A Caminho das Autárquicas (IV)

No meu último post sobre as eleições autárquicas, fiz questão de sublinhar o expectável aproveitamento que o governo acabará por fazer dos bons resultados que eventualmente possa vir a ter. No início, as hostes governamentais de PSD e CDS verberavam com assertividade: “Nada de confusões! As autarquias não têm nada a ver com a política nacional.” E os candidatos desses partidos concordavam, tanto que para evitar confusões até acabaram por esconder dos cartazes os respectivos símbolos. Mas agora, embalados por alguma sondagem a preceito, ou por um estranho ânimo vindo não se sabe muito bem de onde, já se percebe melhor o que aí vem. No vídeo que se segue, com escassos segundos de um discurso de Passos Coelho numa convenção que era “autárquica”, é bem perceptível uma parte daquilo que em boa verdade vai estar em jogo. É mais do que evidente que o governo não hesitará em transformar votos para as autarquias em votos legitimadores da sua desastrosa política nacional. E por isso, parece-me importante repetir o que já foi escrito: ninguém vai conseguir impedir que o voto «na pessoa» lá da terra seja também o voto nas siglas partidárias que lhe são correspondentes. E nada impedirá que esse voto seja posteriormente usado, como vai efectivamente ser, por um governo ávido de simpatias e glórias eleitorais, venham elas de onde vierem. É bom, pois, que os que dizem que «votam nas pessoas» reflictam muito bem sobre a extensão e real impacto das escolhas que vão fazer no dia 29 de Setembro.

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Sobre Ivo Rafael Silva

Mestre em Tradução e Interpretação Especializadas; Licenciado em Assessoria e Tradução; Investigador de História e Etnografia; Investigador do Centro de Estudos Interculturais (CEI) do ISCAP; Tradutor freelance; Secretário administrativo; Militante do PCP desde os 18; Membro da JCP desde os 16.
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2 respostas a A Caminho das Autárquicas (IV)

  1. JgMenos diz:

    Extraordinária visão esta em que se apercebe que os políticos aproveitam tudo o que podem para sustentar as suas seitas!!!!
    Nunca me tinha ocorrido tal….

    • De diz:

      O conceito de seita aplicado aos partidos políticos diz tudo sobre o carácter verdadeiramente democrático de menos.
      Não é que os nao haja de facto, como verdadeiras seitas. A sinistra União nacional tem seguidores em alguns dos partidos mais à direita do nosso espectro político.Mas estas generalizações são sinónimo de outra coisa.Mais ao gosto de menos, mais consentâneas com o perfil de menos.
      Ele sabe e nós sabemos

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