Para o BE e a Umar, o piropo só é enquadrável em sede de assédio contra as mulheres

Já a prostituição é a vanguarda, é uma escolha e deve ser considerada trabalho, e quem achar o contrário é conservador e moralista.

Salazar e Mussolini achavam o mesmo. Quanto à prostituição, pelo menos.

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48 respostas a Para o BE e a Umar, o piropo só é enquadrável em sede de assédio contra as mulheres

  1. João diz:

    Este post é o pico do ridículo. Já deixaram de linkar para a notícia original, de maneira que nem se percebe de que é que estão a falar. Depois, qualquer tentativa de elaboração de um raciocínio sobre o assunto já caiu por terra, porque estamos ocupados a falar de Salazar e Mussolini. Quer dizer, o que é que se responde a essa comparação? Não é um convite à estupidez?

    • Lúcia Gomes diz:

      Leia o texto sobre prostituição que está linkado. Pico do ridículo é equiparar o piropo ao assédio e, exclusivamente, no âmbito da violência contra as mulheres. Pico do ridículo é reproduzir e defender políticas de mussolini e de salazar sobre o tema da prostituição. Pico de qualquer coisa é comentar sem ler.
      Bons dias!

      • Ana diz:

        Lúcia, queria equiparar o “piropo ” ao assédio no âmbito do quê? Acha q é mta giro passar na rua e ouvir “comia-te toda”, por que raio as mulheres não podem andar na rua sem ter de ouvir este tipo de porcaria? Há uma cultura de desrespeito e objectificação e sexualização da mulher em que nós, mulheres, deviamos ser as primeiras a tentar destruir, mas não…há sempre umas q acham q é tão engraçado, sem se perceberem que é profundamente sexista. Todas as pessoas, homens e mulheres, deveriam poder andar na rua sem sentir que a sua segurança pessoal posta em risco. Eu aceito um piropo de alguem conhecido e que eu tenha dado confiança para tal, não de um desconhecido qq na rua q resolve chamar-me “boa” ou dizer q me comia toda. Percebe a diferença?

        • Lúcia Gomes diz:

          A proposta do Bloco só se refere às mulheres, isso faz algum sentido? não é ela também profundamente sexista?
          Segurança pessoal posta em risco? O que me choca é que para o BE, dizer a uma pessoa prostituída comia-te toda é aceitável, porque a prostituição deve ser um trabalho, mas já não se pode dizer porque as regras da moral e dos bons costumes o impõem.
          Está ao nível da proibição de chamar nomes a um árbitro, o que também é discriminatório.
          A questão do assédio, para quem se preocupa com ele, devia, em primeira instância passar, por exemplo, pelo assédio moral no local de trabalho e a inversão do ónus da prova. Sejam homens ou mulheres.
          Isto, é só idiota. Profundamente idiota.

          • Ana diz:

            Queria que a proposta de punir piropos se referi-se aos homens também? Eles qdo passam na rua ouvem com tanta frequencia “piropos” porcos? Vamos lá pensar….qtos homens são violados por mulheres? Qtos homens no nosso país são mortos por ano pela companheira? Vamos lá comparar qtos homens há em cargos de chefia em comparação com as mulheres? Acha que é pq somos todas burras e menos competentes? Qdo somos mais a sair da faculdade e com melhores notas? Há um problema GRAVE de discriminação/violência contra as mulheres em Portugal e não se vai resolver a ficar a olhar. É igual às questões LGBT ou de racismo, se ficarmos à espera que a cultura mude nunca iremos a lado nenhum, há assuntos que têm de ser legisladas, serem considerados socialmente inaceitáveis para deixarem de acontecer. Se temos um problema temos de o resolver, não fingir que não existe.
            Por exemplo a questão das quotas para mulheres e da obrigatoriedade de paridade, se não houver acha mm que vamos conseguir chegar lá? Há uma cultura em que os homens é que são os politicos, chefes, são eles que chegam a cargos superiores mesmo tendo as mesmas valências que as mulheres, se agora não obrigarmos a ser diferente não vai ser, se mulheres não entrarem e começarem a puxar outras tb dificilmente conseguiremos passar barreiras, já que são eles que nos contratam. A proposta do BE é para as mulheres pq o gde problema reside aí.
            Qto à prostituição a legalização do trabalho também serve para controlar questões de saúde pública de mal-tratos e proxenetismo. Acho q não é mto dificil de perceber e eu nem sou do BE.
            A Lúcia se passar numa rua onde não está mta gente e um grupo de homens ou só um homem passar por si e disser “és mta boa, partia-te toda”, não sentia menos segura? Acha que esse homem tinha o direito de falar consigo assim, não acha que esse tipo de comportamento deveria ser reprimido? Não acha que merece tanto respeito e tem o mesmo direito à sua segurança como um homem passeia descansado na rua, seja de fato ou de tronco nu?

