Confesso que acho esta questão do piropo mal colocada na discussão no 5 dias. O texto do esquerda, base da conferência do Socialismo 2013, presta-se a confusões, mas as questões levantadas parecem-me importantes. Para isso é preciso, no meu entender, tirar a canga do palavreado do assunto. Há em algum feminismo contemporâneo um discurso em que se confunde questões de opressão das mulheres com a existência de homens e de sexo. Mas retirando a parte mais folclórica dos textos, normalmente acompanhadas com a invenção de questões inexistentes como a formação dos plurais e quejandos, existem problemas reais que são denunciados. E que felizmente são levados à discussão.
Uma cultura que acha normal que os homens em grupo mandem bocas a mulheres que se deslocam sozinhas na rua, é uma cultura do medo. Torna a cidade uma zona potencialmente perigosa em que as mulheres não têm a mesma liberdade que o homem. E isso é um problema real que muitas das pessoas que conheço já tiveram, o de não se sentirem à vontade nas ruas, pelo simples facto de serem mulheres.
Mas isso não é, em meu entender a criminalização do piropo, mas o combate que tem de ser feito ao assédio e a uma cultura que o permite.
Há um texto do Manuel António Pina que em meu entender coloca algumas questões importantes: devemos dividir aquilo que tem que ver com sermos uma sociedade com sexo, atracção e feita pelos os humanos, daquilo que expressa a imposição da práticas que coajam o outro e o violentem.
Finalmente, também registo a contradição de , por vezes, aqueles que são mais fundamentalistas com a expressão da sexualidade no espaço público, achem modernaço e fantástico que as mulheres e os homens sejam obrigados, para viver, a recorrer à prostituição. E que concluam que uma mulher ou um homem vender a sua força de trabalho num emprego é equivalente a ir para a cama, por dinheiro, com dez pessoas por dia.