E por que não podia deixar de dizer

Quem afirma que as organizações dos trabalhadores falharam, acusando-as da responsabilidade da baixa taxa de sindicalização, deveria estudar bem o Código do Trabalho e a ofensiva anti-sindical em curso desde 2007.

E quem diz que os precários não estão sindicalizados, talvez devesse estudar melhor os sindicatos. E dou só três nomes: CENA, STE e SINTAF. Este último acabou de integrar duas sócias – precárias – nos quadros do BES. Só assim para dar um exemplo de Julho.

Todos da CGTP, claro.

Isto de se falar no abstracto, tem muito que se lhe diga.

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35 respostas a E por que não podia deixar de dizer

  1. Não vejo onde está aqui a abstracção. Pode-se partilhar os argumentos da Raquel ou não (não o faço em bloco mas subscrevo parte essencial), mas na qualidade de alguém que vive unica e exclusivamente do seu trabalho e encara desse ponto de vista o funcionamento dos sindicatos, a avaliação que faço das suas orientações e formas de luta e de organização é que efectivamente contribuíram para que chegássemos onde estamos.
    Tu falas do código laboral de 2007 para explicar a ofensiva anti-sindical em curso, mas é precisamente a capacidade de combater e travar ofensivas anti-sindicais que tem de estar no centro da nossa análise à actuação dos sindicatos. Ou os sindicatos funcionam extremamente bem, menos quando se trata de defender as condições da sua própria existência?
    Os nomes que tu dás e o número que apresentas como evidência de que as coisas não estão assim tão más são, desculpa que te diga, uma gota de água num oceano e não vejo como possam ser convocados para este debate senão num quadro, esse sim, de gigantesca abstracção.
    A precariedade derrotou o movimento sindical, que se apercebeu tarde (imperdoavelmente tarde) demais da dimensão e alcance do fenómeno. É verdade que a luta continua, mas continua fora do movimento sindical tal como ele efectivamente existe: sexagenário, à beira da reforma e ausente da maioria dos locais de trabalho.
    Algumas excepções não desfazem este quadro geral e argumentar a partir deste quadro geral não é «falar em abstracto».
    Seria desejável que se conseguisse debater este tema sem acusações gratuitas recíprocas. Quando digo que o movimento sindical foi derrotado não tiro daí nenhuma satisfação particular. Não se tratou de uma «traição» ou de um intuito deliberado, de falta de coragem ou empenho. Não estamos a discutir moral, mas política e estratégia. Ninguém tem uma solução mágica para resolver isto, mas não se resolve isto enquanto não concordarmos que há algo a resolver.

    • Lúcia Gomes diz:

      Absolutamente de acordo, há que debater. Mas a acusação gratuita de cima de uma cátedra não ajuda à solução nem em abstracto, nem em concreto. Estes três sindicatos já conseguiram fazer mais pelos trabalhadores precários do que posts em que se exibem entrevistas. Ou “estudos” sobre o tema.
      E porquê? Porque, precisamente, estão nos locais de trabalho.
      Como quando se consegue integrar alguém de um call center.
      E estes passos não são de mágica.
      E falo de experiência própria: convencer o trabalhador a sindicalizar-se (a precariedade do seu vínculo, por via do que permite a lei, que é tudo) não é fácil e não é culpa subsumível à organização dos trabalhadores mas à consciência de classe, que precisa bem mais do que o trabalho dos sindicatos.
      Segue-se a vontade de agir judicialmente contra o patrão, o que normalmente só acontece depois de um despedimento.
      A que se segue a morosidade judicial, os processos demoram em média três anos e as custas são suportadas pelos sindicatos (coisa que normalmente as varelas deste mundo se esquecem de dizer).
      Seguem-se os grandes escritórios de advogados contra os sindicatos e os juízes e o seu preconceito de classe.
      Seguem-se muitas sentenças injustas e mais um calvário para o trabalhador recorrer da decisão.

