Portugal, 1960: uma gaiola, mas não dourada. Uma resposta a João César das Neves

João César das Neves2750593028744589050

João César das Neves acaba de publicar no DN um texto, intitulado A Gaiola Dourada, onde diz que Portugal em 1960 «era um país pacato e trabalhador, poupado e prudente, que se sacrificava generosamente, labutando dia e noite para cumprir os deveres» e que depois do 25 de abril ter-se-á esbanjado de tal forma – e trabalhado mal –, o que teve como consequência a crise económica.

Regressemos pois a Portugal em 1960 «pacato, trabalhador e poupado». A produtividade por trabalhador em Portugal em 1961 era menos 430% do que hoje. Desde logo porque uma boa parte destes trabalhadores estavam ainda no mundo rural: a industrialização do país só se dá a partir dessa data, bem como a generalização da educação (que sobe a produtividade da mão de obra – quem mais sabe trabalha em geral melhor). Nesse tal país «pacato» a mendicidade será crime até ao final dos anos 60, considerada um caso de polícia. O divórcio, proibido, filhos ilegítimos, a prisão por pensar diferente do regime, comum.

Nos anos 60, o Estado português e os seus grupos económicos resolveram viver também da exportação da força de trabalho, dando como alternativa a 1,5 milhão de pessoas – mais de 10% da população – a emigração[1]: saiam, trabalhem como robôs na Renault, mandem para cá divisas. Divisas que entre outras coisas alimentaram a pujante economia de guerra, que levou ao colapso o orçamento público mas fez taxas de crescimento que brilhavam nos olhos de Champalimaud ou dos Mello, chegaram a ser de 10%! Não há nada na economia que diga que o colapso das contas públicas não possa viver lado a lado com a pujante riqueza de algumas contas privadas.

O conjunto das despesas sociais do Estado em 1973 em Portugal correspondia a 4,4% do total do PIB, sendo que na mesma altura era de 13,9% na Grã-Bretanha, por exemplo[2]. A pensão média anual da segurança social sobe mais de 50% entre 1973 e 1975[3]. A mortalidade infantil era, antes do 25 de abril, quatro vezes maior que as da Holanda e da Suécia; a mortalidade materna, o dobro da França (…) a mortalidade por doenças infecciosas é 30% superior à de Itália. A esperança média de vida estava a 7 anos da Holanda[4]. 26% dos portugueses eram analfabetos. Em 1960, no pacato Portugal de César das Neves, estava-se a um ano de iniciar uma guerra contra os povos de África. 9000 mortos portugueses, dezenas de milhares em África.

Já sabemos que a crise vem da transformação da crise privada em dívida pública. Antes do empréstimo do FMI, em 2008, a dívida era de cerca de 70% do PIB. Agora é de 130%. O resgaste virou assim um sequestro. Entretanto, por juros da dívida, parcerias público-privadas e mercantilização do Estado social, os trabalhadores reformados foram expropriados do seu salário e pensão, enquanto algumas empresas (Mota Engil, EDP, Portucel, Grupo Mello, entre outras) regressaram aos lucros. Mas para que estas regressassem aos lucros, os Portugueses sofreram a segunda maior queda salarial de toda a OCDE. Portanto a visão da crise de João César das Neves – falta de trabalho árduo por parte dos Portugueses – é uma lenda contrafactual.

Com o 25 de abril, os pobres souberam o que era educação de qualidade gratuita, os doentes «inevitáveis» souberam que afinal a saúde também era para eles, os que já tinham trabalhado souberam o que era descansar e viver com dignidade com uma pensão, os angustiados souberam o que era o direito ao trabalho. Como a riqueza social é limitada – um bolo que tem limites –, houve um avanço de 15% no conjunto do PIB do trabalho e uma perda dos mesmos 15% no capital. Que foi conseguida com muita falta de pacatez: greves, ocupações de fábricas e empresas, controle operário exercido por comissões de trabalhadores, manifestações, com trabalho árduo, muito árduo, mas em que os trabalhadores exerceram a democracia directa (na produção, escolas, bairros, hospitais) em vez de aceitar somente a democracia representativa (delegação de poderes). Foi preciso muito trabalho, para muitos milhares foi de sol a sol, voluntário e arriscado porque pela primeira vez tinham a responsabilidade sobre a produção e a reprodução da sociedade, numa palavra a responsabilidade pela vida.

Tenho apenas um acordo com João César das Neves. Temos sido demasiado pacatos. Fomos pacatos em 1960 e somos hoje. Mas já houve um tempo em que fomos impacientes. Nas greves de 1934, 1943, 1962, 1968, 1973. E, finalmente, em 1974, quando os Portugueses, junto com os capitães, perderam a paciência. Nasceu aí um novo país, que César das Neves acha abominável. Porque, como dizia o grande geógrafo brasileiro já falecido Milton Santos, há dois tipos de classes, os que não comem e os que não dormem com medo da revolução dos que não comem. João César das Neves pertence aos segundos, os que ainda vão conhecer muitas noites de insónia.

