«Viemos para ficar».

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No outro dia, escrevia um jornalista colombiano que havia sido apanhado no meio de um corte de estrada. Das janelas do autocarro, viu dezenas de camponeses correrem encosta abaixo para reforçar as barricadas. Entraram no veículo e gritaram aos passageiros que saíssem: «esta merda é coisa para demorar!». Espantado, perguntou, pouco depois, a um deles donde vinham. «A si que lhe importa? Pergunte-nos antes ao que viemos.» O jornalista perguntou e obteve pronta resposta: «Viemos para ficar».

Depois do governo colombiano dizer, nos primeiros dias de greve, que a paralisação não estava a surtir qualquer efeito, a oligarquia já pede desesperadamente ao presidente Juan Manuel Santos que declare o estado de emergência económica e social. Nas prateleiras dos supermercados escasseiam produtos, as principais vias de comunicação terrestre estão bloqueadas, as principais faculdades estão em greve e um grupo de estudantes encapuzados prendeu os reitores, há graves distúrbios na capital colombiana e decidiram declarar o recolher obrigatório nos bairros pobres da periferia. E, como não, fala-se da Colômbia, já há mortos entre os camponeses.

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3 respostas a «Viemos para ficar».

  1. Rocha diz:

    Esta é a Colômbia revolucionária e bolivariana. Uma luta que vale a pena acompanhar.

  2. «Mas qual é o negócio?» diz:

    É extraordinário como nada disto vem ou passa na Comunicação Social de cá (Portugal), nem nos internacionais (que eu saiba…tb não tenho muitos canais …).

    Se calhar, o problema é só mesmo meu por não ver uma lnha escrita (ainda leio jornais em papel) ou dita na CS, mas fico espantada com a não-preocupação dos empresários portugueses que pela mão de Cavaco Silva lá viram (na Colômbia) umas «excelentes oportunidades de negócio»… ainda não percebi bem de «quê»…será de «coca»?

    É que de «food & beverage já» não deve ser… não é?

  3. José Luís Moreira dos Santos diz:

    Tudo começou pelos lados de Catatumbo. É assim que a vontade se expressa!
    Se jornalista fosse aquele que perguntou: de onde vieram? Saberia de onde e porquê, mas, mais atreitos a servir o poder do poder mediático colombiano, quase todo corrupto e parcial, talvez tivesse, com essa pergunta, a intenção provocatória de perguntar: são da insurgência?
    O que Juan Santos dizia ser uma brincadeira quase tonta e sem significado, mesmo local, nos três departamentos onde a coisa tomou parecenças com uma revolta, alastrou agora a outros locais e a sectores sociais bem distintos entre si. Já não são apenas os campesinos, os papeiros, os mineiros autónomos, os abandonados pelo poder e gula da elite tosca e submissa aos apelos do Norte. Agora que Santos paga a denuncia e sacanice, o povo colombiano, mesmo acossado e violentado pelo esquadrão negro das forças do terror, vai resistir e abrir caminhos que lhe permita ser ouvido e minimamente respeitado. A Colômbia, imitação condescendente do que quer a nossa direita para este país, não é um país, é o terror feito dia a dia. Mas…..
    José Luís Moreira dos Santos

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