A Caminho das Autárquicas (II)

A imagem criada é a imagem que fica: não se vê nem se ouve falar de Bloco de Esquerda, a não ser para tentar impugnar candidaturas. É algo que, sinceramente, lamento. Entrar e sair de um processo eleitoral autárquico, com uma imagem de quem batalha por ganhos na secretaria e de quem vira as costas ao poder local – subalternizando completamente o debate de ideias, a apresentação de propostas, etc. -, é algo de que nenhum bloquista se deveria orgulhar. Afinal de contas, sendo o Bloco uma força de esquerda, deveria como tal querer ter uma maior ligação popular e exercer maior influência nos locais onde a democracia começa. Infelizmente, antes mesmo de porventura poder vir a tomar posse nalguma autarquia, o Bloco resolve começar por demitir-se. E é pena.

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Sobre Ivo Rafael Silva

Mestre em Tradução e Interpretação Especializadas; Licenciado em Assessoria e Tradução; Investigador de História e Etnografia; Investigador do Centro de Estudos Interculturais (CEI) do ISCAP; Tradutor freelance; Secretário administrativo; Militante do PCP desde os 18; Membro da JCP desde os 16.
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17 respostas a A Caminho das Autárquicas (II)

  1. “com uma imagem de quem batalha por ganhos na secretaria e de quem vira as costas ao poder local”.

    Não é verdade: os manifestos e programas eleitorais estão no terreno assim como os seus protagonistas. O Bloco luta pela aplicação da Lei de Limitação de mandatos e, até ao momento, o nº de candidatos ineligíveis é superior.

  2. Camarro diz:

    Aqueles que, no seio do PCP, sempre defenderam algum tipo de entendimento com o BE, como é o meu caso, têm, cada vez mais, a vida dificultada. É bom recordar que no último encontro entre as direcções dos 2 partidos esteve presente o coordenador autárquico do BE. Não sei se a questão das impugnações foi ou não tratada nessa reunião. O que eu sei é que o BE, à boleia das sua fragilidades organizativas, tem-se prestado a um triste papel neste processo autárquico. Sabendo a importância que o PCP dá às eleições autárquicas, não tenho dúvidas que este episódio dará a estocada final numa hipotética convergência à esquerda.

    • Subscrevo. Todavia não diria que seja a “estocada final”, mas que está a ser encarado como uma afronta, lá isso está.

    • José Peixoto diz:

      Pois, o BE é que se presta a um triste papel por defender aquilo que acredita, está bem abóbora. Assim como se prestou a um triste papel quando tentou facilitar o concurso de listas de cidadãos apresentando uma proposta de lei na AR que TODOS os outros partidos votaram negativamente.

  3. exvotantedoBE diz:

    Lamentavelmente, o BE está a fazer uma figura triste e tonta.Poderei dizer de populismo saloio para não dizer fascista(não do BE) mas da ‘revolução’ Branca. OTPOR?????
    O BE,não tem um corpo ideológico definido-é assim,uma ‘coisa’ que foi alavancada pelos media(PRIVADOS)….

    • José Peixoto diz:

      O BE,não tem um corpo ideológico definido – essa não é de Queirós!! de certeza que só lhe contaram a si. Aliás é por ser “coisa alavancada pelos media ( PRIVADOS)” que o BE é o partido com assento parlamentar com menos presença na imprensa (escrita, falada ou televisiva). Repare que isto não é uma queixa é uma constatação. Defender que um partido que nasce da fusão de partidos com história e de gentes com percursos reconhecidos e notáveis é um partido sem ideologia é de quem acha que tem a marca registada de toda a ideologia.

    • exvotantedoBE diz:

      “Defender que um partido que nasce da fusão de partidos com história e de gentes com percursos reconhecidos e notáveis é um partido sem ideologia é de quem acha que tem a marca registada de toda a ideologia.”Para si,isto é uma proposição necessária e suficiente,ou uma equivalência, É o mesmo q dizer q a zita se abra ,é uma marxista!!!!!Coisa que o BE,NUNCA ,mas nunca se declarou embora eu conheça pessoas do BE marxistas.

      • José Peixoto diz:

        Suprapartidária, não quer dizer antipartidária, nem sequer apartidária, quer dizer que extravasa o restrito âmbito partidário, mas não o exclui. Só isso. O perceber isso é o que nos diferencia.
        Claro que não me chamou aldrabão, apenas afirmou que o que eu disse era uma falsidade.
        Há leis que são justas, porque têm uma carga ética, são baseadas em valores. Não sei se foi uma lei de direita ou não, sei que a direita é muito afectada por ela, mas mesmo que o não fosse seria o mesmo. O PCP sente-se atingido nos seus interesses? É legítimo. Mas não me venha com essa de nos querer encostar à direita ao fim da força para defender o seu ponto de vista. Sabem bem que nós somos de esquerda, que não temos espartilhos que nos impeçam de optar por aquilo que consideramos justo e correcto.

      • José Peixoto diz:

        O passado é uma referência, não uma desculpa para o presente. A Zita Seabra por muito que queira não pode apagar o que foi e o que defendeu mesmo que agora defenda exactamente o oposto. É um problema dela, e do seu sentido de coerência e dignidade. É o que se passa connosco exactamente. Temos o nosso passado, não o renegamos, bem antes pelo contrário, faz parte do nosso ADN, fez-nos chegar ao que hoje somos e nos orgulhamos de ser.

  4. José Peixoto diz:

    Promove candidaturas de cidadãos, reinventa a propaganda autárquica, inova nas propostas, mas está parado? É um ponto de vista que respeito, mas que acho muito, mas mesmo muito parcial.

    • – “Promove candidaturas de cidadãos” mas tenta subtrair candidaturas de outros cidadãos. E como se essas que tais “candidaturas de cidadãos” fossem “por natureza” orgânica ou individualmente melhores ou piores que as que são corporizadas por partidos.

      – “Reinventa a propaganda autárquica” é uma presunção no mínimo exagerada.

      – “Inova nas propostas” é uma coisa genérica e, pelo que tenho visto da campanha do BE, falaciosa.

      • José Peixoto diz:

        Um partido tão pouco expressivo suscita tanta preocupação!! Tenta subtrair candidaturas de outros cidadãos? A lei da limitação de mandatos existe e é clara. Não concordo com a posição do PCP, mas é legitima na defesa do seu interesse próprio. Por isso se recorre a tribunais. Eles decidirão espero que em boa consciência.
        Promover candidaturas de cidadãos é promover listas suprapartidárias, sustentadas num programa de esquerda. Percebo que para si isto seja esquisito.
        Admito que reinventar a propaganda autárquica lhe soe a exagero, mas a verdade é que o temos feito, com criatividade e inovando nos métodos.
        Quanto à última crítica, isso é política. É o que vai estar em discussão e irá a votos. Mas dado que simpaticamente me chamou aldrabão, não resisto a dizer-lhe que não há maior cego que aquele que não quer ver. Seja lá qual for o motivo que provoque essa cegueira.

        • 1) É confrangedor ver todo esse empenho e zelo na defesa de uma lei que foi, afinal de contas, criada pela direita. E ainda se gabam disso.

          2) E volta a dar-lhe com as candidaturas “suprapartidárias”. Mas que raio de maior legitimidade e maior valia têm esses face àquelas que são partidárias? E se as primeiras são tão importantes assim, se merecem tamanha preocupação e promoção, porque milita no Bloco, que também é um partido?

          PS: Não chamei aldrabão coisa nenhuma. Apenas desmontei os seus argumentos.

    • As candidaturas que o BE promove são de cidadãos. As dos outros partidos são de extraterrestres?

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