Raquel Varela, historiadora

http://raquelcardeiravarela.wordpress.com/


Errata: inicialmente por lapso tinha escrito que a dívida em 2011 era de cerca de 70% do PIB. Queria escrever em 2008, quando começaram as ajudas do Estado à Banca e a dívida disparou. Em 2011 era de cerca de 100% e hoje é de cerca de 130%. Portanto cresceu, com as ajudas à Banca e depois com o próprio empréstimo. No corpo do texto já foi corrigido.

[1] Barreto, António, Mudança Social em Portugal: 1960-2000, In Pinto, Costa. Portugal Contemporâneo, Lisboa, D. Quixote, 2005.

[2] Fonseca, Bernardete Maria, «Ideologia ou Economia? Evolução da Proteção no Desemprego em Portugal», Tese de Mestrado, Universidade de Aveiro, 2008, p. 87.

[3] Pordata. Consultado a 16 de março de 2013.

[4] Campos, António Correia de, «Saúde Pública», In Barreto, António, Mónica, Maria Filomena (org.), Dicionário de História de Portugal, Porto, Figueirinhas, 2000, p. 405.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

58 respostas a Portugal, 1960: uma gaiola, mas não dourada. Uma resposta a João César das Neves

  1. luis diz:

    César das Neves não diga que é doutorado em economia pois a sua visão paroquiana do mundo nem para administrar uma mercearia de bairro servia ! É vergonhosa a visão deste sr. que não passa de um beato saudosista do passado !

  2. Raquel, obrigada pela paciência de responder a sério a estas debitações de tonterias a que nos vamos, infelizmente habituando (mas não podemos).

  3. Pedro diz:

    Brilhante! Pena só 0,1% dos portugueses virem a ler e apenas 0,05% compreenderem a cruel realidade pela qual passamos…

  4. Graza diz:

    Um grande abraço por isto acaba por ser formal demais: tira-lhe as formalidades Raquel! Grande texto. Melhor finale!
    E ponham-se a pau… não há coração para tanta insónia e medo.

  5. Herberto diz:

    Muito bem, Raquel Varela. Uma excelente resposta, num excelente texto.

  6. Gabo-lhe a paciência para escalpelizar a prosa deste «compadre»…

  7. 5ª Coluna diz:

    Ao beato César das Missas, enviava-o como aluno na minha máquina do tempo para a escola que frequentei, nos anos 60, Talvez a professora lhe perguntasse os nomes dos Ramais de Caminho de ferro Portugal, se desse uma resposta errada, levava com trinta reguadas de castigo. Nos anos 60 este crápula nunca chegaria DR.
    Brilhante texto. É como atirar pérolas a porcos.

  8. artur furtado diz:

    Quem deu o diploma de curso a este arremedo de homem?

  9. m. diz:

    Parabéns pelo seu texto.

    Do meu ponto de vista, o texto de César das Neves é uma desclassificação e desqualificação dos portugueses que vivem em Portugal, sobretudo dos que menos têm e um insulto aos emigrantes, jovens, menos jovens e idosos que tentam refazer a vida por outras «paragens».

    Enquanto emigrante idealizei Portugal; por enquanto residente em Portugal, idealizo outras «paragens» de emigração. A César das Neves não lhe passa pela cabeça o que é ser português emigrante noutras «paragens» por não ter «pão na mesa» no seu país: ele é católico na Católica?

    Retive da minha experiência de décadas de emigração, que o português é tratado como «pacato, trabalhador, obediente, serviçal e domesticado e não raras vezes insultado por ser português» … não me parece que se tenha alterado em nada o «estigma» de ser português emigrante para «sobreviver»…

  10. João Urbano diz:

    O texto do César das Neves é deplorável em todos os aspectos e eivado de beatice salazarenta. Mas só uma ressalva: não me parece que em 2011, na entrada da troika, a nossa divida pública fosse de 70% do PIB, mas bastante maior. Essa era a dívida oficial não a oculta. A das empresas públicas, a da Madeira, etc., etc.

  11. Já era seu admirador, Raquel. Agora duplico o adjectivo.
    Quanto ao resto: sou amigo de muitos bons padres que conheci e conheço. Mas abomino “padrecas” como esse tal “das Neves”. Bahhhh!!!!!

  12. imbondeiro diz:

    João César das quê? É humorista?

  13. Carlos Sá diz:

    Gajo asqueroso! O mais grave é haver tantos salazarentos que assim pensem!

  14. Harmódio diz:

    Como sabemos é com argumentos teórico/académcos que se ganham guerras de propaganda. Porque as pessoas têm uma paixão escaldante por análises complexas. Se, no entanto, o objectivo era só marcar pontos no próprio campo, parabéns. Os aplausos provam o sucesso.

  15. PBC diz:

    Sai um piropo para a Raquel!

