Não pode ficar assim

 

A memória do padre Max e da sua aluna e camarada Maria de Lurdes Correia não se desvaneceu. O envolvimento do cónego Melo nas suas mortes é tão provável que o PSD e o CDS-PP se abstiveram na votação para o eregimento desta pouca-vergonha proposta por um grupo de cidadãos revivalistas bacocos e apoiada pelo executivo da Câmara Municipal de Braga.

O Supremo Tribunal de Justiça outrora absolveu os suspeitos e arguidos – apesar da desconfiança e do desconforto da sentença pouco convincente – mas nunca esteve fora de questão o suporte moral do homenageado ao grupo de extrema-direita MDLP que alastrou o terror e o sangue por várias sedes de forças partidárias de esquerda e respectivos militantes.

O capital simbólico [Pierre Bourdieu] tem mais força do que pensamos e é demonstrativo dos tempos de retrocesso em que vivemos. A estátua não é de somenos; é uma exteriorização dos habitus que nos estão a ser incutidos intelectual e culturalmente por uma minoria económica que exterioriza o seu predomínio social através de inúmeros recursos.

Que se construam mil monumentos à socapa, que nenhum tem mais força que o imaginário daqueles que viveram ou estudaram Abril de 1974 e o percurso até aqui.

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20 respostas a Não pode ficar assim

  1. JgMenos diz:

    Quem quer um PREC/ COPCON/ FP25 só tem que esperar a reacção que lhe corresponde.
    Estas queixinhas são uma pieguice se proferidas por quem preza tantos dos facínoras produzidos pela esquerda.
    O que diz o texto é que ‘se homenageia o bracarense’!
    O socialista Mesquita não podia deixar de consentir na homenagem a quem o protegeu no curso de um consulado tão rendoso.

    • Frederico Aleixo diz:

      Já o JgMenos quer uma MDLP/ELP/Maria da Fonte. Homenagear Cónego Melo é branquear o seu passado ligado à extrema-direita e crimes daí resultantes.

      Veja lá que até PSD e CDS se abstiveram.

    • De diz:

      Há algo de verdadeiramente abjecto neste comentário a um post que se pauta por um rigor e uma correcção notáveis.Mais uma vez Frederico Aleixo.opta por um registo didáctico e inteligente que muito prezo.

      A face dos vencidos e derrotados em Abril de 74 na sua versão hodierna tipo Menos,é bem demonstrativa dos “tempos de retrocesso em que vivemos”.
      Mas o vocabulário com que este Jg enriquece o seu testemunho é perfeitamente revelador da ausência de escrúpulos do dito.As tais “pieguices e queixinhas” são mimos com que Menso tenta esconder a defesa dos facínoras.E bem pode ele rebolar os olhos e a escrita citando o PREC e o Copcon ou o que quer que seja. .Os factos estão aí em toda a sua rudeza.

      Noutros tempos oficiais alemães das SS que justificaram massacres a inocentes com a liquidação de alguns dos seus sicários às mãos da Resistência.
      Os Homens e a História deram-lhes a devida resposta

      • Frederico Aleixo diz:

        Caro De,

        E eu louvo-lhe a paciência para vir sempre contra-argumentar com aquilo que muitas vezes parece indefensável como parece ser a opinião de JgMenos. Não sei qual é ideologia deste nem as motivações mas começo a ficar convencido que teremos de repetir até à eternidade os factos para os spinolistas se recordarem.

        Um grande abraço

      • JgMenos diz:

        A História deu por resposta a MDLPs e COPCONs o que é referenciado por ’25 de Novembro’! Esse é o facto histórico.
        É inevitável que vá buscar SS e outros figuras notórias para obter dois efeitos:
        – enfatizar o quão oposta é a sua posição, e assim obter uma tolerância que a sua inconsistência argumentativa de facto não merece.
        – associar-me a tais caracteres, e assim desmerecer do argumento.
        Fraca dialéctica e vulgar expediente que me é por completo indiferente!

        • De diz:

          Parece que não percebeu ou que não quer perceber.

