Independentes de quê?

Assisto a um programa na RTP que a pretexto das autárquicas tenta fazer uma apologia do antipartidarismo. O motivo é a conversa de que as vitórias dos «movimentos de cidadãos independentes» indicam «o distanciamento dos cidadãos em relação aos políticos» e determinam uma «reflexão sobre o sistema político» através da participação dele de «novas formas de organização» dos cidadãos e de uma «redefinição da relação dos partido com a sociedade».

Além de ser no mínimo inusitado ouvir falar «dos partidos», como se a mais vaga semelhança existisse na relação com a sociedade que é levada a cabo pelo PCP e o CDS, o BE e o PSD, o PS ou o PPM, quase tão disparatado como ouvir falar «dos políticos», que enfia no mesmo saco obreiros da razia do país e os que há décadas a combatem, impõe-se a pergunta, a respeito dos independentes: são independentes de quem? De quê? É-se «independente» no momento em que se entrega o cartão de militante? Torna-se «independente» todo aquele que não tem ficha assinada, cartão no bolso, quotas em dia?

Analisemos os casos dos «independentes» de maior relevância: é «independente» o Paulo Vistas de Oeiras, sucessor do mesmo Isaltino que foi Presidente de Câmara eleito pelo PSD de 1985 a 2005? É independente José Guilherme Aguiar em Gaia, público e notório militante do PSD até outro dia e escolha directa da concelhia do PSD-Gaia, contra a vontade de Passos Coelho, que impôs Carlos Abreu Amorim? É independente de que Guilherme Pinto, Presidente da Câmara do PS em Matosinhos até este ano? É independente a que título Rui Moreira, notoríssima figura da direita portuense, sucessor indigitado de Rui Rio, Presidente da SRU Porto Vivo nomeado por aquele Presidente de Câmara? É independente desde quando Fernando Paulo, o candidato a Gondomar cuja lista foi barrada pelos tribunais, delfim de Valentim Loureiro, outro histórico do PSD? Fátima Felgueiras tornou-se independente do PS por entregar o cartão? Helena Roseta, foi independente na meia dúzia de dias que mediaram entre a sua candidatura nas intercalares de Lisboa em 2007 e a adesão ao executivo de António Costa? E Paulo Cafofo na Madeira, sem cartão de militante mas apoiado por seis partidos, é ou não independente?

O antipartidarismo fascizóide, que no fundo é um sonho lúbrico de ilegalização dos partidos de esquerda – PS, PSD, e CDS, viveriam muito bem num país sem partidos, tanta e tão fácil é a sua «consensualização» em nome do «interesse nacional»… -, procura nestes «independentes» a «prova» de que «é preciso mudar e progredir», considerando como «progresso» o fim dos partidos. Em 1926 tivemos um enorme «progresso» com a extinção compulsória e à lei da bala nalguns casos, dos partidos até ali formados. O retorno progressista a esta política recorda os versos de José Barata-Moura: consiste em para a frente recuar…

Naturalmente, tentar-se-á por todos os meios transformar esta transformação das arrelias e lutas de galos das concelhias cor-de-rosa e cor-de-laranja numa reconfiguração estrutural da sociedade e da sua organização política. Vão convocar-se politólogos, para que a expliquem. Vão desdobrar-se jornalistas, a escrutiná-la. Vão inflamar-se os cronistas, a dar-lhe laudas. Vão espantar-se os incautos, coçando a cabeça. O que sobrará é a cabeça dos que a usam para pensar, para entender, sob o postiço, que nada de fundamental lá mudou. A burguesia já nos tentou vender artimanhas melhor amanhadas…

 

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55 respostas a Independentes de quê?

  1. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Eu também não sou contra os partidos. Na realidade sou a favor. De preferência um único que, por ser a vanguarda do povo, não tem de o representar uma vez que se antecipa ao que ele deveria querer, e o realiza ainda antes de ele saber que é isso que ele quer…

    Mas onde é que eu já vi isto?…

  2. Rocha diz:

    E que tal um Movimento Independente das Classes Anti Monopolistas (MICAM)? Inventar siglas novas é um passatempo que eu tenho.

  3. JgMenos diz:

    Às lutas de galos das concelhias cor-de-rosa e cor-de-laranja contrapõe-se o doce apascentamento das hostes CDU…um remanso alentejano!

    • João Vilela diz:

      Chegou a dor de cotovelo.

      • De diz:

        É que às lutas de galos cor-de-rosa e laranjas, mistura-se o tom verde das palavras de Menos.
        A inveja escapa-se por entre as palavras de Menos.

