femme de la rue

sobre os “piropos”, cá ou em Bruxelas ou em qualquer outra cidade (vila, aldeia, lugarejo)

(também tem página de facebook https://www.facebook.com/femmedelarue)

 

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9 respostas a femme de la rue

  1. Miguel diz:

    Deixem-se de piropos, porque a situação da Síria está a ficar pior. Os Estados Unidos da América vão mesmo atacar e ninguém escreve sobre o assunto. Ninguém se interessa. O que interessa mesmo é discutir o piropo. É isso que nos alimenta os piores receios em relação a toda a humanidade, porque se não fosse o piropo, não entravamos em rota de colisão. Aliás, não interessa discutir se a Arábia Saudita está a fomentar uma guerra em larga escala ou se Israel aproveita os momentos de contenção militar para matar mais um palestiniano. O piropo é mais importante, sem dúvida.

    Escrevam algo decente!

    • ana catarino diz:

      podemos discutir várias coisas ao mesmo tempo… não é complicado. E interessa discutir o piropo, a Síria, a privatização da água, as novidades literárias, as mais recentes exposições, a cinemateca e tudo o mais que nos der na gana.
      Escrever algo decente ou indecente, isso diz-me respeito a mim, que escrevo o que quiser. E é só.

      • Miguel diz:

        Então, escreva sobre a proibição da homossexualidade na Arábia Saudita. Já que é tão bom e tão bonito discutir este aspecto, quando diz respeito à Rússia, porque não abordar o assunto em relação a uma sociedade praticamente medieval e que pessoas, como Paulo Portas, respeitam muito.

        Porque não escrever sobre aquilo que realmente dói nesta altura: a votação no congresso americano para a promoção de mais uma guerra no Mundo. Porque não escrever um texto sobre John Kerry que hoje promove a guerra, mas que já foi um árduo pacifista, chegando ao ponto de repudiar as suas condecorações de guerra do Vietname. Isso está no You Tube. Porque não publicar isso e mostrar aos meninos do “31 da armada” de que é feito o seu sonho de liberdade americana?

        …e é só.

        • ana catarino diz:

          talvez não tenha sido clara na minha outra resposta: porque eu escrevo o que me apetece.
          Mas permita-me que lhe dê um conselho: vá a wordpress.com, abra um blog e escreva o que lhe apetece e acha que é mesmo importante. Assim evita ficar tão agastado com o que os outros escrevem ou deixam de escrever.

          • Miguel diz:

            OK, mas é mau ver o desperdício de tempo e palavras nestes assuntos que não levam a nada. Oxalá a veja escrever sobre outras coisas melhores e que realmente dão força. É disso que os leitores precisam: muita força e alento.
            Boa sorte para o seu trabalho e espero dar-lhe os parabéns por outro artigo mais merecido. Se a vir por aí, com um bom texto, prometo dar-lhe ânimo e coragem.

          • ana catarino diz:

            Antes de mais obrigado pela promessa (sem qualquer ironia). Mas deixe-me que lhe diga mais seriamente duas coisas:
            1. eu não sou activista nas chamadas “questões de género”mas de todo acho que estes sejam assuntos menores. Eles refletem a forma como nos vemos uns aos outros, que relações estabelecemos e permitimos que se estabeleçam no espaço público, (e também no privado). E isso, não são coisas que ache menores nem que nos levem a nada. Dou um exemplo: a violência doméstica… em tempos dizia-se e pior, acreditava-se, no ditado “entre marido e mulher não se mete a colher”. Hoje, a violência doméstica é considerada crime público, e a meu ver muito bem.
            O que é que quero dizer com isto? Que não acredito na hierarquização de assuntos. Como lhe disse, acho que podemos e devemos discutir várias coisas ao mesmo tempo, tantas quantas as que nos inquietam.
            2. Não acredito, sinceramente, que nos caiba, pelo menos a mim, dar alento a alguém. Não vejo esta minha vontade de escrever em público com essa função. Prefiro achar que posso contribuir para um debate colectivo, que espero seja diverso, nos temas e nas opiniões. Se o fizer, será não intencional, mesmo que isso não me desagrade, entenda. Mas de facto não é esse o propósito e por uma simples razão. Eu não faço ideia como isso se faz, em especial tendo em conta que não conheço quem hipoteticamente lê o que escrevo.

            Posto isto, não se acanhe a comentar… concordando ou não…

  2. Rocha diz:

    Tive a oportunidade de participar numa conhecida experiência de activismo assembelário e social em defesa dos jovens de um bairro pobre (um dos chamados problemáticos) numa das cidades deste país. Não vou revelar onde e qual para evitar discussões maçadoras sobre detalhes e vírgulas e para evitar eventuais juízos de valor e estigmas que recuso apoiar.

    Vou directo ao assunto. Assisti em assembleias e no dia à dia do projecto, ao revelar de situações que levaram a bocas dos jovens do bairro do género (mas não textualmente, não posso precisar): vê lá se queres levar nas trombas (dirigidas a gajos) e comia-te toda (dirigidas a gajas). E aqui também está uma coisa que me irrita nesta discussão que é enquadrar o problema das bocas desagradáveis, ofensivas ou de mau gosto como um problema exclusivo das mulheres.

    Seguindo a lógica do debate do piropo no BE (que iniciou toda esta discussão), o que há a fazer é aumentar a repressão sobre estes bairros, que ainda é pouca, vejam lá!!!

    Além disso posso afirmar que algumas das ofensas e ameaças verbais que referi acima partiram de putos de 12 anos ou talvez menos.

    Acho que há uma ideia subjacente ao mote das pessoas que iniciaram o debate que me provoca a mais profunda repulsa que é a ideia de esterilizar a miséria. E é isso precisamente que fazem os países nórdicos que exploram a miséria alheia sempre com a preocupação de isso acontecer o mais longe possível da vista dos seus civilizados cidadãos.

    • ana catarino diz:

      não percebo a sua questão, confesso. O BE não reclama mais repressão sobre bairros. Se existe alguma menção a repressão é a comportamentos, nada mais. Eu não sou do Bloco nem estive no debate mas de todo que parece que defendam tal coisa. E também não estou bem a ver onde, neste debate, há a ideia de esterilizar a miséria. Não percebo onde encontra tal ideia.
      Quanto à questão de ser exclusivamente ou não dirigido às mulheres… não é, de todo, mas foi o ponto de partida escolhido por elas e não me parece mal. Têm todo o direito de começar a discussão por onde acharem melhor.

  3. Miguel diz:

    Não, não me vou acanhar em comentar os seus próximos textos. Acho que tem classe nas respostas que oferece. Isso é uma marca de estilo próprio e é difícil de o conseguir em literatura.
    Sobre a violência doméstica, sei que é um problema complexo, mas neste momento estou com outro receio que diz respeito a famílias que estão na eminência de serem bombardeadas por aviões americanos. Sempre que isto acontece, o meu coração aperta e não consigo me conter. Sou daqueles que viu este tipo de coisas acontecer no Panamá, na antiga Jugoslávia, no Iraque e no cerco a Gaza (neste último até gritei de dor, ao ver as crianças mortas com fósforo branco). Sou contra a guerra e um sonhador pela causa “hippie”. Boa sorte e bom trabalho.

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