Discutir pessoas e não política pode dar nisto

Victor Dias, do PCP, para rebater os argumentos Milhazes – que acaba de lançar um livro sobre o PCP e Moscovo – diz que este é um «um filho de pescadores que graças à ajuda do PCP e da URSS  tirou naquele país um curso superior que cá não poderia tirar». Não percebi se ser filho de pescadores é ofensivo, se a ideia é que a fidelidade a um partido se deve manter graças à quantidade de oportunidades pessoais que o aparato deu ao militante. Mas percebi que se está a mobilizar uma dimensão pessoal da vida para debater política. Este argumento  está muito abaixo do que eu poderia imaginar numa discussão política e histórica legítima, em que se debate o destino de parte do arquivo da PIDE. Digamos que há muitos argumentos válidos e devem ser abertamente debatidos, e devem ser clarificadas posições contrárias, mas a mobilização da origem pobre e operária do jornalista José Milhazes para o debate coloca o Victor Dias abaixo do limiar da pobreza teórica.

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51 respostas a Discutir pessoas e não política pode dar nisto

  1. Herberto diz:

    Sem dúvida, mas eu ouvi a entrevista de Milhazes na rádio e aquilo que descreveu sobre Álvaro Cunhal não me pareceu muito honesto e sério. A certa altura, disse que Álvaro Cunhal nunca tomou nenhuma resolução própria e que para o fazer tinha de consultar Moscovo. Ora, isto era o que se ouvia muito da propaganda de direita, nos tempos da União Soviética.

    • Vasco diz:

      E é totalmente mentira. O levantamento nacional, a Revolução Democrática e Nacional e a própria concepção de que o povo português se libertaria pelas suas próprias forças e não depois do espanhol e com a sua ajuda não eram propriamente as ideias em voga em Moscovo nessa altura… Um Rasputine, é o que é.

    • Se Vítor Dias tem argumentos bons e honestos contra José Milhazes, porque é que os usa maus e desonestos? Dá um tiro no pé. Em vez de descredibilizar Milhazes, descredibiliza-se a si próprio.

  2. Zé de Rilhafoles diz:

    Nada disso. O que Victor Dias refere é que ele é pobre e mal agradecido, De resto estar a tomar partido por um Rasputine de tipo novo é não entender o alcance do oportunismo de tal figura.

  3. von diz:

    Exacto, criticam-se os ditos de alguém do BE que os ciganos isto ou aquilo, mas denegrenir alguém (via PCP) na filiação modesta de pescadores, já estará bem?

  4. anonimo diz:

    Só podia vir de um neo-liberal.

  5. RG diz:

    O que VD disse de JM é uma verdade objectiva, foi estudar para URSS como bolseiro, fruto de os seus pais serem militantes do PCP; não tenho a certeza do que vou afirmar, mas tenho ideia que o próprio foi militante da UEC/JCP.
    Desculpe-me a franqueza RV, mas o seu comentário não passe de um truque para evitar o essencial, a exposição do VD sobre o conteúdo da dita obra. A afimação que cita é um mero aparte e não a reflexao de fundo.
    Deixe-se também de apartes e pronuncie-se sobre o essencial, se quer ou tem alguma coisa a dizer.

    • JgMenos diz:

      Diz bem!
      A questão é: era Cunhal um agente soviético?
      Sendo SIM a maior probabilidade – até porque, aplicando o critério VD, foi ‘bolseiro’ toda a vida ou pelo menos enquanto não houve perestroika na URSS – seria apropriado demonstrar que não o era!

  6. Rui David diz:

    “Pobre e mal agradecido”. É isto que diz tudo. O facto de o Milhazes ser um sujeito de honestidade intelectual e capacidade discernimento duvidosas que se limita a explorar um nicho de mercado nada tem a ver com o assunto.

    • daniel marques diz:

      Pobre e mail agradecido.
      Frase tipicamente burguesa!

      • Lucklucky diz:

        Heheh! Não, é uma frase tipicamente Aristocrata.

        E os militantes comunistas que vêm de famílias burgesas, capitalistas e aristocratas?
        Segundo pelos vistos a linhagem Aristocrata Comunista – sangue vermelho?! – escrita aqui nos comentários deveriam ter-se mantido aristocratas, capitalistas e burgueses por “agradecimento”.

  7. Raquel Varela: é manifesto que o seu comentário ao artigo de Vitor Dias está muito acima da riqueza ideológica. Tão elevado, que consegue a proeza de desviar a discussão do que interessa, a denúncia certeira e fundamentada das vigarices do Milhazes, para uma frase a que atribui intenções que só a sua cabeça vislumbra. Lamento apenas que tanta riqueza a tenha impedido de ler o artigo até ao fim.