          • Lúcia Gomes diz:

            Acha que o assédio moral num local de trabalho só existe com mulheres? Não acha que neste momento, por exemplo, a questão da discriminação salarial é bem mais premente do que um piropo? Acha que as quotas resolveram? Maria Luis Albuquerque, Teresa Morais, Maria de Lurdes (a da Educação), Maggie Thatcher, todas são mulheres – defenderam os direitos das mulheres ou hoje as mulheres estão pior?
            Difícil de perceber é que o BE se dedique a questões como o piropo quando 130 mil pessoas ficam sem rendimento social de inserção, a maioria mulheres, quando os desempregados são na maioria mulheres, quando se roubam as pensões aos aposentados (e as mulheres recebem em média 70% da pensão do homem), quando a discriminação salarial dispara.
            Não, o piropo é que é uma questão importante para as mulheres.

          • Ana GB diz:

            Olhe profundamente idiota é a sua resposta toda. Completamente ilógica e sem conhecimento de causa, de certeza. Já agora inscreva-se no Socialismo e vá o debate em causa. Talvez lhe faça bem. Piropos de desconhecidos e insultos gratuitos estão sempre ERRADOS moralmente e judicialmente. É constituido crime de assédio sexual se a pessoa em questão se sentir insegura devido a tal. Certamente se se apercebesse o quão grave são de facto os piropos – na medida que uma resposta a um piropo pode, muitas vezes inclusive, a levar a violência física para além da verbal. Numa sociedade profundamente sexista se há um grupo que se insurge contra esta violência então ele não devia ser crucificado mas sim apoiado. Especialmente num site que é suposto ser diferente.

          • Lúcia Gomes diz:

            ui, profundamente idiota é assédio!

      • Carlos diz:

        Lúcia, pico do ridículo és tu, minha linda. deixa-me fazer-te cocegas no umbigo por dentro

  2. João diz:

    Lamento, mas li o que linkou, só que toca no tema que lhe interessa (prostituição, exploração sexual) e não no tema em apreço (a suposta equivalência do piropo ao assédio). Ou seja, decidiu falar do que lhe convinha para mostrar o texto que escrevera. Acresce que as menções a Mussolini e Salazar não têm qualquer relevância particular; regimes e regulamentos houve muitos, e a comparação directa não faz sentido, ou seja, não dá para proceder de A (Bloco, UMAR, piropo) para B (Mussolini, Salazar, prostituição). Ao que percebi falamos apenas de um painel do Fórum do Bloco. É preciso ir tão longe?

    • Lúcia Gomes diz:

      Não, não é só um painel do BE. É uma coisa que defendem há muito e até já o tentaram fazer via projecto de lei. Mas, repare, se for uma pessoa prostituída, pode ouvir qualquer piropo ou assédio porque (de acordo com o BE) seria uma relação laboral. A questão está ligada na medida em que falamos, de acordo com o BE, em direitos das mulheres. E assim eu, porque não me prostituo, posso ser piropada? É isso? Decidi expôr as contradições de quem se diz defensor dos direitos das mulheres, mas nem por isso intervém, por exemplo, quando uma mulher que amamenta é obrigada a mostrar as mamas aos patrões para poder ter licença. Nunca ouvi nada disto ao BE. Ou sobre o assédio moral no trabalho a homens e mulheres. Mas ouço sim que as mulheres se prostituem porque querem, escolhem. A prostituição não é, ela mesma, uma violência atroz (mesmo que se considere que há quem se prostitua voluntariamente, referindo-me às que o não fazem?)?
      A comparação a Mussolini e Salazar é histórica e fáctica. Se o incomoda, não se defenda o indefensável.

