Das desigualdades da morte.

Morreu António Borges.

Certamente morreram muitos mais. Aqueles cujo nome não é passível de aparecer nos jornais. Nem nas televisões.

Mas o importante não é ele ter morrido, como morreu, como viveu (sobre isso os meus companheiros de blogue dirão bem melhor do que eu). O que eu quero sublinhar é a desigualdade da morte, de como se morre.

Não se pode dizer, para não ferir susceptibilidades, que me choca a forma como se morre em Portugal. Como um rico, com cancro, morre melhor do que um pobre. Aparentemente isto é raiva, ódio aos ricos. É falar sem racionalidade. Pois racionalidade é algo que nunca vi no tratamento de doentes crónicos, nomeadamente oncológicos, no nosso país.

E descrevo uma história que não é a minha. Tem todos os nomes, ou quase todos.

Em 22 de Março foi diagnosticado um cancro de pulmão, carcinoma de pequenas células, estágio IV ao meu pai. Era dia de greve geral. Terceiro aniversário da minha irmã. Abandonei os piquetes às cinco da manhã e parti para cima. O diagnóstico demorou meses. Desde infecções respiratórias, ataques de ansiedade (?), gripes. Meses até dizerem: cancro. O meu pai era já um doente de risco, sempre seguido no hospital dados os problemas cardíacos que tinha. Nunca ninguém detectou o cancro que lhe corroía as entranhas.

Nesse momento soube que o meu pai ia morrer em breve, embora nunca o tivesse verbalizado. Começou, pois, a saga dos tratamentos. Protocolos com quimioterapia e radioterapia. Medicamentos, atrás de medicamentos.

O meu pai acabava de concretizar o sonho de uma vida, licenciou-se em Direito. Velho demais para trabalhar, novo demais para a reforma, dizia-me, com os olhos pregados no chão «quem quer alguém com cancro?». Nunca lhe tinha ouvido nada derrotista. Desde o primeiro minuto, desde sempre, nunca desistia ou se sentia derrotado. Desta vez era diferente. Pronto para enfrentar o mundo e a doença, sabia bem das limitações.

Fomos então pedir a invalidez. A Segurança Social recusou. Sem subsídio de desemprego, sem pensão, a companheira desempregada de longa duração. Uma filha de três anos.

Os medicamentos eram pagos entre mim e a minha irmã. A família ajudava no que podia. O meu pai não tinha carro. A minha lata velha servia-lhe, enquanto pôde conduzir, para ir aos tratamentos (não há transportes públicos nem hospitalares). Acabada a quimioterapia, seguia-se a radioterapia paliativa. O hospital recusou. Era paliativa.

Levantámos uma tempestade, todos os órgãos de comunicação social se interessaram. O hospital voltou atrás. Foi ao IPO – Porto onde tinha que ficar todo o dia porque só havia um transporte para os doentes. Caso quisesse vir mais cedo, porque não aguentava estar lá, teria que pagar. Ficava lá.

Houve meses em que não tomou toda a medicação. Não tinha dinheiro e era demasiado orgulhoso. Não pedia. Era preciso descobrir e estar atento ao que faltava.

Liguei para a Fundação Champalimaud mal soube da máquina que apenas com uma sessão de radioterapia diminuía o tumor de forma significativa. Responderam-me que precisava de uma consulta de avaliação e a sessão de radio seria 5 000 euros. Perguntei se no público haveria máquina idêntica. Disseram-me que não. Agradeci e desliguei. Descobri que havia uma máquina parecida no Hospital do Barreiro. E que o médico, por querer que todos pudessem aceder aos tratamentos teria sido afastado.

Ouvi o meu pai uma vez «para sofrer tanto para poder ter tratamentos mais vale morrer de uma vez. Isto não é vida». Lentamente ia perdendo o seu corpo, a sua mente.

Acompanhava-o nos longos dias de exames, feitos no hospital privado da Boavista porque nenhum hospital público dispunha das máquinas necessárias. Almoçávamos uma francesinha a meio dos tratamentos e víamos coisas para o único neto do meu pai. E voltávamos ao hospital.

Nunca lhe propuseram estar internado. Não lhe deram soro nem morfina, fomos nós que exigimos. Já não aguentava mais ver o sofrimento contínuo do meu pai. A cadeira articulada, foi emprestada, arranjou-a a minha tia, e uma grade para a cama. O meu cunhado passou a levar e a trazer o meu pai, ele já não conseguia conduzir. A companheira dividia a medicação e aplicava. Aprendi a dar injecções porque a Joana, que é minha amiga e é enfermeira me ensinou, ensinou-me a dar-lhe banho, a virá-lo na cama para que não ganhasse feridas, a limpar-lhe a boca e a alimentá-lo. Tirei licença para estar com o meu pai. A minha irmã não pôde, era um falso recibo verde.

Pedi um empréstimo para poder pagar tudo isto. Tive que mudar de banco e vou pagar o empréstimo nos próximos dez anos. Estive sempre ao lado do meu pai. Colocámos o soro, dei-lhe de comer. Começou a tossir, sem parar. A família reuniu-se em volta dele. O gato, saiu dos pés do meu pai e começou a aproximar-se lentamente do seu peito. E eu pensei, é agora.

Corri para o lado dele, dei-lhe a mão e vi uma lágrima a correr-lhe na face esquerda.

O meu pai morreu.

Não houve jornais, não houve televisão. De vez em quando há uma notícia que diz que os tratamentos estão a ser negados aos doentes oncológicos, que o IPO não tem dinheiro.