  16. JgMenos diz:

    Um post e uma cambada de comentadores que dizem NADA saberem dos anos 60, e que querem esquecer tudo o que vai da bancarrota de 1892 até 1926 ou de que houve guerra na Europa de 1936 a 1946!!
    Mas quando «Já sabemos que a crise vem da transformação da crise privada em dívida pública» fica amplamente justificada a palhaçade de 40 anos a fazer de conta que somos muito produtivos, muito sabedores e cultos, e trabalhadores como não há outros!!!!
    Comemos subsídios aos miles de milhões e há muitos milhares de milhões para pagar!

    • Manuel diz:

      A bancarrota de 1892 e o período daí até 1926 foi o resultado da governação de Portugal por uma direita incompetente, corrupta, trauliteira e e liberal (monárquica e republicana).

      A miséria do “Estado Novo” foi o resultado da governação de Portugal por uma direita fascista, corporativista e medieval. A guerra na Europa de 1936 a 1946 não serve de desculpa a essa miséria. Pelo contrário foi essa guerra que permitiu ao Estado fascista manter as contas bem “no verde” e amealhar muito ouro (muito dele sujo de sangue de judeus e outros).

      O crescimento dos anos 60 deveu-se à guerra colonial (e à progressiva abertura ao capital Europeu, muito contra a vontade dos sectores mais retrogrados do regime), que assegurava uma procura garantida, por parte do estado, de toda uma série de bens e produtos e permitia assim o reenvestimento de capital por parte dos grupos nacionais que exploravam a mão de obra mais barata da Europa. Crescimento baseado em suor e sangue, portanto.

      As bancarrotas pós 25 de Abril são o resultado da governação de Portugal por uma direita incompetente, corrupta, liberal (e, em breve, trauliteira).

      Chiça…. isto é que parece um filme…
      Mas o JgMenos adora este filme não é?? Maior ignorante do que o JgMenos por aqui não há, meu caro.

    • Bolota diz:

      JgMenos,

      Sob pena se fazer spam…

      «era um país pacato e trabalhador, poupado e prudente, que se sacrificava generosamente, labutando dia e noite para cumprir os deveres»

      Isto era tão verdade, tão verdade…que os homens em idade activa, os que não estavam a morrer na GUERRA, com um bocado de sorte vinham estropiados de alguma forma, estava emigrados a viverem nos suburbios , dos suburbios das BARRACAS de paris.

      As mulheres eram tão pacatas, tão pacatas devido a´feliciadde que tinham de criar os filhos sozinhas com todas as vantagens que dai advem.

      JgMenos, e João Cesar das Neves, aposto que vocês não estava nem de um lado nem do outro, vocês são dos ” que não dormem com medo da revolução dos que não comem.”

      Atinem porra

      Raquel,

      Grande texto

  17. imbondeiro diz:

    Agora a sério. Os dislates desse senhor só mereceriam uma enorme gargalhada não fosse um pormenor: a maioria dos portugueses, passando muito mal, ainda não perceberam que têm o poder de provocar insónias; por conseguinte, vão-se deixando embalar pelo embuste do mito da Idade do Ouro e do posterior trambolhão na Idade do Ferro sabiamente tecido nos últimos anos por sociopatas do calibre do Senhor César. E, francamente, eu ainda não percebi o porquê de a malta ainda não ter acordado para a hecatombe que se desenrola diante dos nossos olhos. É só dar uma volta pelas ruas deste país: lojas fechadas e abandonadas, mendicidade a aumentar drasticamente, filas infindas à porta dos Centros de Emprego, tabuletas de “vende-se” e “arrenda-se” desbotadas pelo sol, uma sangria imensa de jovens para o estrangeiro, o parque automóvel a reduzir-se e a envelhecer, a prostituição de todos os géneros a subir em flecha, os mais inenarráveis esquemas criminosos a fazerem de paliativo à mais negra das misérias… E fiquemos por aqui, que o espaço é pouco… Seria este tipo de cegueira aquilo a que o outro chamou de “bondade” do povo português? Ou será, como eu também li em alguém bastante mais aconselhável, uma perfeita falta de noção do que é o abismo? Ou será ainda aquele aconchegante mito tão do nosso agrado de que tudo não passa de “mudanças”, de “transformações” de somenos importância que nunca configurarão, em si mesmas, um inexorável e brutalmente irremediável desastre económico, cultural e civilizacional? Até quando durará esta tão cega quanto suicidária bovina mansidão?

  18. JgMenos diz:

    Acabei de ler o artigo do César das Neves.
    Os comentários acima já não me parecem de ignorantes, aparentam grave atraso mental!