      • João diz:

        Li o seu texto e continuo sem perceber como é que se dá largas para tal argumentário. Que o trabalho sexual é um locus de exploração, qualquer pessoa pode concordar, admitindo inclusivé que a legalização/regulamentação não a combatem, antes formalizam. Todavia não vejo a inconsistência entre defender esse trabalho enquanto profissão e lutar contra a exploração. Consequentemente, não vejo a ligação entre esse assunto e a história do piropo. Quando diz “nunca ouvi nada disto ao BE”, é preciso ter em conta que pegou selectivamente numa participação num Fórum e daí extrapolou uma linhagem de posições que arrumou a la carte na sua cabeça. Ou seja, não imagino ninguém do BE a silenciar-se perante a situação que enuncia. A comparação não me incomoda nada, a facilidade com que a faz sim.

        • Lúcia Gomes diz:

          A facilidade com que a faço é porque as propostas apresentadas pelo BE nos vários debates em que participei coincidem com as relatadas no texto. Só isso. E se a questão do assédio é vista pelo BE como “direitos das mulheres”, falemos então de direitos das mulheres.

      • Sonia diz:

        Se a senhora tem de mostrar as mamas para mostrar que amamenta aconselho-a a fazer uma denuncia com urgência. O BE não tem de tocar nesses assuntos porque já existe leis para proteger as mulheres nessas situações, E veja lá que até temos uma entidade própria que trata mesmo desse tipo de assuntos: trabalho e mulheres em estado de gravidez, lactante ou puérperas, Essa entidade chama-se CITE,

        Informe-se.

        • Lúcia Gomes diz:

          Querida Sónia, a ACT.
          A CITE só tem competência inspectiva e não sancionatória. Se quer informar, informe-se.
          O BE tem que intervir sim, através dos seus delegados sindicais e representação parlamentar. De outra forma, o que anda aqui a fazer?
          E “a senhora” em causa é uma trabalhadora de uma grande superfície comercial de Braga. E fez denúncia. E o PCP fez uma pergunta ao Governo. Vê a diferença?

  3. Ines diz:

    O sexo é o único serviço que é vendido por dinheiro no mundo? É que eu pensei que para todos os empregos vendemos o corpo, incluindo aqueles em que estamos 8 horas sentados em secretárias a arranjar tendinites com os computadores.

    • Lúcia Gomes diz:

      Inês, quando vende o seu corpo, vende os sentimentos, o amor, a dignidade? Vende-se a 20 ou 30 homens por dia, a dez euros por acto sexual? Acha mesmo que é a mesma coisa?

      • Ricardo Santos diz:

        Se a Lúcia não consegue vender o corpo sem vender os sentimentos, o amor e a dignidade, consegue pelo menos admitir que há quem tenha essa capacidade? Subjaz ao seu raciocínio a ideologia de que o sexo não pode ser desligado do amor, o que sendo uma teoria válida, não é de todo hegemónica e muito menos uma verdade ipso facto.

      • Sonia diz:

        A Lúcia acha mesmo que toda a mulher/homem faz sexo por amor?
        A Lúcia sente-se no direito de decidir se as mulheres querem ou não fazer sexo por dinheiro porquê?
        Que pergunta parva quando questiona a Inês se ela venderia o corpo por 30€.
        Eu não seria paraquedista e nem por isso proibiria outro de o ser…

        O que tem, é de existir uma fiscalização apertada junto com a legalização da prostituição, Assim como deveria haver em tudo o resto. Agora o que homens e mulheres fazem com o corpo delas é problemas exclusivo dessas pessoas.

        • Lúcia Gomes diz:

          A prostituição não é proibida. Nem nunca defendi a proibição da prostituição.
          Se cada um faz do corpo o que quiser, vamos legalizar a venda de órgãos, não é?

      • Carlos diz:

        10 euros?!

        não és nenhuma top model, mas paga-te mais…

  4. Rocha diz:

    Para o BE e a UMAR a prostituição é a profissão da moda, é a variante da “esquerda moderna” do empreendedorismo. Vamos empreender a abrir as pernas (um objectivo perfeitamente convergente com o capitalismo de regressão social que temos).

