Tiocfaidh Ár Lá

O nosso dia chegará.

É um lema de resistência, de luta, de esperança. Da unidade de um país retalhado pelo invasor, que durante séculos subjugou o povo irlandês à fome, à miséria, roubando-lhe as culturas, toda a produção agrícola, impondo os seus costumes e a sua lei.

Era ali, na prisão de Kilmainham (que muitos de nós conhecemos do filme Em nome do pai onde aparece mesmo um emblema – vá-se lá entender!  – na parede da cela onde estava Daniel Day-Lewis) e onde hoje ainda permanecem as celas de Michael Collins ou Eamon de Valera (que acabou, como tantos outros, por se tornar no seu próprio inimigo), graças ao trabalho voluntário de ex-prisioneiros e familiares.

Era ali, na prisão de um povo em luta onde as mulheres faziam os seus folhetos, apelando à luta, à unidade, mesmo depois da criação do Irish Free State em 1922, escrevendo o boletim Irish Women, sob uma carta da independência única no mundo onde se podia ler, em 1916  na Declaração da República da Irlanda «a todas as mulheres e homens irlandeses».

Foi ali que nessa data, James Connolly foi executado. Bravos de vinte anos, que deram a vida pela causa da independência republicana e pelo socialismo alguns deles. Como afirmava o “Big” Jim Larkin, os grandes apenas parecem grandes porque estamos de joelhos. Foram 16 os que avançaram, não foram precisos muitos. Todos foram presos e a maioria executados.

E ali, em Kilmainham ainda permanecem as cartas trocadas pelos prisioneiros e as últimas palavras de Connolly. Pedindo à sua companheira que olhasse pelas filhas e que garantisse que elas estudariam. Afirmando que a luta tinha sido dura e, por momentos vitoriosa. Sabia que iria morrer «but it was a good fight, though». Uma história que se repetiu poucos anos depois, numa guerra civil brilhantemente retratada por Ken Loach em “The Wind That Shakes the Barley”. Um poema escrito em Limerick e que é cantado na hora da morte do irlandês assassinado pelo exército britânico.

E a história repete-se. São os anos oitenta e morrem voluntários do IRA em greve de fome nos blocos H da Crumlin Road Jail, em Belfast. Ao cimo de West Belfast o Milltown Cemetery onde permanece um memorial a todos os jovens mortos em nome da independência e da união dos estados irlandeses e onde num dia de funeral e homenagem a três voluntários assassinados, os britânicos levaram a cabo um massacre onde morreram dezenas de civis. O muro que atravessa Belfast é sinal da ocupação sob a qual ainda vivem.

São algumas destas histórias que nos acompanham da grandeza que é a luta internacional pela auto-determinação e independência. Que nos ensinam como é importante a consciência da força de um povo e de que, de facto, os gigantes apenas o são enquanto estivermos de joelhos.

E, como o deles, também o nosso dia chegará.

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9 respostas a Tiocfaidh Ár Lá

  1. Vasco diz:

    O emblema é o do benfica. E só podia ser.

  2. JgMenos diz:

    Fiquei baralhado!
    Vamos-nos livrar do quê ou de quem?
    Dos maus hábitos ou vamos retomar Olivença?

    • Lúcia Gomes diz:

      Eu fico sempre baralhada com os seus comentários, confesso.

    • De diz:

      A questão de menos é mais funda.
      Perante textos de admirável limpidez, menos tem que agir.A lama com que tenta denegrir os conteúdos que lhe assombram a sua classe sem classe nenhuma,corre paralelamente com outras coisas.Não interessa agora ir mais longe

      O seu comentário de há dias a um outro texto de Lúcia (cito”… se comeres com a boca aberta, e com os cotovelos em cima da mesa, não tens a menor hipótese!!” ) é a outra face da moeda de menos.
      Uma moeda que diz bem do valor desta direita neoliberal pesporrenta, com os traços da alarvidade manhosa característica

  3. Luís Filipe Beita diz:

    É o emblema do Benfica num galhardete comemorativo de um final da Taça dos Campeóes Europeus, salvp erro, contra o Manchester United

  4. Camarro diz:

    Creio que o emblema que te referes no 3º parágrafo é o do SL Benfica. O Celtic foi campeão europeu em Lisboa. Corria o ano de 1967 e a vitória foi conseguida em pleno Estádio Nacional. Talvez seja por isso o aparecimento do tal emblema no filme.

    De registar a presença em força do Sinn Fein na Festa deste ano. Comprei-lhes uma t-shirt. Adivinha o que dizia?

  5. Nuno Rodrigues diz:

    🙂 E que alegria foi estar no avante, na banca do sinn féin a beber guiness, a dançar e a ver as paredes cheias de força do stand!

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