A solução final

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Ainda não li todos os artigos, mas para já destaco a conclusão do artigo do Francisco Louçã: “a única agenda que pode criar uma maioria de esquerda é a luta contra a dívida. Um governo de esquerda só pode ganhar se constituir uma aliança e essa aliança exige clareza da anulação de dívida. Esse governo deve estar preparado para rejeitar todas as pressões do capital financeiro e para tomar todas as medidas que sejam necessárias nesse sentido, incluindo sair do euro se essa for a única solução que sobrar. Essa preparação exige trabalho detalhado e cuidadoso, juntando muitos dos e das melhores economistas de esquerda. Esse trabalho está por fazer. É melhor começar já.”

A minha divergência com o Francisco Louçã ficou reduzida ao tempo verbal. O governo de esquerda que defenda de forma intransigente o interesse dos trabalhadores e das trabalhadoras deve contar com a mais acérrima oposição da burguesia nacional e europeia. A não ser que esse governo esteja disponível para negociar e ceder na defesa desse interesse (de quem vive do trabalho), sair do euro (e não só) já é a única solução que sobra. 

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75 respostas a A solução final

  1. A “questão” não está na “análise”, mas no caminho político proposto dada a capacidade mobilizadora das propostas… Há neste momento um grande consenso popular na luta contra a dívida … já em relação à saída do Euro só cerca de 8% (mais ou menos, com base em sondagens) é que o defende. Uma política “virada” para as massas não deve, nem pode colocar à cabeça a saída do Euro… além disso, outros países europeus, estão como Portugal e outros virão a estar … deveremos “tentar” criar Governos de Esquerda por toda a Europa, para ter mais força e abrir a perspectiva de uma luta comum contra as regras estranguladoras da União Europeia. Mesmo que a tua análise esteja correcta, e vou admitir que há uma probabilidade crescente, de estar correcta… levantar como eixo político imediato … é um erro grande … de isolacionismo político … se a Esquerda seguisse essa estratégia estaria a entregar todos os runfos à Direita.

    • JgMenos diz:

      …toca a mandar umas bocas para chegar ao poder…e depois logo se verá!
      Nada de novo.

    • Argala diz:

      “Uma política “virada” para as massas não deve, nem pode colocar à cabeça a saída do Euro”

      Claro, óbvio não é?!?! Porque essa frente significaria perder eleitorado. Mas o que é que é mais importante?!?! Limitar a análise para navegar a onda, ou fazer uma análise correcta da situação e evitar toda a futura desconfiança dos trabalhadores?

      O problema, concedo, é que sair do euro cria enormes problemas no curto prazo. Concomitantemente, teria que se repudiar a dívida (com a dívida bancária ao exterior incluída), expropriar os grandes sectores, anular uma série de contratos que o Estado assinou (PPP’s) e reindustrializar em tempo recorde.

      • Rafael Ortega diz:

        ” reindustrializar em tempo recorde.”

        Com que dinheiro é que vai comprar as máquinas e as matérias-primas?

        assim que Portugal sair do euro a moeda que criar fica a valer menos que o papel em que estiver impressa.

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Oxalá as pessoas tentassem perceber as consequências de sair do euro antes de tal propor. Uma coisa teria sido não aderir ao euro, outra, muito diferente, é sair dele. Pessoalmente só vejo duas maneiras em que sair do euro não seria um total desastre. Uma seria os países do sul da Europa – Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Chipre e Eslovénia – sairem do euro em conjunto, e em conjunto criar uma nova moeda comum que permitisse reduzir as consequências mais negativas dessa saída. A outra seria Portugal aderir temporariamente a uma outra moeda, como o real brasileiro, que permitisse uma desvalorização cambial sem correr o risco de que essa desvalorização fosse excessiva e repetida. Pasados uns anos, quando a economia portuguesa estivesse equilibrada, já seria possível adoptar de novo uma moeda nacional sem inconvenienetes.

    Mas agora, se saíssemos do euro isoladamente e readoptássemos o escudo, acontecer-nos ia o seguinte:

    – quebra significativa dos salários reais
    – inflação a dois dígitos
    – empobrecimento generalizado
    – subida das taxas de juros para os dois dígitos, dificultando o investimento pelas empresas e a aquisição de bens duradouros pelos particulares
    – subida do peso da dívida em termos do PIB
    – pequena melhoria da competitividade externa, apenas conseguida à custa da queda dos salários reais.

    Se é isto que querem, força! Toca a sair do euro!…

    • Rocha diz:

      O Nuno ainda é do MRPP ou já aderiu ao bloco?

      Ui ui que omundo vai acabar se não nos submetermos à chantagem! se não obedecemos à Troika expulsam-nos do euro e é o fim do mundo!

      Eis a falácia de que se serve o reformismo para justificar a sua capitulação ao grande capital europeu imperialista.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        O MRPP é um partido de esquerda que não deve ser ignorado apesar das suas peculiaridades. Tal como o BE. Ninguém tem o monopólio da verdade digam o que disserem as ideologias no seu fanatismo quase religioso.

        Quanto ao euro é apenas uma moeda. Só temos de saber avaliar se é a moeda que agora nos interessa ou não, e se as alternativas são melhores ou piores. Tratar o euro como se fosse o diabo e perder o tempo com exorcismos anti-euro só pode passar pela cabeça de imbecis. Eu sou a favor da saída do euro se a alternativa for melhor – o que para já me parece muito duvidoso – e sou contra se a alternativa for pior. Não endeuso nem demoniso o que é apenas uma moeda entre muitas. Não será a altura de abandonarmos as fórmulas mágicas e começarmos a ser racionais?…

        • Rocha diz:

          Mas viver debaixo da bota de potências capitalistas é racional? Subscrever à chantagem de ou nós (UE-eurozona) ou o diluvio é racional?

          Estamos aqui a fazer análises de custos e beneficios como se isto fosse uma questão de contabilidade. E o estatuto de protectorado – colónia ainda não é oficial mas vem a caminho – é lhe indiferente? Ou o Nuno até não se importa de viver num país colonizado se os indicadores económicos até, por obra do dvino espírito santo, até lhe parecer ter um panorama mais positivo?

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Mas será que a nossa real situação de dependência depende da moeda que estivermos a utilizar? Se tivéssemos o escudo em vez do euro, seríamos menos dependentes? O que nos torna dependentes é não produzirmos, em valor, o que é necessário para satisfazer as nossas necessidades. Se produzíssemos, tanto fazia ter o euro como qualquer outra moeda. Por isso acho que investir em capacidade produtiva, para o mercado interno assim como para o mercado externo, é que devia ser a nossa prioridade, em vez de andarmos a perder tempo com a saída ou não do euro.

          • De diz:

            Sinto-me ujm pouco constrangido perante este comentário.
            Vejamos:
            O meter a cabeça debaixo da areia não leva a lado nenhum.
            Para começar a saída do euro sem ser por vontade própria é uma possibilidade, que economistas sérios ( nem sequer ponho economistas de esquerda) colocam como hipótese plausível. O “perder tempo” em não se ter estado atento a tal hipótese seria catastrófico.
            Por outro lado, pesem os desejos isolacionistas de alguns. o debate já não está acantonado em meia dúzia de especialistas em Portugal.Seria bem melhor estar-se atento à discussão que grassa por essa europa fora.Por exemplo mesmo aqui ao lado chegam-nos achegas importantes:
            -Sair ou não do euro.Um debate necessário
            http://blogs.publico.es/dominiopublico/7315/salirse-o-no-del-euro-un-debate-necesario/

            -Debate entre Jacques Sapir e Mélenchon
            http://foicebook.blogspot.pt/2013/08/euro-debate-entre-jaques-sapir-e.html

            Mas mais grave,muito mais grave é o não se perceber o papel do euro na presente crise.
            Tanto mais grave que mostra ignorar-se que há um claro antagonismo entre a permanência no Euro e a necessidade de se criarem condições para que o país cresça e se desenvolva.

