Como no Iraque, um pretexto montado para a invasão da Síria

É de uma impotência atroz não se poder fazer quase nada para ajudar o povo sírio. De facto, eles têm quase tudo na mão. Os norte-americanos compram mercenários, armas químicas, drones e jornalistas. Mas cabe na cabeça de alguém que o governo de Bashar al-Assad tenha usado bombas químicas precisamente quando está a derrotar os rebeldes, precisamente depois de Obama ter dito que essa era a linha vermelha e precisamente na véspera da chegada de uma delegação da ONU? É esta a montagem ignóbil que se está a fazer quando já se provou que foram os rebeldes que em Maio usaram armas químicas contra a população. Os mesmos que bombardearam o Japão com duas bombas atómicas, que destruíram milhares de vidas no Vietname com o agente laranja, que invadiram o Iraque a pretexto de armas de destruição maciça e que transformaram a Líbia num inferno islamita são os que querem agora içar a bandeira dos Estados Unidos em Damasco. Resta-nos – e não é pouco – a solidariedade internacional.

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34 respostas a Como no Iraque, um pretexto montado para a invasão da Síria

  1. Rocha diz:

    O Exército Árabe Sírio é herói de toda a humanidade.

    • De diz:

      Perfeitamente de acordo., caro Rocha.
      Infelizmente e ao contrário da opinião de outros que menosprezaram o perigo da situação criada, tudo leva a crer que um ataque da horda selvaegm do imperialismo se vai processar.
      Os planos do suposto ataque com armas químicas apesar de barbaramente grosseiros estavam acompanhados da histeria própria adequada às “grandes ocasiões”.
      Saddam, Kadafi, Assad…lembra-se?

      Antes já muito antes outros cenarios com características idênticas.Por exemplo o
      incêndio do Reichstag.
      Eram nazis na altura.Agora são o que são

      • Anonimo diz:

        Perfeitamente de acordo e alinhados com o exercito Sírio? E com o Assad? Realmente a cegueira não tem limites… So falta dizer que os Alawiitas sao uma minoria oprimida alvo de terroristas estrangeiros que procuram destabilizar a Siria… Entretanto o povo que se lixe e que sejam massacrados aos milhares. Este carnificina perdeu qualquer respeito ao virar o seu exercito contra a vontade do seu povo. Quem apoia este tipo de acções só o pode fazer por ignorância total sobre o que se passa na Siria ou por uma cegueira ideológica absurda relativamente ao apoio que Assad deu a luta Palestiniana (convém notar que o Assad tb e’ fundamentalmente contra o Hamas e a irmandade muçulmana)

        • Miguel diz:

          Assad tem o apoio da maioria do seu povo. As últimas sondagens davam-lhe cerca de 70% das intenções de voto. Não se esqueça que há eleições presidenciais na Síria em 2014.

        • De diz:

          De facto a Síria está a ser alvo de extremistas.
          Fascistas islâmicos apoiados pelos países ocidentais:

          Rebeldes sírios decapitam padre
          http://www.passos24horas.net/2013/07/padre-e-decapitado-por-rebeldes-em.html

          quem quiser ver o video está aqui
          http://www.mdzol.com/nota/474726/

          Falta dizer muito mais.
          Vergonhosa a cumplicidade com o fascismo-islâmico.Bem apoiado pelo império e seus apêndices

          • Anonimo diz:

            Interessante como um video de extremistas islâmicos na Síria serve para criticar todo o movimento rebelde e justificar a barbárie do Assad e dos seus assassinos.

            Esquecem-se da origem da revolução Síria e das inúmeras vezes que o regime brutal do Assad massacrou o seu povo.

            Videos como este existem muitos e neste caso não são um grupo de extremistas islâmicos mas sim o suposto exercito de um Estado a utilizar a sua forca aérea para bombardear o seu povo:
            http://www.bbc.co.uk/news/world-23892594

            Embora o movimento rebelde esteja fragmentado e existam claramente criminosos de guerra e terroristas entre os seus flancos, nada disso justifica a opressão sangrenta dos protestos Sírios nem todos os massacres feitos pelo exercito.

  2. Manuel diz:

    Vem aí a hora da verdade para os EUA a Rússia e a China.

    É na Síria que o novo eixo EUA+NATO+Petro Monarquias estão a sentir o pulso à humanidade.
    Do resultado deste conflito e da vitória do povo Sírio dependem as vidas de incontáveis milhões de pessoas num futuro muito próximo.

