cinco dias

A química do mal

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Um país do Médio Oriente ataca civis dentro do que proclama serem as suas fronteiras, com uma substância muito peculiar. Este produto químico não é, tecnicamente falando, “tóxico”, pois não se limita a envenenar quem o inspira; incendeia-se em contacto com o ar, agarrando-se ao corpo e às roupas dos que são banhados pelas suas chuvas letais. Depois, cada gota arde e arde, furando a carne até ao osso, produzindo cadáveres “caramelizados”, na pitoresca linguagem de alguns observadores.

O uso de fósforo branco (assim se chama a poção mágica) sobre civis é há muito proibido; em 1980, inúmeros países assinaram um “Protocolo sobre a proibição ou restrições no uso de armas incendiárias”. Mas Israel (assim se chama a nação pirómana) não o subscreveu. E, há menos de 5 anos, o Tsahal fez cair um dilúvio de chamas – adquirido aos bons amigos americanos, depois de testado em Fallujah – sobre a cidade de Gaza. A nova Esparta não se conteve: mesmo famílias que procuraram refúgio numa escola da ONU foram regadas do ar. E lá ficaram a arder. Nunca ninguém mediu as cinzas com cuidado que bastasse para chegar a um número incontroverso de vítimas. Então, não houve presidentes indignados a traçar linhas vermelhas, nem governos a gritar juras de vingança. Nem tribunais capazes de condenar a atrocidade.

 O abismo onde medram ditaduras como a da Síria devolve-nos o olhar com que pretendemos sondar a sua escuridão. E, de quando em vez, até nos mostra um espelho nada lisonjeiro.

Sacado daqui.

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