O meu pai tinha 54 anos. A vida inteira pela frente. Nunca defendeu salários baixos nem privatizações. Trabalhou desde os 14. Tirou um curso aos 53 porque era o seu sonho. A estes não há homenagens. Aos que lutam pela sobrevivência durante todos os dias com dores excruciantes e a violência do Estado. Não, para estes não há memória, não há camas de hospital, medicamentos.

António Borges tinha cancro no pâncreas. Daqueles fulminantes que supostamente matam de imediato. Durou bem mais do que o meu pai. «Trabalhou sempre», dizem. Certamente não terá passado por nada disto. Certamente, até na morte, ou perto dela, teve conforto e o melhor tratamento para não sentir dor e adiar a inevitabilidade da morte.

Não lhe sinto raiva pela forma como morreu, mas desprezo o que defendeu em vida. Porque foram homens como ele e são homens como ele que ditam que homens, mulheres e crianças passem o que o meu pai passou para morrer. E ninguém merece estas mortes lentas.

Que lhe pese a terra? Não, não acredito em nada depois da morte. Preferia que lhe pesassem as suas ideias durante a vida. Principalmente nos dias e meses antes da morte.

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82 respostas a Das desigualdades da morte.

  1. Dezperado diz:

    “Mas o importante não é ele ter morrido, como morreu, como viveu (sobre isso os meus companheiros de blogue dirão bem melhor do que eu). O que eu quero sublinhar é a desigualdade da morte, de como se morre.”

    Podia dar o exemplo do Borges, assim como podia dar o exemplo do Miguel Portas….que existem desigualdades entre que tem mais dinheiro e menos dinheiro é uma realidade, e não é de hoje

    • De diz:

      É.É uma desigualdade que não é de hoje.
      Mas hoje,nestes dias,,nestes tempos,nesta vida que nos teimam em roubar, os filhos da puta dos que nos governam, tornaram a coisa bem pior.
      A liquidação do SNS e as privatizações.O sofrimento e a morte.A troika e os troikistas…

      Até quando ?

    • ?? O Miguel Portas não dedicou a vida a promover o aumento dessas desigualdades, pois não? Que comparação descabida.

      • Não acho descabida, porque desde que tenha dinheiro, seja de esquerda ou de direita, mantem-se igual, porque a diferença está entre não ter e ter….

      • Norberto Costa diz:

        Lá está a história dos “bons” e “maus”, conforme pensam como nós ou não. Isso é feio.

      • não se trata de bons ou maus, só da questão levantada no texto, que é quem defende estas disparidades de acesso às coisas básicas, como saúde, e quem não as defende. E também de quem as defende tendo proximidade suficiente ao poder para isso fazer diferença.

    • Catarina diz:

      O Miguel Portas dedicou a sua vida a lutar pela igualdade de todos, investigue sobre ele antes de falar. Ele mereceu os tratamentos que teve. Já o Borges……….. Peço desculpa mas essa comparação só demonstra ignorância da sua parte.

      • Dezperado diz:

        Catarina

        Peça as desculpas que quiser, mas quando debatemos um assunto, primeiro deveriamos tentar perceber o que a outra pessoa diz….voce acha mais facil rotular logo de ignorante….são formas de estar na vida.

        O Miguel Portas teve os tratamentos que merece, não pelas lutas que travou, não por ser de esquerda…teve os tratamentos que merece, porque tinha posses, para se tratar no privado, assim como teve o Borges.

        Segundo percebi do post, fala das desigualdades da morte. Quem tem dinheiro, consegue os melhores tratamentos, recorrendo muitas vezes ao privado, ou ao estrangeiro, quem nao tem dinheiro, sujeita-se ao nosso SNS.

        Luis Adães

        Obrigado pelo comentario, pelo menos vejo que alguem percebeu o que eu queria dizer.

        • De diz:

          Não passa

          O nosso SNS já foi bem melhor do que o privado.
          As políticas de liquidação do SNS , voluntárias e repugnantes é que têm degradado e de que maneira a oferta de cuidados de saúde às populações.
          “No início dos anos 70, Portugal tinha os piores indicadores de saúde da Europa Ocidental. Vinte anos depois da sua criação, em 15 de Setembro de 1979, a Organização Mundial de Saúde, no seu Relatório Mundial de 2000, posicionava o desempenho do sistema de saúde português em 12.º lugar entre 191 países.”

          Público.Nosso.

          A privatização da saúde,com o intuito de se obterem lucros imorais e chorudos com a doença dos portugueses ,tem-nos conduzido paulatinamente e agora de forma cada vez mais abrupta, à presente situação.
          Bem dizia um canalha de direita a fazer o seu serviço em prol dos negócios em torno da saúde:
          “Quem quer saúde, paga-a”
          Era primeiro-ministro na época que o disse.

        • Luís, mas a pergunta que o Luís fez, se podia falar-se tanto do Borges como do Miguel Portas, esquece justamente porque é que a Lúcia escreve sobre o assunto na morte do Borges – porque foi um dos grandes mentores do aprofundar destas desigualdades, e não por ter tido acesso aos tratamentos. Quem dera que todos o tivessem.

          • Lúcia Gomes diz:

            Precisamente. Se o Miguel Portas tinha meios, ainda bem. A verdade é que nunca foi responsável ou defendeu que o acesso fosse só para quem pode pagar. Não faço a apologia de mártires mas de que todos, ricos e pobres, tenham acesso aos mesmos níveis e qualidade de tratamentos, na vida e na morte.