    • José Milhazes diz:

      Pedro Namora, você já leu o livro para falar em vigarices? Não fico surpreendido com os insultos em muitos destes comentários, mas deixam claro que é impossível falar com algumas pessoas. Mas devo agradecer-lhe pelo excelente trabalho que você e outros militantes e apoiantes do PCP estão a fazer. É cada vez maior o número de pessoas que quer saber a verdade. Não obstante não ser esta a forma de eu enriquecer, fico feliz e realizado ao ver que me lêem, ao contrário de alguns.
      A insultos como os do Sr. Carapeto, não vou perder tempo, gosto mais de conversar com pessoas que querem discutir, e não insultar.

  8. Ricardo diz:

    Evidentemente há um certo rancor nessas palavras do Vítor Dias. Está chateado com um tipo que foi apoiado e ajudado (incluindo tirar um curso superior que, devido à sua ascendência operária nunca teria conseguido tirar e provavelmente teria continuado a ser pescador quer quisesse quer não. E isto não me parecesse uma ofensa aos pescadores mas sim a constatação de que ganhavam mal, trabalhavam muito e viviam em condições miseráveis, tal como toda a população operária nesse tempo e portanto não tinham condições para sair da sua situação.) pelo PCP e pessoas que deste partido fazem parte que confiaram nele e foram seus amigos e se sente traído, mais uma vez, por ele. É humano, não me parece pobreza intelectual. Até porque é só um parêntesis e toda a argumentação vem logo a seguir. E pelos visto não é a primeira vez que faz estas anotações e o tal Milhazes não parece fazer referência. Ignora. Isso sim parece-me pobreza intelectual.

    • E Vítor Dias não sabia que esse parêntesis malévolo ia contaminar toda a argumentação que viesse a seguir? Não tem idade nem experiência para saber que uma gota de tinta tinge um balde de água?

  9. Vasco diz:

    Tal como a Raquel é o que é por causa do PCP. O seu anticomunismo abre-lhe portas que de outra forma permaneceriam fechadas. Tanto em comum…

  10. miguel cunha diz:

    “limiar da pobreza teórica” é afirmar que para rebater os argumentos Milhazes, VD diz que este é «um filho de pescadores que graças à ajuda do PCP e da URSS tirou naquele país um curso superior que cá não poderia tirar». Esta passagem do texto do VD não foi usada para rebater os argumentos de JM. Basta ler o post e o texto que o acompanha para se perceber isso. Esta sua interpretação (eu diria, deturpação) tem um outro aspeto que é muito mais preocupante (até porque é frequente nos textos da RV sobre o PCP): é que se a qualidade das interpretações nas suas investigações e pesquisas for tão enviesada quanto a que escreveu neste seu post, então é preciso ter muito cuidado com aquilo que a RV escreve. Porque das duas umas, ou a RV tem muita dificuldade em perceber e interpretar o que está escrito, ou então é profundamente desonesta nas conclusões que tira.

  11. Vanessa diz:

    O livro do Jornalista Milhazes dever ser rebatido pelo seu conteúdo.

    Milhazes foi um militante da UEC , que teve direito a uma bolsa na ex.União Soviética oferecida pelo PCP ou por aquele País,

    Milhazes faz hoje acusações muito graves ao PCP, e se elas não são verdadeiras, devem ser rebatidas,

    EScrever que o homem está em dívida para com um PCP, ou é um mal agradecido, não são argumentos válidos para rebater as acusaçôes.

    • Carlos Carapeto diz:

      “O livro do Jornalista Milhazes dever ser rebatido pelo seu conteúdo.”

      Deve ser debatido sim; mas tudo aquilo que o Milhazes escreveu até hoje.

      A começar no livro sobre Angola. Tratasse de um chorrilho de disparates.

      “São os pigmeus da Namibia que encostam o ouvido ao chão para pressentir os tremores de terra” .
      Como se os pigmeus vivessem na Namibia e os tremores de terra fossem frequentes nessa região.

      “São as tropas Sul Africanas estacionadas em Kinfandongo na noite da independencia”.

      O ponto mais proximo que estiveram de Luanda foi em Sumbe (Novo Redondo) mais de cem Km a sul.

      “Foram as informações obtidas do coronel Konstantin sobre a batalha da Cangamba, onde as tropas das FAPLA e os Cubanos fugiam abandonando tanques e peças de artilharia”.

      Como se esse tal coronel Konstantin fosse alguém que merece-se alguma credibilidade. Esse “senhor” foi afastado das funções de conselheiro militar por ser um viciado no alcool.
      E se fosse como o Milhazes escreve no livro como era possível as tropas Angolanas e os Cubanos em inferioridade númerica de 4 para 1 , com apenas 18 peças de artilharia de pequeno calibre vencerem a UNITA apoiada por os Sul Africanos?