    • ferquitos diz:

      Não é atraso mental. Sendo sério, é tão somente uma mal formação. Lendo o texto da Srª Raquel, admira-me como houve tantos sobreviventes ao regime do Dr Salazar e afins. Acresce que provavelmente a maioria dos comentários provem de indivíduos nascidos na década de 70 ou posterior. O regime da “outra senhora ou do “botas”, não foram rosas, mas seguramente não foram cravos, porque de cravos estamos apresentados.
      As comparações com o resto da Europa, que nem vale a pena confirmar os valores apresentados, são completamente falaciosas, pois comparam regimes diferentes, épocas diferentes, com uma guerra mundial pelo meio, etc.
      Como se não bastasse, a falácia é complementada pelo facto de comparar à época, o pior de Portugal com o melhor dos outros… Haja um pouco mais de seriedade para não ser mais do mesmo a que a comunicação social nos habituou…. desinformação e manipulação.
      Comecemos pela honestidade de reconhecer o bom e o menos bom de cada regime, bem como as respectivas consequências presentes e sobretudo futuras ( o egoísmo tem sido o pior dos males).
      Dos anos que vivi antes de 74, tenho muitas memórias e amigos. Não tenho memória do “cinzentismo” que nas escolas insistem em ensinar aos meus filhos.
      A liberdade foi só para alguns…. a jornalista da TV que falou demais do então PM …..”foi perseguida” ( termo antigo). O popular que mandou trabalhar o PR, idem…. Relembrem-me onde está a propalada liberdade. Só se for para alguns (demasiados) roubarem.
      No resto, haja paciência para tolerarmos as diferenças de cada um.

    • von diz:

      Ó Menos, você é chato. Pegajosamente chato. Você, nessa teimosa forma de ver o mundo, onde não se admite o erro ou a dúvida, é a forma acabada e bolorenta de uma classe de pessoas que vêm o mundo de acordo com a sua conveniência, como se todos os indivíduos devessem louvar a sua (vossa) “iluminada verdade”. Você é chato. Pegajosamente chato. E nesse lodo ideário onde vegeta, você chapinha a sua pequenez.

  19. Miguel diz:

    Os comunistas normalmente são assim: só se dão ao trabalho de ler o que lhes interessa. Podemos gostar ou não do JCN, mas não encontro nenhua mentira no texto que escreveu.

  20. ricardo ferreira diz:

    Muito obrigado raquel varela tiro lheomeu chapeu

  21. Octávio Neves diz:

    Bem haja Raquel, é com gosto que leio a sua opinião e aprecio a sua frontalidade.
    Força

  22. Dra. Raquel, Surpreendeu-me a sua observação «O divórcio, proibido». Não sei a que ano se refere, pois, no mesmo parágrafo, menciona 1960, 1961 e «até final dos anos 60». Creio que também era diferente conforme o casamento fosse católico ou não. Suponho que terá facilidade em qualificar a observação que fez, mas, se ajudar, posso consultar a cópia da legislação que tenho lá em casa. Quanto aos filhos ilegítimos ou com pai não identificado, creio que continua a haver. Não sei se é possível eliminar totalmente essa circunstância. O último número que me lembro de ler era de 150 mil em Portugal. Confesso que estava convencido que eram muitos mais, a avaliar pelo comportamento do nosso Groucho Marx. Todos os países têm um.

  23. huy diz:

    É a sim mesmo que se responde à fantasia(oops!,veio-me à memória uma fase batida,dum fulano do BPN..) com factos,números e,contra isso não há argumentos lógicos.Mas,para o abominável homem das neves não háa problemas de consciência e de dimensão humana tende em conta o profundoaxioma da drªateresa guilherme:’isso agora não intressa nada’.Assim pode dormir decansado,o bastard.

  24. José Manta diz:

    Li atentamente o texto do Sr João César das Neves e a bela resposta da Raquel Varela, a conclusão a que cheguei é de que a situação de dependência em que o nosso País se encontra resulta precisamente das atitudes retrógadas destes saudosos do fascismo.

    • JgMenos diz:

      Sem dúvida, basta mudar a atitude:
      Se a nova atitude for um confisco gera,l há festa pelo menos para duas ou três semanas.
      Se a nova atitude for invocarem que somos vítimas do fascismo, logo os credores nos fecham a bolsa e penhoram a dívida.
      Se a mudança de atitude for o desaparecimento da Manta de idiotices e lhe acrescentarem trabalho, talvez daqui a uns anos possa haver melhorias…

  25. João Coelho diz:

    O João César das Neves é da opinião que Portugal passou de poupado a esbanjador, opinião essa que pode facilmente ser confirmada através da análise de dados macroeconómicos cuja propaganda de esquerda bem que tenta branquear.
    Por outro lado a Raquel Varela, que por defeito de profissão deveria ter por hábito a resumir-se a relatar factos Históricos, opina, com base na sua ideologia, que o esbanjamento era necessário, dado que os fins (melhor saúde, educação, pensões, etc.) justificam os meios (delapidação das poupanças do Estado, estatização das poupanças privadas, défices orçamentais crónicos e 3 falências do Estado / intervenções do FMI desde 1974, vindo mais uma a caminho).
    Quando alguém apresenta como argumento que “a produtividade por trabalhador em Portugal em 1961 era menos 430% do que hoje” para justificar as políticas que foram escolhidas para Portugal desde 1974, pergunto o seguinte:
    Se desde 1961 o Estado Português tivesse optado por viver de acordo com suas possibilidades financeiras, oferecendo aos seus cidadãos um nível de saúde, educação e pensões concordante com o seu próprio nível de crescimento económico, não estaríamos hoje bem melhor do que estamos agora? Qual é a lógica de vivermos sistematicamente acima das nossas possibilidades para depois sofrermos intervenções do FMI senão uma lógica de puro esbanjamento?
    A verdade é que a Esquerda faz o jogo do Grande Capital e nem se apercebe disso, ao criar défices sistemáticos que dão origem ao pagamento de juros ao exterior que são muito superiores aos tais benefícios conquistados com o 25 de Abril.

