QSLT – Isto já não é o que nunca foi

vanityA vaidade nunca foi boa conselheira, sobretudo em política. Depois de meses em negação, o QSLT (Que Se Lixe a Troika) é desmontado num artigo do Rui Marçal, na VICE, recorrendo apenas a um tão inteligente como subtil jogo de espelhos.

No artigo, o coordenador João Camargo estufa ao reclamar a paternidade de uma ideia que de resto se lembrou de publicar em livro: “já tinha havido uma ideia nos PI”. Ao passo que Myriam Zaluar, também ela dos PI, deixa claro que foi este movimento – para quem não sabe um satélite do Bloco de Esquerda – que esteve “por trás de todas as grandes coisas que se fizeram, inclusivamente por trás da tomada de consciência colectiva de toda a nossa situação”.

O QSLT foi assim “esgalhada dentro dos PI”, e obedeceu a uma estratégia consistia em “misturar algumas pessoas com mais perfil com [activistas] anónimos” para que se “conseguisse mobilizar muito mais gente do que uma organização” e nisso os PI “acertaram em cheio”.

O must mesmo é vir a saber que “a partir da coordenação de João Camargo, o alargamento do QSLT passou a ser uma prioridade”. Isto quando é sabido que foi este dirigente e a sua corrente política quem mais aplicou o direito de veto sobre variadíssimos quadrantes políticos e não menos propostas de continuidade de mais um movimento político que se perdeu irremediavelmente.

Em dia de finados resta desejar paz à sua alma e honra aos que tentaram, por dentro e por fora, que as coisas fossem de outra maneira. Depois do 12 de Março e do 15 de Outubro, lá se vai ter que começar tudo de novo… mais uma vez.

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22 respostas a QSLT – Isto já não é o que nunca foi

  1. MUITO OBRIGADA diz:

    Só para deixar um enorme agradecimento a todas as pessoas que organizaram o movimento QSLT e que me têm proporcionado a possibilidade de ir às manifestações de rua. Até à próxima.

    Muito, muito obrigada.

    P.S. Não sou militante de Partido nenhum.

  2. Vítor Vieira diz:

    A dar crédito ao “jornalista” Rui Marçal? Da Vice.com? Really… http://www.businessweek.com/articles/2013-08-08/ex-viacom-chief-tom-freston-on-oprah-vice-media-and-afghan-tv

    (nota de minha redação: antes dizia-se que os tratores oferecidos pela União Soviética às cooperativas da Reforma Agrária tinham “apoios para metralhadoras” e eram “blindados”.

    Acredite-se pois no que se quiser, já que há quem por aqui acredita no Pai Natal, pelos vistos…)

    • Dou pois. Tem feito belíssimos trabalhos com meios muito reduzidos. De resto, sobre o assunto vários interlocutores lhe deram crédito e cada uma das citações que aqui faço destaque.

  3. Renato, antes começar de novo do que continuar o que nasceu torto. O QSLT tornou-se parte do problema, não da solução. Comecemos de novo, pois. Desta vez de forma aberta e não por convite fechado, mais ou menos o que eu lá deixei claro quando bati com a porta. Um abraço 🙂

  4. Estão à espera de quê para começar de novo? O Renato poderia mesmo começar a organizar alguma coisa até ao final do ano, não era? Abraço.