      Por isso mesmo não basta colocar em dúvida aquilo que o Milhazes escreve, há que saber desmontar as falsidades que fabrica.

      E eu já o confrontei diretamente sobre esta e outras situações. Em particular sobre a URSS e os locais que conheci e conheço perfeitamente bem.

      Se esse senhor tiver duvidas sobre o que escrevo, lembre-se de quem participava no blogue dele com o nome de Cin-Naroda.

      Portanto aquilo que o Milhazes diz e escreve só pode ser aceite por quem partilha dos mesmos intereses politicos.

  12. Gambino diz:

    Para já, independentemente da minha opinião sobre o José Mihazes, é pouco recomendável utilizar a origem social de alguém como um argumento e ainda menos invocar uma pretensa dívida, como se esta subentendesse o silêncio.
    O que me parece mais perturbador em algumas pessoas do PCP é não serem capazes sequer de compreender ou identificar aqueles que eram os traços fortes do comunismo internacional.
    Eu nasci em 1975, mas, se fosse um militante do PCP, não teria qualquer pudor em passar ao KGB informações da PIDE sobre outros serviços secretos. A orgânica do leninismo é a do revolucionário profissional, que actua como elite da classe operária e que deve a sua lealdade a uma organização internacional. Se esses documentos fossem uteis ao comunismo internacional, não teria grandes problemas em os enviar para Moscovo. Da mesma forma, não me faz qualquer confusão que o líder do Partido Comunista Português tenha que se bater pelos interesses nacionais ou até pessoais no seio de uma organização que era claramente internacionalista e que inseria Portugal numa luta mais vasta.

    O problema do Milhazes é o tom moralista e pejorativo. O problema do PCP é não ser capaz de assumir as suas vantagens e a sua ética, preferindo vender um mito que que chega a ser insultuoso, como se o Marxismo não fosse um ideologia cientifica, o Leninismo não possuísse uma ética que se estava nas tintas para a moralidade burguesa e Cunhal não fosse um digno representante tanto da ética como da ideologia.

  13. Filipe Guerra diz:

    A propósito desta “polémica”, note-se que Vítor Direito afirma no seu blogue que não leu o livro, mas mostra conhecer o seu conteúdo geral. De concreto e objectivo VD desmonta apenas a falsidade de que uns arquivos da PIDE tenham sido supostamente facultados pelo PCP à fonte de Milhazes (um ex-KGB), quando tais arquivos foram publicados em 1975 pela Imprensa Nacional (se não estou em erro). O comentário irónico de Rui David parece-me muito certeiro e resumir a essência da questão mas, mesmo assim, não refere o principal: o conteúdo livro, e nem sequer Raquel Varela o faz. Portanto, meto-os a todos no mesmo saco, ou seja, não estão a discutir a “política”, o conteúdo de uma obra, mas a pessoa Milhazes, que uns dão como oráculo sério e infalível e outros como aldrabão explorando um nicho de mercado que continua efectivamente a facturar.
    Quanto à pessoa Milhazes, Raquel Varela tem razão: é pessoal, e falar dela em nada contribui para a riqueza teórica do debate, de nenhum debate.

  14. juca diz:

    viva o Zé Milhazes! viva o imperialismo americano!

  15. A.Silva diz:

    A Raquel fugindo ao essencial da conversa ou pondo nos outros os preconceitos de classe que ela própria possui.

    • Não. Vítor Dias não pode incluir um argumento num texto e esperar que esse argumento seja ignorado porque “o essencial da conversa” é outra coisa. Se foi escrito, ficou escrito. E se ficou escrito, está em discussão.

  16. Mário Machaqueiro diz:

    Inteiramente de acordo, Raquel. Aliás, o mau gosto da alusão às origens de José Milhazes e aos seus estudos é apenas uma variante de um pseudo-argumento que vi esgrimido mil vezes contra os intelectuais dissidentes da ex-URSS: porque o Estado soviético lhes pagou os estudos, eles estariam automaticamente interditos de lhe fazer qualquer crítica e, se o fizessem, estariam a ser “pobres e mal agradecidos” (expressão que, não por acaso, reaparece aqui num comentário, pois esta gente repete-se até à naúsea). Que este género de chantagem moral venha de gente que se identifica com um regime que, historicamente, espezinhou o mais elementar da decência humana é algo que não nos deveria surpreender.

    • João diz:

      Mário Machaqueiro, li o seu comentário e ia-lhe responder. Mas depois pensei: para quê? E resolvi seguir este caminho de sensatez.

    • zita se abra diz:

      ‘que se identifica com um regime que, historicamente, espezinhou o mais elementar da decência humana é algo que não nos deveria surpreender.’ Isto é q é uma observação independente ,equidistante , justa.Não tarda nada está a ser convidado para as TV’s….
      De resto,nem digo mais nada…Da-se!