      • L diz:

        Catarina,
        Tenho pena que se discuta quem merece tratamento ou não…isso só demonstra mesquinhez. E Catarina fazer juízos de valor dessa forma só demonstra ignorância da sua parte. Espero que na doença nunca ninguém lhe diga que não deve ser tratada porque não merece. Claramente nunca trabalhou em saúde e nunca olhou um doente nos olhos e viu o seu sofrimento. Eu fiz um juramento que trataria todos os doentes ricos ou pobres da mesma maneira. Este artigo é uma prova que o SNS não funciona como deveria e portanto não nos permite cumprir um juramento. Preocupe-se com isso e não se António Borges deveria ter morrido com mais sofrimento que Miguel Portas…

        Atenciosamente,

        L

    • maria diz:

      Dezperado, há quem viva lutando para que estas situações não sejam assim,. Era o caso do Miguel Portas, NÂO era o caso do Sr. Borges. Dinheiro não dá saúde mas….

  2. justiça diz:

    Os meus sinceros pêsames,pelo seu pai.
    Para este terrorista,sociopata-já devia ter ido à muito tempo.A Puta que o Pariu!

  3. Ricardo Ferreira Pinto diz:

    Muito bem, Lúcia.

  4. Maria Lídia Ricardo diz:

    Antes de mais as minhas sentidas condolências pela morte do seu pai. Ao ler o seu texto fui sendo invadida pela comoção e por uma enorme revolta, indignação ,mas mais que tudo asco , um grande asco por esta gente inumana que nos governa. Muitas vezes , fazem-me lembrar os tempos da subida de Hitler ao poder nos anos trinta. Do seu texto transparecem também a força e a determinação do seu pai ; a sua luta quotidiana será a homenagem e o sentido de vida que o seu pai certamente gostaria que lhe tivesse dado. Força!

  5. João Victor Hugo diz:

    Grande depoimento. Compartilho sem poder fazer nada de mais relevante do que já faço. Não acreditar em instituições sejam quais forem. Estamos entregues a nós próprios enquanto não nos chamamos borges. Tristeza incomensurável!

  6. Pingback: Da desigualdade – Aventar

  7. Desde o dia 8 de Dezembro que não chorava como chorei ao ler o relato do que passou com a doença do seu pai. O meu pai morreu de cancro do pâncreas, lutou bravamente durante 15 penosos meses, e tal como com o seu pai, também ninguém, tirando família e amigos, lhe prestou homenagem…

  8. Margarida diz:

    Um abraço Lúcia Gomes*

  9. Ines diz:

    Abraço Lúcia e Susana Martins.*

  10. isabel diz:

    Meu pai faleceu há 12 anos e foi muito bem tratado no IPO de Lisboa. estou em crer que se fosse hoje teria penado muito. sinceros pêsames

  11. Francisco Costa diz:

    Meu grande homem, a sua obra perante o seu pai, o seu comportamento, a sua denuncia, aquilo que você aqui diz, valem muito mais que qualquer burguês deste mundo. Lembre-se que aqui, enquanto vivemos, há alguns indivíduos que dominam sobre todos e tudo. Porém, na morte, todos somos vulgares e em pé de igualdade e ainda bem que assim é. Poucos se podem gabar de um apoio assim dado ao senhor seu pai. No além, em qualquer sítio onde possa estar, o seu pai cuidará de si, e a sua bênção estará presente. Diz e muito bem, que nada há para além da morte. É um facto, mas deve sentir-se muito bem, por tudo o que fez pelo seu pai. É isso que nos consola, é saber e reconhecer que enquanto vivo, o seu pai, foi um homem muito mais, mas muito mais que estes Golias do mundo. Parabéns e obrigado pela beleza do texto.

  12. Sonia Nogueira diz:

    Fiquei sem palavras e com as lágrimas a correr pela face!!
    Muita força Lúcia, para si e para toda a família

  13. Miguel diz:

    Sabes, Lúcia, julgo que o teu pai não morreu. O teu pai libertou-se e, neste momento, deve estar contigo. É uma presença invisível que te acompanha, sempre.
    Quanto a António Borges, esse sim, morreu. Morreu e está morto.

  14. Pedro Dias diz:

    O seu pai morreu amado e isso certamente lhe apaziguou a dor e o espírito. Essa riqueza não se compra nem se rouba. Bem haja.

  15. joaquim Paulo Nogueira diz:

    Lúcia, tenho um problema contigo: quando me comovo os abraços saem-me desmesuradamente fortes. Achas que aguentas? abraço Joaquim

  16. alexandra diz:

    Os meus sentidos pesâmes. Perdi também em menos de dois meses, o meu pai com um cancro no fígado, no dia 11 de julho, A minha revolta não tem limites. o meu pai já contava com 83 anos e sinto que como já tinha esta idade, foi considerado ” um trapo velho”, no qual não vale a pena investir muito. O meu pai foi um dos Militares de Abril e apenas a família e os amigos mais chegados lhe prestaram a sua verdadeira homenagem. Soube que uma estação televisiva noticiou a sua morte. Mas se hoje há a l”dita” liberdade de imprensa, a ele também o devem. Várias pessoas ( nomeadamente políticos) souberam da sua morte e nem uma palavra, nem um telefonema, nada. É revoltante!