    Já o piropo é crime contra a humanidade. Deve legitimar uma no-fly-zone sobre o espaço aéreo de quem ousa proferi-lo.

    Somando as duas lógicas temos dois tipos de mulheres bem distintas, as que se orgulham de serem finas e queques (as virgens ofendidas) e as que devem orgulhar-se de serem pobres e miseráveis (as prostitutas).

  5. Augusto diz:

    Lucia Gomes gostava de saber qual é a posição do seu partido sobre a prostituição, se é que eles têm alguma, ou depende das situações e da audiência….

    • Lúcia Gomes diz:

      basta procurar mas eu ajudo: somos contra a profissionalização da prostituição. E não somos a favor da criminalização das pessoas prostituídas.

  6. EsclarecimentoEsclarecimento número 1.
    O BE não tem propostas sobre a prostituição. Se o BE tem alguns militantes que enquanto activistas de outros movimentos sociais – alguns onde eu já estive embora não defenda esta posição – defendem a regulamentação da prostituição como actividade profissional e isso pode ser enquadrado como proposta do BE, então temos de reavaliar todas as posições de militantes indignadas quando uma reportagem da VICE e centenas de comentários no facebook afirmaram que o QSLT era pasquim do PCP e do BE só porque era conduzido por militantes destes partidos.

    Esclarecimento número 2.
    Infelizmente o BE nunca se mostrou disposto ou disponível para apresentar propostas que visem criar melhores condições e evitar a discriminação de pessoas que se dedicam á prostituição, e perde uma excelente proposta de combate à invisibilidade da exclusão destas mulheres, homens e pessoas trans*. Uma realidade evidentemente desvalorizada na nossa sociedade – até que a direita lá queira ir sanear ou sacar parte do lucro que tiverem a dar.
    Já a CGTP, por não concordar que a prostituição seja trabalho, há dois anos emitiu uma nota de imprensa indicando que não pretendia o grupo de pessoas que se consideram trabalhadores/as sexuais no desfile do 1.º de Maio (uma vez que este grupo estava integrado na parada do Mayday, que se junta normalmente ao desfile da CGTP).

    Esclarecimento número 3.
    E já que se fala em autoritarismos, importa referir que por sua vez o PCP já há duas vezes que tenta criar uma legislação para proibir a publicação das páginas de “convívio” dos classificados dos jornais. E se não me falha a memória chegou inclusive a propor que se criminalizassem os clientes.
    Esclarecimento número 4.
    Já que o assunto da igualdade de género parece ser assumido como relevante para a Esquerda. O PCP votou 5 contra – por 5 anos – a adopção plena de crianças por casais do mesmo sexo e absteve-se na última votação – mesmo quando a proposta era apresentada pelos camaradas de coligação, o PEV. A justificação foi: “Não tivemos tempo para debater internamente o assunto”.
    Nem internamente, nem externamente porque nunca fariam um debate aberto ao público. Ou será que consideram mulheres e homens dois grupos assim tão distintos e que os dois papéis sociais de género são necessários para criar uma criança? É que se for, temos de pensar se também são relevantes para receber piropos.
    Esclarecimento número 5.
    Se comparar piropo com assédio ou com violência é estúpido e merece ser enquadrado sim no regime da estupidez, onde estão todos os piropos machistas que visem objectificar o corpo sem avaliar a receptividade da pessoa que o recebe, ou respeitar a indicação que o piropo seguinte me incomoda. Comparar o debate sobre o piropo ao debate sobre prostituição é no mínimo enquadrado no mesmo grau de estupidez. Assim como confundir a prostituição escolhida livremente como forma de angariação de recursos dentro das alternativas miseráveis, com o tráfico é no mínimo ofensivo das vítimas de proxenetismo.