    A guerra cívil Siria é a guerra civil espanhola do século XXI, ou seja é a faísca que de uma forma ou de outra vai despoletar uma nova guerra mundial.

    Só resta saber se os fascismos iniciam a guerra em posição de força (derrotam o povo sírio e o seu exército), ou de fraqueza (são derrotados pelo povo e exército sírios).

    • djugashvili diz:

      Depende dos estados bananas-Rússia e China-q até agora só teem tido o papel de verbos de encher enquanto a NATO os cerca e, os provoca a toda a força.Depois,um´’revolução’ de qq cor e correm com as elites desses países não alinhadas com o império e,metem os seus lacaios internos.Aqui chegados, é o paraíso para os rotchilds e rockefellers e ICAR….
      Tb há a hipótese do Irão se meter e então os russos com a sua elite preguiçosa abrir os olhos(MILAGRE) e,foder os americanos. Lembremo-nos dos mísseis lançados hà um ano atrás no Mediterrâneo e em Leninegrado…..Iskanders,Bulavkas,etc….
      Com a guerra,talvez os otários de sempre abram os olhos-os trabalhadores e ,deixem de pensar como burgueses.Já estão a apanhar no cu com o capitalismo popular.Agora, a III Guerra Mundial crie a oportunidade de nos ver livre da corja cavaquista e que paguem duma vez por todas os seus crimes contra a humanidade.

      P.S.:A solidariedade mundial é uma treta.Olhe para a TV Grega.Fecharam e abriram um vão de escala.Nunca mais ninguém disse nada. É assim….

    • Francisco diz:

      “A guerra cívil Siria é a guerra civil espanhola do século XXI”

      totalmente errado, na guerra civil espanhola era a liberdade contra o fascismo.

      chiça, era eu que ia para a Síria lutar pelo carniceiro do Assad…

      • Rocha diz:

        Enquanto você chama carniceiro a Al Assad faz se cúmplice dos crimes genocidas do imperialismo dos quais este video é apenas uma pequena amostra (falo das façanhas dos “rebeldes sírios”):
        http://www.presstv.ir/detail/2013/06/28/311232/usbacked-takfiris-behead-priest-in-homs/

        • Anonimo diz:

          Acho incrível ver aqui posições a defender o papel do hezzbolah na guerra da Síria. Se conseguiram alguma coisa foi descredibilizarem-se perante a opinião publica internacional e perante cada vez mais libaneses e sírios que os vêem como uma fonte de instabilidade, guerra e terrorismo. Ainda mais me choca ver posições a defender um governo fantoche do Irão que esta a massacrar indiscriminadamente a sua população aos milhares (independentemente de ter ou não utilizado armas químicas). Relativamente aos EUA, a sua politica foi sempre de ficar de fora porque nunca souberam o que fazer com os Assad (pai e filho). Tentar explicar este conflito como duas partes (ou alianças) em confronto e’ extremamente redutor e de uma desonestidade intelectual gigante. Caso tenham memoria curta, a guerra civil do Líbano teve 17 facções que durante 15 anos fizeram alianças (e subsequentemente quebraram essas alianças) entre todas elas. Convém ter bastante claro que os interesses no Médio-Oriente dos EUA, dos países GCC, da Turquia, do Irão, de Israel, da Palestina, da Arábia Saudita, da Rússia e da China são todos diferentes. Existem pontos comuns e pontos de divergência. Passo a explicar sucintamente (e sem entrar em facções dentro da Síria/ Libano): O Irão apoia o Assad e os países GCC/ Arábia Saudita são contra o Assad. O Assad e’ contra a irmandade muçulmana. Os EUA e a irmandade muçulmana estão contra o General Sisi no Egipto. No entanto os países GCC/ Arábia Saudita são a favor do General Sisi e contra a irmandade muçulmana. O Irão e’ pro-hamas mas o Hamas apoia a irmandade muçulmana. Os EUA apoiam a irmandade muçulmana, no entanto o Hamas e’ contra os EUA. Os países GCC/Arábia Saudita são a favor dos EUA, bem como a Turquia que juntamente com estes e’ contra o Assad. No entanto a Turquia apoia a irmandade muçulmana e e’ contra o General Sisi, enquanto o General Sisi e’ apoiado pelos países GCC/ Arábia-Saudita. Isto só para começar em grandes interesses e linhas ideológicas. Se começarmos a por na equação questões sectárias rapidamente a analise fica exponencialmente mais complexa. Resumindo:
          1) Espero que o Assad caia rapidamente para bem do povo Sírio que merece algo melhor que um ditador sangrento
          2) Concordo que existem bastantes aproveitamentos da situação por diferentes facções (ex: parece-me credível que os ataques do hezzbolah aos salafistas de tripoli não tenha sido feito pelo hezzbollah e tenha sido antes um aproveitamento da opiniao publica contra o hezzbollah: algo que já aconteceu no passado durante a guerra civil do Líbano)
          3) Concordo que a Rússia e China não vão intervir e condeno o abuso do seu direito de veto na UN para protegerem o Assad. Convem dizer que o maior interesse da Russia e’ manter a sua industria de armamento a funcionar e a escoar armas para a Síria e Irão, sendo ainda mais grave que provavelmente o arsenal químico do Assad e’ de origem Russa.
          4) Existem duas wild cards em caso do conflito escalar e transbordar para o Líbano: Israel e Irão. Discordo que o Irão algum dia entre em conflitos abertos no golfo, a sua teia politica, apesar de bastante influenciável pelos ayatollahs, e’ bastante fragmentada e o seu povo nunca apoiaria a loucura de uma guerra regional em solo Iraniano ou no estreito de Ormuz. Israel irá aproveitar-se da situação caso a guerra transborde para o Líbano e/ou o regime do Assad caia, para fazer uma limpeza ao Hezzbolah no sul do Líbano que ira certamente sair muito fragilizado neste cenário.
          5) Tal como na Líbia o papel dos EUA/UE será apenas de campanhas aéreas e nunca irão por tropas no terreno (excepto as especiais e serviços secretos que já la andam). Penso que não irão atacar com a intensidade que o fizeram na Líbia mas se as condições se complicarem isto tem tudo para se arrastar e obrigar a uma campanha mais prolongada no tempo (e em baixas).
          6) Daqui nunca resultara uma terceira guerra mundial (e quem advoga tais coisas deveria passar por cenários de guerra para perceber o tamanho da idiotice que profere), existe uma possibilidade bastante forte de o conflito transbordar para o Libano e consequentemente para Israel e Palestina.