        (ainda bem)

        • João Vilela diz:

          Eheheh! A inveja e o medinho! Ai Jesus que vem aí a foice e o martelo! Ai que me nacionalizam o LCD!

          • JgMenos diz:

            Longe de mim querer perturbar este interlúdio de exaltação partidária!
            Os exercícios de ‘arrasta-o-pé’ que se anunciam vão repor a normal mediocridade.
            Quanto ao medo, morreu no Verão de 1975! E não voltou…e não voltará!

        • JgMenos diz:

          Fala-me do tom verde!
          Fico quase nostálgico quando me lembro daquele mar de bandeiras vermelhas…agora nos armários!!!

          • De diz:

            Nos armários?
            Será da idade?Ou do deliruis tremens?

            Mas francamente a falta de substância do discurso de Menos torna-se aflitiva.O “arrasta-o- pé típico do dito cujo começa a ser cansativo

            ( E não.Não falemos nos pequenos medos patéticos de Menos em 1975.O ridículo não mata mas …
            O ex-ministro rui patrício também teve muiiito medo.Até não conteve os liquidos orgânicos a 25 de Abril)

          • kur diz:

            Jgmenos,pá!como é que vai o teu amigo oliveirea costa,o Duarte lima,o Joaquim coimbra,o teu ganda camarada Isaltino morais?…………….

          • Herberto diz:

            Estão nos armários do seu blog “A Chispa”, malandro!

  4. Luis Moreira diz:

    O PS e os sindicatos ligados ao PC têm pânico que possa existir opinião política livre e fora da formatação partidária. Antes do PSD e do CDS…

    • João Vilela diz:

      Eu convivo e faço trabalho político quotidiano com pessoas que jamais tiveram filiação partidária. E conheço inúmeros comunistas nessa condição.

      • si diz:

        Estes gajos que tentam sempre apanhar um deslize (e, atenção que aplaudo o texto do João) esquecem-se que ninguém é independente de nada quando decidem tomar um lado: direita ou esquerda, elite ou povo. A própria CDU elegeu candidatos independentes nas suas listas. Independentes de um cartão de militância, mas nunca independentes de um dos lados das barricadas. Ora, ninguém tem que ser contra os candidatos independentes, porque estes optam por um lado, temos é que ser contra as políticas desastrosas e atrapalhadas que nos impingem dia após dia, mesmo sem o carimbo de x ou y partido.

        E já agora, JGMenos, aprende a estar mais atento e deixa-te de conices que isso de criticar, quem com todas as letras assume a sua postura, é simplesmente hilariante. Os limites da idiotice e ”escroquice” não são suficientes para ti.

    • Antónimo diz:

      Cenas estalinistas num partido próximo de si: http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3452851

  5. m. diz:

    Pois então eu penso que assisti ao mesmo programa. Se não foi é um outro parecido. O André Macedo e André Freire a debaterem os resultados das eleições e a referirem-se aos independentes. Estes politólogos ou economistas, seja o que for, acabam por se tornar no que sempre foram: gente vendida ao capital, à banca. Sobre os independentes gostava de lhes dizer, aos Andrés Macedos e Freires que eles vão gozar com a tia deles, isto para não dizer pior. Pensam que estão a enganar quem?

    Isso é que é o Conhecimento? Mas conhecimento de quê? Quais são os postulados, premissas, axiomas em que se baseiam estes ditos comentadores para dizer tamanhas mentiras? Será que alguém acredita neles? Quais são os bancos por trás deles? Que lhes pagam para dizerem tamanhas aldrabices?

    Mas alguém acha que os independentes deixaram de ser dependentes? Por exemplo, o Rui Moreira, para mim, é o representante de uma elite vaidosa que não é mais do que um espelho do autoritário Rui Rio. Pois, o Porto verá o que se vai passar nos próximos anos como Rui Moreira. Esse Rui Moreira está vendido à banca, ao dinheiro, ao capital.

    A ver se estes comentadores desaparecem das televisões. São péssimos, péssimos profissionais e são uns grandessíssimos mentirosos. O melhor é acreditar-se que estas classes de comentadores, sim, porque se trata de classes, mais uma na nossa sociedade de classes e são, ao fim e ao cabo, representantes dessas ditas classes dirigentes que têm uma agenda comum de interesses, quer ao nível local, quer ao nível global. Uma agenda em que não só a do capital estar contra o trabalho, mas em que a suposta União Europeia está a pôr em causa a democracia dos países europeus.