        • De diz:

          “Pouco mais de onze anos depois da entrada em circulação do euro podemos dizer que são cada vez mais aqueles que questionam a permanência do euro como moeda única e que entendem que o crescente endividamento dos Estados da Zona Euro, resulta da sua dependência dos mercados para se financiarem.
          À medida que a actual crise económica e financeira, que se arrasta desde 2007, se vai desenrolando e que os desequilíbrios dentro da zona euro se vão acentuando cada vez mais é questionado o projecto da moeda única e o seu futuro.
          A nível económico, existe justificação teórica para a criação de uma moeda única para um espaço formado por diversas economias quando esse espaço cumpre as condições de uma zona monetária óptima.
          Nessas condições a introdução de uma moeda comum aumenta a eficiência na alocação de recursos e permite às economias que compõem a União Monetária desenvolveram-se em melhores condições do que se mantivessem as respectivas moedas próprias.
          No caso da União Europeia pode dizer-se que nenhuma das condições necessárias à criação de uma zona monetária óptima existia quando foi criada a moeda única e sem surpresa, a evolução das economias desde 1999 veio acentuar ainda mais essa realidade.
          Hoje, os países da zona euro não só não se aproximaram, como antes pelo contrário formam um espaço económico cada vez mais desigual.
          Alguns outros economistas defenderam e continuam a defender que os custos de se criar o euro num espaço que não era à partida, uma zona monetária óptima, existem, sem dúvida, mas que os benefícios da criação da moeda única mais que compensam esses custos.
          A principal razão que era apontada para afirmar que os benefícios sobrelevam os custos tem a ver com a suposta protecção que uma moeda como o euro, de peso na esfera mundial, daria ao equilíbrio monetário e financeiro dos países que compõem a união monetária, resguardando-os dos impactes destabilizadores da globalização financeira.
          A profunda crise que vivemos actualmente demonstra que tal não tem sucedido.
          O euro foi incapaz de assegurar o equilíbrio cambial, monetário e financeiro e mesmo antes desta crise, os altos e baixos da sua cotação face a outras moedas eram disso um claro sinal. Depois da crise, casos como o da Grécia, de Portugal, da Irlanda, da Espanha, da Itália, da Bélgica, da França e agora do Chipre pelo menos, que estão a atravessar uma das fases mais difíceis de desequilíbrio financeiro da sua história recente, demonstram bem a incapacidade do euro e das suas instituições de protegerem o equilíbrio financeiro das diversas economias.
          Pode concluir-se aquilo que nós próprios na campanha contra a moeda única no 1º semestre de 1997 tínhamos dito, o projecto da moeda única não tinha qualquer racionalidade económica, era e é um projecto político.
          A criação do euro confirmou-se, tal como sempre denunciámos, como parte do projecto estratégico de domínio do grande capital e das principais potências europeias, um instrumento ao serviço da exploração dos trabalhadores e dos povos e do aprofundamento das condições de rendibilidade do capital.
          A principal motivação política que esteve na base do projecto da moeda única foi criar um factor suficientemente poderoso para impulsionar a integração política na Europa, sob o domínio dos interesses dos alemães.
          A moeda única tem até hoje estado longe de poder ser considerado um projecto bem sucedido.
          Nos seus pouco mais de doze anos de existência, o euro não resolveu nenhum problema económico europeu importante, agravou alguns e fez surgir outros.
          O crescimento económico na zona euro desacelerou fortemente na última década face à anterior, o desemprego atingiu níveis elevadíssimos em especial entre os jovens, agravaram-se os défices comerciais com o exterior da União por parte das maiores economias europeia (com excepção da Alemanha) e surgiu um problema gravíssimo de sustentabilidade financeira dos Estados do Sul da Europa, que dependentes dos Mercados para se financiarem não só veem os seus níveis de endividamento disparar, como as taxas de juro desses financiamentos atingir valores insustentáveis, com os ritmos de estagnação e recessão económica em que se afundam.
          A UEM assumiu-se desde o início como um dos principais instrumentos para uma maior liberalização dos movimentos de capitais e, consequentemente, um maior grau de mobilidade do capital multinacional em busca de melhores condições de exploração da mão-de-obra e domínio dos mercados dentro do espaço europeu.
          Perante a situação actual que vivemos na zona euro, com três países a serem objecto de programas de assistência financeira por parte da Troika (Grécia, Irlanda e Portugal) e com outros países sob a ameaça de também eles virem a ser objecto de programas idênticos – casos da Espanha, da Itália e Chipre – sem qualquer perspectiva de se ultrapassar a crise económica e financeira que a zona euro enfrenta, são muitas as perguntas que os europeus e em especial os portugueses fazem hoje.
          Com a criação da zona euro prometeram-nos, mais crescimento e mais emprego e o que se viu foi exactamente o contrário, a nossa economia estagnou nos últimos 11 anos, o investimento caiu para níveis inferiores a 1995, o emprego diminuiu em cerca de 563 mil postos de trabalho, o desemprego aproxima-se em termos reais do milhão e meio, os défices orçamentais sucedem-se e endividamento do Estado não para de crescer.
          Prometeram-nos estabilidade cambial e o que aconteceu foi que passámos a ter com o euro uma taxa de câmbio que sobrevalorizou 30 a 40% a nossa estrutura produtiva, o que conduziu à destruição do sector produtor de bens transaccionáveis, a que pertence a esmagadora maioria do aparelho produtivo nacional, ao mesmo tempo que o sector produtor de bens não transaccionáveis enriquecia.
          Disse-se que com a adesão ao euro deixaria de haver problemas de financiamento e o que aconteceu foi exactamente o contrário, o Estado passou a depender do financiamento dos Mercados e o nosso país corre hoje o risco de ver o financiamento externo cortado e está dependente de um denominado “programa de assistência financeira” e de todo um pacote de medidas draconianas a ele associado. Como se tudo isto não fosse já um cenário de horror avisam-nos de que o ajustamento que está ser feito é para continuar por muitos anos.
          A presença do nosso país na zona euro conduziu-nos a uma situação quase insustentável – de estagnação, destruição do aparelho produtivo, desemprego, empobrecimento e crescente endividamento externo – que não é possível manter por muito mais tempo.”
          José Alberto Lourenço

    • De diz:

      O final deste comentário tresanda a demagogia. Barata.O que é grave vindo de quem vem.
      (e utilizo o termo “demagogia” para não utilizar um termo bem pior)

  3. JgMenos diz:

    ‘…exige trabalho detalhado e cuidadoso, juntando muitos dos e das melhores economistas de esquerda. Esse trabalho está por fazer.’!!!!
    Está tudo demasiado ocupado na muito afamada LUTA; mandar umas bocas é muito mais cómodo e o sucesso dentro da tribo é garantido! …”depois se verá” é o grande plano da esquerda!

    • De diz:

      Luta…tribo…bocas…
      A isto se resume o comentário de Menos.
      Ainda não se apercebeu que se torna ridícula e caricata a sua forma de tentar isolar a palavra “luta”.
      Como se esta mesma luta fosse um mal face à governação de terrorismo social. Como se quem afronta com coragem o jugo da troika interna e externa pudesse prescindir do seu direito de dizer Não a esta moixórdia a que o capitalismo abjecto nos conduziu.
      Quer-nos bem comportados JgMenos.Percebe-se porquê.