      Evidentemente isto já é a fase final.
      Se é justa a crítica de que os sindicatos chegaram tarde ao combate à precariedade? Sim. Mas não é justo dizer que o combate falhou por sua responsabilidade quando esta está no centro da sua acção.
      O SINTAF, o CENA, o STE não são pedras no charco. São parte de uma orientação geral que traçou o combate à precariedade como linha principal. Foi a CGTP quem propôs há anos a criminalização do recurso à precariedade. É a CGTP que faz marchas nacionais contra a precariedade procurando sensibilizar os trabalhadores. É a CGTP que na sua luta diária nos locais de trabalho a combate. A ACT falha e o governo promove-a.
      Dizer que a culpa é das organizações dos trabalhadores é dizer que a culpa é dos próprios trabalhadores. E servir-se das suas estruturas, no caso o SEP, para o fazer.
      É, portanto, um argumento que ninguém que defenda a luta dos trabalhadores pode subscrever. Ou alguém que nela esteja activamente. Talvez assim se encontrem soluções, lá, onde a luta de classes acontece todos os dias.

      • José Sequeira diz:

        Lúcia
        Infelizmente a precariedade é o futuro. Ela existe em todos os países da Europa. Quem conhece ou já trabalhou noutros países sabe bem isso. A contrapartida são os salários mais elevados (se bem que o nosso custo de vida é mais barato em várias coisas). Ao contrário da generalidade dos sindicalistas que não trabalham (nas suas profissões) há dezenas de anos, eu trabalho há 47 anos, mais de dois terços deles como precário independente. Sou já um “velho trabalhador” que gosta de ouvir os jovens, na sua esmagadora maioria precários, recibos verdes e contratados por empresas de body shopping; como eles sabem que não é possível haver emprego certo, apenas desejam que a precariedade apanhe todos. Conheço casos de pessoas que ficaram com salários por pagar e indemnizações por receber e, quando precisaram do Sindicato, neste caso do CESP, a primeira coisa que lhes foi exigido foi uma percentagem significativa do que viessem a receber, isto apesar de serem sindicalizados há mais de 40 anos, sempre com as quotas em dia. Uma vergonha.

        • Lúcia Gomes diz:

          Salários mais elevados a troca de precariedade é algo, de facto novo.
          É que em Portugal, desde 97 que mais de 70% dos contratados são precários e não consta que os salários tenham subido, pelo contrário. Sobem, sim, os impostos e as contribuições para a Segurança Social em situações de vínculos laborais absolutamente ilegais.

          E quanto ao CESP, se fizeram isso, é ilegal. Portanto, permita-me que duvide dessa prática.

          • José Sequeira diz:

            Lúcia
            Quando falo em salários mais elevados x precariedade, falo da Europa. Em Portugal, como é evidente, as coisas não foram iguais por diversos motivos; um dos quais – temos de o aceitar – é a existência de um sector da população com contratos de trabalho super protegidos, cheios de direitos, carregados de absentismo e com um igualitarismo que desmotiva os melhores e onde funciona a “quinta” dos Sindicatos; o outro, não menos importante, é a falência de quase todas as medidas que os governos, desde o 25 de Abril (o para trás era a ditadura e já passou), têm tomado sobre as questões relacionadas com o Trabalho. Felizmente os jovens querem saber pouco de tudo o que se tem passado de mal, querem outro tipo de governo mas estão a “marimbar-se” para os velhos dos Sindicatos e vão um dia destes construir a sua própria via. Ai vão vão! Eu, que também já passei dos 60, estou com eles e não com os da minha geração. Tenho de reconhecer que, apesar de termos feito algumas “coisas bonitas”, não soubemos deixar um Portugal melhor aos nossos filhos e netos (no fundo a vocês que aqui escrevem); isto incluindo partidos, sindicatos, patrões (alguns), trabalhadores (alguns) e políticos.

        • Rocha diz:

          Essa dos salários serem mais altos por se ser precário é uma mentira nojenta. O senhor é que devia ter vergonha por branquear a precariedade dessa maneira. Trabalho à menos tempo que você mas nunca tive um emprego que não fosse precário e sempre ganhei menos que os trabalhadores do quadro fazendo exactamente a mesma função.

          Outra coisa que não lhe admito é que venha se armar em porta-voz dos jovens, sou jovem e não desejo a precariedade a ninguém. A precariedade é ou devia ser um crime, tal como a escravatura e a corrupção são agressões à humanidade que deviam ser punidas não só com longas penas de prisão mas sobretudo com o confisco de todas as propriedades que fossem necessárias para pagar todos os danos económicos, sociais e morais às suas vítimas.

          A precariedade nem é futuro nem é aceite como certa pelos jovens que eu conheço. E conheço muitos que estão dispostos a tudo para erradicá-la, nem que tenha de ser destruída à força.

