Em Bogotá, a polícia não se atreve a entrar na universidade. Não há propósito algum – muito menos a praxe – para que se viole a autonomia universitária.

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18 respostas a Em Bogotá, a polícia não se atreve a entrar na universidade. Não há propósito algum – muito menos a praxe – para que se viole a autonomia universitária.

  1. João Labrincha diz:

    Depreendo que, no teu conceito de autonomia universitária, uma violação ou assassinato – como já aconteceram em praxes – desde que perpetrados dentro dos muros de uma universidade, não justifiquem intervenção policial.

    • Bruno Carvalho diz:

      Justificam uma investigação o que é bem diferente de ter a polícia dentro da universidade a intervir sobre os estudantes. Mais te digo, se apanho um moralista que me diga que não posso beber na rua ou na universidade vai ter de chamar a polícia mas por outros motivos.

  2. Antónimo diz:

    Obviamente vai uma grande diferença entre intervir sobre a praxe, exigindo que reitorias a proibam e reprimam e chamar a polícia para dentro da universidade.

    Lamentável que à esquerda haja gente tão calina e obtusa que não perceba como a praxe se constitui como uma verdadeira e eficaz escola de submissão e de humilhação, uma engenharia de almas fascista e um propedêutico para o emprego sem direitos, e prefira fazer posts em defesa da praxe.

    Se acham que o caminho é o da reacção contra a praxe à pancada, criem as condições para o confronto e insubmissão de quem não aprendeu a fazê-lo. Garante-se que terão desde mais cedo cidadãos mais capazes e lutadores, ou acham que a praxe não é um sistema operatório da direita sobre as vontades dos mais novos?

    • Bruno Carvalho diz:

      Se é a mim que se refere, eu estou contra a praxe. Mas também estou contra a polícia nas universidades.

      • Antónimo diz:

        Eu tb estou absolutamente contra polícia na universidade, mas estou contra a relativização que faz no seu post

        Quando o debate no 5 Dias é entre as posições – mais uma vez inadjectiváveis, infantis e inconsequentes – da Raquel Varela e o combate a uma humilhação iniciática e de raiz totalitária, vem Bruno Carvalho escrever que “não há propósito algum – muito menos a praxe”, como se a praxe fosse desvalorizável.

        • Bruno Carvalho diz:

          Ao contrário dos hipster de esquerda, para mim, há outras prioridades como a luta contra o capitalismo e a conquista do ensino público e gratuito. Sou contra a praxe e denuncio-a mas, sim, sou capaz de a pôr em segundo plano face a outros problemas.

          • Rocha diz:

            Numa universidade pública, gratuita e acessível a toda a gente este servilismo da praxe que conhecemos é tão impossível de gerir que nem faria sentido. Como em Cuba em que há Universidades tanto nas zonas urbanas como rurais e em todas as regiões do país.

          • mas isso é um dos resultados do capitalismo, as praxes humilhativas e repressivas.

          • Antónimo diz:

            Sim, lá está, hipsters, quando combater a praxe era a maneira mais imediata de combater o conformismo e a docilidade acrítica no local de trabalho, lançando a três anos do emprego sementes para o combate ao capitalismo e ainda durante a formação atraindo gente para a defesa do ensino público e gratuito.

            Curiosa a convergência de gente do partido onde voto (como aqui Carvalho ou mais a baixo Rocha) com uma RAquel Varela.

          • Antónimo diz:

            Não perceber que combater a docilidade e fomentar a revolta é um dos melhores modos de preparar e incentivar o combate ao capitalismo é obstusidade, lamento.

            O chato é que se acha muito pessoal do pcp que até acha piada às praxes e fica mal confrontá-los nos devidos sítios.

          • Herberto diz:

            Bem respondido, Bruno!

        • De diz:

          Concordando de caras com o Bruno de que há outras prioridades, ( oh se há), não posso deixar de subscrever o que diz Antónimo.

          • De diz:

            … e no alvo a caracterização das posições de Varela… que chega por vezes a identificar-se até com algum do argumentário da direita neo-liberal

  3. um anarco-ciclista diz:

    Toda a gente está, BRUNO!!!
    Talvez com a excepção do João Labrincha!

    Esta polémica começou com uma postada da Raquel Freire exigindo a intervenção das autoridades académicas em relação à praxe. Seguiu depois com vários posts da Raquel Varela a chamar de “cobardes” a quem entende que reitores e professores deveriam ter um papel na proibição desta fantochada. Falta agora o Renato Teixeira explorar um filão qualquer…

    • Nunca pensei dizer isto mas acho que devias dar ouvidos ao Rocha pá.

    • Joaninha diz:

      Entrei sem querer nesta pagina e qual o meu espanto quando comecei a ler a data de barbaridades aqui escritas!!! Tudo na vida tem um peso e medida…..no que diz respeito a praxes, bom, fui praxada e sinceramente com muito nível , são coisas engraçadas que jamais se esquecem, quando feitas com dignidade, sensatez e sentido de humor. Relativamente a policia nas universidades? Bom se for para proteção, acho que sim. Estudantes são cidadãos !! Professores são cidadãos!! Funcionários são cidadãos!! E as forças policiais servem para proteger os cidadãos e não para os atacar. As praxes são para divertir, criar laços de amizade e não para humilhar, magoar ou fazer escárnio.

  4. Álvaro m. diz:

    Bruno,
    Tente estabelecer a relação entre essa nojeira fascistóide, reintroduzida pela JSD nos 80’s e o aumento da precariedade laboral nos jovens desde essa altura. Quando a Raquel Varela(e com razão), alguns posts atrás se queixou da cada vez maior ausência do pessoal novo da vida política (manifs, movimentos sociais, lutas cívicas, etc..), o “espírito” da praxe não terá tido um papel nisso? Quem acha normal rebolar na lama, ser insultado e levar com bosta em cima, estará depois apto a enfrentar as pulhices de governos corruptos, patrões exploradores, etc…? É que foi esse conformismo colectivo que nos deixou chegar a este desastre.
    Quanto a essa questão da autonomia já tive mais certezas:
    1- nos tempos do fascismo a polícia entrou na universidade não para combater praxes mas para bater nos estudantes contestatários ( lembro-me das bastonadas nos corredores e no bar da FLUL nas manifs de 71).
    2- tem razão quando diz que ninguém o deve proibir de beber na rua ou na universidade, mas entretanto o fumo já foi proibido dentro da faculdade (a mim e a muitos não dá jeito nenhum…).
    3- polícias a patrulhar os corredores das faculdades é absurdo, mas também já conheço muitas (Univ. públicas) que desde os 90’s tem segurança privada (Prosegur,etc…), não para vigiar praxes mas prevenir assaltos, suponho.
    4- Nos movimentos anti-propinas, lembro-me de ouvir estudantes e não só perguntarem-me porquê aumentar propinas e não combater mordomias de alguns profs.(não todos, claro) como viagens constantes, net e telemóveis pagos pela univ. e por aí fora. No caso das públicas o estado não deverá exigir saber como se aplicam os dinheiros dos contribuintes e dos estudantes? (É um argumento que se presta à demagogia, eu sei).
    Fica para reflexão.

    Quanto às praxes dispensam-se, e de certeza que o Bruno também já não acha piada nenhuma às ditas “brincadeiras”,o seu sentido de humor é melhor que isso.(Parabéns atrasados por aquela do “borda d’água”, nem o Álvaro resistiu, foi de Génio. :))) ).

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