  17. Pingback: As vítimas do desmantelamento silencioso do SNS | Um redondo vocábulo

  18. Helena Pato diz:

    Fiquei ao teu lado, como se tivesse outra vez 20 anos.
    Eu quero lá saber do António Borges. Eu quero lá saber de mim! Mas não é este o País que vos quero deixar – a ti e aos meus filhos, ouviste Lúcia? E tudo farei por isso.
    Helena Pato

  19. Vera diz:

    Muita Força, Lúcia! Perdi o meu avó recentemente com um problema similar! A minha mãe viveu durante meses o seu drama porque o acompanhou em todas as consultas e sessões. Correm-me as lágrimas pelo rosto e imagino o seu sofrimento. O meu avó Eugénio era uma pessoa simples para o qual bastava apenas um sorriso e dois dedos de conversa. Quem me dera ainda lhos poder dar! Coragem, minha querida!

  20. Fernando Ferreira diz:

    Para que queremos um Estado Social de faz de conta? É para alimentar os gestores?

  21. Lucilia salgado lopes diz:

    Mas o importante não é ele ter morrido, como morreu, como viveu (sobre isso os meus companheiros de blogue dirão bem melhor do que eu). O que eu quero sublinhar é a desigualdade da morte, de como se morre.”

    Podia dar o exemplo do Borges, assim como podia dar o exemplo do Miguel Portas….que existem desigualdades entre quem tem mais e menos dinheiro é uma realidade, Infelizmente.

    Resposta

    • MG diz:

      D. Luciia, só que o Miguel Portas não fez da destruição do Estado Social, da aniquilação do Serviço Nacional de Saúde, o seu cavalo de batalha, como foi o caso do Borges. O problema é que cada vez que este senhor falava, era um ataque à ideia de um país mais fraterno e em que todos os homens têm direitos!

  22. José Brito diz:

    Comovente e revoltante… mais palavras para quê … 😦

  23. Agostinho miranda diz:

    Os meus mais sinceros pesamos….
    muita força e coragem. A casos, e casos. os ricos, sao tratados como REIS, os pobres, como pessoas do terceiro mundo…

  24. Laura Silva diz:

    A minha mãe faz 3 anos que faleceu…não tivemos direito a ajudas, da segurança social, nada…com 45 anos. Carcinoma de pulmão de não pequenas células. Vamos ver até onde chega esta brincadeira…bate à porta de todos, é degradante…é triste.

  25. Joana diz:

    As minhas condolências.
    Texto que retrata a realidade nua e crua, e eu sei bem. Sou mais um exemplo que viveu de perto um caso de cancro.
    Foi uma Grande Mulher!

  26. JgMenos diz:

    Os meus sincero pêsames.
    Quanto à política, pergunto:
    – até onde e a que custo deve a sociedade pagar para assegurar mais um dia de vida a um doente terminal?
    – O critério facilmente aceite de ‘tudo fazer’ é social e economicamente viável?
    – Sem propor o regresso das ‘abafadeiras’ ou da prática de ‘levar o pai ao monte’ não lhe parece que reintroduzir a familiaridade com a morte seria um avanço cultural?
    – Para quando a eutanásia como direito do doente terminal?

    • santinho diz:

      “O critério de “tudo fazer” é social e economicamente viável” ?
      A frieza desta expressão é quanto a mim repugnante, quando continuamos a sustentar “à grande e à francesa” quem nos governa. Indivíduos que não trabalham, nunca trabalharam, mal formados, licenciados à pressa, corruptos e incompetentes que tudo têm destruído e continuam a destruir de um país que está a ser entregue a multinacionais e grandes grupos económicos. Observem o trajecto profissional do actual e do anterior primeiro ministro e está tudo dito.

    • De diz:

      Repugnante! Simplesmente repugnante.

      O que é aqui denunciado não é a ´questão “política” do “custo para a sociedade de pagar mais um dia de vida para um doente terminal”.
      O que está aqui em causa não é a “eutanásia” nem outras oportunidades de fuga para Menos esconder o que aqui é denunciado sem tibiezas nem hesitações.A política troikista, de direita, neoliberal, tem conduzido o país a situações criminosas, desprovidas de humanidade, causadoras de sofrimento, doença e morte.

      É o capitalismo , estúpido. O capitalismo que só tem a oferecer isto.Está podre e fede.
      E Menos só tem estas habilidades para defender o seu governo, o seu ministro, os que fazem da doença e da morte um negócio escabroso e nojento.E para esconder o que aqui é denunciado, muito mais vasto do que esta conversa pretensamente pós-moderna de Menos.

      -“Fomos então pedir a invalidez. A Segurança Social recusou. Sem subsídio de desemprego, sem pensão, a companheira desempregada de longa duração. Uma filha de três anos.”
      -“Os medicamentos eram pagos entre mim e a minha irmã. A família ajudava no que podia. O meu pai não tinha carro. A minha lata velha servia-lhe, enquanto pôde conduzir, para ir aos tratamentos (não há transportes públicos nem hospitalares). Acabada a quimioterapia, seguia-se a radioterapia paliativa. O hospital recusou. Era paliativa”
      -“Houve meses em que não tomou toda a medicação. Não tinha dinheiro ”
      -Liguei para a Fundação Champalimaud mal soube da máquina que apenas com uma sessão de radioterapia diminuía o tumor de forma significativa. Responderam-me que precisava de uma consulta de avaliação e a sessão de radio seria 5 000 euros. Perguntei se no público haveria máquina idêntica. Disseram-me que não. Agradeci e desliguei. Descobri que havia uma máquina parecida no Hospital do Barreiro. E que o médico, por querer que todos pudessem aceder aos tratamentos teria sido afastado”
      -“Nunca lhe propuseram estar internado. Não lhe deram soro nem morfina, fomos nós que exigimos.”
      -“Pedi um empréstimo para poder pagar tudo isto. Tive que mudar de banco e vou pagar o empréstimo nos próximos dez anos”