    • Carlos Carapeto diz:

      “o mau gosto da alusão às origens de José Milhazes”

      Não tente iludir, da forma como coloca a questão, está a exercitar uma manobra de pura desonestidade, com o objetivo unico de demonizar e desacreditar a URSS, na tentativa vâ de obter dividendos politicos.

      O Socialismo Sovietico apresentou obra que resiste à mentira e ao tempo.

      E passados vinte anos do retorno do capitalismo cada vez mais os factos demonstram que apesar de todos os “erros e maleficios” que os seus inimigos lhe apontam era melhor do que aquilo que por lá vigora.

      É isso mesmo que o José Milhazes se esforça desesperadamente por negar e esconder, insistindo “vigorosamente” em desacreditar o sistema que lhe deu estatuto.

      José Milhazes não foi o unico bolseiro de origens humildes que estudou gratuitamente na URSS, foram milhares senão milhões.

      Como cidadão livre tem o direito de fazer as opções politicas que entender, ninguém o pode censurar por isso. Não tem é o direito de trair.

      Devia ter em consideração que sendo oriundo de familias humildes, teve o previlegio de se formar numa das melhores universidades do mundo, (MGU) gratuitamente sob os auspicios de um sistema politico que hoje elegeu como inimigo principal.

      Por isso mesmo a discussão em torno do Milhazes não se pode resumir unicamente ao que diz e escreve agora.

      O estatuto que o Milhazes tem foi obtido graças ao PCP e à URSS, ele devia ter a humildade de reconce-lo.

    • Carlos Carapeto diz:

      “Que este género de chantagem moral venha de gente que se identifica com um regime que, historicamente, espezinhou o mais elementar da decência humana é algo que não nos deveria surpreender”.

      Caro amigo antes de escrevinhar ódio e rancor, devia ter a honestidade de reconhecer que na URSS ninguém foi perseguido, descriminado, linchado na via publica por ter a cor da pele mais escura, ou não pertencer à raça dominante.

      Faça um esforço e lembre-se onde esta situação perdurou até finais da decada de 60 do seculo XX?

    • A.Silva diz:

      O que se podia esperar de um reles anticomunista senão este asqueroso comentário.

      • Mário Machaqueiro diz:

        Passado tanto tempo sobre o mísero colapso de uma ilusão político-religiosa, só dá vontade de rir que alguém ainda possa bolsar “frases” destas.

        • Carlos Carapeto diz:

          “Passado tanto tempo sobre o mísero colapso de uma ilusão político-religiosa, só dá vontade de rir que alguém ainda possa bolsar “frases” destas.”

          Uma provocação que merecia como resposta uma simples pergunta.

          Mas face à gravidade do desastre económico e social que mergulhou milhões de pessoas na mais profunda miséria , ficar por meias palavras seria colocar-me ao mesmo nível daqueles que insistem na falácia do inferno na terra.

          Por isso considero que uma provocação grosseira descabida de sentido, deve ter uma resposta séria.

          Sim; passado tanto tempo e ainda há muita gente que se outorga de esquerda que continua a fazer o jogo do capitalismo, tentado esconder a verdade. Isso já não é ser mísero, é ser-se sabujo de um sistema que dizem combater.

          Que frases o incomodaram? Incomodo-a ter que enfrentar a verdade!

          E o que sabe da URSS além daquilo que aprendeu com Montefiore e seus comparsas anti comunistas?

          Porque não se incomoda agora com as condições miseráveis em que o capitalismo mergulhou esses povos?

          Vinte anos não é tempo suficiente para resolver os problemas que diziam existir na sociedade Soviética?

          O capitalismo não só não foi capaz de resolver nenhum desses problemas que imputava ao Socialismo, como os agravou todos, além de ter introduzidos outros desconhecidos até aí por essas populações.

          Tais como; o analfabetismo, o desemprego, falta de habitação, falta de protecção social a todos os níveis, abandono de idosos e crianças (hoje são aos milhares a vaguearem por as ruas das cidades Russas, a Rússia tornou-se o maior exportador de crianças do mundo) a esperança média de vida em algumas regiões baixou dos 77 para menos de 55 anos, subdesenvolvimento generalizado, a corrupção faz parte da vida quotidiana, a brutal queda demográfica põe em risco a existência do país.

          Isto é assim na Rússia, porque na maioria das outras Republicas a situação ainda é mais grave.

          Estas calamidades sociais eram totalmente desconhecidas na União Soviética.

          Por esse facto faço-lhe a mesma pergunta que costumo fazer àqueles que usam o mesmo tipo de discurso verrinoso contra a URSS.