          • José Sequeira diz:

            Caro Rocha
            Como os comentários não são livres demora sempre algum tempo a aparecerem e perde-se a interactividade; mas, como cada um em sua casa é Rei, assim seja. Eu não disse que – em Portugal – os salários eram mais elevados por se ser precário. Sei que não são. Disse que era assim na Europa para onde os portugueses emigram. E, caro Rocha, sabe porquê?
            Eu escrevi que gosto de ouvir os jovens em questões de futuro; já agora gosto de ouvir os mais velhos que eu em questões do passado. Nunca escrevi que era porta-voz dos jovens. Eles felizmente têm voz própria.
            Diga-me:Acredita mesmo que o futuro é o emprego certo, com direitos enquanto o empregado quiser, por exemplo, como era no tempo da ditadura? Isto claro para os que se portassem bem.

      • JgMenos diz:

        A luta contra a precariedade integra uma luta mais geral contra as ‘leis’ da economia capitalista.
        Fica muito bem na fotografia mas está destinada a pouco beneficiar quem trabalha e quer trabalhar…

        • De diz:

          A luta contra quem explora e em prol de quem é explorado não fica só bem na fotografia.
          Fica bem por muito mais coisas .
          Claro que quem anda nisto pela classe dos exploradores, quer que o status quo permaneça. Até quer que piore ainda mais e procure mais despedimentos e mão de obra a custo da uva mijona.
          Os suores frios que os acometem quando ouvem falar em sindicatos ou quando lhes põem em causa os ditos “mercados” e o dito capitalismo.
          No fundo defendem a sua classe desta forma patente e notória.E pugnam pela perpetuação da exploração.
          Enquanto vão soltando os seus avés tradicionais e proclamando que o capitalismo vai bem e que se recomenda.

      • Mas precisamente, os exemplos que me dás parecem-me resultar da fraqueza e não da força da acção colectiva. Parece-me que nos tribunais nunca se ganha nada que não se tenha já ganho nas ruas e nos locais de trabalho ora, se «agir judicialmente contra os patrões» se torna o centro da estratégia, com todos os percalços que tu assinalas, então talvez faça sentido pensar como agir melhor extra-judicialmente contra os patrões. Em todos os locais de trabalho em que trabalhei – e já foram uns quantos, todos precários – nunca pude identificar qualquer acção ou intervenção sindical. Minto, num call center da PT vi um comunicado a saudar o arranjo do ar condicionado como uma vitória dos trabalhadores (juro). Penso que no caso das telecomunicações se tornou claro e incontornável que existe uma enorme distância geracional entre sindicalistas e trabalhadores. E é de colocar a questão: não existirá hoje em dia um fosso efectivo entre os trabalhadores e as organizações representativas dos trabalhadores? Dizer que isso se deve a falta de consciência de classe parece-me demasiado fácil e confortável.

      • Vasco diz:

        Ora aí está, Lúcia, estás a dar argumentos que «ninguém que defenda a luta dos trabalhadores pode subscrever». Ou seja, não é para a Raquel Varela, que faz tudo menos isso. A menos que se entenda a «defesa dos trabalhadores» em abstracto e desligadas das estruturas de classe por si criadas, como os sindicatos e (sim) o seu partido de classe.

  2. JgMenos diz:

    Os sindicatos nunca deveriam ter-se afastado das questões profissionais e remeterem-se como a maioria fez, a um justicialismo reivindicativo e tutelar.
    Vi sindicatos recusarem integrar centros protocolares de formação profissional.
    Vi sindicatos ignorarem sistemáticamente o compromisso da regulação de técnicas de medida e valores indexados à produtividade.
    Somos todos iguais…na miséria e no abandono!

    • Lúcia Gomes diz:

      «Vi sindicatos recusarem integrar centros protocolares de formação profissional.
      Vi sindicatos ignorarem sistemáticamente o compromisso da regulação de técnicas de medida e valores indexados à produtividade.»

      Perdão? Integrar formação profissional com o único objectivo de manipular estatísticas não é política. A CGTP tem um centro de formação profissional próprio, o IBJC e não precisa de alimentar as empresas de frete ao governo.

      Regulação de técnicas de medida e valores indexados à produtividade? De quem? De cada trabalhador. Ela já é 26 vezes superior à produtividade de há 30 anos, isso basta. E que tal indexar a técnica de medida e valor da produtividade da empresa à maquinaria, à formação profissional, ao horário de trabalho, ao respeito pelos direitos e… ao salário?