    • Elda Maria da Costa Fatias diz:

      Depois de ter lido o artigo do Sr. João César das Neves, a resposta da jornalista Raquel Varela ao mesmo, e também todas as opiniões sobre os dois textos, elejo a opinião do João Coelho, como minha preferida., e nomeadamente quando diz: “Se desde 1961 o Estado Português tivesse optado por viver de acordo com suas possibilidades financeiras, oferecendo aos seus cidadãos um nível de saúde, educação e pensões concordante com o seu próprio nível de crescimento económico, não estaríamos hoje bem melhor do que estamos agora? Qual é a lógica de vivermos sistematicamente acima das nossas possibilidades para depois sofrermos intervenções do FMI senão uma lógica de puro esbanjamento?
      A verdade é que a Esquerda faz o jogo do Grande Capital e nem se apercebe disso, ao criar défices sistemáticos que dão origem ao pagamento de juros ao exterior que são muito superiores aos tais benefícios conquistados com o 25 de Abril.” . Proponho um exercício básico, simples, de facílima assimilação, que todos conhecem e que todos insistem em querer ignorar, mas mesmo básico, ainda o vou escrever como se estivesse a escrever para mim que sou muito “burra”: Se em nossas casas, o rendimento mensal que nela entra for de 1000 euros e as nossas despesas estiverem todos os meses a subir nomeadamente em bens de consumo imediato (daqueles onde se gastou o que não se tinha, ficando como tal com a divida e sem nada de palpável a que se agarrar, nem para carpir as mágoas), obrigando-nos a recorrer sistematicamente a empréstimos que obviamente, acarretam juros altíssimos, estamos a crescer??? Ou será que estamos a fazer crescer o capital de alguns?? E “já me calei”. usando a frase que um grande amigo meu gosta muito de usar.

  26. antónio diz:

    De facto o texto da Raquel é interessante, mas sobre o artigo do JCN é que ele não é.
    Detestam o homem? Compreensível. Agora leiam o texto. Não mandem postas de pescada para o ar. Leiam. Pensem. É mentira alguma coisa que ele escreveu? Não temos ido à falência de x em x anos?
    Era tudo perfeito em 1960? Claro que não. Evoluímos? Naturalmente. É sobre isso o texto? É óbvio que não! É como diz o outro: falo de alhos e respondem-me com bugalho! Menos emoção e mais razão!

  27. António José Mendes Dias Trancoso diz:

    Pulha!

  28. Pedro Machado Ferreira diz:

    Percebi o João César das Neves, não percebi Raquel Varela, quando tenta branquear o enorme aumento das despesas sociais (de 2002 p/2011 passaram de 14% para 23%-fonte BdP) sem que para isso tenhamos gerado riqueza (crescimento do pib para o mesmo perído +/-0.01%-fonte BdP). Primeiro o económico e depois o social. Com a tónica assente nos direitos sociais adquiridos, só nos resta o definhar e continuar a ver o filme retratado por João César das Neves. Não se trata de pessimismo, apenas e só de lucidez.

  29. Raquel, não me leve a mal, mas amo-a 🙂

  30. Mário Ramos diz:

    Ora comparem lá a nota biográfica do senhor, constante da página web da Católica, nas duas versões, em Português e Inglês, será para impressionar os estrangeiros do BCE, FMI e afins, ou apenas para que quem só fala Português não saiba por onde “andou”?

    Nota Biográfica: Professor Catedrático, é o Presidente do Conselho Científico da CATÓLICA-LISBON, onde se Doutorou e Licenciou em Economia e leciona nas áreas de Economia e Ética Empresarial no The LisbonMBA, na Licenciatura e nos Masters of Science. Coordenador do programa “Ética nos Negócios e Responsabilidade Social das Empresas”. Mestre em Investigação Operacional e Engenharia de Sistemas (ISTUTL), Mestre em Economia (UNL).

    Background: João César das Neves, born in 1957, married, father of four, is full professor at CATÓLICA-LISBON. Holds a PhD and BA in Economics (UCP), MA in Economics (Universidade Nova of Lisbon, Portugal) and MA in Operations Research and System Engineering (Universidade Técnica of Lisbon, Portugal). Currently he is President of the Scientific Council of CATÓLICA-LISBON. He was from 1991 to 1995 economic advisor of the Portuguese Prime Minister, in 1990 advisor to the Portuguese Minister of Finance and in 1990/1991 and 1995/1997 technician at the Bank of Portugal.
    His research interests are poverty and development, business cycles, Portuguese economic development, medieval economic tought and Ethics. Author of many 36 books, he is regular commentator at the Portuguese media.