      Há mais.Mas sinceramente custa-me retalhar tão belo e comovente texto

      É o capitalismo estúpido

      (Já agora. A familiaridade com a morte têm todos os que já passaram por isto relatado pela Lúcia. Não é isto, sobretudo não é isto, que constituiria um avanço civilizacional.
      O avanço civiulizacional decisivo seria abandonar uma sociedade que vive do lucro e para o lucro

  27. Jorge Pinto diz:

    Cara Lúcia Gomes, lamento profundamente o sofrimento e a perda do seu pai.
    Quanto ao Professor António Borges, tenho pena que não acredite que aquilo que ele pretendia, e pelo que lutou até ao fim das suas forças, era precisamente ter um país mais próspero, com mais meios, onde pudessem existir mais máquinas iguais às da Fundação Champalimaud, por exemplo.

  28. Lúcia Gomes diz:

    A todos e todas quantos deixaram aqui o seu testemunho, o seu pesar, o seu sentir, agradeço. Fazem falta estas palavras para que se perceba como é cruel este sistema que rouba a dignidade aos mais vulneráveis. Que sem dó nem piedade faz contas com a vida de quem constrói e construiu este país. Que trata mal os idosos, os doentes, as pessoas com deficiência, como trapos esquecidos que se deixam a um canto.
    Esta história não é minha, nem do meu Pai, nem da minha família. É a história de milhares de pessoas que passam ou passaram pelo mesmo e não têm voz ou um canto onde a possam relatar e fazer ouvir o seu grito de revolta. Esta história é a vossa história.
    Esta homenagem é vossa.
    A luta, essa, é de todos nós.

  29. andre diz:

    A minha sincera homenagem ao seu Pai e solidariedade pelo seu sofrimento.

  30. J Alvarado diz:

    Lúcia!

    Infelizmente sei dar valor aos momentos de angustia e dor por que está a passar. Vivi tragédias quase idênticas a essas, felizmente para mim o desfecho não foi tão trágico embora de uma forma abrupta e inesperada o tivesse sido para quem me era muito querido.

    Não costumo lamentar as agruras que a vida me reservou, procuro encontrar sempre maneira de vencer os infortúnios da “sorte” .
    Mas como costumo dizer aos meus amigos, os dramas da minha vida carrego-os sempre às minhas costas e naqueles dias menos bons mesmo sem o desejar coloco-os sempre à minha frente.

    Lúcia; aos 29 anos no momento que julgava possuir toda a felicidade do mundo, perdi a minha esposa e um filho.
    Poucos tempo depois voltei a casar, pensava para comigo tive azar com a primeira, mas felizmente encontrei uma mulher que gosto, passados dezassete meses perdi-a também e o filho.

    E a partir dai embora tivesse refeito a minha casa, mas nunca mais encontrei a felicidade e a vontade de viver que perdi.

    Mais tarde foi-me diagnosticado um cancro, fui operado, sofri imenso durante alguns meses , hoje passados 5 anos continuo sob vigilância médica, faço a minha vida normal, no entanto quando faço exames para controlo da situação até ao momento de saber os resultados vivo sempre em sobressalto.

    Foi uma forma abreviada de dizer os dramas por que passei. Foram situações muito difíceis de ultrapassar.

    Considero que este não é lugar para entrar em pormenores. Se a Lúcia tiver interesse em contatar-me, creio que deve aparecer aí o meu mail, pode faze-lo. Senão aparecer diga que coloco aqui.
    Por vezes para aliviar a dor e o sofrimento é necessário partilhar com quem passou por situações idênticas.

    Por outro lado a rejeição das desgraças que nos afetam nem sempre é causada por a não aceitação da vida tal como é, mas sim por saber-mos que houve responsáveis para que as coisas assim acontecessem.

    Pelo que me apercebo é o caso da Lúcia e o meu também.

  31. J Alvarado diz:

    Lúcia!

    Desculpe o lapso no comentário anterior.

    Os meus sentidos pêsames. Sei que é muito doloroso ver partir quem se ama e nas condições que a Lúcia descreve muito mais é ainda.

    Coragem!

  32. Amadeu Melo diz:

    Parabéns Lucia Gomes, o seu pai terá muito orgulho de si.
    Quanto ao António Borges, a morte não lava mais branco.

  33. Sílvia diz:

    Lucia!
    Muita força e coragem…
    Seu paizinho está consigo.
    Ele é o seu anjo da guarda.
    Ele ama-a muito e sabe que fez tudo ao seu alcance para o ajudar.
    Parabéns pelo PAI HEROI…
    Parabéns pela filha que é…
    Parabéns pela família que tem…
    Beijinhos

  34. Carlos Viana diz:

    Trabalhou sempre», dizem??? O dinheiro não dá mesmo inteligência e cultura… Esta gente é tão apegada a ele, que esquecessem de viver a vida e esquecem também que o dinheiro não lhes dá um lugar melhor no céu. É triste…

  35. Ler o seu post lembra-me a morte do meu pai. Lembra-me também a impotência do SNS, a indiferença dos médicos, o anonimato da dor da perda. É gritante a diferença na doença e na morte quando o dinheiro é a palavra-passe para tudo. Lamento a sua perda e a sua dor. Desejo-lhe muita força e coragem.