      • JgMenos diz:

        «A CGTP tem um centro de formação profissional»!!!
        – E a rede pública de centros protocolares e estatais? – orgulhosamente sós ou mama de subsídios?
        É sabido que tudo o que pode ser medido pode ser melhorado, e já percebo que não percebe nada de medidas de produtividade a não ser na perspectiva panfletária – está provavelmente em perfeita sintonia com a CGTP!
        Para que saiba, na Alemanha os técnicos de métodos e tempos das empresas e os dos sindicatos são formados nas mesmas escolas; e o que for apanhado a manipular dados sacam-lhe a carteira profissional – pouco panfletário em demasia?

        • De diz:

          Pouco panfletário em demasia menos?
          Ou a tendência crescente a servir-se do exemplo alemão?
          O exemplo alemão provavelmente será a propósito do caso dos submarinos em que alguns dos subditos de merkel subornaram os colegas ideológicos de Menos?
          Já lá vamos então.Aos exemplos alemães sonhados e reproduzidos por menos

          • JgMenos diz:

            Falem-me de alhos que eu atiro-lhes com bugalhos! – o princípio dialéctico de ‘De’!!!!

          • De diz:

            Não gostou da referência à sua referência panfletária sobre a sua perspectiva panfletária?
            Ou a sua obcessão compulsiva com as actividades relacionadas com a mama?Do borges , um mamão conhecido? Do machete, outro mamão conhecido a quem Menos dedicou um panegírico exemplar? O primeiro tinha algo de germânico é um facto
            Ou foi o caso de corrupção nos submarinos?
            Um tema incómodo eu sei.Daí os bugalhos e os alhos não é?

            Mas sabe?Eu prometi que voltaríamos ao assunto.
            E voltaremos
            🙂

        • De diz:

          Valores indexados à produtividade…
          Curioso! mais uma das pequenas grandes manobras com que o patronato e seus acólitos tentam manipular as coisas e as loisas.

          O artigo não é de hoje.É de Março de 2012. De Eugénio Rosa, um dos excluídos dos debates económicos na TV.Percebe-se porquê.Não segue a cartilha dos neoliberais e não se diexa mercadejar.Um dos que quando aqui escrevia deixava certa malta à beira d eum ataque de nervos

          “Uma das afirmações mais repetidas em Portugal, nomeadamente pelo governo e pela “troika estrangeira”, assim como pelos patrões e pelos defensores do pensamento económico neoliberal dominante nos media é a baixa produtividade do trabalho em Portugal. E para isso comparam a produtividade portuguesa com a de outros países da U.E. No entanto, nunca comparam os salários dos portugueses com os dos outros países da U.E. E a partir daquela afirmação, que se transformou num lugar comum dos ultraliberais (as causas nunca são profunda e honestamente analisadas) insinua-se ou afirma-se mesmo que a culpa é dos trabalhadores e que estes recebem salários que não correspondem à produtividade que têm

        • De diz:

          E continua Eugénio Rosa, que gosta para desgosto dos “medidores” de pacotilha, de apresentar números…e ainda por cima oficiais:

          “Esta estranha teoria de que se impuser salários ainda mais baixos em Portugal a produtividade e a competitividade aumentarão não tem correspondência real. E isto porque os custos do trabalho em Portugal já são significativamente inferiores aos médios da União Europeia e esse facto nunca resolveu o problema da baixa competitividade das empresas portuguesas.

          Assim segundo o Eurostat, em 2011, o custo do trabalho por hora em Portugal, para toda a
          economia (não incluía a Administração Pública) correspondia a 52,4% do custo médio da UniãoEuropeia; a 30,8% do custo da hora do trabalho na Bélgica; a 40,2% do custo da hora de trabalho da Alemanha; e a 58,7% do custo da hora do trabalho na Espanha.