  31. Pingback: Portugal, 1960: uma gaiola, mas não dourada (uma resposta a João César das Neves) | O Peso e a Leveza

  32. Gil M. diz:

    Cara Raquel Varela, atreva-se a comparar as diferenças de produtividade entre 1930 e 1974 e chegará à conclusão que o crescimento foi muito mais acelerado. Compare a taxa de analfabetismo de 74 que ronda os 25% e compare-a com a de 70% em 1930. Constate que quem criou um sistema público de ensino, construindo uma escola primária em quase todas as freguesias do país, liceus e escolas industriais nas cidades foi o Estado Novo, escolas essas que serviram de base ao tal ensino que menciona. Atreva-se a escrever que o crescimento médio do PIB durante o Estado Novo rondou os 5% de média ao ano.
    Podia estar aqui com mais 10 ou 15 dados estatísticos mas não vale a pena. A julgar pela relação causa-consequência que vai apontando no seu texto, vejo que de economia ou percebe pouco ou a sua ideologia cega-a.

    • Qwed diz:

      Dado estatístico:

      O homem teve 30 anos para fazer alguma coisa e em 1961 havia 13 mil alunos no secundário. Brilhante! Dez anos depois havia 23 mil alunos. 23 mil alunos!!! Brilhante. Em 10 anos, mais 10 mil alunos matriculados. Brilhante.

      Quer dizer que em 40 anos de governação, em 1969 havia 23 mil alunos matriculados no secundário. Brilhante. 23 mil alunos. Enorme mar de gente.

      Lá o Marcelo acordou e duplicou os números. Brilhante. Fez mais Marcelo pela educação secundária em 5 anos do que o outro em 40. Brilhante. É claro que era muito poucochito ainda.

      Pode atirar mais 10 ou 15 dados estatísticos à vontade. São todos fraquinhos lol

  33. Jose Vieira diz:

    Este senhor é burro, fascista, tendencioso e lacaio do capitalismo em favor da escravidão dos povos. Mas lembre-se que o pessoal esta vigilante, talvez o reinado dos exploradores e das quadrilhas organizadas, esteja a diminuir e talvez acabar e todos encontrarão o lugar proprio A PRISÃO.

    Espero bem que haja alguem que o impeça de qualquer forma de dormir, porque de certeza não serà a sua misera conciência que que o farà. Energumeno!

  34. Zé Carioca diz:

    Que eu saiba a troika só chegou em 2011 e nessa altura a divida pública já ultrapassava os 100% do PIB, pois … memória selectiva. Quanto ao artigo do JCN, a verdade dói apesar de selectiva também.

    • ferquitos diz:

      Caro Zé, a 1º vez que a troika ou FMI entraram em Portugal foi muito antes disso, mas pós 74. Quem os recebeu foi O Marinho na altura em que se esbanjava a “pesada herança”. O ouro tem um peso específico algo elevado.

  35. Diogo A. diz:

    No tempo de D. João II a esperança média de vida rondava os 30 anos de idade, 98% da população era analfabeta, escolas quase não existiam, hospitais tinham tábuas em vez de camas e poções em vez de medicamentos. As caravelas não tinham motor nem GPS. A saúde dental da população era proporcional ao número de dentes que sobravam na boca, ou seja, quase nenhuns. Estado Social? Risos…
    Balanço do reinado de D. João II: Genial, o período mais brilhante da nossa História.
    O que é que eu quero dizer com isso? Todos os períodos devem ser avaliados com base no antes e no depois. Comparar o depois com o depois + n anos faz com que tudo no passado pareça negativo, tal como no tempo do D. João II.

  36. Sem o Mário Soares e a sua pandilha Socialista, e Cavaco Silva e a sua pandilha Social Democrata mais o CDS o partido prostituto hoje estariamos bem melhores, ou seja numa democracia.
    Belíssimo texto e resposta.

  37. Pingback: Um país pacato e trabalhador, poupado e prudente | O Insurgente

  38. Pingback: Pacatos e trabalhadores, poupados e prudentes | marketrendnews

  39. Obrigado Raquel. Excelente trabalho.Agora… o “homem” tem o direito de delirar, o que temos é de afrontar os que o incentivam ao delírio;temos de começar a desarticular essa máquina ” alangeirada/esroseada/e afins…. do capital e, começar, quanto antes,a julgá-los com a insónia, muita insónia.

