Capitalismo para tótós

Há poucos anos as bombas de gasolina em self-service generalizaram-se. Dizia-se que eram mais rápidas e esperava-se que pudessem vir a vender mais barato. Contudo, o progressivo desaparecimento dos gasolineiros não confirmou nem uma nem outra ideia. Hoje “o sistema” tende a atrasar com o pré-pagamento, ainda que só emita factura válida após o fornecimento da gasolina – condenando os novos gasolineiros a um idiota entra e sai da estação de serviço – e a liberalização derrubou as expectativas da diminuição do preço – condenando os novos gasolineiros a um pateta jogo de acumulação de cartões de desconto entre supermercados e estações de serviço.
Mas este não é caso único de substituição do trabalhador não pela máquina mas pelo próprio consumidor.
No caso da empresa IKEA, a ausência de quem possa servir à mesa ou recolher os pratos das suas áreas de restaurante é assumida em cartazes espalhados pelas suas zonas de refeição e transmitida ao comprador como uma se se tratasse de regras de boa educação. No IKEA “deixar a mesa limpa no final é uma das razões para pagar menos” e assim “os nossos colaboradores terão mais tempo para cozinhar e para o servir melhor”. Dois argumentos difíceis de aceitar, dado que ninguém imaginará as cozinhas desta multinacional pejadas de fantásticos cozinheiros dispostos a fazer arte das bolas de carne e salmão congelados que chegam da Suécia – com tudo rigorosamente enquadrado por directivas comunitárias feitas à medida – ou que as funestas iguarias constantes do seu cardápio não serão vendidas mais caras porque o IKEA acha que somos bem educados.
É sempre com o engodo do preço que, nestes e noutros caso, vamos assistindo em silêncio à progressiva eliminação de postos trabalho em prol do lucro vendedor.

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30 respostas a Capitalismo para tótós

  1. «Para totós? Só?» diz:

    Segundo li nos jornais, o dono do Ikea – que residia na Suiça, por questões de impostos – parece que inventou uma mais forma uma de «do-it-yourself»: a de que sejam os refugiados a construir as suas casas nos para onde foram enviados. Agora já não são utensílios, mas de «casinhas» que com certeza irá vender à UNHCR, UE e outros países mais que têm refugiados (aos srs. capitalistas/selvagens/gananciosos/enlouquecidos para acrescentar mais uns dígitos à sua continha bancária).

    Durante um certo tempo, viveram em casa dos meus pais, refugiados do Congo Belga. Não me interessa muito a questão política para dizer a verdade. Nessa altura não deveria haver tantos refugiados «contados» … mas se calhar sou eu que estou enganada.

    Isto de fazer casinhas «à la Ikea» deve ser muitíssimo rentável… é por isso que tenho a convicção de que as guerras se traduzem num aumento muito considerável de lucros obtido à conta de pessoas que são apanhadas no meio do tiroteio.

    Isto já para não falar no negócio das armas, droga, etc., por aí fora…não me parece que nada disto seja por acaso. Devem andar todos bem «articulados», os ditos «Maus Selvagens».

    Pode um dia chegar aqui, a Portugal. Quem sabe? Não me parece nada despropositado pensar nisto: utilizam motivos políticos «formais» para fazerem guerras e que basicamente se traduzem na disputa de: água, comida e energia, sob diversas formas e «pacotes».

    Mas isto é apenas o que penso. E não serve para debate porque se trata de uma evidência.

  2. JgMenos diz:

    Ocorre-lhe pensar que para além do lucro do vendedor poderá haver menor preço para o consumidor?
    Uma coisa convirá que saiba sobre lucros:
    Para lá da fase de decisão de investimento, a taxa de lucro alvo não é calculada sobre o capital investido mas sobre o volume de negócios.
    Maior o custo, maior o preço, maior o lucro por unidade vendida.
    A única razão que leva a reduzir essa taxa de lucro é a de que a diminuição do preço daí resultante conduza a volumes de negócio que aumentem estavelmente o lucro total.
    É claro que, quem fala em lucro logo desperta todos os demónios da sua religião…é a vida!!!!

    • De diz:

      Ouve-se falar em lucro e corre pressuroso Menos.
      Com esta conversa da treta pós-moderna que afinal é velha como o capitalismo. A exploração do Homem pelo homem, escondida atrás de rendilhados do género. O que sobra do capital é este cheiro que tresanda a mumia paralítica que se emboneca para parecer bem mais nova, como que “a la page”
      O capitalismo a mostrar que nada mais há a esperar de bom dele, embora alguns dos seus sacerdotes proclamem que este está de saúde e que se recomenda.Nesciamente o fazem
      Menos entretanto só se mostrará indignado por não se ter despedido mais, ou por não se ter ido mais longe no ataque ao trabalho.Ai verterá urros de indignação

      • JgMenos diz:

        Bom mesmo é o ‘camarada director’ passar o decreto do que vai acontecer aos produtos (preços e quantidades) cada cinco anos … até ao colapso final como na URSS!
        Ou manda fazer cidades que ficam vazias como acontece em toda a China!
        Ou fome e miséria como na Coreia do Norte!
        Ou com uma moeda para ricos e outra para pobres como em Cuba!
        E SEMPRE sem liberdade de escolha ou iniciativa!