    Quanto a mim, é basicamente isto que esteve e está na agenda política que nos trouxe a entrada para a União Europeia, Euro, etc. Um empobrecimento da qualidade das nossas instituições democráticas, visando a instalação de regimes fascistas, autoritários e totalitários por toda a Europa, para não dizer o resto do mundo e subjugar a força de trabalho. Estarei enganada? Duvido. Não sei como se resolve isto, mas já comecei. Comecei por duvidar desta gente toda que parece cheia de certezas…

    Posso ter dito uma mão cheia de asneiras, mas é assim que vejo as coisas.

    • Antónimo diz:

      O Macedo defendia o Sócrates até passar a atacar o Sócrates. Agora vai defendendo o Costa. Do Freire nem vale muito a pena falar, que tem menos poder embora para cientista político também tenha grande gosto em misturar independências.

  6. José Sequeira diz:

    Já aqui escrevi o que penso: os partidos vão continuar a existir embora me pareça que vão reduzir-se a dois importantes (PS e PSD) e mais dois cada vez mais pequenos (CDS e PCP). Como estava previsto, o BE fechou para balanço. Nas próximas eleições legislativas o voto útil vai fazer estragos no CDS e PCP. Posso estar enganado mas essa será a tendência. Os que imaginavam a “pasokisação” do PSD não acertaram. Portugal afinal é muito diferente da Grécia.

  7. Dezperado diz:

    Depois de ler o post, queres nos fazer acreditar que não ha “independentes”, visto que todos ja pertenceram a um partido……mas então e quem está num partido, como o PCP, pode ter ideias proprias, ou terá que sempre fazer parte do rebanho e aceitar o que o pastor do rebanho decida??? Qual dos dois será mais independente?

    O problema de muitos blogueiros/comentadores de tv, é que só falam dos outros….é mais facil e dá menos trabalho.

    • João Vilela diz:

      Claro que quem está num partido, e por maioria de razão quem está no PCP, pode e deve ter ideias próprias. A questão está em saber se é lícito dizer-se que quem foi militante partidário até ontem, alicerçou dentro de um partido o seu capital político, dispõe de uma rede de activistas e de apoiantes que procedem desse partido, defende e aplica uma linha política que em nada de essencial difere da desse partido – tal pessoa, mesmo que tenha incinerado o cartão de militante, «independente» é que não é…

      • Dezperado diz:

        Joao….acho que a questão passa mais por uns serem mais independentes que outros…acho que cada caso é um caso.

        Se um militante rasga o cartão, porque não concorda com as ideias, ou com o rumo que o partido quer levar, podemos chama-lo de independente…..

        Se um militante rasga o cartao e concorre às eleições como independente apenas porque nao foi o escolhido pelo partido como cabeça de lista….é tudo menos independente.

        Mas por outro lado, basta num partido haver a chamada “disciplina de voto”, para tornar os militantes tudo, menos independentes.

        O Rui Moreira, pelo seu passado, é chamado de tudo, menos de independente…..mas e se por acaso fosse um Daniel Oliveira a ganhar uma camara, seria legitimo chama-lo de independente?

  8. antoniocarlos diz:

    João Vilela diz que o antipartidarismo é fascizóide, e que PS, PSD, e CDS, viveriam muito bem num país sem partidos.
    É a sua opinião. E a realidade internacional o que mostra?
    Para além do Partido Comunista Chinês que outros partidos estão legalizados na China?
    E em Cuba?

    É só retórica mas quando confrontado com a realidade chuta para canto.

    • João Vilela diz:

      Eu gosto tanto quando perante discussões sobre a realidade portuguesa se vai buscar a chinesa para não ter de argumentar.

      • antoniocarlos diz:

        O comunismo não é internacional?

        • João Vilela diz:

          É. Mas este post não. Nem sequer é sobre o comunismo, valha a verdade.

          • Jorge diz:

            comunismo é totalitarismo. mas este post não tem que ver com isso.

          • João Vilela diz:

            Este comentário é primário e idiota. Este blogue merecia comentadores mais dignos.

          • Antónimo diz:

            O comunismo foi uma porra ditatorial em Espanha, Chile e Irão, via eleições. Sabe-se como acabaram.

            Não sabia que o PCP governava na China. Imagino que PS e PSD também governem em Angola já que anda sempre pelos congressos dos dois partidos malta dessas bandas.