          O que foi que que melhorou na vida daqueles povos depois da reintrodução do capitalismo?
          Coloco a pergunta de outra forma. O que foi que não se agravou? UM EXEMPLO APENAS!

          Para ser mais preciso, lembro-lhe que nenhum deles ainda atingiu o valor do PIB de 1991.

          Como escreveu Peter Kenez , alguém que não nutre qualquer simpatia por os comunistas “ Nunca em tempos de paz se assistiu a um descalabro económico e social de tamanhas proporções”

          A Rússia assenta hoje a sua economia nas exportações de matérias primas, exporta mais combustiveis que a Arábia Saudita, nem isso serve para desenvolver a economia do país que se encontra em 12 º a nível mundial, atrás da Espanha portanto.

          A Rússia como herdeira da URSS o que foi que apresentou de inovador nos últimos vinte anos?

          Sendo eu conhecedor do sufoco imposto à vida daqueles povos depois do regresso do capitalismo é com IMENSO ORGULHO que recebo criticas por defender um sistema que introduziu o progresso o desenvolvimento e o bem estar social a um povo que vivia imerso num atraso secular e em poucas décadas não só alcançou como ultrapassou a maioria dos países capitalistas mais desenvolvidos.

          Além de ter libertado esperanças aos pobres e excluídos do mundo inteiro.

          Perante tal realidade, repudio categoricamente as acusações infundadas, assentes em falsidades e meias verdades , que só servem para os inimigos da URSS alavancar o seu ódio a um sistema social que foi e continua a ser um desígnio para o futuro da humanidade.

          Portanto fica muito mal a alguém que se diz de esquerda rejeitar estes factos.

          Calculo que a sua resposta(se conseguir responder) irá assentar na mística do GULAG. Espero que não tenha esse atrevimento.
          Não permito aleivosias, irei ser duro e drástico. Porque quem pretender discutir essa situação com honestidade e rigor tem o dever de conhecer as suas origens.

          As pessoas têm que habituar-se a conviver com a verdade. Porque a história só aconteceu de uma maneira.

  17. “De como o aproveitamento enviesado de uma frase pode impedir a discussão do que de substancial se refere num artigo”, eis o nome da lição que Raquel Varela nos proporcionou. Gambino, leia os materiais que Vitor Dias indica para perceber por que razão o PCP nunca permitiu que qualquer dos seus militantes se relacionasse com qualquer serviços secretos. E discuta com base nisso e não no que faria se… E agora, deixo o apelo: durante três dias, na Atalaia, Amora, Seixal, quem quiser pode constatar o que efectivamente defende e realiza o PCP. Sem intermediários, nem preconceitos. Apareçam, a Festa é boa, mas não contagia. Alegra, mas não aliena.

  18. Isabel diz:

    Quando o velho Chico Martins Rodrigues foi suspenso do PCP, por profundo desacordo politico, qual foi a justificação do PCP.

    O Chico tinha roubado uma máquina de Escrever.

    Isso diz tudo , sobre a forma como o PCP discute as divergências politicas.

    • Carlos Carapeto diz:

      “Isso diz tudo , sobre a forma como o PCP discute as divergências politicas.”

      E e que forma discutem os outros partidos?

      Martins Rodrigues saiu do PCP por não aceitar a linha de orientação do partido.

      E foi só o PCP que afastou militantes? Mais nenhum partido o fez!

      • Isabel diz:

        Responda ao que eu escrevi.

        A justificação do PCP para afastar o Chico, não foi que ele tinha profundas divergências politicas com a linha do partido.
        E sim , que tenha roubado uma máquina de escrever,

        Não tente ignorar , o PCP quando afasta militante ontem ou hoje, foge como o diabo da cruz, a discutir as divergências politicas.

        Quer mais

        a Zita porque ia á Versailles

        O Veiga de Oliveira porque ia ao Gambrinus.

        E o Milhazes morde a mão que lhe deu de comer…

        E as acusações graves que o livro faz, são puras mentiras , SERÂO….

        Quanto a Angola, não basta procurar informações de pormenor que se podem revelar menos correctas, a questão de fundo foi a intervenção da ex-União Soviética via Cuba ao lado do MPLA, dos EUA com Mobutu ao lado da FNLA, e da Africa do Sul ao lado da UNITA, para desgraça do povo angolano.