          • Miguel diz:

            «um governo fantoche do Irão que esta a massacrar indiscriminadamente a sua população aos milhares…»

            Em que filme, do canal de Hollywood, é que viu isto?

          • Carlos Carapeto diz:

            Uma pergunta!

            Se Vc não fosse burro que outra espécie animal desejava ser?

            Com aquilo que escreveu provou que é um ignorante daqueles de meter dó.

            Vc está atrasado mais de 100 anos, H. Mackinker há um século já compreendia o valor estratégico daquela região.

          • idinahuy diz:

            Entretanha-se,caro anónimo,pq já não tenho palpos de dedos.O percebe maal e porcamente ou, está a ‘desconversar’.
            http://www.globalresearch.ca/syria-nato-s-next-humanitarian-war/29234

          • Anonimo diz:

            Caro Miguel (e De),

            Não estou de modo algum a argumentar a influencia de terroristas na Síria, nem a defender o papel dos EUA naquela região. Todos concordamos que sempre que os EUA se meterem no Levante foi única e exclusivamente para proteger Israel e os seus interesses no petrolíferos. Aquilo que eu pretendia demonstrar e’ que a situação e’ bem mais complexa na Síria do que simplesmente a velha dicotomia de Eixo Ocidental vs Resto do Mundo. Em primeiro lugar existe uma situação humanitária gravíssima na Síria que foi causada pelo Assad e pelo seu exercito. Esta guerra tem todos os ingredientes para se arrastar no tempo e no sofrimento do povo Sírio. No entanto, só porque estamos na véspera de um ataque da NATO (de consequências imprevisíveis) não podemos branquear a brutalidade do regime do Assad e o facto de a MAIORIA do seu povo querer que ele abdique do poder. Citar sondagens que dão a maioria a um ditador de 70% e’ querer que eu passe a acreditar no Pai Natal. O dito Assad virou o exercito contra a sua população e esta a dizimar o pais quando a contestação ao regime começou de um modo democrático e perfeitamente legitimo. Convém ter a origem do conflito bem clara nas nossas mentes:

            (http://en.wikipedia.org/wiki/Syrian_civil_war#Beginnings_of_protests) “The government responded to the protests with large arrests, torture of prisoners, police brutality, censorship of events, and some concessions. However, the protests continued to grow. In late-April, Assad began launching large-scale military operations against restive towns and cities. The operations involved the use of tanks, infantry carriers, and artillery, leading to a large number of civilian deaths.” “However, in response to the use of lethal force against unarmed protesters, many soldiers and low-level officers began to desert from the Syrian Army. Many soldiers who refused to open fire against civilians were summarily executed by the army”

            Entretanto o pais entrou em guerra civil e no meio da desordem começaram a fluir fundamentalistas islâmicos e inúmeras facções que procuram ganhar influencia na Siria. Quanto a questão de se estão a matar indiscriminadamente pessoas por favor consultem os relatórios da UN, UNICEF e SOHR sobre o conflito e tirem as vossas conclusões. Concluindo: estar contra uma intervenção da NATO na Siria não significa ser Pro-Assad e continuo chocado por ver pessoas neste forum a defender a tirania dos Assad e do partido Ba’ath que esta no poder desde 1963. Onde uma minoria Alawita controla todo o poder económico do pais e suprime qualquer oposição politica através de tortura e prisão.

        • O rocha é panão diz:

          tire as palas, ó rocha. os rebeldes fazem isso e o carniceiro do assad faz igual. é tudo farinha do mesmo saco.

          • Rocha diz:

            Não há barbárie que não gere resistência. E a resistência neste momento dos povos sírio e libanês (que como já comentei noutro post são agredidos em simultâneo) está a ser liderada por Bashar Al Assad goste-se ou não da sua governação e da sua linha política.

            Durante décadas de governo de Bashar e do seu pai Hafez foi possível a convivência pacífica entre comunidades étnicas e religiosas tão diferentes como árabes e kurdos, sunitas e xiitas, islâmicos e cristãos, arménios, turcos, católicos, ortodoxos e druzos entre outros.

            Desde que chegaram as hordas dos “rebeldes sírios” cinicamente mascarados de “oposição democrática” não há dia em que não se cortem cabeças, sequestrem civis e jornalistas, violem mulheres e matem crianças entre outras atrocidades em nome da criação de emirados dentro da Síria e em nome de ajustar contas com o “regime” de Al Assad com a cumplicidade activa inclusive de Israel que já bombardeou várias vezes a Síria durante o conflicto. O Exército Árabe Sírio sob a liderança de Al Assad é grande frente de resistência a esta barbárie.

        • Anonimo diz:

          Interessante como um video de extremistas islâmicos na Síria serve para criticar todo o movimento rebelde e justificar a barbárie do Assad e dos seus assassinos.

          Esquecem-se da origem da revolução Síria e das inúmeras vezes que o regime brutal do Assad massacrou o seu povo.

          Videos como este existem muitos e neste caso não são um grupo de extremistas islâmicos mas sim o suposto exercito de um Estado a utilizar a sua forca aérea para bombardear o seu povo:
          http://www.bbc.co.uk/news/world-23892594

          Embora o movimento rebelde esteja fragmentado e existam claramente criminosos de guerra e terroristas entre os seus flancos, nada disso justifica a opressão sangrenta dos protestos Sírios nem todos os massacres feitos pelo exercito.

      • Manuel diz:

        Precisamente, caro Francisco.
        Na guerra cível espanhola era o imperialismo, o fascismo e o católico-fascismo contra os progressistas, na guerra cívil Síria é a dignidade laicidade e soberania dos povos contra o imperialismo e neo-fascismo ocidental e o islamo-fascismo medio-oriental.

        Qual é o lado mais progressista na Síria, o povo+ forças armadas + governo (apesar de todos os seus defeitos) ou os islamo-fascistas psicopatas e cortadores de cabeças, pagos pela medieval Arábia Saudita e coordenados pela NATO????

        Os Humpty-Dumpties como o Francisco não passam de farsantes. Estão sempre em cima do muro para ver qual dos lados vence e depois juntar-se a ele, de (vossa) preferência o lado imperial.

    • Miguel diz:

      Ainda é cedo para tecer este tipo de considerações. No entanto, o padroeiro dos Sírios é nem mais nem menos que São Jorge, santo que matou o dragão (que poderá significar o império americano). A minha única pergunta é a seguinte: Qual o padroeiro dos americanos? O Rato Mickey?