    Esclarecimento número 6.
    Ter dois pesos e duas medidas para piropo e para prostituição, não é ser igual a Hitler e a Mussolini, mesmo no que se refere a estas medidas.
    E já que estamos numa de piropos, lá vai um:
    “O mesmo é meter dois dedos no cú, cheirar um e cheirar outro – é a mesma coisa”

    • Lúcia Gomes diz:

      Fernando, o BE tem propostas e debates sobre a prostituição. Conhecidos militantes em debates defendem abertamente a profissionalização. A própria Manuela Tavares afirmou ser um trabalho social com as pessoas com deficiência (que aparentemente só podem ter relações sexuais com pessoas prostituídas). Propostas parlamentares não tem mas tem posições públicas, muitas. São elas propostas programáticas. E no Socialismo no ano passado esse tema foi a debate como trabalho,

      Quanto a Mussolini, se leste o texto, a comparação é à legislação emanada por ele. É um facto. Não falta de argumento. É histórico. Muitas das coisas defendidas por dirigentes do BE são as mesmas que Salazar e Mussolini implementaram.

      O PCP sempre apresentou propostas de medidas de apoio a pessoas prostituídas com vista à sua emancipação pessoal e social. E sim, apresentou a proibição dos anúncios nos jornais, como são proibidos na França, na Argentina, em Espanha. É que a angariação de clientes para a prostituição – lenocínio – é crime. E muitos jornais financiam-se em milhões de euros à custa da venda de pessoas que até podem ser vítimas de tráfico doméstico ou internacional. Nunca propôs nem a penalização do cliente nem da pessoa prostituída.

      Sobre as cinco votações de que falas na adopção, não é verdade. Foram duas. E uma abstenção. Mas convém que digas que foi o único partido a apresentar a reprodução medicamente assistida para mulheres sós. E que o PEV foi o primeiro partido a apresentar as uniões de facto para pessoas do mesmo sexo e o PCP votou a favor. E que é graças ao PCP que existe a lei do planeamento familiar, protecção na maternidade e paternidade, presença do pai no parto, assistência a estudantes grávidas, apoio a vítimas de violência doméstica, apoio às associações de mulheres e por aí em diante.

      Querem discutir assédio, muito bem. Mas com seriedade e sem sexismos.

      • Lúcia estou sempre pronto para discutir assédio, ou machismo, aliás é tema que me tem ocupado a vida, quer por questões de identidade, quer por questões académicas, quer por questões laborais opressoras, quer por questões de luta social onde tenho participado.
        Primeiro, nem sabia que a Manuela Tavares era do BE – não sou do partido e como tal nem sempre sei quem é ou quem não é além das pessoas mais óbvias. E não não defendo a profissionalização da profissão, por motivos que já referi há um tempo. Isso não significa que não esteja disposto questionar os meus argumentos e a ouvir os de quem defende o contrário. Mas ainda consigo distinguir o que é proxenetismo, ou angariação de clientes – como fazia no outro dia um rapaz na minha rua, quando me perguntou: “queres coca, queres erva, queres mulheres?”, do que é uma mulher resolve de forma consciente colocar um anúncio no jornal para “conviver por 50 rosas – completo”, ou que diz “estar disposta a cozer butões numa fábrica por 20”.
        Como activista de um colectivo LGBT que tem o tema da prostituição como central, nunca tive conhecimento de qualquer proposta do BE – mas se dizes que as há, acredito, e certamente me pronunciaria.
        Quanto ao papel do PCP na lei da IVG, uniões de facto e saúde sexual e reprodutiva conheço as propostas, mas também conheço as limitações noutros campos que apontei, só para evidenciar que as coisas não são estanques e o Feminismo não é uma linha recta onde tudo seja classe ou tudo seja género – há casos e nem todos tem paralelo.

        De resto a maioria das vezes que existiram eleições o meu voto foi para a CDU – embroa sem pactos de fidelidade, que isso é uma chatisse – , como foi o caso das últimas legislativas, e costumo minimanente estar atento às propostas do PCP e PEV, pois só desse modo posso depois exigir representação pelo voto

        Mas sobre as votações da adopção por casais foram 5 propostas que já estiveram a votação, em 3 momentos diferentes, tendo-se verificado um retrocesso de 2008 para 2010:
        2008 – proposta de casamento/adopção do BE – PCP absteve-se;
        2010 – proposta de casamento/adopção do BE – PCP vota contra;
        2010 – proposta de casamento/adopção do PEV – PCP vota contra;
        2013 – proposta do BE de adopção – PCP absteve-se;
        2013 – proposta do PEV de adopção – PCP absteve-se; (Vota sim a co-adopção proposta pelo PS).