  36. maria teresagonçalves diz:

    Cara Lúcia Gomes, lamento profundamente o sofrimento e a perda do seu pai.infelizmente passo por algo semelhante,a morte da minha mae com cancro nos rins ,fulminante dizem os medicos, talvez para esconderem a sua ignorancia.Durante meses a minha mae teve de tudo desde alergias ,a bronquites ,e pleumonias,e nenhum medico viu que o mal dela era um cancro espalhado por todo o seu organismo.Morreu no dia em que fez o ultimo tac.Entrou nas urgencias as 16 h e as 21 mais ou menos a medica disse-me a sua mae vai ficar ca para se avaliar ate aonde esta espalhado o cancro (.tudo caiu o choque da noticia ,as perguntas sem respostas,como é que durante dois meses todos os dias levava a minha mae para as urgencias ia a medicos ,fazia exames e tornava a fazer,e ninguem viu.cancro mas como?)de manha a noticia chegou a sua mae acabou de falecer.cancro nos rins espalhado por todos os seus orgaos,nao podemos fazer nada era muito tarde . E o tempo antes dois anos em que andei com ela em consultas e exames. esta tudo bem diziam é a idade ,são as mazelas da idade.A minha mãe tinha 78 anos.novos ou velhos nada valemos para este país .a revolta,a indignação a dor aperta e o saber que nos espera desta gente desumana que nos governa e que nos vai levando tudo aos poucos.

  37. … até na morte eles “eles” querem para si a lembrança dos seus pares, e não só…

  38. SERGIO FREITAS diz:

    Lamento todo o sofrimento pelo qual o seu pai passou mas com certeza é seu sofrimento que a faz falar desta maneira. como deve saber depois de tudo porque passou os carcinomas são de várias tipos uns piores e outros mais fáceis de tratamento. Sei do que falo por conhecimento muito próximo de mim de um filho que passou por isso aos 30 ANOS E UMA SOBRINHA QUE FALECEU COM 46. Ao Dr. António Borges o dinheiro com certeza que lhe deu mais conforto mas não lhe comprou a vida e se comprasse felicidade a dele e a da família. Pelo simples fato do seu pai ter perecido de forma mais violento ou ter sofrido mais não é culpa do serviço nacional de saúde e não lhe dá o direito de desrespeitar a morte de um cidadão que lutou para ser o que foi, com certeza que obteve outro tipo de tratamento mas isso é natural. a mim parece-me que a senhora em vez de querer que todos subam prefere que todos baixem! respeite mais os nossos médicos que muito trabalham e às vezes sabe Deus em que condições. Lamento a morte do sei pai mas pense que há pessoas que perdem filhos muito mais novos e com um sofrimento muito grande. Que este sofrimento pelo qual está a passar sirva para aduçar mais o seu coração e não deixe que a raiva o torne frio e insensível. Acredite não é bom para si nem para aqueles que estão à sua volta.

  39. M Almeida diz:

    Cara Lúcia Gomes

    Os meus sentimentos pela morte do seu pai.

    Infelizmente, neste país que parece não nos pertencer, todos temos uma história para contar. Assisti à luta da minha mãe e da irmã, auxiliadas pelos maridos, pelos meus avós – que tiveram seis filhos, excepto nas horas de necessidade -, e reconheço em si a força delas. Também a minha mãe, que sofre de artrite reumatóide desde os 24 anos, sofre com a falta de apoios de que padecem aqueles que mais necessitam.

    Muita força!

  40. JAS diz:

    O que Borges nunca percebeu é que a vida das pessoas é mais importante do que a conta bancária de uns quantos. Afinal ele também foi vítima da lei suprema que não distingue as pessoas pelos zeros estão à esquerda do cifrão ou do € (Euro), ou à direita do $ (dólar), nas suas contas bancárias.
    Esquecê-lo é o melhor que podemos fazer. Sentimentos à família (filhos) que não escolheram ter o pai que tiveram. Estamos a condenar ideias e não pessoas.

  41. Tambem perdi o meu pai, por causa do cancro, e partiu tao jovem tinha 47 anos, era o melhor pai do mundo, como todos os pais que amam os filhos, os meus 3 irmaos 2 rapazes e 1 rapariga eram menores, eu e a minha mae deitamos maos a vida, enxugando as lagrimas, e chorando baixinho quando a clientela abrandava, digo eu que chorava nos intervalos, ainda hoje o recordo, e vejo o seu olhar a dirijir/se a minha irma a mais nova , tinha so 9 anos…como seguimos em frente??? como tantas familias, que perderam entes queridos, e onde a abundancia, nunca bateu a porta, mas, os tempos para os putos de agora, nao vao ser melhores…pelo menos aprendem a precaverem/se contra estes pulhas, que ardem em piras funebres…feitas nas fogueiras da vaidade…ate na morte, tem tratamento diferente..aprendam, registem…e cuidem dos vossos…porque estes governantes e os seus amigos…sao a corda que nos estrangula…

  42. tozezito diz:

    Que nojo de comentário! Próprio para ir para a sarjeta, já!!!

  43. sonia diz:

    Beijinho, abraço e toda a solidariedade

  44. Antero da Costa diz:

    Um beijo de parabens pelo seu testemunho e pelo seu amor paterno. Numa sociedade cada vez mais desprovida de valores básicos e essenciais cai sempre bem, apesar do desfecho trágico que relata, saber que há gente com G muito grande. Eu sou pai e tenho uma filha, espero não ter falhado nos princípios que lhe incuti, porque quando chegar a minha vez gostaria de ter o mesmo tratamento (leia-se amor) que você deu ao seu pai. Não há fortuna que pague isso, e independentemente do dinheiro que se tenha na conta bancária, quando chega aquela hora os estratos sociais ficam mais uniformes. Pena é que por se ter dinheiro, há muita gente que ainda por cá andaria, e se o palerma do PR tivesse capacidade para isso, lembrar-se-ia que havia mais pagadores de impostos, quanto mais não fosse para pagar aos eméritos consultores do governo…

  45. Edite diz:

    É chocante e as lagrimas colocam o ponto final nesta leitura, nesta história tão comovente como comum, tão infelizmente comum . Obrigada por a ter escrito.