  5. Já alguém pensou fazer a silly season do activismo? Parece que o Rui deu o pontapé de saída. E aqui o amigo Renato pagou para ver. E até acho o Rui uma pessoa sem pérfidas intenções e com esclarecida visão. Mas este artigo é um fait-divers para activista de bancada se entreter e animar as entediantes tardes facebokianas entre a praia e o regresso a casa. Helas, cada um come do que quer e faz as férias que pode ou deseja, independetemente de poder haver leituras certeiras na peça. Mas, por favor, medir pilinhas a ver quem é o grande líder do pavilhão chinês???? Introduzir declarações descontextualizadas e fazê-las brilhar sobre o argumento novelesco???? Pedir versões a quem deixou há muito de se identificar com o processo – justamente porque não desejava alargamento algum (nem sequer, o tibioso que se deu). E, até, revelar as declarações do “pobre” anónimo que não se quer fazer identificar, presumo que para não ser abatido pelos cães raivosos da quadrilha. Enfim… de facto, não é apenas aos PI’s ou Be’s ou Pêcês que a novela acaba por servir, é aos que os criticam também. Todos podem ficar bem na foto, excepto quem de facto andou a “dar o litro” para mobilizar o país, para resistir de alguma forma a esta mairo novela em que se tornaram as nossas vidas – mas cujo argumento é cozinhado bem longe das nossas casas. Não se trata de saber se o qslt é (ou foi) melhor que outras propostas de plataformas anteriores, nem ser futorologista sobre o que se irá passar, mas em estado de negação, parece-me, estão aqueles que se esforçam por acreditar no que mais facilmente parece ser a resposta conveniente para as suas preocupações ou para as suas penumbrosas meditações. No dia em que cessarem as novelas sobre lideranças, facções e outras peruadas que levam anos de ressabianço e as trapalhadas de protagonismos vanguardistas sobre o “verdadeiro caminho para a revolução” talvez exista espaço para pensar o futuro e construi-lo como algo novo. Até lá continuo a pensar que algo tem de ser feito – mesmo cheio de erros, de trapalhadas, de facadas nas costas, de arranjinhos cozinhados ou de medição de pilinhas – para impedir que a vida, como a conhecemos, se desvaneça nas mãos destes crápulas e sanguessugas da Troika e do troikismo. E acho que esse caminho tem de ser feito com a máxima confiança e com a maior solidariedade possível e com a melhor das disposições (e ainda com uma visão política que saiba abandonar as certezas das cartilhas de “aninhos de bora lá fazer um movimento social”) – e, sobretudo, com quem pensa diferente, com quem bate a porta e com quem está sempre de requiem na boca. Por isso mantenho a mesma posição com que entrei no primeiro dia no qslt para pensar o protesto de 15 de setembro; porque com tantos fracassos e tantas fragilidades é ainda um lugar de intercepção e de geometria varíavel que me interessa… mas se o activismo se esgotasse no qslt estávamos todos tramados obviamente. (de resto, posso sempre estar enganado, mas fico à espera para ver melhores orquestradores criarem a solução tão esperada – claro de gin tonic na mão e a ler o Vice sem parar… ;). abraços estivais

    • Rafael diz:

      Isso quer dizer que da próxima vez esperam que toda a gente chegue ao Terreiro do Paço antes de começar a “apagar” as luzes e desmontar o palco?

    • MUITO OBRIGADA diz:

      Penso que o Sr. quando se refere ao “pobre” anónimo se refere a mim, por ter dito muito obrigada a todas as pessoas da organição do movimento QSLT. Reitero o agradecimento que fiz enquanto anónimo .

      Pois bem, Sr. Paulo Raposo, posso-lhe garantir uma coisa, sou anónimo porque sou um dos milhares de anónimos e anónimas que participou e participará nas manifestações/acções/protestos de rua organizados com o movimento QSLT. Porquê? Porque não me interessam as quesílias entre os membros do movimento QSLT e o movimento em si, o enorme trabalho feito pelas pessoas da organização ao longo do tempo, não se esgota em protagonismos de absolutamente ninguém, nem da participação de anónimos/anónimas.

      Lembro-me quando a respeito da manifestação de 15 de Setembro foi veiculado pela comunicação social que se tratava de uma manifestação de uma «massa inorgânica» de pessoas. Seja lá o que isso quer dizer.

      Recuso-me a encarar movimento QSLT como um movimento partidário (se as estruturas que o organizam possam vir de Partidos, também pouco me importa; o aproveitamento político está implícito num movimento seja de que natureza for). Não me tenho de justificar porque sou um “pobre” anónimo/a.
      Para que não restem dúvidas, posso-lhe assegurar que não conheço ninguém do movimento QSLT.

      Mais ainda: do meu ponto de vista, o que sobressai e anima o movimento QSLT, o que é verdadeiramente visível do movimento, são as acções levadas a cabo por um conjunto alargado de pessoas da organização QSLT, que se deram ao enorme trabalho de proporcionar ao povo português – e não só porque também vi pessoas de nacionalidade estrangeira que vivem no nosso país e, na minha perspectiva, gozam dos mesmos direitos, liberdades e garantias do que os portugueses, tendo também os mesmos deveres – que não tinham outros meios para expressar/manifestar o seu descontamento, uma maneira «concreta» para o fazerem: o da rua. Parece-me incontestável.

      Agora se alguém entender fazer um «case-study», mestrados ou teses de doutoramento ou pós-doutoramento, ou publicar livros, ou mesmo fazer sondagens, estatísticas, ou estudos sobre estudos sobre estudos, que importância tem? Ficarão sempre aquém do que realmente aconteceu/acontece e acontecerá nas manifestações propriamente ditas.

