Engoliram o Piropo

swallow

Afinal o debate não era debate e não fosse a meia dúzia de fanáticos fundamentalistas que saiu em defesa da criminalização do piropo – sim, que se o equiparamos a assédio é disso que se trata – ainda se poderia pensar que tudo não tinha passado de uma polémica sobre a língua portuguesa. Não foi e o que se ouviu foi claro. Incapazes de argumentar, o “engole”, o “cometa” e o “piropa-mos” foi a síntese argumentativa dos bófias do comportamento. Ao BE, ao Socialismo 2013 e à turba de proibicionistas, nada como meterem na cabeça que as palavras não são bolas de sabão. Façam bom proveito da degustação e, no final, engulam o dislate.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

29 respostas a Engoliram o Piropo

  1. Carlos diz:

    Grande malha levaram os betinhos do BÉ. Oh, oh! Tanta frustração se revelou por aquelas bandas… 🙂

  2. Dezperado diz:

    “Cerca de 100 militantes do BE questionaram os órgãos dirigentes do partido sobre a escolha de Mariana Mortágua para substituir a deputada Ana Drago, em Setembro, ultrapassando assim nove elementos na lista concorrente às últimas legislativas.”

    Será que a Mariana ultrapassou os nove elementos, com piropos ou sem piropos…ou aproveitando-se dos piropos alheios!!!

  3. Guilherme diz:

    [Todos os comentários deste mail sdfdfsd@fdsfsd.pt e com este ip: 62.48.189.57 serão eliminados por conterem ofensas machistas graves. Nas horas de melhor humor serão alvo de subvertising.]

  4. JP diz:

    Como escrevi num comentário ao post do Alexandre (que ainda aguarda moderação), gostaria de saber a posição das pessoas que promovem esta iniciativa em relação à possibilidade de um estado proibir o uso de Burka.
    São a favor da proibição, ou não?

  5. E continua-se a brincar. Perde-se o rumo e discute-se mais de quem partiu o tema, de quem ganha o jogo, do que propriamente a questão em si. Desculpem-me, mas teimar ou acreditar que o “piropo” nos nossos dias são inocentes galeiteios de corte vitorianos é uma ilusão. O que se assiste no dia –a –dia é a prevalência de utilizar o piropo como uma agressão verbal com insinuações sexuais não solicitadas sobre o corpo, sobretudo das mulheres e trata-se a meu ver de uma agressão sexual nos espaços públicos. Isto claro, que tem a ver com a educação e a subtilileza de uma sociedade patriarcal e machista, só não entende este significado quem não quer. Eu enquanto mulher, não quero ter medo de andar na rua, de mudar de passeio, evitar aquela rua, aquele bar ou corredor de escola, ter de vestir esta ou aquela roupa, de forma a evitar este tipo de assédio, agressão e opressão. Não sejamos inocentes e ainda bem que este tema foi levantado, porque pelos vistos é preciso discutir e reflectir mesmo muito!

    • Reflectir é sempre bom mas também é bom que quando o debate caminha para o proibicionismo, o moralismo e a ortodoxia, haja lugar ao contraditório.

      • Luísa Seabra diz:

        Fica aqui uma questão para o Renato Teixeira, que agradecia respondesse: acha que ALGUNS tipos de piropos podem ser considerados assédio sexual?

        • Claro. O debate aqui é que há quem entenda que todos são insultuosos. Mas devolvo a pergunta, acha que ALGUNS tipos de piropos podem ser considerados saudáveis?

          • Luísa Seabra diz:

            Obrigada. Finalmente, algum avanço no debate.

            Pessoalmente nunca me senti confortável com nenhum piropo que me tenha sido dirigido, mas admito que possa haver sim. Lidos à posteriori também os acho saudáveis, criativos e até cómicos. No momento sempre me sinto incomodada e indefesa e posso dizer que alguns desses incómodos levaram dias a passar, nomeadamente quando era apenas uma criança. Fui forçada em determinadas situações a alterar alguns aspectos do quotidiano para evitá-los. A falta de informação sobre o tema aliada à mentalidade sexista da generalidade também me desencorajaram a falar sobre ele. É muito fácil tudo passar despercebido pois estas investidas só acontecem quando a pessoa está sozinha, o que, no final, leva a que só as mulheres saibam dos incidentes e das consequências. Podia relatar muitas experiências pessoais, algumas mais traumáticas que outras, que não devem ser muito diferentes, pelo menos no carácter, das que se encontram pela net. Posso deixar algumas fontes a quem interessar.