          • João Vilela diz:

            E deve ter sido o PCP a vender a EDP à Three Gorges. Ou o PSD a defender a nacionalização da EDP. Ah, não espera…

        • alice vieira diz:

          allo allo, terra? se cada país tem os seus problemas especificos, não acha natural que cada partido tenha também um programa especificio para a sociedade em que vive? é tanto o ódio que enternece ter de explicar coisas básicas………………………………….

  9. zé luís diz:

    É pertinente essa discussão. E faz tanto sentido quanto a reflexão provém de alguém que, visceralmente, é fiel a um partido conhecido pela sua militância, seja como for.

    Mas está a esquecer que não há mais independentes porque o “sistema” não o permite, a nível nacional. Aos poucos, no Poder Local, tem crescido essa onda, não é de agora e alvitram que daqui por 4 anos o fenómeno será maior.

    O sistema partidário, precisamente, impede que haja outra expressão do fenómeno. Quem o vem criticar? Precisamente quem emana desse sistema partidário que se quer perpetuar.

    Isto, no fim, é a demonstração cabal e explícita da incapacidade democrática de quem teme, e critica, a ascensão de outras forças, para mais que decidem por si próprias e rejeitam “aparelhismos”. Ah, mas vieram de dentro do sistema? Claro, mas o sistema precisamente não permitiu, até agora, outra coisa.

    É assim e tem muita força.

    A sua reflexão tem sentido, mas renega a amplitude do fenómeno ao requer enquadrá-lo numa perspectiva imobilista, tal qual a que representa. O mundo teve sempre mais avanços desta maneira, tão independente quão imprevista. E sempre foi preciso ver o mundo como ele é e não como gostaríamos que fosse, se me permite a finalizar.

    • João Vilela diz:

      Eu não vejo essa «incapacidade», sinceramente. Vejo incapacidade do PSD e do PS em conterem as suas hostes locais quando entram em roda livre, mas duvido que, em legislativas, assistíssemos a fenómenos particularmente diferentes. Quando muito teríamos descontentes desses partidos a organizarem listas «independentes» ao Parlamento, como já fazem para as câmaras. Eu não conheço um único movimento genuinamente independente que tenha tido o mais vago relevo numa eleição autárquica fosse ela onde fosse. E isto sim é a realidade tal como ela é, não como faria jeito a quem sofre de antipartidarite aguda.

      • Jorge diz:

        “Quando muito teríamos descontentes desses partidos a organizarem listas «independentes» ao Parlamento, como já fazem para as câmaras.”

        e como raio esses “independentes” fariam essas listas para concorrer ao parlamento? a constituição não o permite. se o permitisse a cdu não elegia ninguém.

        • João Vilela diz:

          Tem de ler o comentário anterior. Falei do que ocorreria se isso fosse possível, não disse que o é. Quanto aos resultados que a CDU teria em tal circunstância, digo-lhe que há 552000 razões para discordar de si.

  10. Pingback: Os “independentes” « Fala Ferreira

  11. CausasPerdidas diz:

    A actividade política não se esgota nos Partidos, é a minha opinião. A actividade política não começa nem acaba nas organizações com siglas registadas e com o tal número mínimo de assinaturas que “dá” a um conjunto de cidadãos associados o “direito” de expressar-se sobre os assuntos de interesse público. E: ao contrário dos que “não se metem em política” – a conversa fiada de muitos “independentes” -, qualquer actividade de intervenção pública e de confronto de opiniões chama-se Actividade Política. E: a Política pode não ter Partido mas toma partido.
    É o objectivo (leia-se programa político) que define qual é o partido de qualquer grupo de cidadãos, por mais informal e anti-Partidos que seja. É verdade, todavia, o “anti-Partidos” colhe neste tempos de desnortes alimentados pela relativização e caricatura mediáticas. “Eles são todos iguais”, eis onde o discurso do “anarquista” se aproxima do do fascista.
    Para não me alongar: mas quanto desse estigma anti-Partidos não foi alimentado pelo “apartidarismo” partidário e pelo unitarismo de fachada? Gritos histéricos de “aqui não há Partidos!” já os oiço desde puto, logo nas primeiras manifs depois do 25 de Abril de 1974, e ouvi-os sempre do lado esquerdo da “independência” – nunca participei noutras manifestações mais “abrangentes”, tipo 12 de Março, por razões higiénicas (a velha mania do “Programa” a impor-se).