      P.S. Vou-lhe dar um exemplo: moro num prédio com vizinhos e quase todos nos conhecemos desde miúdos. Mas acredite ou não, pouco me importa, acontece que não combinámos ir todos juntos, por exemplo, à manifestação de 15 de Setembro. Foi curioso porque nos acabámos por encontrar na manifestação ou quando regressámos a casa falámos entre nós e acabámos por constatar que tínhamos todos lá estado. Também encontrei vizinhos do meu bairro na mesma manifestação. Foi uma «má-disposição» individual que todos sentimos e que se pôde «materializar» numa manifestação «colectiva». Não vale a pena dizer que continuamos todos muito «mal-dispostos» como a generalidade do povo português.

      E por isso só posso mesmo agradecer a todos os que trabalharam arduamente para poder fazer acontecer as manifestações do movimento QSLT que têm ocorrido desde então.

      Repito: não me interessa se há quesílias partidárias ou que digam respeito a protagonismos ou seja o que for. Não serão certamente essas questões que permanecerão na minha memória. Participarei de novo nas manifestações do movimento QSLT sempre que ocorrerem, enquanto “pobre” anónimo/a.

  6. Rocha diz:

    O mundo da pequeno-burguesia visto de dentro da sua própria bolha. Circo de vaidades desfeito ao ritmo de intrigas e de pequenas mesquinharias. Sim, sim parabéns ao Rui Marçal por acrescentar lodo ou lodaçal.

    Pelo meio são maltratadas pessoas que procuraram de forma sincera e esforçada unir camadas médias às justas lutas da classe trabalhadora e reabilitar para a causa proletária a decadente intelectualidade portuguesa.

  7. não sei o que é pior: Ser um submarino do bloco de esquerda ou ter a Myriam Zaluar a dirigir….

  8. Não, cara/o Muito Obrigada (assinado como “pobre anónimo). Interpretou-me mal. Referia-me a uma fonte que pediu anonimato na reportagem do Rui Marçal. Lamento a confusão mas não tenho nada a dizer sobre o cidadão anónimo (que também sou) e ainda bem que participará nas manifestações que se seguem – sejam do qslt sejam de quem for protestando contra forma como as pessoas passaram a ser tratadas. E subscrevo inteiramente a sua indiferença a quezílias internas ou protoganismos dentro deste ou de qualquer coletivo. Vê-mo-nos na rua em breve, espero!

  9. Graza diz:

    Considero texto do Rui Marçal um bom escalpe, pouco me importando com alguns rigores de análise quanto à verdade na relação de forças internas no QSLT que desconheço, porque já estamos habituados a ler e conhecendo cada um de nós o suficiente sobre as dificuldades porque passa a coordenação de qualquer ativismo político, a síntese somos nós que a fazemos. Não há por isso perigo algum em fazermos estas leituras porque, mesmo não sendo a verdade toda, será certamente alguma parte dela. Os incautos é que correm sempre o risco por não saberem ler nas entrelinhas, mas esses, vão aprender no percurso, como nós aprendemos.

  10. JgMenos diz:

    Onde se viu maior palermice do que negar que aos partidos compete a formação de vanguardas destinadas a envolverem-se nos movimentos sociais?
    O que pode justificar a idiotia de pretender que a eles sejam indiferentes ou não participantes?
    Só posso ver duas razões, com toda a probabilidade cumulativas:
    – A pequena natureza de gente pequena!
    – A má consciência de manterem programas de acção irrealistas e anti-sociais!

    • z diz:

      Não sei porquê, mas este comentário evoca-me na memória o movimento «político» da «Mocidade Portuguesa» em tempos que já lá vão.

      Tive a sorte de ter tido um pai (emigrante que nunca regressou a Portugal e que à época cumpriu o serviço militar português ) que se opôs que o meu avô nos integrasse, a nós, netos, na «Mocidade Portuguesa».

      O meu avô, de quem guardo as melhores memórias, não tinha um tostão e vivia na pobreza, mas conseguiu as fardas para nós, os seus netos.

      Nós éramos crianças e ficámos com pena de não usar as fardas… porque eram novas e coloridas…

      • JgMenos diz:

        zzzzz…procura ler quando estiveres bem acordado!

        • z diz:

          You are such a pervert! You should have been tortured and died in Dachau.I am sure you would have a had a jolly good time dying there!

          Just in case you did not read the right books: «The Dachau concentration camp was built in 1933, mere weeks after Adolf Hitler rose to power. Initially, the camp housed political prisoners, but it was later used as a model for other Nazi concentration camps».

  11. Alcides diz:

    É giro que critiques o direito de veto dos outros.

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