      Entretanto o trabalho prossegue.As alternativas a este mundo podre, venal e desumano são a cada dia que passa mais necessárias para se manter a condição humana.
      E todos os contributos são bem-vindos.
      A discussão não passa pelas tristes palavras “…luta..tribo…bocas
      Passemos adiante.O fundamental do post está aí na íntegra oara nos debruçarmos sobre ele e não em derivativos estereotipados

      • JgMenos diz:

        Faça uma incursão por um qualquer tratado de estratégia.
        Vai verificar que a luta está no fim de uma cadeia de pressupostos que visam alcançar a própria razão de ser da luta – a vitória.
        Quem não sabe o que quer e pode ganhar, vai lutar para…fazer prova de vida?!?

        • De diz:

          Vai fazer prova de muitas outras coisas
          E sobretudo vai fazer face ao terror desencadeado pela troika interna e externa.

          De resto os resultados desta acção de terrorismo social desencadeada pelo governo estão aí bem visíveis.O agachar perante o monstro por parte de quem é vítima deste monstro não é só uma prova de pusilanimidade.. É também uma prova de traição e de rendição. E os tempos não admitem pactuar com esta canalha. Bem pelo contrário é tempo de demonstrar que outro mundo é possível e que este já nada de bom tem para oferecer.Mesmo que tal obrigue a sacríficios, é tempo de dizer basta

          • JgMenos diz:

            Das coisa do outro mundo nada sei nem tenho interesse na matéria.
            Neste mundo, ao excesso segue-se o reverso; nem vejo que pudesse ser de outra maneira, salvo com algo vindo desse outro mundo que desconheço.
            A fé aos crentes!

          • De diz:

            A manutenção, para Menos, do status quo, é o objectivo último, que se traduz na alergia às alternativas a este.
            Compreende-se que Menos não tenha qualquer interesse na matéria da transformação da realidade social.Ele no fundo, proclamando a fé dos outros, é um beato. Um beato dos mercados e do capital.

            Mas não é este o tema do post.
            Encontrei este texto do Octávio Teixeira. Achas para a discussão
            http://www.odiario.info/?p=2873

          • JgMenos diz:

            Fui ver: ‘… .Apenas há que as estudar e fazer a sua aplicação cuidadosa às especificidades do país e do euro.’
            Apenas há que fazer o essencial! Grande acha para a fogueira do aventureirismo!

          • De diz:

            Ainda bem que foi ver.Mas a participação para o debate da parte de Menos mantèm-se acantonada no nada Eis o motivo pelos quas intervém: a Luta (de que não gosta mesmo nada) e a a fé dos crentes.
            Mas mais grave é a tentativa rasteira de fazer passar a sua apreciação do texto resumindo-o à última linha do mesmo texto.

            Vamos assim situar tal frase:
            Conclusão
            “Tentar sair desta crise pela via da desvalorização interna não é uma alternativa. Os custos económicos e sociais seriam incomportáveis e não seria resolvido nenhum dos nossos problemas estruturais.
            Por isso, a questão que deve ser colocada não é se devemos ou não sair do euro, porque essa é uma necessidade objectiva. E quanto mais tempo se perder a tomar a decisão mais se degradará a situação do país. [12]
            A questão a colocar é a de como sair do euro, tão cedo quanto possível, e preparar essa saída para limitar os efeitos negativos. E não há necessidade de teorizar sobre como sair do euro. Embora o euro seja historicamente único, os problemas colocados pela saída de uma moeda não o são. Exemplos anteriores fornecem respostas fundamentais. Apenas há que as estudar e fazer a sua aplicação cuidadosa às especificidades do país e do euro.”

            Uma intervenção de Menos, tipo slogan, intrinsecamente desonesta?

            Mas avancemos porque o debate não são os floreados de Menos para fugir a este mesmo debate:
            Mais um outro artigo ,este de João Carlos Graça :
            http://resistir.info/europa/ler_sapir_26fev13.html

          • JgMenos diz:

            Muito interessante o facto de que no extenso texto nunca apareça a palavra ‘dívida’!!!

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            O que Octávio Teixeira esquece é que o principal factor produtivo que é internamente controlável é o factor trabalho. Por isso, com a saída do euro e a desvalorização da moeda só há aumento de competitividade à custa da redução dos salários reais, que é exactamente o que o Octávio Teixeira recusa. O que ele defende é uma ilusão e o reflexo de um preconceito. Se as pessoas pensassem com algum cuidado antes de fazerem propostas pseudo-milagrosas, talvez não as chegassem a fazer…

          • De diz:

            Um comentário telegráfico sobre a “boca” de Menos (repare-se que foi assim que este começou a comentar)
            O contributo para o debate deste resume-se a isto.Sucessivos aoartes tentanto como é seu hábito desviar-nos do que está de facto em discussão.
            Mas mais uma vez mostra que está noutra e que o que pretende é outra coisa.
            De facto se se desse ao trabalho de ler o que lhe põem à frente dos olhos veria que se fala também da dívida.Logo quase no início do texto de João Carlos Graça há um link para um “artigo do Sapir publicado por resistir.info” .Link que se repete um pouco mais abaixo.E o texto para que nos remete é o seguinte:
            O crescimento e a inflação contra a dívida
            http://resistir.info/europa/sapir_10fev13_p.html

            Já começa a faltar a pachorra

          • De diz:

            A facilidade e ligeireza com que Cardoso da Silva aborda o tema é simplesmente confrangedora.
            Tanto mais que ,conhecendo Cardoso da Silva pessoalmente o o próprio Octávio Teixeira (segundo o que aquele já disse) não é de muito bom tom acusar outrém de “não pensar com algum cuidado” e de “defender uma ilusão e um reflexo de preconceito”
            Infelizmente Cardoso da Silva já aqui no 5 dias mostrou não ter compreendido nada num debate ao vivo em que interveio Octávio Teixeira.Faz parte dos arquivos deste blog.

            Como avançar o debate?
            Chamando a este um outro economista, João Ferreira do Amaral. Tudo pessoas “handicapés” para Cardoso da Silva claro está.

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Conheço Octávio Teixeira há muitos anos, tenho muita consideração e até amizade por ele. As críticas que faço não são ataques pessoais, são críticas às suas propostas. E repito: o aumento de competitividade que Octávio Teixeira – e todos nós – desejamos, numa saída do euro só se verificaria como consequência da redução dos salários reais, pois a maioria dos outros factores de produção estão condicionados por importações e os seus custos aumentariam com a desvalorização da moeda. Custa-me a acreditar que Octávio Teixeira, sendo um homem de esquerda, esteja disposto a sacrificar ainda mais quem trabalha para ter um aumento marginal de competitividade. Julgo que ele subestima as consequências negativas da saída do euro e sobrestima os benefícios. Nisso divergimos, mas isso em nada afecta a minha consideração pessoal por ele.

            Note que fiz esta observação na reunião em que ele e eu estivemos, e ele não achou por bem responder. Não me surpreenderia se ele não estivesse assim tão certo dos benefícios do que propõe. Quanto ao João Ferreira do Amaral julgo que ele esteja a tirar desforra da maneira como foi tratado quando defendia – com toda a razão – que não devíamos aderir ao euro. Não tendo obtido o reconhecimento da razão que então tinha, procura agora recuperar face aos seus adversários de então, propondo uma coisa que é errada. Sair do euro depois de lá estar não é minimamente a mesma coisa que não entrar quando se está fora. Mas os sentimentos por vezes toldam a razão, mesmo de pessoas inteligentes…

          • De diz:

            Por favor Cardoso da Silva, respeite a honestidade intelectual de quem de si discorda e não faça insinuações do género “não me surpreenderia se ele não estivesse assim tão certo dos benefícios do que propõe” ou “João Ferreira do Amaral julgo que ele esteja a tirar desforra da maneira como foi tratado ”
            É muito pouco digna tal atitude.E não é são esses “estados de alma” atribuídos a quem apresentou tais propostas que faz diminuir a força e a validade da argumentação.

