A fazerem-nos de parvos

Portanto:
A PARVALOREM, S.A. tem por objetivo «gerir, criteriosamente e com o sentido do “Interesse Público”, a carteira de créditos adquiridos no âmbito do processo de reprivatização do BPN por forma a contribuir para a minimização do esforço financeiro do Estado associado a esta operação»

Mas,

O Estado assumiu uma dívida do Boavista ao BPN de mais de 3,4 milhões de euros. A revelação consta na lista provisória de créditos do Processo Especial de Revitalização (PER) do clube do Bessa, na qual a Parvalorem, entidade pública que tem o crédito malparado do BPN, reclama o pagamento de um empréstimo que terá sido concedido ao Boavista durante a presidência de João Loureiro. Ao abrigo do PER, o Estado perdoou ao clube mais de 1,2 milhões de euros, para receber 64% da dívida.

e ainda,

Mais de 200 trabalhadores deverão sair em breve da Parvalorem, depois de o Governo já ter entregado a duas entidades privadas a gestão dos 3,6 mil milhões de euros de créditos ‘tóxicos’ do BPN que estão nesta empresa pública.

Quem é o parvalorem aqui?

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4 respostas a A fazerem-nos de parvos

  1. Desportista diz:

    Para receber 64% da dívida, o estado perdoou os restantes 36%. Esses 36% serão sobretudo juros de mora por não pagamento, ou seja, não é um perdão de valor capital. E muito menos se refere a crédito que o estado tem relativamente a impostos e contribuições da SS.
    Por outro lado, algo que a Lúcia se esqueceu de dizer, do valor total em dívida e que foi objeto do PER, o estado apenas era credor de pouco mais de 5%, sendo o principal credor a construtora Somague que aceitou o PER, ou seja, mesmo que o estado não aceitasse, o plano era viabilizado.
    E mais importante ainda, o Boavista Futebol Clube é um clube centenário, também tem empregados que iriam para o desemprego caso o clube falisse. Ao longo dos anos, o clube tem proporcionado a prática desportiva a título gratuito – para sócios – a milhares de jovens em variadas modalidades, tendo inclusivamente formado atletas olímpicos. Todo um serviço público que nunca foi devidamente compensado por parte de um estado que se alheia da componente desportiva na formação escolar dos alunos da escola pública, atirando essa responsabilidade para clubes que, à excepção dos grandes, vivem com grandes dificuldades à custa de parcos recursos e carolice dos seus diretores e funcionários.
    Algo que a Lúcia também não deve saber, no âmbito do Euro 2004, o Boavista foi o cluebe maisinjustiçado de todos aqueles que tiveram necessidade de contruir ou proceder a obras de remodelação nos seus estádios. Braga teve um estádio construído pela autarquia e dado de mão beijada ao clube. Guimarães aconteceu o mesmo. O próprio tribunal de contas confirmou essa injustiça na atribuição de apoios – http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2005/audit-dgtc-rel037-2005-2s-v1.pdf

    • Lúcia Gomes diz:

      Caro Desportista,
      está muito longe do objectivo deste post.
      A minha crítica não é ao Boavista.
      É à criação de uma empresa pública, que está a conseguir recuperar o crédito malparado e o Governo vai dissolvê-la, vender os créditos a privados e despedir 200 pessoas. O Boavista não tem nada a ver com isto.

  2. hyabac diz:

    Se a alternativa a não receber nada, é receber 64% da dívida então a Parvaloren está a fazer bem o seu trabalho.

    só os comunas é que acham que é melhor falir uma empresa ou um clube do que este pagar apenas aquilo que pode.

    no fundo, aqui os comunas encontram-se com os neoliberais que estão a levar o país à miséria. para os comunas ou o país paga tudo, ou não podendo pagar que vá á falência. pelo menos é isso que defendem neste caso do Boavista.

    ou há coerência ou então metemos a viola ao saco.

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