  40. Só um breve apontamento que poderá interessar a alguns dos «adeptos e defensores» da escrita do prof. JCN…
    Em primeiro lugar, quem regressou – às centenas de milhar – foram os «retornados», não foram os tais «emigrantes que tinham por patrões «franceses ou alemães, suíços ou americanos» que «gostavam dele, por ser pacato e trabalhador, poupado e prudente».
    Ou seja, o sr. prof. parte logo de uma premissa errada: a de que os «antigos trabalhadores pacatos e etc» emigrados na Europa «avançada», tinham regressado e perdido a cabeça com a euforia (digo eu…).
    Não se lhe ocorreu ao sr. prof. falar das despesas militares que deixaram de ser feitas (e de pesar no Orçamemto), sendo que essas «despesas militares» foram (ou terão sido) substituídas por «despesas civis» de interesse público. Além do aumento do mercado e da procura interna que resultou da entrada de meio milhão /(ou mais, dizem…) de “retornados”.
    Seja como for, o povo português – o tal «pacato e prudente» – esse continuou a trabalhar e a produzir. Com mais ou menos produtividade, mas continuou… E continua! Quando arranja emprego, claro.
    Também não foi «a euforia da liberdade política» que criou um problema de endividamento.
    O endividamento público português vem sobretudo da fuga (evasão e evitação fiscal por parte das grandes fortunas e das empresas multinacionais). Aqui e em todo o planeta; ou senhores adeptos do prof. JCN pensam que isso do endividamento é uma coisa portuguesa?… O Reino Unido e os EUA só não estão falidos porque têm soberania monetária.
    No caso português há que acrescentar as golpadas e a conversão de terrenos peri-urbanos em terrenos urbanizáveis (multiplcando o seu valor “por mil”) e originando uma boilha imobiliária.
    A esse respeito e do resgate dos bancos, o sr, prof. JCN não diz uma palavra, Uma só!
    Ainda a respeito do endividamento permito-me a publicidade de recomendar a leitura do meu livro «O ESCÂNDALO DA DÍVIDA E O SISTEMA MUNDIAL OFFSHORE».

  41. Alfredo Ireneu Mota diz:

    Creio que não é nada inocente esta propaganda que anda por aí a propósito do bom que era viver no regime da outra senhora, pois há o interesse em que as pessoas sejam menos formadas e cultas, menos independentes e menos informadas, menos livres e menos detentoras do seu destino, para que possam ser ainda mais moldáveis em função daquilo que se lhes quer impor. Que se queira branquear o país dos tuberculosos, como era conhecido no estrangeiro o Portugal dos anos sessenta, não é uma brincadeira de mau gosto, é algo de criminoso e vexatório para todos aqueles que antes e depois do vinte e cinco de Abril desejaram e lutaram para que o país se aproximasse dos outros mais evoluídos. Vir para aqui com tretas acerca das caravelas do tempo de D.João II não terem GPS, é ridículo e infantil, porque o que se deve comparar não é épocas em si, mas realidades da mesma época, e para os que não viveram nessa altura, devo dizer que o Portugal da múmia de Santa Comba era um autêntico atraso de vida em todos os aspectos em relação aos outros países europeus, além de que se vivia sempre com o temor de que as pessoas com quem convivíamos poderem pertencer à PIDE. Como pidesca, parece-me, é esta atitude de se tentar atribuir ideologias políticas e classificar as pessoas quando estas emitem opiniões – é mais uma lamentável herança cultural deixada por aquele triste e desleixado regime. Agradeço-lhe Raquel Varela pela sua coragem, vivacidade, espírito de luta e pela vontade de transmitir às pessoas informações úteis.

  42. Diogo A. diz:

    Caro Alfredo Mota, o exemplo por mim citado do reinado do D. João II realça a importância da avaliação do antes e do depois para se fazerem balanços. O senhor levantou outro factor importante que é a comparação com os países europeus, ou seja, a convergência. No Livro “Economia Portuguesa desde 1910” do professor Abel Mateus está bem exposta:
    “Entre 1950 e 1974, a economia portuguesa reduziu a diferença em 18 pontos percentuais para os países da União Europeia a 15, passando a representar 65% do PIB per capita desses
    países”. Ilucidativo!
    A questão que se põe aqui e que, pelos vistos não parece querer entender, é se Portugal era ou não era um “atraso de vida” em 1930. Seria como a Dinamarca ou seria um país semi-medieval sem escolas, sem energia, sem hospitais? Em 1974, estava muito melhor, ou não?

    • ferquitos diz:

      Caro Diogo, como alguém disse e muito bem, o pior cego é quem não quer ver. Sem pudor e denominando as coisas pelo que são. Todos os comentaristas pró esquerda, apoiam incondicionalmente Srª Raquel, que de historiadora teve pouco no seu artigo, sendo sem dúvida um excelente artigo de opinião / propaganda.
      De resto acreditar que actualmente estamos melhor, só mesmo com palas nos olhos. Cursos ao fim de semana??? ( não foram só o Sócrates e o Relvas). Cursos e faculdades às dúzias que poucas são reconhecidas mesmo a nivel nacional?? Escolaridade obrigatória para ingles ver?? ( cursos e exames específicos para cada aluno de modo a que o nádio leve o diploma “asap” e a escola o veja pelas costas). Novas oportunidades? (ideia excelente, do Sócrates, é verdade,) mas que foi completamente deturpado, acabando por desacreditar o objectivo… Licenciados que ao escreverem dão erros ortográficos “a metro” ??? Se o que interessa é a quantidade de diplomados, estamos melhor ( entenda-se existem mais). Para isso não é necessário gastar tanto com a educação, basta imprimir os papelitos e poupa-se tempo e €€.
      Quanto emigração…. realmente antes de 74, Portugal “abasteceu” a Europa com mão de obra barata e de poucas qualificações académicas. A emigração era alegadamente ilegal. Pós 74, lembro-me muito bem de os governos de então, Soares & Cia, apelarem é emigração com anuncios na TV, mas que se fizesse de um modo legal. Os retornados também foram indicados pelos mesmos, que eram os que deviam emigrar pois “tinham mais experiencia”. Um patriotismo e cidadania exemplar sem duvida..
      Pós 74, (dizer que foi este governo…é demasiado atávico), realmente o panorama mudou… os emigrantes passaram a ser licenciados, entenda-se portugueses onde o estado investiu na formação, continuando a abastecer a Europa e o resto do mundo. Se isto é melhor….
      Resta comparar, aos aficionados de estatísticas directas, não indexadas, a quantidade de emigrantes portugueses nos 48 anos do estado novo, e os quase 40 desta anarquia que alguém insiste em chamar de democracia, só porque podemos opinar na net, por ex.
      A economia… antes de 74 qual era a posição relativa de Portugal na Europa? e hoje?
      Por último, quem opina sobre este tema e não respeita minimamente o único estadista que Portugal teve pós monarquia… Ou não conhece a História de Portugal, ou de isento o comentário tem…nada
      Haja pachorra para coexistir com estas diferenças.

  43. Pingback: Portugal, 1960: uma gaiola, mas não dourada. Uma resposta a João César das Neves

  44. ontheroad diz:

    E assim se escrevia nos idos anos 60 – um must de lavagem cerebral. Coisas que JCN e todos estes que nos governam no dia de hoje enunciam nas parangonhas que escrevem ou dizem. Está em todos nós a vontade de «resolver» isto.

    Que saudades eu já tinha
    Da minha alegre casinha
    Tão modesta como eu
    Como é bom meu Deus morar
    Assim num primeiro andar
    A contar vindo do céu

    O meu quarto lembra um ninho
    E o seu tecto é tão baixinho
    Que eu ao ir p’ra me deitar
    Abro a porta em tom discreto
    Digo sempre senhor tecto
    Por favor deixe-me entrar

    Tudo podem ter os nobres
    Ou os ricos de algum dia
    Mas quase sempre o lar dos pobres …
    Tem mais alegria

    De manhã salto da cama
    E ao som dos pregões de Alfama
    Trato de me levantar
    Porque o Sol meu namorado
    Rompe as frestas do telhado
    E a sorrir vem me acordar

    Corro então toda ladina
    Minha casa pequenina
    Bem dizendo o solo cristão
    Deitar cedo e cedo erguer
    Dá saúde e faz crescer
    Diz o povo e tem razão

    Tudo podem ter os nobres
    Ou os ricos de algum dia
    Mas quase sempre o lar dos pobres
    Tem mais alegria

    in filme «costa do castelo» by Silva Tavares e música de António Melo

  45. 1960 era cinzento.parece que o botas recebeu um país próspero e ordeiro,depois do caos da primeira rapúblico o que é queriam?lançaram-se as bases da segurança social e da saúde.antes não havia nada.depois veio o cor de rosa com cambiantes e agora que é que ofereçem a toda a gente? a porta da rua!no fim mudamos para pior!que me interessa a liberdade se ela é sacudida a todo o momento pelos vários poderes?raquel cresce e aparece!ou andas a dar evangelho aos proletas por conta do animal feroz?

  46. André diz:

    Parece-me que maior parte das pessoas não leu o artigo do João César das Neves. Critica por criticar e porque o texto da Raquel (pelo qual lhe dou os parabéns) os incentiva a tal. É verdade que o texto do JCN é lamentável e triste. Não porque me tenha dado a impressão de que, ‘antigamente é que era melhor’, mas porque é demasiado redutor da realidade. O nosso crescimento económico foi ‘falseado’. Fizemos acordos com a Europa (CEE e UE agora) que destruíram os nossos sectores primário e secundário (sectores alicercantes e estruturantes de qualquer economia), a agricultura/pescas e a indústria. Sem estes dois sectores é muito complicado para qualquer economia sobreviver (a não ser que seja uma off-shore ou um estado tipicamente virado para a compra e venda de capital com taxação quase inexistente, como o Luxemburgo por exemplo).
    Falta muito ao texto simplista e redutor do JCN. Falta aquilo que custa falar. Falta aquilo que, por culpa de nós todos, nos custa admitir. A entrada na Europa foi feita sem preparação, foi feita sem pensar e, sobretudo, foi feita por alguns a pensar em alguns.
    Mais uma vez Raquel, parabéns pelo seu texto.

Os comentários estão fechados.