          Se a comparação entre Portugal e os países da União Europeia for feita com os custos do trabalho na indústria, as percentagens obtidas ainda são mais baixas para Portugal. Assim, também em 2011, e de acordo também com o Eurostat, os custos do trabalho por hora na indústria em Portugal correspondiam apenas 43,8% da média dos países da União Europeia; a 25,4% dos da Bélgica; a 30,1% dos Alemanha, e a 47% dos da Espanha

        • De diz:

          Eugénio Rosa:

          “Em 2010, a produtividade da mão de obra por empregado em Portugal, correspondia a 76,5% daprodutividade média da União Europeia, enquanto os custos do trabalho por hora em Portugal correspondiam, como se referiu anteriormente, apenas a 45,4% dos da União Europeia; no mesmo ano. Em relação aos outros países a relação era a seguinte: a produtividade por empregado em Portugal era 60% da produtividade da Bélgica, enquanto os custos de trabalho eram apenas 26,1% dos da Bélgica; em relação à Alemanha, a produtividade média em Portugal correspondia 72,6% da alemã, mas o custo de trabalho por hora em Portugal correspondia apenas 31,4% do custo do trabalho por hora na Alemanha; finalmente, a produtividade por empregado emPortugal era 70,2% da de Espanha, mas o custo do trabalho por hora em Portugal correspondia
          apenas a 47,5% do custo do trabalho por hora em Espanha. Portanto, existe uma grande
          diferença, em prejuízo dos trabalhadores portugueses, entre a produtividade em Portugal quando a comparamos com a dos outros países da União Europeia e os custos do trabalho, que incluemos salários pagos, quando fazemos idênticas comparações com as dos outros países da União Europeia. Em Portugal os salários em percentagem dos salários médios da União Europeia estão muito abaixo da percentagem que a produtividade portuguesa representa em relação à produtividade média dos países da União Europeia.

        • De diz:

          Eugénio Rosa:

          “Os dados anteriores, que são oficiais pois são os divulgados pelo Eurostat, para além de revelarum nível de exploração do trabalho em Portugal muito superior ao nível de exploração na União Europeia, também provam, de uma forma quantificada, que não o nível de salários em Portugal a causa da baixa produtividade e competitividade das empresas e da economia portuguesa.”

          ( as “medidas” de produtividade caídas de pára-quedas para justificar a continuação do esmifrar dos trabalhadores.Da forma néscia que se sabe…)

        • De diz:

          Eugénio Rosa

          “Como afirma mesmo Robert Reich,ex- secretário de Estado do presidente Clinton, em “AFTER SHOC – A economia que se segue e ofuturo da América”, “Quando o rendimento está concentrado em relativamente poucas mãos, a procura global de bens e serviços contrai-se porque os muito ricos não gastam nem de perto tudo o que ganham. As poupanças deles são acumuladas, para circularem numa fúria de especulação
          ou, sobretudo nos nossos tempos, para serem investidos no estrangeiro” Em Portugal com
          redução dos salários dos trabalhadores e com a destruição da classe média está-se a verificar uma aceleração rápida deste processo de concentração da riqueza em poucas mãos em que as privatizações a saldo e a protecção fiscal dos mais ricos são as faces mais visíveis e chocantes”

          http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2012/13-2012-Custo-Trabalho-Produtividade-Portugal.pdf

          • JgMenos diz:

            Bugalhos por alhos, Parte II!

          • De diz:

            Eu sei Menos.
            Cito:”Vi sindicatos ignorarem sistemáticamente o compromisso da regulação de técnicas de medida e valores indexados à produtividade”

            O capital queria mesmo a questão da “produtividade” para aumentar ainda mais o seu lucro.Um aumento da exploração à custa mais uma vez do trabalho alheio.
            Este texto de Eugénio Rosa é exemplar.Menos só poderá apelar aos seus alhos e bugalhos?

            “A inocência perdida da produtividade”…
            Aí em baixo.E é só o começo

    • De diz:

      Todos iguais?
      Deve estar a brincar
      Uns vivem com 200 000 euros, ( ou muito mais) lutam pela limitação salarial,por mais desemprego e são chefes de fila dos mandadores sem lei
      Outros,muitos mais, oscilam entre o desemprego, os empregos precários e os salários mal remunerados.os primeiros vivem à custa dos segundos.
      E nesciamente dizem que somos todos iguais?

      É desta forma que se quer perpetuar esta sociedade miserável.
      A burguesia a defender as suas condições de classe.Com esta falta de classe típica

      • JgMenos diz:

        ‘De’! Veja se controla as suas reacções pavlovianas!!!!
        Os sindicatos promovem a igualdade dos trabalhadores metendo no mesmo saco gente trabalhadora e séria e madraços e irresponsáveis, do que naturalmente sempre resultam tabelas salariais a tender para mínimos!
        Em nome dessa igualdade rejeitam participar na regulação de prémios de produtividade porque seria institucionalizar diferenças na ‘classe’, além de que lhes iria dar um montão de trabalho, e pior, responsabilidade!
        Preferem fazer acreditar que a unidade da classe é prioritária para a Revolução que se adivinha ao dobrar da esquina, num pretenso delírio de idiotia ideológica.
        Percebeu? Se não, eu escrevo mais devagarinho!