        O capitalismo até pode ‘ferrar na nuca do povo’ como diz a canção, mas oferece-lhe tudo e só o que o povo quer ter; óbviamente a troco de dinheiro, que para a maioria significará trabalho e para alguns subsídios!
        No capitalismo sempre o povo pode liquidar gigantes – basta não comprar o que ele oferece no mercado, porque é livre de o fazer e ninguém lhe dá senhas de racionamento com marca!
        O lucro é antes demais a comprovação do acerto de uma proposta de produto ou serviço – podendo haver excepções quando o Estado se mete no assunto e começa a instituir privilégios ou a corromper regras de concorrência quando o seu dever é garantir a eficácia de tais regras e limitar o seu mau uso.
        Nota: para ter um juro do seu depósito no banco, alguém vai ter que lucrar com o seu uso.
        O capitalismo ‘De’ tótós!

        • De diz:

          Camarada director?
          De quem falará Menos?
          Dalgum seu conhecido membro do governo com quem trocou afinidades,mordomias e outras coisas mais?

          Eis Menos em busca da salvação na URSS, China, Cuca e Coreia.
          O coitado nem sequer é coerente.Há dias falava na China com aquele entusiasmo que tenta ler na China o futuro do capitalismo.Mudou de ideias após lhe terem desnudado o argumentário?

          Fala depois em “sempre” com o tom ligeiramente histérico que reserva para algumas ocasiões.
          Menos acalme-se e deixe de soletrar disparates em letras garrafais.A liberdade de criação está bem patente em Cuba.Também a de escolha,só que não entre os que se apropriaram dos meios de produção e exploram os seus concidadãos.

          Sorry Menos.Mas parece que em Cuba as crianças não passam fome nem morrem desta.
          É o que diz a ONU
          Menos a ficar do tamanho do nick…em dó …menor?

          • Dezperado diz:

            “Apenas dois dias depois de desembarcarem no Brasil para o Programa Mais Médicos, os médicos estrangeiros tiveram evidências de que os profissionais cubanos não vão desfrutar da mesma liberdade que os demais inscritos no projeto do governo federal. No que foi classificado como o momento mais tenso desde o desembarque dos cubanos em Brasília, a vice-ministra da Saúde de Cuba, Márcia Cobas, deu ordens expressas para que os médicos não deixem os locais onde estão hospedados para fazer qualquer tipo de atividade de lazer.”

          • De diz:

            Mas o que é isto?
            Uma manobra desperada ?
            Uma manobra desesperada de desperado?

            A citação em causa é sobre as crianças cubanas?
            Sobre a liberdade de criação?De escolha dos seus representantes?
            Hummm

            Mas porque é que este desperado não coloca o local onde foi buscar a informação?
            Foi à Veja?
            Ligada à direita e ao crime organizado?
            Hummm

            Por acaso até meste artigo se diz:”A cubana Maira Perez Sierra, formada em Medicina Geral Integral, negou qualquer problema nos primeiros dias de estadia no Brasil. “Nos receberam com muito boas condições, com muita qualidade, numeraram nossas camas, nossos nomes estavam afixados. Nos trataram muito bem. Tinham internet e telefone à disposição. Não nos sentimos aglomerados”, relatou.”

            Por acaso dá particular gozo como nesta notícia, replicada pelos blogs da direita caceteira neoliberal , se verifica nalguns destes blogs a censura desta simples frase da médica cubana.
            Basta ir ver.

            Humm

        • De diz:

          A troco de dinheiro?
          O dinheiro com que o capital tenta comprar favores e tenta pavimentar o seu caminho a caminho da concentração do capital?

          Menos tenta apresentar o capitalismo como “popular”.Tenta até apresentar o capitalismo como ofertante de tudo o que o povo quer.
          Menos tenha vergonha.Não seja néscio.Os sem emprego, sem habitação,sem saude, sem educação , que morrem à fome ou que se suicidam em desespero são o resultado das ofertas do capital.
          A liberdade da “livre escolha,livre iniciativa” ao laod da liberdade de morrer num canto sem assistência médica ou sem comida para viver.
          São assim os sacerdotes ( não quer que ponha a definição pois não Menos?) de classe da burguesia.

          “Pode-se até liquidar gigantes ” diz Menos .Mais uma tentativa falhada de passar por cima dos monopólios existentes.Por exemplo em Portugal existia o capitalismo monopolista de estado.Lembra-se Menos ou do fascismo só conhece o caracter progressivo como um dia de forma repelente o qualificou?

        • De diz:

          Mas deixemos os apartes semi-desesperados e entremos na questão do lucro, tão aqui ridentemente sublinhada por Menos:

          O lucro, banalizado por séculos e séculos de exploração e opressão, e particularmente sacralizado durante o advento e a consolidação do Capitalismo, é essencialmente o resultado de uma apropriação, legitimada pela lei que é, por sua vez, escrita e decretada pelos representantes de quem se apropria.
          Todo o lucro representa uma apropriação dos frutos do trabalho alheio, e nenhum lucro é legítimo moralmente, apesar de o ser legalmente.