        • André Paiva diz:

          Francisco Martins Rodrigues, foi afastado porque, depois da Fuga de Peniche, não acatou a disciplina partidária, queria acção directa contra a ditadura fascista, quando a maioria discordava dessa opção, achava (o Chico) que estavam (na altura) preparadas as condições para um levantamento popular quando a maioria dos elementos do Secretariado e do CC discordava. Tentou logo na altura fracionar o PCP para a sua ideia, criou obstáculos ao trabalho partidário, não devolveu uma preciosa máquina de escrever (entre outros objectos propriedade do PCP), por isso foi suspenso! Anos mais tarde, quando já estava em outra organização partidária, na Cadeia do Forte de Peniche, quando estava preso a sua acção conduziu à perda de unidade dos presos políticos e de direitos adquiridos ao longo de anos através de inúmeras lutas desapareceram num instante (algumas até ao fim da Fascismo Português)! É preciso ter em conta que as regras da Clandestinidade eram muito rígidas, e nunca pensar que era possível discutir como nos nossos dias o que hoje parece banal, na altura era um preciosidade! Quanto a divergências internas, cada partido em Portugal tem a sua forma de tratar os casos, uns mais mediatizados que outros!

        • Carlos Carapeto diz:

          Isabel.

          Se aquilo que escreve se pauta-se por algum rigor , ainda fazia o esforço de tentar responder-lhe.
          Assim aconselho-a a ser um pouco mais comedida nas afirmações que faz, fica-lhe mal imiscuir-se em assuntos que à primeira vista denota logo que desconhece, por isso tenha mais cuidado porque andam por aqui pessoas que tal como eu conhecem bem essas situações a que faz referencia.

          Ignora que a desgraça do povo Angolano começou em Lisboa?

          Obrigado.

    • A.Silva diz:

      Vá mentir para outro lado isabelita.

  19. José Sequeira diz:

    Há pelo menos uma coisa que não percebo na argumentação do Sr. Víctor Dias: Por ser filho de pescadores (ou de operários, ou até sendo operário ou pescador) não poderia ter tirado um curso superior? Mas que preconceito burguês! Há centenas (ou milhares, não sei) de portugueses que estando nessas condições tiraram um curso superior. Basta ter vontade, optar entre estudar e estar a beber minis na cervejaria, ler livros técnicos ou outros em vez de ler “A Bola”, etc… etc…
    Depois felizmente vivemos num país onde existe liberdade de expressão. O Milhazes tem direito a escrever o que escreveu (alguma coisa saberá uma vez que está há longos anos em Moscovo) e o Victor Dias tem direito a responder como respondeu. A argumentação do Victor Dias poderia, por exemplo, ser aplicada ao Humberto Delgado. Como toda a sua carreira foi fruto da colaboração com o Estado Novo (desde jovem tenente no 28 de Maio a General nos anos 60) não poderia ter-se oposto a este como o fez.
    O “Zé dos Bigodes”, falecido em 53, tal como o “botas”, falecido em 70, ainda enchem a cabeça a muito apparatchik.

  20. Victor Nogueira diz:

    Mas com tanto comentário e tantos ataques rumo à desumanização e desrespeito pela vida de homens e mulheres que não façam parte da “elite” do lumpen do grande capital, feitos pelas troikas internas e externas, algumas já claramente fascizantes, em que patamar se devem colocar pretensos debates sobre os piropos (dirigidos a qualquer sexo) e o livro de Milhazes, cujo título é «Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril». ? Já o leram ? Eu, não. Mas sem gastarem dinheiro para pagamento de direitos de autor nem muito tempo, já leram o artigo de Vítor Dias ? Está aqui http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2013/09/vem-ai-mais-do-costume-ou.html As notícias e as leituras ao minuto, passe a publicidade gratuita aos condensados, tem disto “Milhazes reflecte falta de autonomia de Cunhal face a Moscovo”, os financiamentos e a forma como a URSS “impediu” a revolução portuguesa.”

    Claro que Milhazes não fala nem teria que falar nem sei se alguma vez publicará sobre o financiamento ao PS e a Soares pela social-democracia alemã nem no seu amigo americano, nem na origem dos financiamentos ao PPD/PSD e a Sá Carneiro ou ao CDS/PP de Freitas do Amaral/Adriano Moreira. nem na santa-aliança entre as redes bombisas de extrema-direita de mãos dadas com spínola, soares, sá carneiro e freitas e melos bracarenses. Estes são temas que pelos vistos nãp vendem, saber-se-à lá porquê. Aliás, um livro de Rui Mateus sobre o PS desapareceu, proscrito, e só se encontra em versão digitalizada na internet.- Mas adiante, que isto é um “fait-divers” ´que se afasta do que neste momento é essencial.

    Vítor Dias poderia não ter escrito nem começado o seu artigo deste modo:

    Uma notícia no site «notícias ao minuto» acaba de promover um novo livro do jornalista e «historiador» José Milhazes ( um filho de pescadores graças à ajuda do PCP e da URSS tirou naquele país um curso superior que cá não poderia tirar) intitulado «Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril».