  46. Ricardo Pereira diz:

    É mesmo isto… homenagens a quem defende que os outros devem viver pior… E exigência de sacrificios a quem lutou uma vida inteira…

    Excelente texto. muito elucidativo!

  47. Maria diz:

    Compreendo a sua tristeza, já passei por isso. Mas o meu familiar foi sempre assistido no IPO de Lisboa tal como muitos milhares de pessoas que por lá têm passado e o tratamento não tem hierarquias. Posso garantir que o trabalho de todos os técnicos de saúde que lá estão é de um nível de humanidade dificilmente igualável.

    • Lúcia Gomes diz:

      Nunca pus em causa os profissionais e partilho dessa opinião. São eles também estóicos sobreviventes às políticas de destruição do SNS. Subscrevo na íntegra o que diz. A minha questão está é no acesso aos tratamentos, que muitos não chegam a ter.

  48. Justiceiro diz:

    O meu mais profundo sentimento pelas perda do teu pai Lúcia.
    Quanto ao resto só uma palavra, só uma acção, tudo o resto é conversa e treta.
    Fazer aos outros do bando o que a natureza acabou por fazer ao bandalho do borges, MATA-LOS, antes que eles nos matem a nós, aos nossos e à nossa Pátria. Morte aos bandidos traidores, DESUMANOS

  49. Sérgio diz:

    À cerca de 10 anos perdi o meu pai vitima desse maldito cancro do pulmão. A história que posso contar é em muito igual à do texto, em que foram feitos maus diagnósticos no Hospital de Amarante, desde stresses, ansiedades etc etc. Nunca fomos ricos nem pessoas de muito dinheiro e a unica coisa q eu acho que não bate certo nesse texto é a parte do IPO. O meu pai a partir do momento que entra no IPO foi tratado com o máximo respeito, sempre muito atenciosos e muito dedicados…nunca mas nunca lhe faltaram com nada ! Depois de fazer quimioterapia eu ia busca lo e davam me um saco com os medicamentos que ele tinha de tomar e com tds as indicações para que nada faltasse. Na parte final da vida dele a preocupação dos médicos do IPO era que ele não sentisse dor e por isso davam lhe a morfina que nunca lhe faltou. Mas cada caso é um caso e a única mágoa que trago comigo é mesmo com a médica do hospital de Amarante que após 2 consultas ao meu pai o mandava para casa com um ar arrogante e dizia ” Vá para casa que isso é stress e deixe de ser piegas” !!

    • Lúcia Gomes diz:

      O meu pai só fez a radioterapia no IPO, nada mais. Foi sempre assistido no Hospital S. Sebastião EPE, em Santa Maria da Feira. E repito – sobre médicos e enfermeiros/as, nada a dizer. Mas muito sobre a administração do hospital e o Governo do país.

  50. Ana Sousa diz:

    Ouvi o Carvalho da Silva (e desde já esclareço que a minha ideologia assenta no humanismo, não quero saber do capitalismo nem do comunismo para nada!) e concordo com ele. Antes de mais, lamento a morte de qualquer pessoa, e num sofrimento atroz como foi o caso, depois, quanto à exaltação do seu valor enquanto economista não concordo com aquilo que defendia, que era – as finanças acima de tudo, independentemente dos meios para se salvar este sistema economicista onde as pessoas não contam para nada! Por isso, sob o ponto de vista profissional, não tenho admiração nenhuma por esta criatura… Que Deus lhe perdoe!

    • Lúcia Gomes diz:

      E tendo pouco a ver com o assunto, um pequeno comentário: não se pode ser comunista sem se ser humanista.

      • Paula Paiva diz:

        Exma. Sr.ª D. Lúcia Gomes, quero prestar-lhe as minhas homenagens pelo seu texto “Das Desigualdades da Morte” e dizer-lhe que o seu estimado PAI irá continuar a ter para todo sempre o maior orgulho pela filha que tem. Eu sei bem o que sente porque também já não tenho o meu comigo fisicamente. Sigamos em frente honrado sempre as suas memórias e levando a vida o melhor possível. Obrigada por existir. Felicidades. Paula Paiva

  51. antónio g. teixeira diz:

    É Muinto triste, vergonhoso , como é possivel, isto acontecer num pais que os nossos, governantes tentam fazer passar , como um pais desenvolvido, O nosso Serviço Nacional de Saude, está em completa desarticulação , para entregar aos Grupos privados tudo o que cheire a lucro .Até quando este povo, suporta esta provocação ?. Sim até quando ?.

    a

  52. ze diz:

    Antes de mais os meus sentimentos às 3 famílias aqui descritas.
    na antiga URSS eram comunistas e não eram humanistas, quanto e quanto foram mortos, nos campos da sibéria?? cerca de 2 milhões morem à fome na Ucrânia porque Estaline viu que eram a melhor maneira de matar parte de uma nação. Estaline que defendia a não existências de classes e eram contra o capitalismo no fundo matou milhões de pessoas e as pessoas mais a esquerda nada dizem, o que temos aqui é o extremo do capitalismo quem tem dinheiro ainda consegue adiar a morte e aliviar a dor que não tem morre mais cedo. este é o mundo que temos.
    que futuro?
    das pessoas que aqui falaram estarias dispostas a um aumento de impostos de cerca de 50% do que ganha para financiar o SNS ??? nos países nórdicos os impostos ainda são mais elevados do que portugal,!! quantos empregos criaram ao longo da vida? se criaram qual o salário que pagou?
    o problema de portugal é as assimetrias de rendimento que nos últimos anos tem vindo aumentar, culpa nossa porque somos nos que escolhemos os nossos políticos, os mesmos políticos que gastaram dinheiro em estádios que hoje estão vazios, que saem de ministros e vão para construtoras como presidentes e endividaram varias gerações com as scuts,que se apropriam do bpn para lesar o estado, que se apropriam do estado para job for the boys, que de recurso em recurso tentam evitar a cadeia ( no caso do Isaltino nem as contas da Suiça valeram )
    é este o pais que temos, em vez de falarmos porque não nos candidatamos a deputados,? porque não fazemos petição sobre este assunto para levar a assembleia da republica ?
    basta de falar…… é preciso agir, fazer alguma coisa…

    • Lúcia Gomes diz:

      Meu caro, já fui várias vezes candidata a vários órgãos no poder local e central.
      Denuncio estes casos e luto, no concreto, contra estas injustiças.
      Oxalá mais de nós o possam fazer.
      Cumprimentos.

  53. Fernando Fernandes diz:

    Vejo muitos comentários e todos são contra os políticos e a forma como governam o nosso país, acho que têm razão mas, onde estão vocês no dia das eleições? Onde estão vocês nos dias de greves gerais e manifestações? É nestas alturas que podemos mudar o País e quem nos governa, se não servem façamos o boicote ás eleições. Assim saberão que nenhum serve nem merecem a nossa confiança enquanto políticos. Como è possivel um político que nunca trabalhou, não tem qualquer experiência profissional, portanto sem um curriculo que ateste que de facto é alguém competente, consegue através de eleições internas do seu partido ser candidato a governar um país. Ele é que é o burro? Não! Somos nós, o povo que votamos neles.

  54. Liliana Costa diz:

    O que alguns parecem esquecer é que há uns anos atrás o SNS pagava todos esses tratamentos e todos tinham direito a um tratamento condigno…. infelizmente os Antónios Borges deste país conseguiram que a situação hoje em dia seja a descrita!

  55. Pingback: Das desigualdades da morte

  56. é triste ter de se morrer de doença tão grave e tão dolorosa quer para o doente quer para a familia. Embora compreenda as razões da sua revolta, não concordo quando diz que o SNS não trata bem os doentes. Poderá dizer que existem pessoas maltradas nos hospitais concordo consigo, embora com esta politica destes governos o nivel do SNS tenha baixado, devemos pôr os olhos em milhares de doentes oncologicos que estão a ser tratados neste serviço e muito bem tratados. falo com conhecimentos de causa tanto do meu afilhado de 12 anos que morreu de leucemia no IPO e que de tudo fizeram para aliviar seu sofrimento, falo de uma idosa de 87 anos de quem tomo conta que foi operada cancro intestinhos que foi seguida no Hospital Lusiada atraves da ADSE e que esta curada e os medicos tudo fizeram para que ela não sofresse tanto com muito carinho e cuidados, tenho uma amiga com cancro no pancreas tem 57 anos esta a ser tratada no Hospital Santa Maria pela SNS e esta esperançosa pois a forma como tem sido tratada lhe dá essa esperança,,. penso que não poderemos tranferir o odio para pessoas que por serem ricas achemos que não sofrem, sofrem sim e suas familias ficam igualmente desestruturadas. Portanto sejamos realistas lutemos por um SNS digno para todos, refilemos com quem de direito, batamos á porta dos que nos tratam mal, saiamos à rua para nos fazermos ouvir…isso sim ajudaria aqueles que como o seu pai não tiveram a mesma sorte nos tratamentos. As mortes são sempre de lamentar sejam elas de pobres ou de ricos. é triste ver pessoas inteligentes penso eu baterem da mesma tecla ” a culpa é dele porque é rico”, não a culpa é nossa por não exigirmos ser tratados como eles. de uma coisa temos a certeza eles morreram e isso é triste.
    respeitosamente,
    Filomena

    • Lúcia Gomes diz:

      Filomena,
      em nenhum sítio neste post lê que os doentes são maltratados pelos profissionais do SNS. Nunca disse isso e ficou bem claro.
      E não me viu com ódio da forma como tratam os ricos mas leu, antes, uma crítica às políticas que permitem que os ricos sejam tratados de forma diferente. Tão só.
      E desculpe, a culpa não é nossa.
      Há muitos anos que o povo português exige melhores condições. Se devíamos ser mais a exigir? Sim. Se devíamos eleger quem faça políticas de igualdade, sim. Mas a culpa não morre solteira, muito menos atribuída apenas a “nós”.

  57. Das desigualdades da morte. | cinco dias, ¿Que mas nos puedes explicar?, me resulta practico este articulo. Saludos.

  58. alexandre diz:

    lamento a morte de todos que deixam entes queridos, mas aqui no brasil nao é diferente, perdi minha mãe dia 30 de setembro, sem medicos que estavam de greve, e só descubrimos a causa da morte no atestado de óbito. Os politicos corruptos do brasil tratam em hospitais particulares a custa do povo. Justça e dignidade a quem merece.

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