  3. Argala diz:

    Chegou a prova de fogo para a aliança a que se convencionou chamar Mihwar al-Muqawama (Eixo da Resistência). O Exército Árabe da Síria tinha acabado de limpar toda a província de Homs, várias zonas à saída de Damasco, conseguiu derrotar uma ofensiva em Latakia e as notícias que tenho vindo a receber de Aleppo são bastante animadoras, com as linhas de comunicação do inimigo cortadas. Desde que os bravos soldados do Hezbollah foram ajudar a limpar toda a zona do Qusayer que o Exército ia de vitória em vitória. E isto mostra que os EUA tinham a vaga esperança de conseguir derrubar o estado com este tipo de guerra.

    Recebo a triste notícia de que algumas embaixadas europeias e da américa latina começaram a montar planos de evacuação de resistentes e turistas no Líbano. Tal é o impacto que a desestabilização da Síria terá neste país.

    Agora com a Síria na mó de cima, os meninos passam ao plano B. Dar de comer aos patos com uma inventona de armas químicase e passar à guerra convencional.

    As grandes dúvidas são:

    1. Saber que força tem o Exército Árabe da Síria para responder. Qual o alcance dos mísseis que poderão levar armas químicas e saber se haverá tomates para carregar no botão. Se os sistemas S300 recentemente montados serão suficientes para impedir raids aéreos.

    2. De que forma responderão a Rússia, a China e o Irão. Arrisco uma opinião: a Rússia e a China não farão porra nenhuma.
    Já o Irão poderá fazer a opção inteligente de antecipar a guerra que sabe que vai ter de travar com a NATO e as suas colónias árabes. Nesse caso seria uma guerra regional com duas frentes, uma no golfo e outra no mediterrâneo. Combateria com as forças da NATO divididas em duas frentes, o que torna a manobra mais fácil. O Irão tem poder para simplesmente afundar a 5.ª Esquadra e bombardear todas as refinarias e poços petrolíferos na zona e ainda fechar Hormuz.

    Quando à solidaridade internacional, aparentemente o que nos resta, significa exactamente o quê?! Fazer vigílias?
    Solidariedade internacional foi o que fizeram os soldados do Hezbollah que abandonaram a sua vida videirinha para ir arriscar a pele. Solidariedade internacional não é acto de impotência. Para aqueles que não podem ir para a Síria combater os proxies da NATO, solidariedade internacional é transformar a guerra imperialista em guerra civil e levar o terror à casa daqueles que vêem na guerra imperialista uma saída para a crise capitalista.

    • Anonimo diz:

      Acho incrível ver aqui posições a defender o papel do hezzbolah na guerra da Síria. Se conseguiram alguma coisa foi descredibilizarem-se perante a opinião publica internacional e perante cada vez mais libaneses e sírios que os vêem como uma fonte de instabilidade, guerra e terrorismo. Ainda mais me choca ver posições a defender um governo fantoche do Irão que esta a massacrar indiscriminadamente a sua população aos milhares (independentemente de ter ou não utilizado armas químicas). Relativamente aos EUA, a sua politica foi sempre de ficar de fora porque nunca souberam o que fazer com os Assad (pai e filho). Tentar explicar este conflito como duas partes (ou alianças) em confronto e’ extremamente redutor e de uma desonestidade intelectual gigante. Caso tenham memoria curta, a guerra civil do Líbano teve 17 facções que durante 15 anos fizeram alianças (e subsequentemente quebraram essas alianças) entre todas elas. Convém ter bastante claro que os interesses no Médio-Oriente dos EUA, dos países GCC, da Turquia, do Irão, de Israel, da Palestina, da Arábia Saudita, da Rússia e da China são todos diferentes. Existem pontos comuns e pontos de divergência. Passo a explicar sucintamente (e sem entrar em facções dentro da Síria/ Libano): O Irão apoia o Assad e os países GCC/ Arábia Saudita são contra o Assad. O Assad e’ contra a irmandade muçulmana. Os EUA e a irmandade muçulmana estão contra o General Sisi no Egipto. No entanto os países GCC/ Arábia Saudita são a favor do General Sisi e contra a irmandade muçulmana. O Irão e’ pro-hamas mas o Hamas apoia a irmandade muçulmana. Os EUA apoiam a irmandade muçulmana, no entanto o Hamas e’ contra os EUA. Os países GCC/Arábia Saudita são a favor dos EUA, bem como a Turquia que juntamente com estes e’ contra o Assad. No entanto a Turquia apoia a irmandade muçulmana e e’ contra o General Sisi, enquanto o General Sisi e’ apoiado pelos países GCC/ Arábia-Saudita. Isto só para começar em grandes interesses e linhas ideológicas. Se começarmos a por na equação questões sectárias rapidamente a analise fica exponencialmente mais complexa. Resumindo:
      1) Espero que o Assad caia rapidamente para bem do povo Sírio que merece algo melhor que um ditador sangrento
      2) Concordo que existem bastantes aproveitamentos da situação por diferentes facções (ex: parece-me credível que os ataques do hezzbolah aos salafistas de tripoli não tenha sido feito pelo hezzbollah e tenha sido antes um aproveitamento da opiniao publica contra o hezzbollah: algo que já aconteceu no passado durante a guerra civil do Líbano)
      3) Concordo que a Rússia e China não vão intervir e condeno o abuso do seu direito de veto na UN para protegerem o Assad. Convem dizer que o maior interesse da Russia e’ manter a sua industria de armamento a funcionar e a escoar armas para a Síria e Irão, sendo ainda mais grave que provavelmente o arsenal químico do Assad e’ de origem Russa.
      4) Existem duas wild cards em caso do conflito escalar e transbordar para o Líbano: Israel e Irão. Discordo que o Irão algum dia entre em conflitos abertos no golfo, a sua teia politica, apesar de bastante influenciável pelos ayatollahs, e’ bastante fragmentada e o seu povo nunca apoiaria a loucura de uma guerra regional em solo Iraniano ou no estreito de Ormuz. Israel irá aproveitar-se da situação caso a guerra transborde para o Líbano e/ou o regime do Assad caia, para fazer uma limpeza ao Hezzbolah no sul do Líbano que ira certamente sair muito fragilizado neste cenário.
      5) Tal como na Líbia o papel dos EUA/UE será apenas de campanhas aéreas e nunca irão por tropas no terreno (excepto as especiais e serviços secretos que já la andam). Penso que não irão atacar com a intensidade que o fizeram na Líbia mas se as condições se complicarem isto tem tudo para se arrastar e obrigar a uma campanha mais prolongada no tempo (e em baixas).
      6) Daqui nunca resultara uma terceira guerra mundial (e quem advoga tais coisas deveria passar por cenários de guerra para perceber o tamanho da idiotice que profere), existe uma possibilidade bastante forte de o conflito transbordar para o Libano e consequentemente para Israel e Palestina.

      • Argala diz:

        O caro anónimo está a embrulhar a discussão de forma a esconder a existência de um Império e de uma guerra imperialista. Esconder a existência de um centro de poder que se quer expandir na zona. E para o fazer afirma que a escalada é o resultado de contradicções entre uma multitude de forças independentes que se digladiam na zona. Não é assim. Há uns que mandam e outros que obedecem. Há uma hierarquia de poder nas relações internacionais. Os países do GCC não tomam nenhuma decisão importante e estratégica na zona sem a autorização da NATO, isto é, dos EUA.

        Agora por partes:

        “descredibilizarem-se perante a opinião publica internacional”

        Isto é, a hegemonia mediática do imperialismo. Nenhum problema quanto a isto. Por exemplo, a entrada do “braço armado do Hezbollah” (sic) para a lista negra da UE é, na minha opinião, uma medalha de honra que os deputados do Hezbollah no parlamento devem usar ao peito.

        “e perante cada vez mais libaneses e sírios”

        Não é verdade. O hezbollah só perdeu apoio junto dos sectores sunitas mais sectários. E ganhou apoio na sociedade síria. Quem na Síria nunca tinha percebido porque razão andou o Estado Sírio a financiar e a armar o Hezbollah estes anos todos, agora fica com uma ideia mais clara.

        O Hezbollah está hoje no governo e goza do apoio de uma larga parte da comunidade cristã ortodoxa e maronita (com a excepção dos falangistas que não querem alianças tácticas para o futuro), coisa que não acontecia no passado. Por exemplo, houve uma manifestação marcada em Beirute na Praça dos Mártires contra o envolvimento do Hezbollah na guerra, quantas pessoas apareceram? Meia dúzia de gatos pingados. Se houvesse um clamor na sociedade libanesa contra a participação do Hezbollah na guerra, a praça estaria cheia.

        Estes grupos jihadistas de chechenos, afegãos, sauditas e quejandos, preparam-se para fazer a sua Jihad fi sabil USA” em solo libanês assim que derrotarem a Síria, e as pessoas percebem isso.

        “que os vêem como uma fonte de instabilidade, guerra e terrorismo.”