          • De diz:

            Depois lastimo que nem sequer leia o que se lhe põe à frente dos olhos. Pode-se discordar e tem todo o direito de discordar. Mas ao menos que o faça com argumentos e não a velha ladainha do ” aumento marginal de competitividade”

            Eu percebo quer talvez tenha alguma dificuldade com a língua francesa e com o debate entre Sapir e Mélenchon.
            Citemos assim Sapir num artigo já aqui citado:

            Os factores de crescimento
            É necessário determinar agora quais são os factores que influenciam mais o crescimento. O investimento, em capital fixo, em infra-estruturas, mas também na educação, determina globalmente o crescimento potencial máximo. O crescimento também é sensível, sabe-se, a uma sobrevalorização ou a uma desvalorização da moeda em relação às divisas dos países concorrentes (efeito de competitividade). Finalmente, está ligado a curto prazo à evolução da procura tanto no interior do país como no exterior. Mas estes diferentes factores são interdependentes. Uma subvalorização da moeda e o crescimento da procura interna aumentam o nível dos investimentos, o que se traduz depois de um certo prazo num aumento do potencial de crescimento a longo prazo. Inversamente, se a procura se contrai e se a taxa de câmbio é sobrevalorizada durante um período relativamente longo, isso arrasta uma baixa do investimento e portanto uma baixa do crescimento potencial. É de resto o que observamos actualmente em Espanha, em Itália e em França. Os factores sobre os quais podemos agir imediatamente são o valor da moeda e a procura. Diversos estudos feitos, em particular no INSEE, mostram que uma variação de 10% na taxa de câmbio (neste caso a taxa de câmbio do Euro) arrasta uma flutuação em sentido inverso do crescimento real de 0,6% no primeiro ano e de 1,2% no segundo ano. Há a tendência para considerar actualmente que estes números até estão subavaliados porque a procura interna está relativamente deprimida, o que aumenta a importância potencial da procura externa (as exportações). ”

            http://resistir.info/europa/sapir_10fev13_p.html

            Que nada disto é fácil e que há que garantir condições para, é o que se pretende também com a discussão.

          • De diz:

            Já que parece que não leu, transcrevo aqui o dito por Octávio Teixeira:
            dada a sua dimensão e independentemente da opção sobre o euro, a imprescindível reestruturação da dívida externa. No mínimo da pública. Abrangendo prazos, taxas de juro e montantes. Os ganhos decorrentes compensam os eventuais prémios de risco que venha a gerar nos mercados financeiros.
            Mas a reestruturação da dívida, para além de aliviar a pressão sobre os défices públicos, melhora a balança de rendimentos mas não age sobre a balança comercial, não resolve o problema central. E para ganhar a competitividade necessária para atingir os necessários equilíbrios económicos e financeiros, temos de realizar uma desvalorização da ordem dos 30%.
            Realisticamente isso só pode ser feito por duas vias: pela desvalorização interna ou pela desvalorização cambial.
            Porque a eventual via da “refundação” da Europa – inverter a deriva neoliberal, rasgar o Tratado de Lisboa, alterar os estatutos do BCE, instituir um orçamento europeu suficiente para compensar divergências estruturais e choques assimétricos… – melhoraria a situação mas é politicamente impossível em prazo útil. Tal como a ideia de obtenção de derrogações da União Europeia, ainda que temporárias, parece inviável pois poria em causa princípios “sagrados” dos Tratados. E o aprofundamento da integração europeia significaria avançar no federalismo político, sob tutela alemã, e não resolveria os problemas estruturais.

          • De diz:

            “A via da desvalorização interna

            A desvalorização interna é muito dolorosa, económica e socialmente, fazendo incidir os seus custos essencialmente sobre os trabalhadores, com deflação salarial arrasadora (desvalorizar 30% quando as remunerações pesam 20% na produção mercantil), desemprego insuportável (sendo estimada uma taxa de desemprego estrutural superior a 20%), [1] liquidação de direitos e demolição do Estado social. E, a final, não resolve os problemas estruturais.
            Ainda que se olvidassem os custos sociais, a nossa experiência recente mostra à evidência que a desvalorização interna não resulta: as reduções salariais e o aumento do desemprego não conduzem ao aumento da competitividade-preço mas à redução da procura interna; essa redução da procura reduz o défice externo mas à custa da recessão económica, da redução do investimento e da capacidade produtiva, portanto do crescimento potencial; inviabiliza a redução dos défices públicos devido à perda de receitas fiscais e parafiscais; o objectivo da estabilização do nível relativo da dívida pública face ao PIB só será possível com enorme e permanente excedente orçamental primário (da ordem dos 5%) [2] o que só agrava ainda mais tudo o resto; e o endividamento aumenta, apesar dos 10.000 de milhões das privatizações e fundos de pensões.
            Este caminho levar-nos-á, pelo menos durante os próximos 15 a 20 anos, a um enorme desastre económico e social, à emigração massiva da geração “mais bem preparada de sempre”, a uma sociedade mais pobre, desigual e revoltada. Não sendo credível que isto não conduza a graves convulsões sociais e políticas.
            E, sejamos claros: a estratégia “mais tempo e mais maturidades” significa prosseguir a via da desvalorização interna, anestesiando mas não curando.”

          • De diz:

            “A via da desvalorização cambial
            Resta a desvalorização cambial. Ou seja, sair do euro [3] e participar no mecanismo de taxas de câmbio. Numa situação de endividamento excessivo e de défice de competitividade apresenta-se como a melhor solução.
            Vantagens
            Permite recuperar a competitividade para sustentar o crescimento, a redução do desemprego, o aumento das receitas orçamentais, a redução dos défices externo e público, evitar o permanente aumento da dívida externa, aumentar o potencial de crescimento a longo prazo e criar condições necessárias (embora não suficientes) para a renovação da estrutura e da especialização produtivas do país.
            Desde 2002 o euro tem estado permanentemente sobrevalorizado em 30 a 40% relativamente à taxa de equilíbrio face ao dólar adequada à economia portuguesa. [4] Sendo estimado que a elasticidade da economia portuguesa (calculada como a soma das elasticidades das importações e das exportações a uma desvalorização do euro) é +0,11, [5] isso significa que uma desvalorização de 30% aumenta o crescimento potencial do PIB em 3 pp.
            A desvalorização potencia as capacidades de exportação nos sectores em que a procura é mais sensível ao preço (a maioria das nossas exportações) e de substituição de importações. Experiências de desvalorização da moeda mostram que os seus efeitos positivos se verificam num prazo curto. [6] Estando mais de 70% do nosso comércio externo concentrado nos países da UE, e tendo em conta que a componente importada das exportações é idêntica à da produção mercantil, uma desvalorização da moeda de 30% significa um aumento da competitividade-preço de 22%, [7] talvez mais face a países extra-UE que nesse espaço concorrem connosco. Assim, o efeito no aumento das exportações será rápido e nada parece impedir resposta imediata no âmbito da substituição de muitas importações.
            A desvalorização diminui a pressão sobre a redução das remunerações, gera mais emprego e contribui para reduzir o movimento de deslocalizações para países com salários mais baixos.
            Pelo aumento de receitas orçamentais que os seus efeitos geram via crescimento, conduz à redução do défice orçamental possibilitando o investimento público e a preservação do Estado social. E o aumento do crescimento que a desvalorização proporciona é a variável determinante para a redução do nível da dívida pública face ao PIB.
            A recuperação da soberania monetária é peça essencial para gerir uma política cambial adequada à realidade económica, permitindo ao Banco de Portugal funcionar como financiador de último recurso do Estado e manter a liquidez do sistema bancário garantindo o crédito à economia real.
            E, não sendo condição suficiente, cria as condições necessárias para a renovação da estrutura produtiva (não possível num contexto de sobrevalorização monetária) abrindo portas à criação de empregos mais qualificados e melhor remunerados.

            http://www.odiario.info/?p=2873

            Que tudo isto tem riscos…claro que os tem e alguns deles são detalhados pelo autor apontado

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Um blogue como este não é o sítio ideal para argumentar sobre este tipo de questões.

