significa são independentes a passagem de conhecimento é exterior e independente aos indivíduos que compõem a sociedade e que conferem o carácter histórico à sociedade humana.

    • m. diz:

      Ah! Pelos comentários que li, afinal percebi que o post trata a abstenção, votos nulos ou brancos.

      Não me lembro de nunca ter deixado de votar num Partido.

      Só mais uma coisa: há um obra «pequenina» (tem poucas páginas) de Maximo Gorki e que tem o título de «Seres que Outrora Foram Humanos».
      Por vezes, os livros ensinam-me umas coisas.

  8. Herberto diz:

    O que é que tem a dizer de um dito “revolucionário de direita” ter apreciado o seu texto?

    • José Sequeira diz:

      Herberto
      O facto de ter gostado do texto não significa que concorde com a totalidade do que lá vem escrito.
      Cumprimentos.

  9. imbondeiro diz:

    Essa sua anedota antropológica só conta, pela caricatura, o início da história, que não o seu meio e o seu fim. Se avançasse um pouco mais, atrevo-me a dizê-lo, a sua conclusão seria outra.
    Com efeito, toda a tecnologia, quando suficientemente avançada, mal se distingue da magia. Contudo, a relação dos explorados/colonizados com a tecnologia nunca foi inercial: ela foi, ainda que lentamente, dinâmica. Se avançasse um pouco mais no devir do passado histórico, certamente teria que reconhecer que a primeira das apropriações tecnológicas foi a apropriação da linguagem do explorador/colonizador, a sua subversão e o consequente formar de um discurso próprio pelo explorado/colonizado, discurso esse que, ao contrário de se apresentar como marginal ( ou seja, um discurso de contra poder ), se apresentou como a fundação de um novo poder: o do nacionalismo independentista que visava a criação de um país. O resto da assumpção do percurso emancipatório do explorado/colonizado fê-la o involuntário e muito cínico proporcionar ao explorado/colonizado, por parte do explorador/colonizador, do acesso à tecnologia. E isso aconteceu nas I e II Guerras Mundiais: o homem branco já não era um deus, pois morria como os demais; a sua magia, magia não era, porquanto se materializava em artefactos mortíferos tão ou melhor utilizados por um argelino ou por um senegalês ou vietnamita, do que por um loiríssimo inglês ou francês. O explorado/colonizado não se organizou em mínimas comunas, em minúsculos quilombos que só podiam ser marginais e facilmente domináveis pelos aparelhos exploradores/coloniais: organizou-se num novo poder, o seu poder, o seu poder total : o seu país. Foi assim em toda a África, como o foi na Indonésia ou no Vietname. Tem isto alguma coisa a ver com a abstenção? Tem. A constituição de marginalidades auto-estruturadas não resolve o problema central – o da marginalidade. E essas marginalidades facilmente serão esmagadas pelos poderes económico-políticos dominantes, que lhes negarão a representatividade e o acesso ao núcleo central do poder ( negá-los-ão pelo boicote mediático puro e duro, pela ameaça velada, pelo estrangulamento económico e, até, pasme-se, pelo cínico elogio – não acha estranhíssimo o generalizado e rasgadíssimo aplauso dos comentadeiros de serviço aos triunfantes “independentes”? ). O abalo consequente da podridão institucional em que vive a vida política portuguesa não se fará por aí, como não se fará pela abstenção. E não deixa de ser curioso como o “centrão” se desmultiplica em leituras “políticas” da abstenção. No meu singelo entendimento, tais leituras têm a relevância e a utilidade de um frigorífico no Alaska: a abastenção é o não ir; quanto às razões desse não ir – da preferência por uma saída para a pesca do esturjão ao coçar da micose molemente deitado no sofá da sala – que venha o Diabo e escolha. Esse abalo far-se-á por mostrar ao “centrão” que o voto “de protesto” não é “de protesto”, mas sim uma consciente escolha da via de melhor abalar por dentro, pelo núcleo, um edifício que se julga indestrutível na sua rotativista inimputabilidade. Concluindo: há que, pelo voto, criar um poder, coerente e consequente, que abra novos horizontes de motivação e de participação cívicas e políticas. Uma marginalidade que se constitui em alternativa, alternativa não é, e acrescentará à marginalidade uma outra coisa: a perigosamente volátil impotência.

    • JgMenos diz:

      Consta que os colonizados tinham já verificado que uma pedrada matava o colonizador; mas a poética tem exigências!
      «Uma marginalidade que se constitui em alternativa, alternativa não é, e acrescentará à marginalidade uma outra coisa: a perigosamente volátil impotência.» Traduzindo:
      Uma marginalidade que se constitui alternativa, permanece marginal e torna-se volúvel, insegura e impotente.
      Donde:
      O que salva a marginalidade é permanecer, irredutível, fundamentalista, e marginal. O que tem a construir só se fará sobre as cinzas do existente ou nunca!
      Alah akbar!