            A questão que deixo à reflexão e que gostaria de ver debatida é: dado que acontecem ataques de assédio sexual na rua, dado que existem vítimas, dado que estes incidentes são extremamente frequentes e dado que eles tem na sua quase totalidade carácter sexista, o que fazer com isso?

          • Educar, educar, educar. Nunca equiparar o piropo ao assédio. Também porque quando confrontados com o segundo, é bom que ninguém coloque em causa a gravidade do tema.

    • Rocha diz:

      Olhe Celme teimar em acreditar que certas mulheres que querem ser eleitas porta-vozes do feminismo são todas virgens ofendidas perseguidas pelo mundo é que é uma ilusão. Do oportunismo e do carreirismo é que vêem estes cantos de sereia. Enquanto as madames palram da sua superioridade moral sobre todos os homens as lavadeiras vão continuar a limpar o chão por onde estas passam – a sobreviver com o rendimento mínimo sem conseguir para as contas da água e da luz.

      Se não quer ter medo junte-se ao clube, aqui todos temos medo, porque o capitalismo mata mesmo e a luta de classes não é um chá dançante. E porque é as suas fobias são mais importante que a fome que se passa nos bairros sociais? Eu quando andei numa certa escola secundária era assaltado (por vezes com a faca apontada a mim) todos os dias e sobrevivi, hoje estou do lado certo da luta.

      • Luísa Seabra diz:

        Acho que ninguém disse que esta questão é mais importante que a fome, a injustiça social e todas as consequências nefastas do Capitalismo que conhecemos (quiçá esta incluída). Já sabemos que a luta maior é a luta de classes. Mas, ao menos, pedia-se seriedade e abertura para o debate. Não foi isso que se viu. Independentemente de se defender ou não a categoria de assédio, penso que temos todos a aprender uns com os outros e com experiências alheias. Não parece ter havido grande interesse em saber o que sentem as vítimas que se queixam. Foram, inclusivé, ridicularizadas. O objectivo foi, em vez de querer saber mais, gerar polémica pelo ridículo do tema.
        O seu comentário está cheio de termos depreciativos que não ficam bem a quem fala de coisas justas e grandes. Talvez valesse a pena também um debate sobre a moral de que ao mesmo tempo que se luta pela liberdade universal se oprime a voz do vizinho.

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Tem sido afirmado por várias proponentes da criminalização do piropo que querem andar na rua vestidas como quiserem. Muito bem. Mas porque ficar por aí? Porque não afirmar que querem andar na rua nuas, se lhes apetecer, sem estarem sujeitas a agressões verbais nem a piropos de mau gosto? Qual é a diferença de fundo entre andar meia nua e andar totalmente nua? Qual é o preconceito burguês que as leva a achar que as duas coisas são diferentes? Há alguma maldade ou imoralidade na nudez? Por razões estéticas não é com certeza, pois todos os dias vejo mulheres que, pela forma como se vestem, não estão com certeza preocupadas com considerações de ordem estética. Fico à espera da próxima campanha feminista, a favor do nu integral na via pública e na criminalização de qualquer comentário de mau gosto a essa nudez… Ou então a lógica é uma batata, como se dizia quando eu era adolescente…

  6. Eles podiam era engolir o PS, e dar-lhes uma valente congestão, para ver se aprendem e ganham juízo.

  7. imbondeiro diz:

    Que grande galo! Ooooops… não devia ter empregado o substantivo “galo” – ainda alguma sensível alma o traduz para o Inglês e lá sou eu acusado de internético assédio… A coisa não pegou. Mas não se aborrecem os queridos camaradas ( e as queridas camaradas ) do BE. O tema dá pano para infinitas mangas. E, desde já, deixo eu aqui o meu singelo contributo na forma de um outro ingente flagelo que massacra duramente a lusa grei e que bem pode constituir um magnífico objecto de debate num próximo “worshop” bloquista. Ei-lo: não será de grande utilidade e de magno proveito pôr essas imaginosas cabecinhas ( fónix, pá ! – a minha incontinência verbal fez, outra vez, das suas: ainda se vão às polissémicas virtualidades do diminutivo “cabecinhas”… e lá estou eu a braços com a Lei… ) a descortinar maneira de criminalizar como assédio essa praga que são as esteticamente elevadíssimas letras (?) lírico – javardolas da música (?) “pimba”? Isso sim, seria um útil serviço… ao bom gosto. Pensem nisso.