          A História não deu como resposta a MDLPs e Copcons o “referenciado por 25 de Novembro”.A História é muito mais funda e complexa e não segue os caprichos literários e de ficção política de ninguém, muito menos de Menos.Como é óbvio isto não pinta de outra cor o dito por Menos e a sua comiseração por terroristas como o cónego melo.Estas desculpas pseudo-historicistas apenas conferem o tom de uma ligeira pusilanimidade ante os factos denunciados.E nem vale a pena focar esta pequena barbaridade de Menos ao falar das FP 25 e de “quem as quer” .Por acaso estas surgiram bem depois do 25 de Novembro em 1980 e a sua convocação expressa bem o grau de manipulação a que se chega como se fosse tão natural como beber água.Esta mania de se juntar tudo num molhe e servir ao domícilio não passa,sorry.

          A chamada de atenção para os nazis que executaram vítimas inocentes sob o pretexto de fazê-los pagar pela eliminação de alguns dos seus sicários é feita na exacta medida em que não é admissível também aqui a justificação de mortos inocentes com base em argumentos do género que “os outros também fizeram”.
          Parece simples de entender.
          Talvz seja desta que Menos perceba e nos poupe a mais uma dose de auto-comiseração com tons rebuscados,tanto mais intrigante quanto parece que o dito lhe é totalmente indiferente.

          Tão indiferente quanto a persistente labuta de Menos em prol duma narrativa favorável a tudo o que mexa contra o mundo do trabalho e a tudo o que seja em prol dos exploradores sem freio nem pejo?
          Tão indiferente quanto os impropérios que por vezes dirige de cabeça perdida e de faca na mão quando vê denunciadas as suas contradições e o seu argumentário?

          Basta verificar

    • JgMenos diz:

      Como sempre o argumento é sobre presumíveis intenções e opções; a ficção como tendência permanente.
      Pergunto-me se não será a normal emanação de ideologias utópico-fantasiosas!

      • De diz:

        O argumento das queixinhas e das pieguices com que Menos adornou o seu comentário não está na ordem das ficções.
        Está e emana duma outra ordem mais funda e mais sinistra.

        (Pese agora a linguagem mais consentânea com.)

  2. Graza diz:

    Não fazem a mínima ideia da revolta que isto nos causa. Não sei se o Padre Max e Maria de Lurdes não estão a intervir para que alguma coisa mexa, fazendo com essa coisa abjecta seja homenageada com uma estátua, apenas para nos acordar. Por mim, foi conseguido: o fim daquela estátua só pode ser um.

  3. Miguel diz:

    Estamos a viver um período político perverso, com as consequências que advêm de um estado controlado por gente mesquinha e igualmente perversa. Para além de um símbolo de ódio, a estátua é uma provocação.

  4. Não é irrelevante o papel do PS neste processo.

    • Frederico Aleixo diz:

      Não é, decerto. Uma autêntica vergonha. Mas parece que o Mesquita Machado deve muito ao Cónego, o que por si diz muito. Mas em relação a isso o Alex Matos Gomes já precisou bem.

      • Precisou. Apenas o escrevi aqui por achar que essa omissão, neste caso, não fazia nenhum sentido. 😉

        • Frederico Aleixo diz:

          Tens razão, Renato. Devia ter sido mais explícito na condenação ao PS, em especial ao Mesquita Machado e ao Vítor Sousa. Tive mesmo para acrescentar os nomes deles mas depois o Alex foi rápido e achei que já não fazia sentido, até porque o texto dele foi também muito partilhado. O Seguro que foi eleito pelo círculo de Braga também não está ausente de responsabilidades.

          Mas depois de ver algumas das partilhas deste artigo, fiquei contente que as pessoas tenham logo associado o executivo da Câmara aos seus agentes e respectivo partido. Quer dizer que os responsáveis não passam impunes. E que desapareça a estátua.

  5. Victor Cabral diz:

    O Mesquita/o, é mandado pelo PS, e o PS é igual a si mesmo … pior que PSD/CDS !
    Tudo certo, portanto !

  6. Neste País só tem valor os terroristas e assassinos tipo Melo Cagão.

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