Vamos erradicar a Peste Bobónica

bruno_bobone_1_paginaEnquanto os estivadores Europeus se reuniam em Chipre para decidirem sobre as acções concretas que irão afectar o movimento de mercadorias entre Portugal e a Europa, Bruno Bobone, em declarações para a agência Lusa, afirmava que As empresas portuárias não têm qualquer medo e vão resolver o problema de uma vez por todas … os empresários portuários vão pedir ao Governo que acabe com a legislação especial dos estivadores”.

Recordo que após a aprovação das alterações à Lei do Trabalho Portuário que, segundo a própria tutela, não iriam provocar despedimentos, 47 estivadores em Lisboa já foram “dispensados” ao mesmo tempo que os restantes estão sujeitos a uma brutal carga horária, foram impedidos de gozar férias e estão a ser alvo de dezenas de processos displinares por algumas faltas que foram obrigados a dar para poderem, face ao cansaço acumulado, trabalhar com o mínimo de segurança para eles e para os seus companheiros, dadas as situações limite de esforço para não dizer de escravatura a que estão a ser forçados.

No porto de Aveiro, os patrões com a conivência do governo, procederam à abertura de uma nova ETP (empresa de trabalho portuário) cuja autorização pretende criar condições para lançar no desemprego dezenas de estivadores profissionais que trabalham no porto há dezenas de anos, substituídos por trabalhadores precários e com salários de miséria.

Estes são alguns dos efeitos que esta “legislação especial dos estivadores” tem permitido desde a sua aprovação. Mas para o exterminador Bobone e restante clã, estas alterações ainda não são suficientes para implantarem o estado feudal e esclavagista que ambicionam.

Esperamos que um dia seja finalmente possível desmontar publicamente a factura portuária para que se perceba a irrelevância dos custos do trabalho portuário face ao peso da parasitagem que babuja em redor da actividade de movimentação de cargas nos portos, e da qual este Bobone é um exemplo perfeito.

Bobone considerou o conteúdo da carta de “ameaça ridícula” e questionou “Como é que a Europa aceitaria prejudicar a economia portuguesa numa altura destas, tão complicada?”.

Quanto à classificação de “ameaça ridícula” será melhor esperar pelos próximos tempos para todos podermos tirar conclusões mas já quanto à dúvida implícita no final do parágrafo anterior Bobone esquece-se que não existe apenas a sua Europa, a do primado do Capital, da Economia e da Finança, mas também a Europa e o outro mundo pelo qual os trabalhadores se batem. Por uma sociedade mais humana, equilibrada e com justiça social.

Sob a bandeira da solidariedade internacional, tão importante nas nossas organizações, as acções que os estivadores europeus pretendem desenvolver têm prioritariamente o objectivo de apoiar as lutas dos seus companheiros portugueses.

Naturalmente que os efeitos colaterais sobre a Economia de Bobone se irão fazer sentir, mas a pressão sobre os lucros são também a única linguagem que os seus interesses entendem tal como confirmou Bobone quando afirmou ainda que, com esta carta “É o pior que podiam ter feito às empresas portuguesas”.

Face à sua afirmação de que esta carta também “proibiu o Governo de voltar atrás”, e atento o silêncio deste, apenas posso concluir que ou Bobone tem informação privilegiada quanto a futura resposta do governo, ou Bobone é o seu porta-voz para a área dos portos ou Bobone & Co. … são o governo.

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6 respostas a Vamos erradicar a Peste Bobónica

  1. anonimo diz:

    Porque não simplesmente abrir uma nova ETP (empresa de trabalho portuário) gerida pelos próprios estivadores (cooperativa)? Não seria mais eficaz para levar o Sr. Bobone à falência e resolver os problemas dos estivadores? O que falta para que isso aconteça?

  2. Até onde irá a arrogância desta «gente»?…

  3. Miguel diz:

    Bobone, ou “Boca de Trombone” ou “Mónica Lewinski”, como era conhecido, nos tempos em que trabalhei para a Pinto Basto. O nome “Mónica” foi aplicado, devido ao começo do nome “Bóbó(ne)”.

    Rico. Julgo que casou com uma mulher, também ela rica, de Elvas. Adora ouvir José Cid e foi conhecido por sair mais cedo da empresa, afim de controlar, no seu descapotável, os trabalhadores que saíam às 5h30 (hora de saída).

  4. anonimo diz:

    Caro António Mariano,
    Após tantos posts sobre o assunto, continuo sem perceber o que pensa da criação de uma nova ETP (empresa de trabalho portuário) gerida pelos próprios estivadores (cooperativa).
    A ideia que fica é que para exigir direitos e protestar é fácil mobilizar. Mas arriscar e abrir uma nova empresa (cooperativa) dá trabalho, é mais difícil, e menos mediático.

    • António Mariano diz:

      Caro Anónimo
      (ou caríssimo Bobónimo? como distingui-los?)
      Não costumo responder a quem se esconde no anonimato, mas abro esta excepção.
      Quando refere “tantos posts sobre o assunto” penso que se estará a referir ao não assunto Bobone pelo que não compreendo qual a relação deste com a gestão em forma de cooperativa de uma “nova ETP”, e muito menos essa sua insistência para lhe dizer o que penso sobre o tema.
      Pode até ser um tema actual mas, definitivamente, sou eu que decido sobre o que escrevo, sobre a agenda que melhor defende os trabalhadores, em geral, e os estivadores que represento, em particular, seja essa agenda fácil ou arriscada, mediática ou nem por isso.
      Tal não invalida que possa, quando entender oportuno, dissertar sobre a possibilidade de os estivadores tomarem colectivamente o controlo sobre o seu próprio trabalho.
      Porque dou a cara e assino por cima.

      • antoniocarlos diz:

        Caro António Mariano,

        Pelo seu comentário depreendo que seja representante sindical dos estivadores, algo que desconhecia quando fiz o meu comentário. Devido ao meu desconhecimento, julguei que fosse apenas (salvo seja) um blogger do 5Dias a analisar a questão dos estivadores, daí a minha expressão “tantos posts sobre o assunto” (estava a referir-me ao 5Dias no seu conjunto, e não me referia sequer em particular ao “caso Bobone”).
        Não pretendo de forma alguma decidir por si o que deve escrever (longe disso), mas uma vez que tem a caixa de comentários aberta e eu procurei expor a minha ideia de forma educada, esperava ficar a conhecer a sua opinião face à minha sugestão.
        Quanto à questão do anonimato, devo desde já “preveni-lo” que sou um ilustre (e total) desconhecido. O meu nome é António Carlos.

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