            A desvalorização da moeda tem sempre resultados apenas no curto prazo – o que obriga a desvalorizações sucessivas – e é tanto mais eficaz quanto maior for a produtividade de uma economia. De facto, por vezes acontece que uma economia desenvolvida, com uma alta produtividade, seja menos competitiva porque os salários são demasiado elevados relativamente aos concorrentes. Nesses casos uma desvalorização cambial permite reduzir os salários reais e tornar a economia de novo mais competitiva. Mas se o problema é de baixa produtividade, não há desvalorização cambial que nos valha. Por isso é que a saída do euro não é solução para nós.

            Por outro lado, pensar que podemos impor uma reestruturação da dívida antes de termos reduzido a nossa dependência do exterior, é pura fantasia. Podemos entrar em incumprimento, mas não podemos impor uma reestruturação. E entrar em incumprimento enquanto as contas externas não estiverem equilibradas, é expormo-nos a toda a espécie de retaliações. Logo não se pense que podemos sair do euro se a condição para o fazermos for uma reestruturação da dívida acordada com os credores.

            É este tipo de questões que os não economistas ignoram, e mesmo alguns economistas parecem ter esquecido. Isto que estou a dizer é o b-á-bá da ciência económica, e tentar negá-lo é uma perfeita perda de tempo.

            Quanto aos problemas associados à desvalorização interna que tanto preocupam Octávio Teixeira – redução dos salários reais – são exactamente os mesmos com uma desvalorização externa por via da saída do euro. Em ambos os casos os salários reais levam um tombo. Portanto é só uma questão de saber com que corda se quer ser enforcado…

          • De diz:

            Por favor, o senhor fez-me agora rir.
            “É este tipo de questões que os não economistas ignoram”
            O senhor por exemplo?

            A sua opinião é a sua opinião.Verifico que muito mal sustentada, mas quanto a isso não posso fazer nada.Talvez com um pouco mais de esforço…?

            Quanto à reestruturação da dívida…outra discussão.Mas mais uma vez lhe peço por favor para não jogar com as palavras.
            -“impor reestruturação da dívida?” O termo “impor” é da sua lavra

            -“não se pense que podemos sair do euro se a condição para o fazermos for uma reestruturação da dívida acordada com os credores.”
            Já reparou na contradição entre esta frase e o que começa por dizer? Se não reparou, repare então que também ninguém falou em tal nos termos em que a coloca.
            Ora leia lá de novo

            Quanto à dita reestruturação…ainda muita água vai correr debaixo das pontes.Pode crer.Um tema tabu para os troikistas, agora parece que já o não é para alguns deles.Mas isso cabe a si descobrir.

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Como há vinte anos que sou professor de economia para alunos de ciência política na universidade há pelo menos vinte anos que sou levado a reflectir, todos os dias, sobre este tipo de questões económicas. Há por aí muitos “economistas” que assim se auto-intitulam porque fizeram um curso de economia há não sei quantos anos, e depois singraram numa qualquer carreira profissional onde só uma pequena parte desses conhecimentos foram mantidos actualizados. Posso fazer opções discutíveis sobre estas questões, mas teria de estar muito distraido para não saber alguma coisa da matéria. Por isso insisto em que sair do euro teria custos muito superiores aos benefícios, e que a solução para nós tem de passar pelo investimento produtivo, pela modernização dos meios de produção, e pela anulação do défice externo que só esse investimento torna possível. Todas as outras “soluções” correspondem a tomar aspirina para tratar um cancro. E como se obtêm os meios para investir? Decretando uma moratória de um ano no pagamento dos juros da dívida soberana, o que libertaria no mínimo 8 mil milhões de euros, que até podiam ser disponibilizados a juro zero ou até a fundo perdido. É por aí que está a solução, não por uma saída desastrosa do euro.

            Quanto à dívida pública a sua solução a muito longo prazo passa pela imposição – sim, imposição – aos credores de taxas de juros muito mais baixas, o que só será possível quando o estado português deixar de precisar de contrair novas dívidas no exterior, passando a colocar no mercado interno toda a dívida necessária a cobrir os eventuais défices orçamentais.

          • De diz:

            Já percebi a sua posição.
            Tal como a sobre a da reestruturação da dívida , o que me parece ainda mais estranho quando vem defender depois uma moratória. Não sabe as relações entre uma e outra?
            “Só a renegociação, acompanhada de uma moratória, e a reestruturação, com anulação de uma parte do valor da dívida, redução das taxas de juro e alongamento das maturidades, pode reduzir o peso dos juros na despesa pública, evitar o colapso da provisão pública de bens e serviços e libertar recursos para o investimento e a criação de emprego”
            IAC

            Não concordando em absoluto com o que diz sobre a questão do euro e parecendo-me uma abordagem muito superficial como já o disse , respeito-a como é evidente.

            Mas a sua “bicada” sobre os tais” economistas” que cita leva-me a perguntar.Há quanto tempo e aonde fez o curso de economia?

          • De diz:

            (Já agora atente melhor um pouco no que diz:
            “Por outro lado, pensar que podemos impor uma reestruturação da dívida antes de termos reduzido a nossa dependência do exterior, é pura fantasia”

            seguido de “Quanto à dívida pública a sua solução a muito longo prazo passa pela imposição – sim, imposição – aos credores de taxas de juros muito mais baixas”

            Ah, já sei. O busílis da dita imposição está todo na redução prévia da dependêndia ao exterior…lá para as calendas…(gregas por sinal).
            Ou na moratória de um ano que não é, nem precisa de uma reestruturação da dívida .Restruturação da dívida que há uns tantos que querem impor mas que só pode ser realizada depois de “termos reduzido a nossa dependência do exterior”.

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Uma moratória não é uma reestruturação, é um adiamento – neste caso de um ano – no cumprimento de uma obrigação.

            Quanto ao meu percurso académico, fiz quatro anos de economia no antigo ISE (actual ISEG) de um curso de cinco anos, e terminei a licenciatura na África do Sul. Depois de mais de vinte anos de trabalho no sector financeiro fiz um mestrado e um doutoramento em ciência política, e tenho dado sobretudo aulas de economia a estudantes em ciências sociais. Foi neste período desde 1994 que aprofundei a minha reflexão sobre temas económicos, por causa da minha actividade docente. Li mais sobre a matéria nestes anos do que alguma vez li no resto da minha vida, e por isso é que sei que ter um curso de economia não faz economistas. Faz pessoas mais ou menos alfabetizadas em economia, mas não garante a reflexão que é necessária para se ser conhecedor da matéria. As principais fragilidades de muitos “economistas” são a falta de interiorização dos mecanismos e processos económicos, e a substituição da reflexão pela ideologia…

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            “O busílis da dita imposição está todo na redução prévia da dependêndia ao exterior…lá para as calendas…(gregas por sinal).”

            A independência face ao exterior não exige o pagamento da dívida. Exige o não se necessitar de mais dívida. Assim que as contas externas estiverem equilibradas e o défice orçamental corrente seja financiado no mercado interno, cessa a situação de dependência. E isso, se quiséssemos, podia ser feito num ano. Terá de se pagar a dívida, mas as condições em que isso se fizer já não nos podem ser impostas pelos credores. Na realidade quem fica fragilizado são os credores, e quem terá a força negocial é o devedor – nós. Porque nós podemos deixar de pagar a dívida sem que seja possível exercer retaliações eficazes contra nós. Se então dissermos que só pagamos juros iguais aos que paga a Alemanha, os credores não têm alternativa que não seja aceitar. E a partir daí pagar a dívida é apenas uma questão de tempo, sem que esse pagamento ponha em causa a sobrevivencia da nossa economia.

