«Não entremos em euforias»

Após a divulgação dos dados estatísticos “rápidos” – a designação é deles – do INE, que mostram um desempenho económico – puramente numérico – melhor que o do 1º trimestre, todavia bem pior do que no mesmo período do ano passado (!), o ufano Marques Guedes veio a terreiro sossegar os muitos milhares de cidadãos que já se preparavam para invadir o marquês de bandeira laranja na mão: calma, meus amigos, não entremos em euforias, disse ele, por outras palavras. E foi uma sorte. A esta hora, a baixa lisboeta estaria entupida de patriotas, rumando das mais diversas partes do país, convergindo para a festa da “recuperação económica”, do tantas vezes anunciado “fim da crise”, dando loas aos nossos doutos e providenciais governantes. Mas não. O governo, depois da fase do “Portugal não é a Grécia”, já veio comunicar ao país que “Portugal não é o Benfica”, e que ainda faltam algumas jornadas até ao final do campeonato. Estamos em grande, como grande era o Titanic, mas ainda não ganhámos nada, dirão. E o icebergue ali tão perto.

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Sobre Ivo Rafael Silva

Mestre em Tradução e Interpretação Especializadas; Licenciado em Assessoria e Tradução; Investigador de História e Etnografia; Investigador do Centro de Estudos Interculturais (CEI) do ISCAP; Tradutor freelance; Secretário administrativo; Militante do PCP desde os 18; Membro da JCP desde os 16.
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5 respostas a «Não entremos em euforias»

  1. De diz:

    Um post oportuno e certeiro …e com humor.

    Este texto faz-me lembrar um outro de Ricardo Araújo Pereira,sobre as “viragens e as inversões” e o “impressionante contorcionismo económico”
    http://ricardoaraujopereira.net/o-impressionante-contorcionismo-economico/

  2. MENTIRAS diz:

    1) Este Sr. Marques Guedes tem lugar de «recuo» na CP, em vias de privatização: a CP tem contratos de cobertura de taxa de juro “swaps” do tipo «showball», tal como o Metro de Lisboa e Porto.

    2) A euforia é da banca pelos lucros e de quem Marques Guedes é porta-voz.

    3) O Governo já está em campanha eleitoral pelas autárquicas e por isso apresenta resultados menos maus sobre o desemprego: deve ter combinado com o INE.

    Tratou-se foi do afundamento dos salários. Vão gozar com quem quiserem! Pensam que somos burros ou quê? A verdade baseada numa mentira nunca deixa de ser uma mentira!

    3) Quando é que o sistema político (CDS/PSD/PS e receio bem que também o BE- espero que não os Partidos que restam) põem o sistema financeiro (banca) na ordem?

    Estes políticos/banqueiros, banqueiros/políticos, mas que gente cobarde e sem vontade política, e que tremenda falta de testosterona, só devem saber é mesmo dar porrada em mulheres e crianças ou em pessoas que não se conseguem defender, para não dizer coisas bem piores. Estão mesmo a precisar de uma revolução.

    Se calhar ainda é preciso esticar tudo-nada mais a corda. Eu cá dava umas tacadas valentes nesta gente toda, peço desculpa pela expressão, mandava-os parar ao hospital e metia-os a todos numa prisãode 250 ( não temos cá a figura jurídica, mas o «Bernie» Maddoff lá está).

    5) Esta gente (os bancos/gerentes políticos públicos de bancos) só querem é baixar salários e privatizar as empresas públicas dentro e fora do perímetro do Estado, a preço de saldos. Só querem lucros, lucros, lucros com isenções de impostos e estão-se nas tintas para os portugueses, as vítimas da sua guerra pelos lucros.

    6) Ainda não sei como os bancos não abriram uma holding funerária cotada no PSI20, mas transferida para a Holanda para não pagar os impostos dos mortos.

    Deve ser um excelente negócio e já devem estar a tratar disso, a comprar umas agências funerárias a preço de saldo, e a fazer uma holding, que consegue passar os «stress tests» dos mortos: com caixões «made in China, Índia ou Bangladesh» ou cremações com potes «de cerâmica manhosa colada» .

    Quem serão os accionistas? As empresas cotadas no PSI20, mais os seus accionistas, políticos e banqueiros, escritórios de advogados, etc.: os Don Corleones cá do sítio e da banca «portuguese/Maastricht friendly» estrangeira.

    7) Mas há espíritos de mortos muito vingativos, cuidado com isso e também há a lei/roda do Karma que não perdoa, rege-se pela lógica da causa/efeito: há sempre fatalidades e desastres fatais para a geração que comete as bestialidades.

    E se não os apanharem vivos, quem paga por eles são os seus companheiros/as, os seus filhos/enteados, netos, bisnetos, e demais parentesco, por aí fora, é assim a lei do Karma: parece-me bastante equilibrada porque repõe o equilíbrio num contexto que lhe é próprio.

    Nós, portugueses, costumamos dizer em linguagem popular: «cá se fazem, cá se pagam».

  3. Miguel diz:

    «Prudência» declarou o ministro da Economia, António Pires de Lima.
    «Prudência e caldos de galinha», disse Paulo Portas, antes de entrar em funções, como Ministro dos Negócios Estrangeiros.
    Para Pedro Santana Lopes, aquilo que fez Paulo Portas, o seu grande amigo, ficar no governo, foi «a pátria».
    Todos rezam pelo futuro da pátria, tal como a imagem fotográfica de Pedro Mota Soares, no dia da celebração do novo cardeal patriarca, com as mãos bem coladas ao rosto: «Orai, por mim, senhor».
    O ministro Poiares Maduro chora e pede aos jornalistas para terem paciência. Há que fazer mais um esforço pela «pátria» e pedir a cada operário, a cada trabalhador, aquilo que a ministra Assunção Cristas disse a um agricultor na feira gastronómica de Santarém: «Trabalhar, trabalhar, trabalhar.»

  4. LGF Lizard diz:

    Eu acho que já batemos no iceberg à muito tempo….e apenas estamos a ouvir a banda a tocar.

    Não somos competitivos com a Europa do Norte, porque a nossa mão-de-obra não é qualificada. Não somos competitivos com os chineses porque a nossa mão-de-obra é demasiado cara.

    Dado que é impossível chegar ao patamar chinês, seria de esperar que os nossos governantes tivessem pensado num plano de muito longa duração (isto no início da década de 90) para que em 2020 pudéssemos começar a competir com a Europa do Norte.

    Infelizmente, actualmente estamos mais longe da Europa do Norte do que em 1990.

    E sem perspectivas sem recuperar o atraso.

    • eu diz:

      ‘NOSSOS’ governantes?Só se for para os banksters e os psicopatas dos ‘investidores’.Para mim,são os DESgovernantes!

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