        • De diz:

          Pavloviano?
          Percebeu?
          Mais devagarinho?
          Ensandeceu Menos!?

          Percebi e de que maneira
          Tresanda.Tresanda a bafio e a bolor.Descrito por Marx há um ror de anos.

          Para quem se anda a saracotear a apelar aos modernismos, como Menos,o repisar algo denunciado por Marx há tanto tempo deixa muito a desejar.

          E não é que o velho barbudo alemão tinha mesmo razão?

          Mas há mais

          • JgMenos diz:

            E se o Profeta barbudo disse – é a palavra do Altíssimo!!!!!
            Por sorte o Ford chegou depois dele e ignorando os seus textos bolorentos lá foi aumentando a produtividade e fazendo o automóvel acessível a esse proletariado que o barbudo condenava a respirar os fumos bafientos do século XIX para todo o sempre!!!!

          • De diz:

            Menos equivocado
            Veja se diz algo de concreto em vez de repetir ford e o fordismo,.velho de barbas tal qual as barbas do profeta se que se socorre_

            Menos agora regressa aoas carrinhos tal qual o seu amigo Rui rio_
            Tchtchtch

    • De diz:

      Mas aproveitemos esta questão da produtividade:

      “O chamado progresso técnico e o aumento constante da produtividade são frequentemente apresentados como compondo um caminho potencial para a vida boa e a solução para todos os problemas da humanidade. Olhando para a duplicação da produtividade nos últimos 30/40 anos,significando isso que com a mesma quantidade de tempo gasto a trabalhar é hoje produzida uma quantidade duas vezes maior de bens do que nos anos 1970, deveria concluir-se que, desde então, caminhámos a passos largos em direcção a uma vida de abundância. Evidentemente, qualquer pessoa que o afirmasse, perante as actuais crises, que se manifestam simultânea e cumulativamente,
      no plano ambiental, dos recursos, económico e financeiro, seria justamente vista como fantasista.
      Algo no cálculo e na sua promessa está, portanto, errado.Onde reside o erro? Um primeiro indicador para uma resposta a esta questão é-nos dado por uma
      palavra muitas vezes repetida neste contexto: competitividade. O significado de produtividade assenta, antes de mais, na comparação: a empresa mais produtiva consegue fazer mais produtos e vendê-los mais barato e, desse modo, empurra os seus concorrentes para fora do mercado. As zonas mais produtivas podem mesmo tornar-se líderes mundiais nas exportações, ao passo que as menos produtivas podem ter de conformar-se com o colapso das suas indústrias. Nesta medida, torna-se claro que, em regra, aumentos desiguais na produtividade não beneficiam igualmente todos ossujeitos económicos, prejudicando mesmo muitos deles. Também se torna claro que, em condições
      de concorrência, aumentos na produtividade não são simplesmente usados para a redução geral das horas de trabalho, mas resultam, ao invés, num menor número de empregados trabalhando mais.”
      A inocência perdida da produtividade
      Claus Peter Ortlieb

      • JgMenos diz:

        Mais bugalhos!
        Quero lá saber do Claus Peter Ortlieb!
        Diga-me você se o aumento da produtividade é ou não um objectivo legítimo e desejável e para o qual que os sindicatos devem contribuir.
        Não se cansa de papaguear citações sem se comprometer com uma opinião que seja a sua, e que objectivamente seja dirijida ao que lhe é proposto?

        • De diz:

          Mas eu quero la saber do que Menos quer saber.
          Depois continuarei o texto de Ortlieb.
          O aumentp da produtividade tem que ser acompanhafddo do aumento salarial de molde a corrigir o desiquil]ibrio entre ambos.E at]e agora tem sido o lucro o ]unico a beneficiar de
          Percebeu ou continua a papaguear tal qual no conselho de administra;\ao

  3. Vasco diz:

    Concordo plenamente contigo, Lúcia, e com a crítica justíssima que fazes à Raquel Varela que, lembremo-nos, critica sempre o sindicalismo de classe pelos insucessos (reais ou imaginários) das lutas, mas nunca lhe dá os louros pelas vitórias. Só uma questãozinha: os “precários” estão sindicalizados, sim, em TODOS os sindicatos existentes, pois não há só precários nas camadas intelectuais. Aliás, a precariedade começou no sector operário e é generalisadíssimo nas fábricas e nos serviços.