          • De diz:

            Eu sei o que é uma moratória. E por isso se estranha essa tão grande discrepância entre a moratória e a reestruturação da dívida sob o ponto de vista operacional.Esta parece que é um bicho dos sete costados.A outra …

            Quanto ao curso de economia era mesmo o que eu esperava.
            Tal como o seu discurso. Um pouco de patine auto-elogiosa com as correspondentes alfinetadas próprias do género.Não fique melindrado mas faria o Eça dizer a tal proósito: “Você ainda o convidam para Professor …e logo para catedrático” . Confere com o personagem
            🙂

            Mas é preciso mesmo fazer esse tal esforço de interiorização.Não percebeu, decerto que por distracção, que o meu comentário se tratava de um a comentar as suas flutuações e os seus ziguezagues.Como alguém agora dizia “terá que se pagar a dívida” “mas nós podemos deixar de pagar a dívida”
            Mas isso agora não interessa mesmo.As posições estão expressas e basta ler o que se escreveu.
            E para que o horizonte sorria face à nossa força negocial (atirada lá para as calendas gregas,pois claro) e a Alemanha saiba que nós queremos os mesmos juros ( estamos na UE, não estamos?E no Euro também, não?)
            “Alemanha terá poupado 41 mil milhões de euros com crise da dívida”a crise na zona euro apenas custou à Alemanha “uns meros 599 milhões de euros”.
            Alguma luz ?

          • De diz:

            ( e não fique mesmo melindrado mas custa-me a acreditar que Cardoso da Silva, sendo um homem de esquerda, esteja disposto a sacrificar ainda mais quem trabalha a ficar com o pescoço preso nessa armadilha mortal que é o euro. Julgo que subestima as consequências negativas da permanência no euro e sobrestima os benefícios. Nisso divergimos, mas isso em nada afecta a minha consideração pessoal por si.
            Não me surpreenderia se não estivesse assim tão certo dos benefícios do que propõe.Ou que esteja a tirar desforra da maneira como foi tratado aqui no 5 dias, não tendo obtido o reconhecimento da razão que então tinha ao auto-propor -se um lugar de comentador oficial
            🙂

            e é mesmo para nao ficar melindrado)

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Eu tenho uma pele de elefante e, como sou professor, não perco uma oportunidade de fazer pedagogia, mesmo quando pensam que estão a gozar comigo… As sementes que vou deixando acabam sempre por produzir resultados, nem que seja de aqui a muitos anos, dependendo da inteligência e interesse de quem as recebe… No seu caso não faço prognósticos, mas é capaz de ser mais depressa do que pensa…

  4. Carlos Carapeto diz:

    Isso mesmo, vamos continuar amarrados a esta muenga porque sair dela ainda vai ser pior.

    Se D João IV tivesse pensado dessa maneira hoje falava-mos Castelhano.

    Ou se os povos das colonias também pensassem assim, na melhor das hipóteses Portugal continuava a estender-se do Minho a Timor.

    Não existem alternativas à situação atual?

    A opinião de certas pessoas faz lembrar os viciados no jogo. Estão a perder no entanto fazem mais uma tentativa na esperança da sorte os ajudar, insistem até ficarem totalmente depenados.

    E se esta Muenga da C E se desfizesse como já teve para acontecer mais que uma vez a que bandeira nos íamos abrigar?

    Desenganem-se aqueles que pensem que o futuro de o futuro de Portugal passa exclusivamente por a Europa.
    Pois se nunca passou como pode passar agora que não temos a mínima capacidade de nos impor-mos.

    O nosso grande problema começou logo quando alguns dos nossos governantes obedecendo a ditames forâneos viraram as costas a África.

    Portugal foi o 88 º país a reconhecer Angola, recebiam Savimbi como legitimo representante do povo Angolano.
    Quando Angola estava destruída e debilitada Portugal devia ter rumado em força para lá. Não; viraram-lhe as costas e outros preencheram o nosso lugar , agora são os Angolanos que nos vêm “colonizar”.

    Com Moçambique foi quase idêntico.

    Os gulosos só queriam Europa? Agora têm Europa até enfastiar.

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Eu também preferia que os países lusófonos se entendessem e conseguissem criar uma comunidade económica, estratégica e política, na qual a soberania de cada um fosse respeitada mas houvesse mecanismos de cooperação desenvolvida e uma porta aberta para uma confederação. Que não seria, obviamente, governada de Lisboa. Mas isso só será possível quando TODOS os países lusófonos o quiserem, e não depende apenas da nossa vontade. Se uma tal cooperação no quadro da lusofonia não for possível vamos simplesmente virar as costas à Europa porque esta hoje é governada por imbecis? É verdade que poderíamos procurar criar uma Europa mediterrânica, aberta aos paíse mediterrânicos não europeus, mas isso também não depende apenas de nós. Há nos outros países mediterrânicos vontade de o fazer?

      A política é, muitas vezes e como muitas vezes foi dito, a arte do possível. O que temos é de procurar tornar possível o que é desejável, mas isso não se faz com slogans ou com cartilhas bafientas. É com inteligência e persistência. Coisas que por vezes parece não termos em quantidade suficiente…

      • Rafael Ortega diz:

        Uma confederação lusófona?

        Eu sei que Portugal não é a melhor democracia do mundo, mas queremos estar no mesmo saco que Angola? Já é mau eles virem cá comprar empresas com dinheiro que sabe-se lá como o arranjaram.
        Portugal também não é o modelo em termos de transparência, mas é ao lado do Brasil que queremos estar? Ao lado da malta do mensalão o Relvas e o Sócrates são uns aprendizes de feiticeiro.

        Europa mediterrânea aberta a países não europeus?

        Egipto, Tunísia, Líbia…
        É ditaduras de treta ou, em oposição as irmandades muçulmanas que queremos como parceiros?

        • Nuno Cardoso da Silva diz:

          Pois é… Somos tão perfeitinhos que qualquer parceria nos contaminaria e enlamearia as nossas vestes virginais… Mas mesmo assim prefiro correr os riscos de uma lusofonia imperfeita do que estar condenado à subserviência por parte de nórdicos arrogantes e racistas.

          • Rafael Ortega diz:

            Não somos perfeitos, mas daí a termos que nos juntar a ditaduras sanguinárias ainda vai um bocado.

            Claro, racistas são os loirinhos do norte da Europa, os angolanos gostam imenso de nós…

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Os angolanos hoje, como os brasileiros na primeira metade de século XIX, tendem a afirmar a sua identidade num confronto com o antigo colonizador. Nada de estranho nisso. Não podemos é deixar-nos levar por esse falso confronto pois ele desaparecerá assim que tiver desaparecido a geração que ainda conheceu a situação colonial. As relações entre países são de longo prazo, e estas questiúnculas são de curto prazo. Além disso há um número suficiente de angolanos em Portugal para que o governo de Angola saiba que precisa de ter uma relação normal connosco. Podemos portanto planear um futuro de cooperação sem ressentimentos.

    • Bolota diz:

      ” vamos continuar amarrados a esta muenga porque sair dela ainda vai ser pior”

      Carapeto,

      a isto e em Baleizao diz-se : São sopas depois de almoço. Fineza era termos ouvido os que á altura contestavam e que fora apelidados de…

    • JgMenos diz:

      ‘…alguns dos nossos governantes obedecendo a ditames forâneos viraram as costas a África’. É preciso ter lata!
      Nem mais um soldado para África! A seguir os heróicos revolucionários de Abril estavam demasiado ocupados em mamar a pesada herança para se alistarem como voluntários nas guerras civis em África.
      Em 1977 já estávamos de calças na mão a pedir batatinhas ao FMI, em 1983 já lá estávamos outra vez!
      ‘Orgulhosamente sós’ significa não ter dívidas, comer do que se produz e ainda ter dinheiro no bolso.