    Porque é que em França, Espanha, e por aí afora, se vêem bandeiras e cortejos diferentes respondendo a um apelo comum, e aqui vejo truques e empurrões? Pergunto eu que tomo partido, voto, mas não agito bandeira de Partido (um “independente de esquerda”, na gíria piedosa do militante, mas só se for arregimentável para decorar a lista, um “diletante” no caso contrário).
    Independentes, como diria o outro, há muitos. Calcule, até o seu camarada de blogue Renato Teixeira o considera, quando aos “40 mil votos perdidos do Bloco de Esquerda” aquiesceu que as candidaturas “independentes” de Coimbra, Braga, Funchal (outras?) eram mesmo independentes esquecendo-se de que aquele partido não concorreu como tal nessas cidades.
    (Nem com o meu voto de independente se safaram)

  12. Gambino diz:

    O facto de serem independentes não implica que não tenham partido ou que não representem determinados grupos. Nesse sentido, ninguém é independente. Nestas eleições, independente significa apenas que o candidato não concorre com a bandeira de um partido. Na maior parte dos casos foi um problema interno, com as direcções a as concelhias partidárias a escolherem gente que não teria apoio local. No entanto, o número de votos que conseguiram angariar revela a importância do fenómeno. Se tomarmos em conta o número de brancos e nulos, estamos perante um fenómeno que não pode ser ignorado.

    Dizer que os independentes não são independentes é ignorar que eles foram eleitos por afrontarem directamente os partidos. Este fenómeno não está restrito ao eleitorado tradicional, basta ver os movimentos Ocupy e a insurreição brasileira. Isto é uma tendência que nenhum partido, movimento ou organização de esquerda se pode dar ao luxo de ignorar. Por muito que custe…

    • João Vilela diz:

      Não foi nada porque afrontaram os partidos: foi porque tinham mais peso local, enquanto personalidades, do que o partido. Isto remete-nos é para uma reflexão sobre o peso da personalidade individual na política, para lá do programa e do projecto de sociedade, que revela, a meu ver, uma clara imaturidade política de amplas camadas da população.

      • Gambino diz:

        A imaturidade da nossa população é um adquirido. Se andares pela rua a ouvir conversas, vais perceber que uma parte das pessoas que votaram nos independentes acha que eles estão menos poluídos e que são uns heróis por fazerem frente aos partidos a que pertencem, por mais absurdo que isto seja. A própria pessoalização da política é uma reacção à impessoalidade da lista, mesmp quando promove a eleição de pessoas corruptas e sem qualquer projecto político. Por mais estupido que seja o eleitor português, é o único que temos.

  13. von diz:

    Os partidos, por definição, preocupam-se primeiro com os eus. Se houver tempo e dinheiro, talvez com os demais…

  14. von diz:

    errata: com os SEUS.

    • João Vilela diz:

      Essa conversa «dos partidos» é a mais mal amanhada que conheço. Diga-me quantos militantes «dos partidos» encontra a passar a noite em piquetes de greve, e quantos militantes «dos partidos» vão parar à direcção das empresas cuja gestão leva à greve…

  15. Embora com muito menos nível que o João Vilela, também hoje abordei o assunto aqui em
    http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2013/10/noticias-do-pensamento-politico-tipo.html

  16. E.A diz:

    Pelo escrito só se exerce a cidadania podendo escolher seu carrasco…
    Por acaso é menos cidadão quem é apartidário? ser apartidário é ser apolítico? listas independentes são apolíticas? se o povo esta cansado de partidos, não seria hora dos partidos buscarem entender o fenômeno e talvez admitir que estão errando ainda que na linguagem?.
    SOU APARTIDÁRIO MAS NÃO SOU APOLÍTICO, ISSO ATÉ ENCONTRAR UM PARTIDO QUE REALMENTE REPRESENTA ME…

    • João Vilela diz:

      Nestas eleições autárquicas não aconteceu nada disso.

    • Herberto diz:

      Muito teria a ganhar em ser político, porque há que ler os programas dos partidos e ver quem são os mais honestos e mais sérios. Por acaso, a lista dos sérios e honestos ainda é confundida com velhos estereótipos.
      Essa ideia de ser “apolítico” e “apartidário” resulta num desespero que leva a grandes equívocos. Muitas vezes, resulta em violência e em vez de bater no partidário mentiroso, escolhe em agredir aquele que sempre foi honesto. Porquê? Porque nunca quis saber nada de política, ou seja, cultivou uma ignorância sobre a situação do país.

  17. Fernando Brites diz:

    Ser independente, sobretudo em eleições autárquicas, é quando se escolhem os melhores para os cargos a desempenhar, independentemente de no passado terem pertencido a forças partidárias ou simpatizado com elas.

    • João Vilela diz:

      Não faço a mais pequena ideia do que são «os melhores». O que há são programas políticos.

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