        Lúcia, isto não é pessoal é político. BjS

        • Lúcia Gomes diz:

          Eu sei que é político, por isso mesmo convém que se diga exactamente o que se votou. Não falas sobre as barrigas de aluguer, não falas sobre as votações de outros partidos em todas as propostas do PCP, nem dizes por que é que as propostas do BE são chumbadas nem em que termos e momentos foram apresentadas e discutidas (lembro-me de uma no meio do Código do Trabalho, por exemplo).

          E que os direitos das mulheres andaram para a frente em muitas áreas graças ao PCP e claro, à luta das mulheres, é inegável. Se há muito por fazer? Claro que sim. Se é preciso continuar a lutar? Claro. Mas também é preciso discutir as coisas seriamente para que a lei corresponda ao sentimento das massas.

          O BE não tem propostas legislativas em matéria de prostituição, apenas reflexão produzida e propostas políticas. Que me parecem também não serem propriamente consensuais entre todas as correntes que para ali se degladiam.

  7. Sonia diz:

    Correcção: a 20 ou 30 homens por 10€.

    Agora retiro-me porque existem pessoas que colocam a mão na massa para resolver alguns problemas sociais ao invés de ficarem a mandar bitaites sem referir qualquer solução.

  8. catarina diz:

    Que baixo e basico esta o 5 dias. Foi a discussao pertinente…

  9. Lúcia, e se for a um homem por 300 euros?

  10. José Sequeira diz:

    Lúcia
    Reconheço que ainda posso defender o Salazar numa coisa ou noutra; não se esqueça que está a comparar ditadores que nasceram no século XIX com coisas que se passam nos nossos dias. Provavelmente quase todas as pessoas desse tempo tinham concepções sobre o sexo e o convívio entre sexos, diferentes das actuais.
    Nunca me esqueço de um episódio passado há muitos anos quando, uiiiii, eu era jovem. Havia uma senhora empregada do escritório da firma que usava um daqueles decotes que punham a descoberto um par de boobies de tirar a respiração. Eu, moço de tipografia, quando me calhava ir entregar os boletins de trabalho, para serem registados em fichas, não conseguia retirar os olhos de tão sublime espectáculo. Pois a madama foi fazer queixa ao meu encarregado com a justificação de que o miúdo se portava mal. O dito encarregado respondeu-lhe à sixties: Se não queres que isso aconteça tapa-te.
    Isto vem a propósito do facto de mulheres e homens (pelo menos os que se sentem bem na sua pele) serem diferentes. O aspecto visual conta e também o avanço que, tradicionalmente à esquerda e à direita ainda nos pertence.
    Uma velha amiga do seu partido disse-me uma vez: Estamos tramadas, os homens, agora, com medo da cena do assédio, pensam dez vezes antes de atacarem. Com estas modernices vamos ter de ser nós a pôr-lhes a mão no sítio para perderem o medo.
    Cumprimentos.

    • Lúcia Gomes diz:

      Oh José Sequeira que história mais deliciosa! De verdade!
      Mas a comparação é com a prostituição e com as casas criadas por Salazar (hoje chamadas safe-houses) para que se prostituissem as maiores de 20 anos devidamente matriculadas num registo (hoje na Segurança Social), com o boletim de saúde demonstrando não terem doenças, entregues pelos seus pais ou irmãos.

      Hoje defende-se essa mesma “profissão” que em todos os países onde tal foi tentado, resultou num aumento brutal da prostituição dita ilegal e do tráfico. E não protegeu nenhuma pessoa prostituída.

      Mas gostei muito deste comentário! Obrigada.

  11. José Sequeira diz:

    Ainda me lembro de uma dessas casas que havia na Rua de Santa Marta, 25, em Lisboa. Mas o próprio Salazar acabou com elas em 62. Por motivos diferentes obviamente.

    • Lúcia Gomes diz:

      verdade. proibiu e criminalizou a prostituição (o que não defendo). Mas permitiu que as casas existentes continuassem a existir “transitoriamente”.