        Como expliquei, é exactamente ao contrário. Se cai a Síria, os takfiris têm caminho livre para se expandir para o Líbano. E os diversos grupos não escondem que é esse o seu objectivo.

        “Ainda mais me choca ver posições a defender um governo fantoche do Irão que esta a massacrar indiscriminadamente a sua população aos milhares”

        O meu problema não é se a Síria é um client-state do Irão ou da Rússia. É exactamente por isso que digo que nas relações internacionais, uns mandam e outros obedecem.
        Indiscriminadamente? Não. Arrume lá o discurso panfletário e discuta como gente crescida. O Exército Árabe da Síria está a combater grupos armados pela NATO e GCC que são treinados na Turquia (membro da NATO) e Jordânia e entram para combater o Exército. E sim, o Exército tem vindo a massacrar esses grupos, o que é perfeitamente normal. Numa guerra mata-se o inimigo.
        Quem tem por hábito matar civis, e normalmente por motivos religiosos, são os rebeldes. Exemplo: comunidade cristã em Aleppo. Sabe que em Aleppo, a maioria da população escolhe viver atrás das linhas do Exército? Sabe que em Aleppo os rebeldes já estão a fazer tribunais islâmicos nas zonas que controlam, onde aplicam castigos corporais?

        “Relativamente aos EUA, a sua politica foi sempre de ficar de fora porque nunca souberam o que fazer com os Assad (pai e filho).”

        Tangas. Ainda mais abaixo admite que há forças especiais no terreno, o que é verdade. Os EUA não souberam o que fazer com o Hafiz e o Bashar? O que é que isso quer dizer?

        “Caso tenham memoria curta, a guerra civil do Líbano teve 17 facções que durante 15 anos fizeram alianças (e subsequentemente quebraram essas alianças) entre todas elas.”

        Sim, mas na base dessas alianças estava o quê? Setembro Negro, a indecisão do Líbano face ao conflito na Palestina, e face ao bloco geopolítico onde se queria inserir. E é exactamente a mesma indecisão que está na base das alianças hoje no Líbano:
        – 14 de Março, alinhado com NATO/GCC;
        – 8 de Março, alinhado com a Síria, Irão e Rússia.

        “Os EUA e a irmandade muçulmana estão contra o General Sisi no Egipto.”

        Não é verdade. Os EUA não estão contra o General Sisi, embora ele gere problemas nas restantes alianças que os EUA entretanto fizeram. É um equilíbrio que vai ter de ser feito. O EUA vão continuar a pagar ao Exército ou não? O algodão não engana.

        “O Irão e’ pro-hamas”

        Sem comentários. Já está dois anos atrasado em relação aos factos.

        “Os países GCC/Arábia Saudita são a favor dos EUA, bem como a Turquia que juntamente com estes e’ contra o Assad.”

        Não “são a favor”. São client-states americanos. Os EUA mandam, e eles obedecem.

        “existe uma possibilidade bastante forte de o conflito transbordar para o Libano e onsequentemente para Israel e Palestina.”

        Já tentaram que transborde. Pagaram alguns milhões de dólares ao sheikh Al-Assir para abrir uma frente em Saida e mataram 16 soldados libaneses. Rebentaram carros-bomba em Dahiyeh duas vezes e agora foram a Tripoli inventar a resposta, de forma a que parecesse que era a comunidade xiita a responder aos ataques de que tinha sido vítima.

      • Argala diz:

        P.S. O Hezbollah não foi a primeira força libanesa a entrar na guerra síria. A primeira força foi a Al-Jama’ah Al-Islamiyah, a Irmandade Muçulmana do Líbano. ‎

      • djugashvili diz:

        Estou siderado pela sua profunda sabedoria e a sua lógica,caro anónimo.
        Não acha estranho q as monarquias feudais,corruptas e vassalas dos EUA apoiem a democracia?Não,não acha estranho,assim como não acha estranho a destruição da documentação sobre as negociatas dos SWAP’s e,que a ‘querida’ deveria ser presa por ter feito negócios ruinosos para o Erário Público e,claro,VANTAJOSOS para os banksters….

        Como não tou com ‘saliva’ pARA refutar as suas tretas ,tome lá,se é q sabe ler a língua do Império
        http://www.globalresearch.ca/syria-another-western-war-crime-in-the-making/5347038
        http://www.globalresearch.ca/terrorism-with-a-human-face-the-history-of-americas-death-squads/5317564

        Talvez seja esta o ‘timing’ para o urso mostrar as suas garras(apesar de ser um estado burguês) e, meu caro , com estes não só teem kalashnikovs. Penso q estamos À beira de algo bem diferente que nem o espectaculo do futebol fará esquecer….

