Não se passa nada. Nos portos portugueses não se passa nada. No Chipre não se passa nada. A carta aberta dos estivadores europeus ao Paços Coelho e ao Pires de Lima nunca existiu. A “paciência está a chegar ao limite” mas não se passa nada.

Cartaz da luta dos estivadores nos anos 80, década na qual a esmagadora maioria dos meios de comunicação social parece acreditar que este sector ficou. Não se passa nada...

Cartaz que reflecte a dimensão internacional da luta dos estivadores já nos anos 80, década na qual a esmagadora maioria dos meios de comunicação social parece acreditar que este sector ficou. Não se passa nada…

Lisboa, 17 set (Lusa) – O coordenador do International Dockworker Council (IDC), numa carta aberta dirigida a Passos Coelho, ameaça com ações que podem ter impacto sobre a “frágil economia” portuguesa, caso não seja alcançado um acordo com os estivadores portugueses.

Na quarta-feira, inicia-se no Chipre a reunião internacional da organização dedicada este ano à “luta laboral dos estivadores portugueses”, em que participa António Mariano, dirigente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal.

Entretanto, o coordenador do IDC, Anthony Tetard, numa carta aberta dirigida ao chefe do executivo português, Pedro Passos Coelho, e ao ministro da Economia, António Pires de Lima, e a que a agência Lusa teve acesso, defende os interesses dos estivadores portugueses e sublinha que a “paciência está a chegar ao limite”, mas que espera que haja ainda “capacidade para a tomada de medidas necessárias” por parte do Governo português, para um “acordo comum”.

“Queremos informar-vos que, se tal não for o caso, todos os membros do IDC – que irão realizar uma assembleia nos dias 18 e 19 de setembro em Chipre – vão decidir sobre ações específicas. Estas ações irão seguramente ter impacto sobre os lucros dos empresários portuários, em particular, e sobre a frágil e sensível economia portuguesa, em geral, a menos que o Governo desempenhe o seu papel ao reforçar os direitos dos estivadores portugueses e termine com estes ataques inaceitáveis contra as regras de trabalho portuário e a essencial dignidade da profissão dos estivadores”, escreve Tetard.

De acordo com Tetard, a nova legislação portuguesa de trabalho portuário “retalha” os postos de trabalho dos estivadores, “aniquila” o direito dos estivadores a carteira profissional, “dissemina” a precariedade, “pressiona” no sentido de “salários de miséria” e tenta “demolir a segurança do emprego e as condições de trabalho dos estivadores, em largo detrimento das condições de segurança e da qualidade do trabalho, benefícios sociais e organização sindical.

“O único objetivo é servir os poderosos interesses do capital, sob a pressão da ‘troika’ (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia), por forma a destruir a qualidade de vida dos estivadores portugueses”, escreve o dirigente do IDC.

Na mesma carta, Anthony Tetard escreve ainda que as todas informações sobre a situação portuguesa “vão ser enviadas para cada porto à volta do mundo que mantenha relações comerciais com Portugal” e recorda que na última reunião realizada em Liverpool, Reino Unido, em julho passado, foi feito “um último apelo” ao executivo de Lisboa e aos empresários de movimentação de cargas portuárias.

“As ações em concreto, só vão ser decididas amanhã [quarta-feira], mas cada uma das delegações já está a ser consultada sobre possíveis ações de apoio e de solidariedade em cada porto. Em todo o caso, as moções sobre as ações de apoio aos estivadores portugueses só vão ser discutidas e votadas amanhã”, disse hoje à noite à Lusa Susana Buscket, da organização da assembleia que começa quarta-feira no Chipre e que se prolonga durante dois dias.

PSP // ARA

Lusa/Fim

Carta Aberta dos Estivadores Europeus a Passos Coelho e Lima Duarte, aqui.

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3 respostas a Não se passa nada. Nos portos portugueses não se passa nada. No Chipre não se passa nada. A carta aberta dos estivadores europeus ao Paços Coelho e ao Pires de Lima nunca existiu. A “paciência está a chegar ao limite” mas não se passa nada.

  1. Antónimo diz:

    o jornal i deu

  2. José Sequeira diz:

    Coloquei um comentário no post do António Mariano onde lhe perguntei quais eram as condições de trabalho e as leis que regem essas profissões nos países onde trabalham esses “solidários”.
    Talvez sem surpresa este “esqueceu-se” do meu comentário.
    Aliás, quanto mais tempo durar a luta dos dockers portugueses mais solidários ficam os dos outros portos, sobretudo os que ficarem nas redondezas.
    Em 1913 os proletários da Europa queriam a revolução conjunta. Em 1914 já estavam a matar-se nos campos de batalha da Flandres.
    É a vida, Guterres dixit!

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