A quantas virgens tem direito o bom capitalista depois da sua morte?

Segundo informações publicadas António Borges morreu ontem de cancro no pâncreas. Do Presidente da República publica-se um comunicado sobre um dos “economistas mais brilhantes da sua geração” – da “sua geração” porque até mesmo considerando os seus mais destacados apoiantes, para Cavaco, “de Portugal” só mesmo o próprio e, talvez, o professor de Santa Comba Dão a quem declarou fidelidade – tornando ainda mais ensurdecedor o seu silêncio perante os verdadeiros heróis que combatem pelo país – como o Bruno aqui salienta.
De aparição pública em aparição pública a figura de Borges ia-se degradando fisicamente e seria de enaltecer se, como tanto outros, Borges tivesse usado a sua exposição pública para alertar o país e o mundo para uma doença que continua sem cura. Mas não, Borges continuou abnegadamente a vender o país a retalho.
Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa procurou reconstruir a sua imagem como a de um homem fantástico que, mesmo na sua última semana de vida, tinha continuado a trabalhar viajando não sei para onde. Para um homem que deixa uma família, uns quantos filhos e que, certamente, não os deixa em dificuldades financeiras isso não me parece algo que abone em seu favor.
O que motivará quem quer que seja, perante uma doença terminal e com uma vida financeira assegurada para si e para os seus, a continuar até ao último dia a vender a retalho o país que o viu nascer? Só mesmo uma fé irracional, egoísmo, desprezo pela democracia e um certo ódio aos mais pobres mascarado de bons conselhos.

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12 respostas a A quantas virgens tem direito o bom capitalista depois da sua morte?

  1. «I'm so, so sorry» diz:

    Eu andava a contar os dias para ele se ir embora… já há muito tempo. Borges teve tratamentos que seguramente o ajudaram a sobreviver mais uns tempos – o que me parece correcto – para deixar planos de acção que, posso-me enganar, não tardarão a ser postos em práctica pelos mesmos que lhe fizeram o «louvor» póstumo, mas duvido mesmo que me engane.

    Que idade é que tem Cavaco? Já não deve ficar cá por muitos anos…parece-me que tem «medo» de se ir embora … adorava que fosse já … e mais uns quantos… e com sua estirpe viral mortal: parecem «big bugs». Gostam de matar…

    P.S. Paulo Macedo (Ministro da Saúde) também devia «bazar». A minha amiga com cancro (terminal) depois das ordens de Macedo passou do Pulido Valente para Santa Maria (está com o Prof. Luís Costa) onde é muito tem tratada. Já nem quase consegue andar, era uma doente prioritária, passou a doente normal. No Pulido costumava esperar 2h pelo tratamento sentada. Agora, em Sta Maria passou a ter de esperar pelo tratamento mais ou menos 8 horas. E espera muitas vezes em pé ou sentada onde consegue arranjar um espacinho…

  2. Antónimo diz:

    O DN fechou a caixa dos comentários – que tem sempre teimado em manter aberta – para a morte de António Borges. Ia em 735 comentários quase todos arrasadores para o amigo do Martelo Rebêlo de Souza.

    • JgMenos diz:

      735?
      Número insignificante para o número de bestas que andam por aí!

      • Antónimo diz:

        Insignificante que 735 leitores online de um jornal se dêem ao trabalho de escrever? Deve preferir as duas centenas de milhar de Likes – mais simples de dar – à notícia do diário económico.

      • De diz:

        Bestas?
        Número de bestas?
        A que propósito Menos se arroga o direito de chamar bestas desta forma tipica e acanalhada?
        O cheiro fétido é o do defunto ou de quem chama bestas aos demais?

    • Perdão enganou-se Marcelo Caetano.

  3. JgMenos diz:

    Ultrapassa a sua compreensão que Borges tenha levado um vida normal quando se sabia perto da morte!
    A exposição pública da sua angústia, o clamar pelo investimento a favor do avanço da ciência, seria muito conforme com a atitude do coitadinho/reclamante que faz o figurino da esquerda.
    Provou ser homem de outra fibra, o que só o honra e por isso aqui lhe presto homenagem.

    • De diz:

      Qual exposição pública qual carapuça.
      Qual vida normal ,qual quê
      Um neoliberal do gang, um mafioso que ganha 225 mil euros livres de impostos com uma vida normal?

      “Quantas pessoas, pobres, idosas, crianças, desempregadas, falidas e outras não passaram e passam fome e não morreram e morrem precocemente e levaram e levam uma vida de sofrimento e infeliz, porque culpa de pessoas como António Borges, pessoas egoístas e aldrabões e ladrões políticos, económicos, fiscais e financeiros?”
      Manuel Ribeiro

      “Não lhe sinto raiva pela forma como morreu, mas desprezo o que defendeu em vida. Porque foram homens como ele e são homens como ele que ditam que homens, mulheres e crianças passem o que o meu pai passou para morrer. E ninguém merece estas mortes lenta”
      Lúcia Gomes

      A hipoocrisia reinante a correr e a choramingar por um dos terroristas sociais que governam este país?

      “Que lhe pese a terra? Não, não acredito em nada depois da morte. Preferia que lhe pesassem as suas ideias durante a vida. Principalmente nos dias e meses antes da morte”
      Lucia Gomes

    • Levou uma vida normal? Levou a vida de um pide, onde se ia escondendo por portas e travessas, e quando era preciso ajudava o mais possível a roubar o povo e a matar mais não sei quantas pessoas com as suas decisões e os seus roubos.

  4. O gajo ajudou a matar muita gente, e portanto é um homem execrável, era um filho de Hitler. Um nazi.

  5. Não há cura para o cancro? Pois, porque não querem que haja.

    • m. diz:

      Aí está uma observação correcta. A minha amiga com cancro terminal, já me falou nisso. O que ela me disse – é uma pessoa espertíssima – foi que com tantos tratamentos que há para o cancro não acredita que não haja já uma cura. Ela no entanto anda muitíssimo bem tratada por um dos excelentes hospitais públicos de Portugal, mas está a ser objecto de experiências: o médico de uma forma elegantíssima pediu-lhe licença; é que, de acordo com as estatísticas, ela já não devia estar viva.

      São estes hospitais que a cambada de Borges quer destruir: ele já morreu, felizmente.

      Morram eles os outros todos também. Não irei certamente penar, chorar por essas gentes. Não costumava pensar desta maneira, mas pelo que se anda a passar, decidi que era a única maneira de pensar.

      Custou-me bastante ao princípio mudar de atitutde, mas agora já não há nada a fazer. «Too bad»

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