    Mas fê-lo, opinando seguidamente – este é o cerne – sobre os realces das notícias ao minuto isso sim, matéria de concordância ou discordância, de contra-argumentação. Quanto ao Milhazes ? Eu apenas leio – «historiador» José Milhazes ( um filho de pescadores graças à ajuda do PCP e da URSS tirou naquele país um curso superior que cá não poderia tirar)

    Concluo que VD não considera JM historiador e acrescenta sem qualquer juízo de valor – um filho de pescadores graças à ajuda do PCP e da URSS tirou naquele país um curso superior que cá não poderia tirar – Sem tresler parece-me que VD enuncia város méritos – o do filho do pescador que tirou um curso que não estaria ao seu alcance no tempo do fascismo, e que sso foi possível para JM e muitos outros graças à ajuda (apoio) do PCP e da URSS ( e não da ANP ou dos EUA ou da CIA)

    Ah! Quais são o título e a temática do livro de Milhazes ? «Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril». Eu não tenho dinheiro nem tempo para ler tudo. Talvez conseguisse arranjar um cantinho para ler “Soares/Carneiro, Cia e o 25 de Novembro”, se e qd aparecer nos escaparates.

  21. Carlos Carapeto diz:

    Raquel!

    Acredita que tudo quanto o Milhazes escreve no livro corresponde à verdade?

    Não sei qual era o sentido das palavras do Vitor Dias.

    Suponho que quiz dizer que o Milhazes é um ingrato. Porque subiu na vida, esqueceu-se da mão que o ajudou.

    Em tom de desafio. Pode dizer-me em quem confia mais. Se em Vitor Dias ou no Milhazes?

  22. Pingback: O preconceito de classe de Victor Dias contra José Milhazes | O Insurgente

  23. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Desta discussão retenho duas coisas:

    1. Não é permitido discordar-se ou criticar o PCP.
    2. Criticar o PCP equivale a ser-se anti-comunista.

    Pelo sim pelo não vou comprar o livro do Milhazes para ver porque estão tão irritados com ele…

  24. Nascimento diz:

    tanto um como o outro são pobres…e não só de espirito.são uns nojos que idolatram merda….tão antiga como recente….e sabem?não, nem eles sabem….

  25. João Pedro Jesus diz:

    Tomar partido por Zé Milhazes contra Vítor Dias é optar pelo lado pior que habita a condição humana…È pena, Raquel…Assim vai perdendo o respeito dos que ainda têm por si alguma réstea de respeito.

    João Pedro

  26. José Corvo diz:

    Rodrigo Sousa Castro – Presidente
    Superintendente para a Extinção da PIDE/DGS e LP

    A TODOS OS MEUS AMIGOS DO FB PEÇO O EMPENHO EM LEREM O QUE SEGUE E DIVULGAREM SE ACHAREM JUSTO. É QUE JÁ NÃO É ADMISSIVEL TANTA MENTIRA E DEMAGOGIA.

