Convergência da Miséria

Estou fora do país esta semana e literalmente afogada em trabalho, sem tempo para fazer um artigo extenso sobre o tema. Limito-me, as minhas desculpas, a dizer que a convergência das pensões é inaceitável e constitui subtracção – roubo – do salário social dos reformados. A história vai ser assim. Os da função pública irão receber ainda menos do que os do privado se a convergência avançar e depois o Governo virá dizer que os privados estão a receber mais do que o público, tem que se cortar por isso as pensões em nome da convergência. Vai ser este o caminho se não o travamos. Trata-se de um poço sem fundo, convergência da miséria, nada mais, em nome do pagamento de uma dívida que não é nem dívida nem pública, é uma renda fixa e parasitária de um país que precisa desligar o interruptor  e começar, mesmo, de novo.

Deixo-vos aqui a excelente intervenção do Dr. Eugénio Rosa, co autor do nosso livro sobre Trabalho e Segurança Social, no programa Política Mesmo para o qual fomos convidados para falar sobre este tema. Devem andar com o link para a frente para ver a parte em que ele fala sobre este tema ou alguém neste mundo das redes sociais corte por favor as partes deles sobre o tema para fazermos circular. Obrigada. Raquel Varela (coordenadora de A Segurança Social é Sustentável. Trabalho, Estado e Segurança Social em Portugal, Bertrand, 2013).

http://www.tvi24.iol.pt/programa/4322/415

PS: Às vezes o link muda de lugar, devem caso queiram ver (o que aconselho) procurar Programa Politica Mesmo, TVI, dia 25 de setembro, vem depois da entrevista a Maria Lurdes de Rodrigues.
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4 respostas a Convergência da Miséria

  1. JgMenos diz:

    Gostei do ‘salário social dos reformados’.
    É um avanço em relação ao ‘roubo dos descontos de uma vida de trabalho’.
    Mais um esforço e acaba por fazer umas contas de somar e dividir.

    • Raquel Varela diz:

      Salário social ou indirecto é quanto se recebe depois de ter pago impostos, em Portugal paga-se mais do que se recebe do ponto de vista do trabalho, como creio que sabe fizemos um amplo estudo – que nunca ninguém conseguiu questionar – a provar justamente isso, cump.

      • JgMenos diz:

        Impostos todos pagam, de um modo ou outro, e há e sempre haver´quem receba do Estado mais do que o que paga ou alguma vez pagou.
        A questão é: os descontos (deduzidos de baixas e desemprego) e a sua capitalização, paga as CoRrEsPoNDeNtEs reformas até que percentagem do total?
        e a sua distribuição é bem menos desiquilibrada do que a distribuiição do rendimento

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