  8. Bilioso diz:

    Aqui vos deixo um manual de canções infantis explicadas para … hmmm… haaa… ai, que nervos, como hei-de eu dizer isto… hsss … enfim, pessoas distraídas:

    «As meninas da Catrina [=herdade latifundiária algures em Portugal]
    andaram de mão em mão [=liberdade poética para designar certas actividades sexuais]
    foram ter à Quinta Nova [=outra herdade latifundiária]
    ao Pombal de São João. [=idem]

    Ao Pombal de São João
    à Quinta da Roseirinha [=ai que horror, que galdérias, mais uma quinta de latifundiários!]
    minha mãe mandou-me à fonte [=uma actividade muito corrente e necessária antes da instalação de água canalizada, e muito agradável por ser refrescante e sobretudo por dar azo a encontros longe dos olhares sempre vigilantes das mães]
    e eu parti a cantarinha [=liberdade poética para descrever uma data de actividades que são deixadas a cargo da imaginação de quem a tiver, e das quais pode de facto resultar objectivamente a quebra estouvada duma bilha, se não mesmo das três]

    Ó minha mãe não me bata
    que eu inda sou pequenina [=liberdade poética muito queriducha para designar a inocência estouvada]
    minha mãe mandou-me à fonte
    e eu parti a cantarinha [reiteração poética mas não casual do tema principal do poema; porra, será preciso explicar porquê, desde o princípio?]»

    Qualquer criancinha sabe cantar isto. Em nada difere das canções pimba já citadas noutro comentário, a não ser (talvez) no grau de pudicícia e na liberdade poética. Pergunta: é mais ou menos sexista? é um incentivo às actividades sexuais ou um aviso moral? será uma simples descrição dos factos exactos da vida real? enfim, ajudem-me, estou tão confusa!
    Ainda por cima, sempre que ouço esta cantiga, como hei-de dizer?… sinto assim uma espécie de formigueiro, sei lá, e começo a imaginar medas de palha e bilhas, valha-me deus… Acham que é pecado?

    As raízes remotas de um certo grupo de (eu disse «de um certo grupo de», não disse «das») «feministas» (algumas das quais foram parar ao BE, outras a outros lugares) produzem há décadas preceitos morais burgueses ultra-reaccionários que me deixam arrepiado. Recordo, por exemplo, que em 1974-75 emitiram uma ordem interna à respectiva organização política de que faziam parte (e que eu me reservo o direito de não mencionar) para que todos os casais se divorciassem. Motivo: o casamento é uma instituição burguesa, representa a propriedade e a transmissão individual da propriedade, perpetua a dominação machista sobre a mulher, etc. (enfim, vocês conhecem a cantiga) e portanto dava um mau exemplo aos proletários com quem aquela autoproclamada vanguarda tinha de conviver. Foi cómico, os tribunais ficaram a abarrotar de processos de divórcio no espaço de um mês.
    Passados poucos meses, a mesma organização emitiu uma ordem de sentido inverso: os casais a viverem em união de facto deviam casar-se oficialmente, para que a (suposta) moral e o pudor dos proletários não se ofendesse com o facto daqueles casais viverem «em pecado», retraindo-se assim ao convívio com aquela valente vanguarda da classe operária. Foi cómico outra vez, com uma correria em massa aos notários e até, nalguns casos mais reverenciais, à igreja.

    Aqui vos confesso um dos meus terrores, que há décadas me atormenta de vez em quando os sonhos (isto é verdade, não estou a brincar): a de um dia se criar um governo de esquerda em que um destes autoproclamados vanguardistas de remotas raízes estalinistas ou maoistas ocupe a pasta da cultura ou a da justiça. É arrepiante, só de pensar nisso, o meu pirilau até recolhe à concha como quando entro nas águas geladas da Sibéria.

  9. jozhe diz:

    Não fazia ideia que haviam tantos reaccionários, tantas pessoas que não escrevem nada de jeito, e tantos comediantes falhados. Há quantidade de lixo que escrevem, só podem estar a receber.

  10. Luísa Seabra diz:

    [resposta à resposta anterior de Renato Teixeira, a qual fiquei sem possibilidade de responder em linha (?)]

    Portanto, para as situações em que efectivamente acontecem ataques de assédio sexual na rua, e visto que se recusa a identificar isto como um problema, a solução que o Renato propõe para estes casos é: nenhuma.

  11. Armando diz:

    Aquando da questão do aborto e casamento entre homossexuais também eram fanáticos fundamentalistas do partido das prostitutas e dos gays. Quase 10 anos depois quando o partido da maioria apresentou propostas semelhantes já éramos todos muito evoluídos e só quem é atrasado é que não aceita nos dias que correm.
    Vamos ver por quanto tempo mais vamos permitir que machismos proferidos por estranhos tenham que ser engolidos pelas nossas filhas ou esposas. É que quando não é PS ou PSD pelos vistos não é sério.

  12. Pingback: Duas notas sobre uma obsessão | cinco dias

Os comentários estão fechados.