      • De diz:

        Menos não terá provavelmente vergonha no que diz.Ao tentar dar resposta a este tão belo texto de imbondeiro, saem-lhe estes pedaços de palavrinhas com que tenta desviar as atenções do essencial do texto
        Os colonizados já teriam aprendido que uma pedrada matava o colonizador. Mas aprenderam que tal não chegava. Aqui não há nenhuma “poética” que valha a Menos.

        Mas o que mais põe a nu a incompreensão de Menos ( ou será tudo uma farsa para nos desviarmos da centralidade do texto?) é que a crítica que imbondeiro faz à marginalidade como alternativa de qualquer coisa que seja. é transformada por menos en palavras de salvação quase que diria beata da dita marginalidade.
        Precisará de lições também de lógica?
        Disso e de muito mais, já que se tornam patéticas as conclusões cozinhadas por Menos.

        Ah e a beatice confirma-se.Os seus apelos ao divino, embora com roupagens diferentes, apenas confirmam o seu contumaz carácter

      • imbondeiro diz:

        Esqueceu-se, novamente, de tomar a medicação? Tem de ter mais cuidado e seguir, à risca e sem o mínimo dos deslizes, o que o Senhor Doutor lhe aconselhou: é que a esquizófrenia já vai de tal forma avançada que o senhor já vê encorajamentos incendiários no meu sensato apelo ao voto como arma contra a auto-marginalização estéril da abstenção. Já pensou em fazer um retiro clínico-espiritual numa cela do Sobral Cid? Pense nisso, homem, pense nisso…

  10. José Luís Moreira dos Santos diz:

    Kur,
    De há muito, mais de 40 anos, que defendo que o voto é o cimento da democracia. Durante este período, conheci muitos que me chamaram lírico e coisas parecidas. Entretanto, eu continuo a acreditar piamente nisso, mas a lutar, TODOS OS DIAS, por uma mudança estrutural da nossa sociedade, enquanto alguns daqueles que outrora me chamaram lírico, estão nas bancadas do PS, em Cãmaras, do PSD e do PSD, etc. Mais um pormenor: a revolução, repito, revolução, que está em curso na Venezuela, está a ser feita com base na legitimidade dada pelo voto. Acha pouco? Estamos entendidos!
    José Luís Moreira dos Santos

    • José Sequeira diz:

      Caro José Luís
      Tem toda a razão no que diz. Tudo o que está a ser feito na Venezuela tem como base o voto popular. Como compreenderá eu não concordo com algum do caminho que está a ser seguido na Venezuela mas essa não é a discussão para este post. Acho que o voto em branco, nulo e a abstenção são um primeiro passo para um voto em alternativas diferentes das que o povo segue em determinado momento. Há poucos dias completaram-se 40 anos sobre um comício da CDE na Sociedade Portuguesa de Belas Artes, em Lisboa. Presidia o Prof. Lindley Cintra (pai do excepcional actor e encenador Luís Miguel Cintra). Nessas eleições o Marcelo Caetano decidiu que não haveria a batota nas urnas que existia até então; como é evidente não havia nas urnas mas havia na liberdade da campanha. Daí a oposição ter desistido. Essas eleições tiveram uma participação fraquíssima, o que prenunciou a queda próxima do regime. Toda a conjuntura do voto sem ser nos partidos tradicionais, com o aumento dos independentes e dos votos não atribuídos, conjugado com o desinteresse personifica uma época de fim de regime. O que é que vem a seguir? Não sei, mas será certamente diferente.

  11. Herberto diz:

    Não existem revoluções de direita, porque a direita está ligada ao retrocesso, à austeridade, ao conservadorismo e até ao militarismo. Quanto muito, podem existir golpes de direita. Depois, quem se afirma de direita deve pensar bem naquilo que está a afirmar, pois a direita não é apenas a direita que vem desde 1789; da divisão da convenção francesa entre os deputados de direita e esquerda. A direita está ligada à exploração do homem pelo homem; ao retrocesso das sociedades. A direita é no seu essencial, anti-democrática e anti-republicana.

    Será a direita a favor da generosidade humana? Será a direita a favor da igualdade entre os povos e as nações? Será a direita contra a exploração do homem pelo homem? Será a direita a favor da reforma agrária?

    Não entro em equívocos e sei muito bem a quem dou o voto, pois o voto é uma expressão de consciência. Julgo que o melhor para o ser humano só poderá ser obtido, quando a direita for minoria.

  12. votaounao diz:

    quem não vota tem que se organizar como tal, quem vota já tem como se organizar

    dúvidas?

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