    Quando a 26 de Abril de 1974, finalmente as Forças Armadas tomaram a sede da Pide/Dgs na rua António Maria Cardoso em Lisboa e ocuparam o forte de Caxias libertando os presos políticos, um dos factos que constataram foi que na sede, os agentes da Pide acossados pela Revolução, haviam queimados substanciais quantidades de documentos, não numa incineradora que tivessem para o efeito, mas numa singela lareira revelando logo ali, o estado da arte a que tinha chegado a policia politica da ditadura.
    Como não foi possível identificar na totalidade os documentos queimados, sabendo-se todavia que ma maior parte eram listas de colaboradores e informadores e de redes pessoais de informadores que eram exclusivo dos agentes mais graduados da policia politica , inspectores e sub- inspectores, é absolutamente razoável presumir que alguns desses documentos conteriam algum documento relacionado com as policias politicas congéneres inclusive com a CIA.
    Acrescente-se todavia, que nessa altura, 90% dos efectivos e da actividade da Pide /Dgs, realizava-se nos três teatros de operações militares em África a beneficio das Forças Armadas Portuguesas, especialmente o Exército, com quem colaboravam estritamente, não só no domínio da pesquisa coberta das informações, como em actividades extra fronteiras, e até em contactos com os movimentos ditos de Libertação.
    Na Metrópole, isto é em território Nacional Europeu, tanto a sede como a prisão de Caxias, foram ocupadas em permanência pelas Forças Armadas, quer unidades do Exército , quer da Armada, incluindo a prisão de Alcoentre, onde milhares de agentes e informadores, foram “ depositadas” com o intuito de serem julgados.
    A ocupação, guarda e defesa dessas instalações, manteve-se ininterruptamente nas mãos dos militares até 1982 ( fim do Conselho da Revolução), embora com a substituição das guarnições logo após os acontecimentos politico-militares de 25 de Novembro de 1975.
    Ao organizarem a guarda das instalações e arquivos os militares, através de uma cadeia hierárquica conhecida, formaram uma comissão, chamada Serviço de Coordenação para a Extinsão da Pide/Dgs e LP. Nela aceitaram integrar elementos dos vários partidos e forças politicas, que reivindicavam um passado de luta antifascista, entre outras, O PCP, O Ps, a Luar, o MRPP etc. Esses elementos são conhecidos e grande parte, creio eu, ainda hoje é viva , felizmente. Entre eles estava um menbro do comité central do PCP, o snr Oneto ligado ao PS, o dr. Caldeira do PS e hoje da fundação Mário Soares e outros cidadãos ligados ás forças que referi.
    Estas forças , particularmente o PCP, que tinham aliás os correlativos simpatizantes no seio das Forças Armadas da altura, procuraram numa primeira fase e rapidamente, indagar das listas de colaboradores e informadores por forma a puderem rapidamente sanearem as suas fileiras e exercerem alguns ajustes de contas. Digo particularmente o PCP, que obviamente teve chocantes surpresas.
    Mas a questão essencial, é que este heterogénio grupo politico civil que passou a fazer companhia aos militares, exerciam uma vigilância mútua de tal ordem, que é absolutamente delirante pensar, nas colunas de Berliets (camiões) que a coberto da noite carregaram toneladas de documentos e se puseram a caminho da União Soviética, numa operação Jamesbondiana sem paralelo cá no burgo !!!!!.
    É aliás ofensivo para a guarnição e chefias militares presentes e responsáveis á época a admissão de uma operação dessa natureza.
    Esta delirante visão, sem o mínimo de consistência e prova real, faz ainda hoje as delicias conspirativas de alguns escribas jornalísticos e do Face Book e mais grave é partilhada por gente que se diz historiadora, alguma com altas responsabilidades académicas..
    A verdade, é que tirando alguns recuerdos pessoais, entre os quais algumas armas, os processos de lideres políticos da oposição á ditadura como os de Soares e Cunhal, e eventualmente algumas fotocópias de documentos que a análise superficial de alguns desses zelosos civis partidários poderiam considerar informação útil para este ou aquele partido, os arquivos da policia politica da ditadura podem considerar-se incólumes e foram entregues por mim em 1982 para seguirem para a Torre do Tombo, após um grupo de deputados ter alvitrado que eles ficassem na AR !!!!

    O embuste da fuga de informação relevante e com peso politico, sobretudo em termos internacionais, uma espécie de wikileaks avant-garde, põe a nú oportunismos serôdios e a ignorância completa do processo histórico relacionado com o fim da ditadura. Por altura do 25 de Abril de 1974, a policia politica português, estava praticamente proscrita das redes de informação normais das democracias ocidentais, incluindo a CIA e como é óbvio, não tinha qualquer contacto com as policias politicas do Bloco Comunista e ainda menos com a China.
    Acresce a esta realidade o indigente estado da arte dessa policia, por mim verificado, durante os sete anos em que fui responsável pelo desmantelamento do seu aparelho, em que foi confrangedor, verificar os aspectos artesanais e arcaicos do seu funcionamento. Sem embargo de admitir contactos estritamente pessoais de alguns inspectores, que não do director, major Silva Pais, com elementos de alguns serviços secretos europeus (França e Inglaterra). O resto é fantasia pura.
    Relembro que os efectivos , os melhores agentes e 90% do esforço da policia politica se verificava em África e aí sim, com resultados palpáveis, entre os quais os assassinatos de Eduardo Mondlane e Amilcar Cabral. Acções aliás bem negativas para o interesse estratégico português como hoje é fácil constatar.
    Por último queria rearfirmar que a todos os agentes e informadores confirmados, foi dado oportunidade de um julgamento justo e equitativo, por mim exigido em Conselho da Revolução e que o General Ramalho Eanes através dos meios Judiciais do Exército proporcionou ( cinco tribunais militares), queria dizer ainda que esses processos judiciais estão salvaguardados no Arquivo Histórico militar, sendo Portugal, talvez o único caso no mundo, onde os arquivos da policia politica de uma ditadura foram essencialmente perservados e o julgamento que os democratas fizeram sobre essa policia politica estão salvaguardados.
    Isto sim devia ser valorizado e merecer o estudo de quem perde tempo com especulações e demagogias.

    José Milhazes Historiador ou aldrabão?

    • Carlos Carapeto diz:

      Foste tu que colocaste este artigo no blogue do Milhazes? Já lá estive a ler isto. Ele bem se tenta limpar.

      Eu também lá deixei um lembrete sobre uma troca de palavras que tivemos há anos acerca de outro livro dele.

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