      • De diz:

        Começa mesmo a cansar responder a todas as barbaridades de Menos.
        (Passe-se de lado o termo “mamar” de que Menos gosta tanto.
        Alguém explique aí ao sujeito que as relações que se defendem com Africa e que foram abordadas pelo Carlos Carapeto são relações entre iguias.
        Não são relações coloniais.

      • De diz:

        Mas a questão não acaba aqui.
        Menos parece que defende o orgulhosamente sós do fascsimo.(Como se sabe tal afirmação não era totalmente correcta).Parece até que defende putra coisa bem pior

        Como também se sabe não é este o tema do post.O julgamento da miséria a que Portugal chegou sob as patas do fascismo já foi aqui inúmeras vezes feito e pode voltar a sê-lo.Na altura própria
        Mas agora seguir por este trilho de denúncia da podridão fascista seria notavelmente desviar-nos dos objectivos do post
        Deixemos apenas (e já que estamos numa de temas económicos) este video sobre os donos de Portugal
        http://www.donosdeportugal.net/

        • JgMenos diz:

          Se isto não é assédio, é pelo menos perversão sistemática do que é dito.
          Quem não quer ver o ridículo – de invocar políticas de ‘orgulhosamente sós’ (imitando o regime fascista, para que compreenda bem do que falo) para um país empobrecido, endividado, dependente do crédito externo, quase sempre governado por cretinos ao som de grupos corais de idiotas presunçosos – será feliz para sempre!!!!

          • De diz:

            O contraste entre o dito antes e o agora dito é gritante!
            Mas o juízo de tal cabe aos outros.

            E depois da “luta”, da “fé”.,da “dívida, de” África”,sobra o “orgulhosamente sós”..
            Às mijinhas parece ser melhor é?

            Mas quem é que falou no “orgulhosamente sós? Bem pelo contrário. A situação em Portugal é paralela à de outros países na Europa e só mesmo um cego conduzido pela propaganda néscia do “gastámos demais” é que atribui a crise a um particular destino dos portugueses. É o neoliberalismo que governa a Europa. É o capital que manda com todo o seu cotejo de injustiças, corrupção e roubo institucionalizado (ou não).
            Leia com atenção o que já foi dito e os links postados.Por exemplo Vicenç Navarro ou Sapir.
            (E desde quando a zona euro admitiria a saída apenas de um país? )

            Pois é.A governação de Portugal não esteve a cargo de cretinos ao som de grupos corais de idiotas presunçosos.(Confesso que esta dos grupos corais etc e tal é uma boa definição para a orquestra que poiares maduro tenta reger).
            A governação em Portugal esteve a cargo dos que sabiam o que faziam e que foram particularmente eficazes no que fizeram.
            O resultado está à vista.

      • Bolota diz:

        ” Nem mais um soldado para África!…”

        Caga osgas,

        Quem o disse fe-lo com toda a propriedade. Quem como eu bateu lá com os costados para que tu bucejasses de tedio de não fazer nada, que nos livrou da morte foram os heróicos revolucionários de Abril .

        Menos, atina porra

        • JgMenos diz:

          Olha que o teu amigo aí acima queria mandar-te logo de seguida para lá lamber as botas ao Samora e aos demais correspondentes para participar na gloriosa destruição da obra colonial!

          • De diz:

            Mais uma vez Menos mostra o material de que é feito.
            Lambe as botas não se sabe a quem.Ao botas e à sua obra colonial?
            🙂

      • Carlos Carapeto diz:

        Não consegue distinguir entre manter uma guerra injusta e genocida e participar no desenvolvimento de países que tinham décadas de atraso?

        Sei que para qualquer Salazarista empedernido é uma questão muito difícil de entender.

        Pesada herança? Essa foi mamada por os cerca de um milhão de colonos que já tinham explorado os “pretos ” à fartazana e depois vieram-nos chular a nós.
        Que miséria nem calhou um quilo de ouro a cada um.

        Essa gente foi quem mais contribuiu para arrasar o país. Foi esse o motivo maior do pedido de ajuda ao FMI, na medida em que uma parte desse dinheiro foi para alimenta-los a eles.

        Orgulhosamente sós significa também, ter o país mais atrasado da Europa, sem nada ter sofrido com a guerra, administrar uma extensão territorial com 1/5 da Europa, riquíssima em recursos.
        Orgulhosamente sós pode significar também existir uma taxa de analfabetismo de 98 % nos territórios Africanos que estavam sob o seu domínio. Deixar uma percentagem de 0,01 da população autotone com formação universitária, não deixar um único militar com um posto acima de major.

        Não vale a pena enumerar mais coisas destas maravilhosas, cansa.

        • JgMenos diz:

          Um discurso que é um verdadeiro dejecto intelectual, pela presunção de poder julgar sobre tamanha ignorância.
          Mas de um apátrida, escravo de uma ideologia de apátridas, tudo há que esperar!

        • Nuno Cardoso da Silva diz:

          O problema da colonização não é tanto o que os coloniadores fizeram, mas a colonização propriamente dita, que é um acto imundo de violação de um povo e da sua cultura. Porque muito de aquilo que os colonizadores portugueses fizeram em Angola até não nos devia envergonhar. Deixámos uma infraestrutura viária e energética que só há bem pouco tempo foi melhorada. Deixámos uma base produtiva nos sectores primário e secundário que só era ultrapassada pela da África do Sul. Como ainda há cinco anos um angolano me disse, no Lobito, tudo o que estava à vista na zona industrial tinha sido feito pelos portugueses e que, desde a independência, nada mais tinha sido feito.

          Significa isto que fizemos o que devíamos ter feito, que era contribuir para o desenvolvimento geral dos angolanos? Que era fazer os angolanos beneficiarem da riqueza que estava a ser criada? Que era respeitar a sua dignidade, os seus direitos e a sua identidade? Claro que não. Mas é estúpido querer ignorar que deixámos em Angola as bases económicas e linguísticas (factor essencial de unidade) para que Angola possa vir a ser o país mais bem sucedido de África. Apesar do crime intrínseco que é a colonização. Qualquer colonização. Seja-se anti-colonialista, mas seja-se anti-colonialista de uma forma inteligente.

      • Carlos Carapeto diz:

        Ó Poucochinho.

        De repente veio-me à ideia quem foi o pai desse slogan “Nem mais um soldado para as colonias”.

        Não foi a o Durão Barroso com os muchachos dele que invadiram o aeroporto e deitaram-se na pista a impedir que os aviões levantassem voo, gritando “nem mais um soldado para as colonias” ?

        Não foi também o Barroso com a rapaziada dele que assaltaram o hospital militar para ” libertar ” o capitão Cubano Rodriguez Peralta, até morreu um gajo deles. Quando estavam a decorrer negociações para a libertação de uns quantos militares Portugueses em poder do PAIGC.

        Lá na minha parvalheira (que até tem uma belíssima praia é pena as marés durarem seis meses e de verão maré está sempre vazia) costumamos dizer a pessoas como o Menos , nunca mais ganhas trambelho.

        Tem cuidado, não enfies o garganhol no laço da corda com tanta imprudência que ainda te dás mal.

        Foi o pessoal da tua tribo é que provocou esses desatinos.

  5. $$$ diz:

    Este blogue tem-me ajudado a esclarecer dúvidas sobre a questão do euro e também a tentar compreender outros assuntos que me preocupam, servido como a minha «válvula de escape», pelo que agradeço a todos os que o proporcionaram.
    Relativamente ao assunto colocado por este post, atrevo-me a escrever umas linhas procurando ser objectiva.

    1) Trata-se de um assunto particularmente sério, que implica toda a população portuguesa: somos aproximadamente 11 milhões de habitantes num país que consideramos ser o nosso, e no qual se encontra ancorada a nossa pertença identitária; em termos territoriais, Portugal fornece-nos o direito a podermos sentir essa mesma pertença: a especificidade dos nossos usos e costumes, tradições e História.