          • Dezperado diz:

            “Todo o lucro representa uma apropriação dos frutos do trabalho alheio, e nenhum lucro é legítimo moralmente, apesar de o ser legalmente.”

            ???????

          • De diz:

            Quer bibliografia para o ajudar a interpretar?

            (Ou talvez seja melhor…)

        • De diz:

          Mas tornemos ainda mais clara esta questão:
          O lucro é obtido através da apropriação das mais-valias do Trabalho, descontados os custos fixos. Ou seja, se eu produzir 1000 euros por mês em peças e o patrão me pagar 10 euros por mês, isso significa que a mais-valia é de 990 euros, donde descontará as rendas e custos com matéria-prima.

        • De diz:

          O capitalismo para totós: é isso mesmo.
          Sorry Menos mas a verdade acima de tudo.

          A obtenção de um lucro é justificada pela existência de um “risco” subjacente a um investimento. Já vamos denunciar o conceito de risco .Mesmo admitindo a concretização plena do falhanço do investimento, o “investidor”-patrão tem apenas a perder uma certa riqueza que já amassou através de uma apropriação no passado (lucros anteriores) ou, na pior das hipóteses, tem a perder apenas a sua condição de patrão e a ver-se forçado a integrar-se em igualdade perante todos os restantes seres humanos, como trabalhador.
          O lucro, justificado pelo risco e pelo investimento, deixa de ter justificação quando se percebe que afinal de contas nem um nem outro são reais. O “risco”, quando existe, é sempre inferior aos riscos que corre um trabalhador. O “investimento” não é mais do que afinal a utilização de “lucros” obtidos por roubo e apropriação e, como tal, é dinheiro de quem trabalha nas mãos de quem não quer trabalhar.

  3. José Sequeira diz:

    Só fui uma única vez ao Ikea, porque uma das minhas filhas queria comprar uma coisa qualquer. Felizmente não encontrou nada que lhe agradasse. E almôndegas só de carne alentejana. Parece-me até que é uma boa maneira de, quem lá vai, fazer um protesto como deve ser: Come, não arruma e deixa um papel na mesa, bem visível a explicar porque não o fez.
    Aí está uma luta que vale a pena.

    • JgMenos diz:

      A empolgante luta da falta de civismo e da sujeira.
      Porquê não espalhar o lixo nas ruas em vez de pôr no saquinho? Seria preciso mobilizar dez vezes mais lixeiros! Avante…

      • De diz:

        Eis como desta forma singela, Menos distorce de forma grotesca o que se disse e o que se diz.
        Espalhar o lixo espalha Menos por aqui.Desta forma grotesca.Faz o seu papel.Anda aos papéis

  4. Rafael Ortega diz:

    que grande chatice.

    eu que gostava tanto dos elevadores que tinham uma pessoa a mexer uma alavanca para subir ou descer. Os botões vieram destruir postos de trabalho.

  5. Dezperado diz:

    Acho que mais grave que isso tudo foi o aparecimento do tractor para lavrar a terra. Se fosse tudo como antigamente, havia muito mais pessoas com emprego nos campos.

    • Rafael Ortega diz:

      E os teares mecânicos?
      E quantos moleiros ficaram desempregados com as máquinas industriais de moer cereais?
      E as bilheteiras automáticas no comboio e metros, quantos funcionários poderiam ter emprego a vender os bilhetes?
      O pior de tudo é as máquinas multibanco, que os porcos capitalistas dos banqueiros meteram para mandar gente para a rua.

      No fundo, tudo o que torna as empresas mais eficientes é mau. Em vez de comprar leite no supermercado devia ainda haver leiteiro de porta à porta.

      • Francisco diz:

        Olhe à custa dessa história das máquinas de bilhetes e das máquinas de validação no metro do porto, eu ando todos os dias (fazendo normalmente entre 2 a 4 viagens por dia) de borla. picas são uma raridade e a inexistência de qualquer barreira física, à semelhança do que acontece em lisboa, permitem-me deslocar para o trabalho e em lazer poupando 30 eur mensais, que sempre dão para a droga. neste caso, obrigado modernidade.

    • De diz:

      E o tractorista será quem tem da ética a noção de tractor?

      A calúnia e a aleivosia ideologicamente programada, ao serviço da classe dominante?

  6. «Sem falsa modéstia» recomenda-se a leitura do livro «O PREÇO DAS COISAS – Conversas à volta de um café» da editora «Página-a-página»…
    Ainda espero ter tempo para escrevinhar (com detalhe Q.B.) como se passou – historicamente falando – da noção social. de «produto excedente» para a noção de «lucro capitalista»…
    E de como na noção de «lucro» (sem mais nada…) se vieram a combinar noções como «prémio de eficiência», «prémio de inventiva» e «tributo de propriedade»…
    Para além da banal mas muito propalada mitologia do «prémio de risco»… E da «satisfação de necessidades» e da «soberania do consumidor»…

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