  12. Argala diz:

    Contra a parvoíce do BE, a parvoíce da Lúcia.

    ” é uma escolha e deve ser considerada trabalho, e quem achar o contrário é conservador e moralista.”

    A questão não é se “deve ser considerada” ou não. A questão é se é ou ou não trabalho de acordo com a definição marxista. E sim, objectivamente é trabalho, independentemente do que a lei diga sobre isso. Tal como a pesca ilegal de lampreias é objectivamente trabalho e a lei não a considera como tal.

    E sim, a prostituição também é uma escolha, feita num campo de possibilidades muito pequenino e na maior parte dos casos com a compulsão do estômago. Não existem escolhas livres. Eu preferia escolher ser administrador da Mota-Engil em vez de andar a vender coisas pelo telefone; outros prefeririam andar a vender coisas pelo telefone em vez de andar a lavar escadas; outros prefeririam andar a lavar escadas em vez de fazer trabalho sexual.

    Questão diferente é saber se essa forma de trabalho deve ser permitida por lei ou não, e sobre isso convinha que a Lúcia dissesse mais qualquer coisa. É que na base do argumento para proibir a actividade (e não as causas que a originam) parece-me não existir nenhum argumento revolucionário, mas apenas reminiscências reaccionárias e trogloditas. Ainda estou à espera que alguém me convença do contrário.

    Cumprimentos

    • Lúcia Gomes diz:

      Experimente ler o link e talvez consiga não se apressar em julgamentos infundados.

    • Lúcia Gomes diz:

      Se, de acordo com a definição marxista é trabalho, então:
      – qual é o meio de produção?
      – quem é o proprietário dos meios de produção?
      – qual é a mais-valia criada?
      – quem se apropria dessa mais valia?

  13. Argala diz:

    Peço desculpa. Cheguei atrasado à discussão e não reparei que os comentários escondiam muito mais.. então a Lúcia é contra a criminalização, ou seja é a favor da legalidade do trabalho sexual, mas contra a “profissionalização” (?!?!?!).

    E no zénite da parvoíce chegamos ao ponto da questão. O que é a “profissionalização”‘?! Será a legalização dos prostíbulos, isto é, de uma relação directa de exploração entre a matrona da casa (detentora dos meios de fornicação) e a empregada que lhe entrega parte do dinheiro do seu trabalho. Isto é, a Lúcia é contra o trabalho sexual quando este deixa de ser feito por conta própria e passa a ser subordinado.

    Pois eu que também quero que os trabalhadores sexuais, tal como todos os outros, vejam a sua componente salarial o mais valorizada possível, também prefiro que possam exercer a actividade por conta própria, e que hajam condições para o fazer, evitando a exploração dos prostíbulos.

    Afinal tanta palha, e estávamos de acordo.

    Cumprimentos

  14. eu concordo contigo quanto ao piropo e discordo quanto à prostituição, mas discutirei isso contigo noutro local e hora que por hoje já gastei as pilhas para discussões em que já sei que vou ganhar gás e alongar-me. Fica só aqui um desafio para outra altura 😉

  15. Paulo diz:

    Uma pessoa lê certos comentários e não acredita no que lê! Então só porque a maioria dos homens nunca ouve piropos (alegacão em que não acredito, ouvirão muito menos se não forem uns “pães”), a proibicão de os dizer é só para os homens? Estranha noção de direito e de igualdade perante a lei!
    Tratando-se de algo que tanto pode ser feito tanto por homens como por mulheres, se for para proibir (o que acho uma parvoíce), deve ser proíbido para todos, independentemente do sexo do (presumível) ofensor.

    Penso que assaltos feitos na rua, há mais feitos por homens que mulheres – vamos alterar a lei para penalizar apenas os homens ladrões já que as mulheres, coitadinhas, são tao poucas a cometer assaltos? Quem defender isto ou está a brincar com coisas sérias ou é incapaz de perceber os princípios da igualdade e justiça.

    Até tremo de pensar que este tipo de pessoas chegue a posições de poder no governo e/ou no sistema judicial: estaremos todos em apuros!

    Apesar de ateu, sinto-me tentado a dizer ‘deus nos livre!’

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