Piropo Proletário

‘Se bem diz o poeta “O amor é fogo que arde sem se ver”, melhor diz o povo “O que é bom é para se ver”. E em pleno século XX, dá-se a inversão do papel submisso do poeta trovador prostrado aos pés da mulher que se erguia da janela mais alta da torre do castelo. É assim que hoje, enquanto a mulher moderna se deleita com os seus passeios vespertinos, escuta a voz do desejo bradar fulgurante do cimo de um andaime – É carapau. Estamos então perante um estilo de poesia Royal ou poesia instantânea. Uma poesia destinada a provocar um efeito, seja ele qual for, imediato e espontâneo. É uma poesia nua, sem burilados ou versos alexandrinos. Ecuménica e inaudita marca um virar de página na literatura portuguesa do novo milénio.’

Na Poesia de Andaime.

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6 respostas a Piropo Proletário

  1. paraquenome diz:

    Onde andou a malta do 5 dias por estes dias?
    Só pinga amores e poeteiros 😛

  2. imbondeiro diz:

    E eu a pensar que os vates dos andaimes já tinham sido todos despachados, devida, rapidamente e em força, para os estaleiros “reeducativos” da pátria de Frau Merkel, onde aprenderiam, sob pedagógica bofetada, a maneira correcta de se dirigirem ( melhor: de se não dirigirem ) à indefesa, peripatética e bem talhada donzela. Afinal de contas, nem tudo está perdido, pois lá vão sobrando uns quantos poetrastos das alturas para manterem viva, ainda que comatosa, a vetusta e castiça arte liríco-piropal. Não está bem. É forçoso arranjar solução para o contumaz problema. A esses “últimos Moicanos” há que fazer-lhes o que os nascentes EUA fizeram às suas nações ameríndias: encafuá-los sabiamente em reservas devidamente separadas do resto da lusa grei por farto e aguçado arame-farpado e cobrar entradas ( a economia agradece ) a quem queira ter um vislumbre dos últimos espécimes da derradeira tribo bárbara da Europa. E, quando a coisa assim tivesse entrado devidamente nos seus cívicos eixos, já muito boa e progressista gente “de esquerda” poderia gritar, alto e bom som e com a satisfação de ter sido dado, graças aos seus incansáveis esforços, mais um grande passo no radioso caminho do progresso da Humanidade: “É a Civilização, estúpidos!!!”

  3. Natália Santos diz:

    Há muitos anos, ia eu com uma colega pela zona industrial de Massamá (que sítio inóspito!) a caminho do emprego quando lá do alto dos andaimes se começaram a ouvir as coisas habituais que operários da construção empoleirados em andaimes dizem às raparigas que passam cá em baixo.
    Então a minha colega , olhou ostensivamente para cima e disse ” Bom dia, e os senhores, como estão ? “. Bem a rapaziada, apanhada de surpresa, começou a gaguejar, e a cumprimentar.nos com toda a deferência, tipo “e as senhoras tudo bem ?”

    Ai os homens! Operários ou não…

    • imbondeiro diz:

      Acho a sua história deveras deliciosa. Agora, eu não tenho a certeza é de que, e isto caso os intuitos progressisto-criminalizadores de certas boas almas cá do burgo fossem por diante, tal situação por si tão graciosamente descrita não acabasse em caso de polícia e com toda a gente levada para a esquadra mais próxima: a rapaziada dos andaimes devidamente algemada por piropal agressão e a sua tão inteligente quanto espirituosa colega acusada de agressão contra-piropal. Saudações cordiais.

  4. Natália Santos diz:

    Estamos a ficar politicamente correctos em demasia,E, por isso, um bocadinho ridículos, E chatos.

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