  4. Vasco diz:

    E na Bosch, em Braga, passaram a efectivos uns quantos, também por acção sindical…

  5. RVPRui Viana Pereira diz:

    Tenho 61 anos de idade e já fui trabalhador efectivo (=a contrato sem prazo), já fui tarefeiro, já fui precário, já fui biscateiro, sou desempregado há longos anos; já fui funcionário de um sindicato numa das áreas de maior vulto económico nessa época remota (indústria têxtil). Já trabalhei na área industrial, na imprensa, na criação artística, e no Estado.
    Face a esta minha experiência, que é pessoal, limitada, e por isso não pode ser levianamente generalizada, acrescida porém da leitura regular das estatísticas disponíveis e de algum (limitado, mas algum) estudo documental dos avanços e recuos da história do proletariado português, sinto-me perplexo. De que raio estamos aqui a falar?
    No planeta em que eu vivo, as coisas acontecem da seguinte maneira:
    1) É evidente, é patente para qualquer pessoa que leia notícias, relatos documentais e estatísticas pelo menos desde 1974, que os trabalhadores, organizados ou não em sindicatos, vêm sofrendo derrotas brutais desde 1980; que os sindicatos nisso têm responsabilidades – evidentes, declaradas e publicamente publicitadas nos órgãos de comunicação social -, e que essa responsabilidade, ao nível institucional, até tem um nome e está escrita em letra de lei: chama-se pacto social ou pacto de concertação social; chama-se conselho de concertação social; chama-se conselho consultivo e fiscalizador da Segurança Social; além deste há vários outros conselhos consultivos e fiscalizadores, noutras áreas, todos eles demonstrativos de que o vácuo não é um conceito abstracto, existe de facto na natureza e anda de mão dada com a complacência.
    2) A partir de algures na década de 1980, em todos os lugares onde trabalhei, nunca mais vi um delegado sindical, nunca mais vi uma convocatória para discussão da situação laboral e salarial. É-me relatado frequentemente o caso de o patronato (e até direcções de escolas públicas) impedir a afixação de um quadro com informações sindicais e outras do interesse dos trabalhadores, sem que isso dê origem ao correspondente processo judicial – é natural, o sindicato não estava lá presente. Existe um fundo de greve, como há 100 anos atrás, ou o dinheiro desapareceu misteriosamente? Há tertúlias e associações de formação sindical e esclarecimento espalhadas por todos bairros e zonas industriais do país, como há 100 anos, ou desapareceram misteriosamente? Deixemo-nos de tretas – os sindicatos são (serão sempre) um grande passo na história da organização das classes trabalhadoras; contudo, os sindicatos que temos hoje são um desastre e (perdoem-me as excepções, que conheço pessoalmente e pelas quais tenho o maior respeito e carinho) chegam por vezes ao ponto da corrupção, da venda descarada, e, que fique isto bem claro, com provas documentais a comprová-lo (e escusam de pedir-me a apresentação dessas provas aqui, porque não o farei neste lugar público, apesar de não pactuar com a corrupção).
    3) Como trabalhador e criador da área das artes, acho que a menção de sindicatos como o CENA é um excelente exemplo do desnorteamento político que grassa no sector. O CENA (Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual), por exemplo, tem uma quota de responsabilidade na minha aflitiva dificuldade de sobrevivência como criador da área audiovisual. As razões dessa responsabilidade são demasiado extensas e complexas para que eu as estenda aqui (mas estou disponível para um debate sério em lugar apropriado). Digamos, resumidamente, que esse sindicato até talvez funcione bem (não sou sócio nem tenho conhecimento directo) no que diz respeito à indústria do entretenimento (com a qual me recuso colaborar), aos interesses dos «marchants d’art» quando eles coincidem com os respectivos trabalhadores, aos interesses dos «produtores» de arte, que arrecadam cerca de 40 a 60% dos financiamentos, enquanto muitos artistas e alguns profissionais morrem à fome (isto não é uma metáfora). Tudo o que diga respeito a uma visão alternativa do papel da arte na nossa sociedade fica automaticamente excluído.

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