O Renato

O Renato foi militante do Bloco de Esquerda.

Quando o conheci, o Renato já não era militante do Bloco de Esquerda. Eu era e ainda sou.

Apesar disso e de várias picardias mais ou menos públicas, eu e o Renato dávamo-nos bem.

Mas o Renato não joga limpo. O Renato estica a corda muito para lá dos limites do aceitável. Dos meus limites do aceitável, pelo menos.

O Renato pegou numa discussão entre mais de 20 e anda há duas semanas a propalar o seu machismo aos quatro ventos. O Renato perdeu a noção do ridículo.

Agora, o Renato pegou na denúncia feita pelo Luís Mariano Guimarães, no seu perfil do Facebook, e arma-se em paladino da justiça interna do BE, clamando pelas cabeças dos membros da concelhia de Elvas do BE. O Renato pegou nestas palavras – «O mínimo que o BE pode e deve fazer é retirar de imediato a confiança política a esta gente que só está a denegrir o nome e imagem do Bloco…» – e nas imagens que as acompanham e encetou nova delirante campanha contra o BE.

O Renato, que conhece bem os estatutos do BE, queria um julgamento sumário. Mas sabemos bem que tivesse esse julgamento acontecido e teríamos o Renato empenhadíssimo na defesa dos injustiçados camaradas que foram expulsos por delito de opinião. Não faltariam remoques à interrupção da pré-campanha autárquica para um exercício de poder totalitário e completamente anti-democrático. É assim o Renato. Mas é bom rapaz e está do lado certo da luta. Embora a força centrifuga que gera o vá deixando cada vez mais isolado e descredibilizado. Podia ser diferente, o Renato. Mas não é. E eu lamento que não seja.

Lamento, também, que ao escrever tantas vezes o nome do Renato (viram? outra vez!) tenha infringido, novamente, uma regra cá da casa. Como reincidente que sou, poupo o Renato a qualquer julgamento e auto-expulso-me.

Quando aqui cheguei, em Maio de 2010, assumi a minha militância. Mas nunca me senti obrigado a ser uma espécie de voz oficiosa do BE no 5 dias. Até porque já por cá andavam alguns bloquistas há bastante tempo. Nos últimos tempos senti-me forçado a assumir esse papel e não gostei de ter que o fazer. O copo foi enchendo até que hoje transbordou.

No 5 dias tive espaço para escrever sobre assuntos que, doutra forma, poderiam ter passado despercebidos. Aqui consegui dar voz ao Tony, um cidadão português que foi torturado numa esquadra da margem sul. O caso continua em tribunal e o Tony não voltou a ser incomodado pela polícia.

Continuo a achar que o 5 dias é um excelente espaço de debate à Esquerda. Pena é que, por vezes, percamos (mea culpa) tanto tempo com o que nos separa e não sejamos capazes de concentrar essas energias no que nos une e na defesa deste povo e deste país.

Ao Tiago e ao Nuno, um obrigado pelo convite. E um abraço, camaradas!

À Clara, um pedido de desculpa por ter insistido tanto para que viesse para assim que chega eu sair.

Aos que ficam e aos que virão: tenham paciência com o Renato.

Ao Renato, um abraço, pá! O copo sai em Outubro.

Aos que me leram e aos que me leram e comentaram, obrigado e desculpem qualquer coisinha.

Não é o fim. É só mais um começo. Até já. Na luta!

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Sobre Carlos Guedes

Um dia nasci. Desde então tenho vivido. Umas vezes melhor, outras pior!
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