        P.S.:Um abraço para o seu amigo assassino de velhinhas(como vê,essa sua gente, é grande!)

      • imbondeiro diz:

        Os EUA nunca souberam o que fazer com Assad? A sério?!!! Mas olhe, eu sei, tal como muita gente sabe, o que os EUA souberam fazer com AS PRISÕES do Assad: elas foram-lhes de grande serventia na sua “guerra contra o terror”. Então, o Bashar Al-Assad não era tirano, pois não? Tal como o seu pai tirano não foi quando mandou tropas suas incorporarem-se na coligação anti-Saddam na Primeira Guerra do Golfo, não é?
        E, já agora, a talho de foice, tenha a bondade de me elucidar uma duvidazinha que não deixa de voltear na minha cabeça: se o interesse da Rússia é o de vender armas na região, qual a razão dela ter dado um rotundo “não” à avultadíssima encomenda de material bélico que a Arábia Saudita lhe apresentou em troca de deixar cair Assad? O envolvimento da Rússia na questão tem as suas raízes em algo bastante diverso: de Damasco a Grozny, em linha recta, distam uns míseros 900 km. E tanto a Rússia como a RPC sabem perfeitamente que o que está aqui em causa é o domíno de todo o Oriente e das suas riquezas naturais no “hinterland” que vai da costa mediterrânica às fronteiras do Império do Meio. O resto, o carnaval de lagrimazinha humanitária ao canto do olho, não passa de conversa da treta para adormecer os débeis mentais que constituem o grosso das alienadas opiniões públicas ocidentais.

      • Miguel diz:

        Parabéns pelo aturado estudo de material obsoleto que existe nos jornais “Público” e “DN”. Apenas se esqueceu de dizer que os E.U.A. apoiaram o golpe de estado no Egipto que depôs Morsi. Este golpe correu bastante mal, o que levou os E.U.A. a adoptar uma posição neutral.
        Quem é que lhe disse que a Rússia não vai intervir? Depois o termo “escoar armas” é um tanto ou quanto exagerado. Afinal, sempre se esqueceu que o líder mundial, em armas e em apoios de armamento (até a terroristas, como o caso da Al-Qaeda na Síria) são os E.U.A.

  4. imbondeiro diz:

    Palavras para quê? Está bem à vista de quem os quiser ver quais os autores e os objectivos da inventona síria. Não tarda, veremos as emocionadas carpideiras das pobres gaseadas criancinhas sírias soltarem emocionadas hossanas congrtulatórias dos protectores tapetes de bombas que salvarão da barbárie de Assad homens, mulheres e crianças. Tal como, nos idos de 90, a intervenção da NATO salvou das maléficas garras de Milosevic 1400 sérvios ( mortos à bomba, foram direitinhos para o Céu, estou certo) e melhoraram substancialmente a vida de 4700 outros estropiados por rosas salvíficas caídas do céu. Não há limite para a estupidez? Não há barreiras para esta bárbara e cínica psicopatia que tomou conta do Ocidente? Depois do Afeganistão e do Iraque, depois da Líbia e do Egipto, que mais espera esta gente da destruição de populações e de países inteiros? Que espera esta gente ao atear fogos na casa do vizinho? Espera que a sua própria casa não arda? Pagaremos, num futuro muito próximo, estou ( infelizmente ) certo disso, todas estas imbecilidades destes aventureiros assassinos. E paga-las-emos muito caro.

  5. MoD diz:

    Os EUA não vão intervir. Eles sabem que uma intervenção seria suicida. A Síria adquiriu uma série de sistemas de defesa aérea e costeira que tornariam o custo que qualquer ataque proibitivo. Além disso, a Síria possui mísseis balísticos e bombardeiros capazes de atacar os activos militares inimigos na região. O Hezbollah também tem arsenal enorme de mísseis que pode usar para degradar a capacidade militar de Israel. Não é concerteza com os lentos mísseis Tomahawk que os EUA vão conseguir atingir a Síria. Esse tipo de míssil é subsónico e pode ser facilmente interceptado pela Síria. Aliás, o sistema Buk M2, S-300PMU2 e S-300VM (a Síria possui os 3) são capazes até de interceptar mísseis balísticos. Os EUA que desistam porque ameaças vazias não valem nada.

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