    2) Não tenho competência técnica para prevêr as consequências da saída do euro, como também não a tive quando aderimos a esta moeda da União Europeia;

    3) Pergunto-me imensas porque não tivémos os melhores economistas, especialistas financeiros que soubessem sopesar as consequências da entrada no euro? Tal como me questiono, nesta altura, se teremos os melhores economistas e especialistas financeiros que saibam analisar e prevêr quando e como poderemos dar esse passo: o de sair do euro, a bem do povo português, dos que vivem do rendimento do seu trabalho, dos desempregados, dos deficientes, dos pensionistas, dos aposentados, dos que nada têm e vivem à míngua. Envergonho-me sempre que penso nisto. E que nunca o façam, mais uma vez, nas costas dos portugueses, como o fizeram aquando da adesão ao euro.

    4) Questiono-me também se o poder político se consegue deixar de deslumbrar pelo sistema financeiro (o dinheiro/capital, etc) e porque não o fez antes? Este Governo e os de há décadas desencantaram-se pelo seu povo português e encantaram-se com as gentes detentoras do capital financeiro: atrevo-me a dizer que não gostam do seu povo e que governaram e governam deliberadamente contra os portugueses. O Governo actual é, de facto, o mais traiçoeiro de que tenho memória.

    5) Em boa verdade, uma larguíssima parte do capital financeiro foi indevidamente «apropriado» pelo sector financeiro e pelo poder político, por exemplo, os fundos estruturais eram nossos e passaram de ajudas comunitárias a encargos: os grandes industriais e comerciantes, as grandes empresas viveram e vivem à conta dos contribuintes, o que não seria um problema se fosse uma gestão de dinheiros transparente, o que não foi e não tem sido: o dinheiro que têm é nosso.

    Do meu ponto de vista, esse capital continua a pertencer ao povo português e, portanto, é-lhe devida a sua restituição, sob as diversas formas em que se encontre materializado. Os magros fundos que nos restam (parece-me que são designados por QREN), já estão com os sábios (os que não gostam dos portugueses) a repartir os despojos dos fundos 2014/2020: não vale a pena enunciar os nomes, são os mesmos de sempre.

    6) A comunicação social terá de ter muito mais cuidado com os seus comentadores/analistas/etc., porque nós, povo português, estamos muitíssimo mais atentos, e não tentem assustar-nos porque os sustos já acontecem todos os dias, os actos de fé também, agora trata-se de dizer a verdade: a opinião pública já não está tão manipulável e parece-me que é por isso que os partidos do PSD e PS estão «em bloqueio».

    6) Por último, e face ao que acabei de expor, penso que para nós, o povo português, é melhor sair do euro. Deixo aos melhores economistas de esquerda (não aos de direita porque vêm o «mundo plano», ou seja, querem cada vez gerar mais lucros através da exploração da classe trabalhadora, fugir aos impostos como se tem visto) a tremenda responsabilidade de saberem conduzir o processo da forma menos dolorosa possível porque o povo português não merece como tem sido tratado e precisa que os seus interesses sejam melhor defendidos

    Peço desculpa pelo comentário ser longo.

    • $$$ diz:

      Já li uns capítulos do livro referido neste post, “Que fazer com este euro”.

      Sem querer diferenciar entre os autores dos textos:

      (1) No livro leio as propostas de alguns políticos (economistas) que são «comme d’habitude».
      Mas também leio as propostas de políticos que são economistas sérios e audazes: são esses que me interessam e que me fazem querer sair do euro, hoje, já o devíamos ter feito. São mais velhos, têm outra tarimba; sinto que há algo neles que os impede de «atirar-se» aos mais fracos e vulneráveis.
      E leio as propostas também de economistas sérios e corajosos, que me fazem comprar os jornais para ler o que escrevem.

      (2) “De” refere que mais importante do que ter economistas de esquerda é ter economistas sérios. É verdade e há seguramente economistas sérios.
      Já consultei os links que ” De” teve a amabilidade de sugerir e que agradeço: a qualidade da informação é imprescindível.

      (3) Também consultei o conceito de economia política que “RVP” sugeriu. Já foi há algum tempo, mas fez parte da minha bibliografia, O Capital e a Introdução à Crítica da Economia Política.

      (4) Tenho lido o que dizem os economistas de direita nos jornais – evito os debates televisivos – e não deixo de me surpreender pela sua visão do mundo quadriculada, congelada exclusivamente virada para a mais-valia: uma visão que vem do mundo do «nada».

  6. RVP diz:

    Curioso artigo este do Francisco Louçã (pelo menos na parte citada; não li o conjunto da publicação). Algumas notas dispersas:
    – «Essa preparação [para a anulação da dívida e eventual saída do euro] exige trabalho detalhado e cuidadoso, juntando muitos dos e das melhores economistas de esquerda.»
    Aha! Pela boca morre o peixe. Até há poucas semanas, a palavra «anulação» era proibida nos meios da oposição institucional. Tal como calculámos que viria a acontecer mais tarde ou mais cedo, agora vemos essa mesma oposição apropriar-se da palavra (à sua maneira peculiar, evidentemente).
    A frase citada é dita com enorme à-vontade caseiro, de chinelos e roupão, não se dando sequer o trabalho de maquilhar as rugas, ou seja, o estrito economicismo que a sustenta. [Para saber o que é economicismo, por favor consultar a Wikipedia e sobretudo as teses em debate no II Congresso do POSDR – foi precisamente aí que o combate à tentação economicista provocou a cisão entre revolucionários e social-democratas.] Além disso, falar de economia em vez de economia política é bem in-significante – visto que «economia» é um termo que nada significa.
    Mas, mesmo admitindo a necessidade técnica de juntar «muitos dos e das melhores economistas [políticos?] de esquerda», não vejo absolutamente nenhuma razão para que isso não tivesse acontecido há dois anos, aquando da formação da IAC, a não ser por razões estritamente sectárias. «Esse trabalho está por fazer»? Pois bem, não o tivessem boicotado.
    – «Há neste momento um grande consenso popular na luta contra a dívida» (Luís Filipe Pires dixit) – quero acreditar que sim. Mas ficaria muito mais ciente se tivesse a bondade de citar as fontes, dando um significado objectivo (estatístico, cívico ou outro) à afirmação. Obrigado desde já.

  7. De diz:

    Eis um texto lúcido, honesto e esclarecedor de Viriato Soromenho Marques:
    “Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos.

    Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains. A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.”

    • JgMenos diz:

      «A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. »
      Excelente texto, com seguros efeitos terapêuticos; recitar em frente ao espelho, três vezes ao levantar pela manhã, e continuadamente ao deitar até que o sono vença.

      • De diz:

        A contribuição de Menos para o debate resume-se a isto.

        Pobre Menos.O que o incomodará? A discussão sobre o euro ou a possibilidade de se ver retratado como um daqueles civis alemães que nada sabia e nada queria saber?

  8. Do ponto de vista táctico, a esquerda erraria se apresentasse um plano económico de saída do euro. É que assim exporia a sua indigência intelectual. Mais vale a pena continuar a criticar sem propor nada. É desonesto, mas funciona.

    • JgMenos diz:

      Enfim, um conselho avisado…

    • De diz:

      Velasco erra se pensa que o seu peculiar conselho funciona.
      Está perfeitamente equivocado.Tal é um autêntico aborto, o que pode confirmar as pretensões pouco honestas do dito Velasco.
      Se é indigente intelectual , isso confesso que não sei

    • Rocha diz:

      É preciso ser um indigente para conhecer essa indigência. Obrigado Carlos pelo seu excelente conselho, é claro que a esquerda deve fazer exactamente o contrário do que você diz.

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