Sobrará esquerda ao reinado do Partido dos Trabalhadores?

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O Brasil está a ferro e fogo. O desaparecimento de Amarildo e as ameaças ao cartonista Carlos Latuff ganharam dimensão por terem sido assumidos pelo movimento internacional como campanhas de solidariedade e de denúncia num país que mais parece dirigido por uma junta militar do que por um partido que se diz de esquerda e que no seu nome se diz dos trabalhadores.

Estes dois casos não são a excepção e confirmam a regra de um país que mesmo com condições económicas muito favoráveis não as está a aproveitar para que o seu povo beneficie delas. A repressão parece ser a paz e o pão que se exige nas ruas e a única resposta que as autoridades políticas têm para oferecer.

No Rio de Janeiro a casa de Sérgio Cabral tem sido alvo de vários protestos, mas nem a sua política afasta a esquerda do seu governo. O PT participa da coligação que o suporta, em aliança com o PMDB, o partido de Sérgio Cabral, que mesmo no actual quadro político reafirmou seu integral apoio e comprometimento com o seu executivo “autárquico”.

Do Planalto nem um assobio contraditório e as palavras circunstanciais de Dilma não passam de lágrimas de crocodilo. Neste absurdo não é só o PT que se mantém cúmplice e responsável pela generalização da repressão. Na oposição, PSOL, PSTU, PCB, são incapazes de descolar do PT e levam as centrais sindicais onde têm influência a fazer chamados conjuntos pelos direitos democráticos, como que metendo a cabeça na areia sobre as responsabilidades do PT não só nos acontecimentos mais recentes mas sobretudo no desbaratar de uma década de poder e de oportunidades.

Como em política não há vácuo as massas populares vão encaminhar-se para o campo liberal, para o activismo anti-partidário ou mesmo para a extrema-direita, sectores que parecem ser os únicos a capitalizar o descontentamento sem ter, claro está, nenhuma alternativa programática capaz de forjar um horizonte melhor para o Brasil.

Uma vez mais a esquerda parece ser a maior inimiga de si própria e mesmo num cenário pré-revolucionário não está capaz de se construir como alternativa. Mas a culpa não morrerá solteira. Haverá por lá, seguramente, meia dúzia de sectários ultra-esquerdistas para responsabilizar pela sua falta de capacidade em fazer unidade e de alergia ao comprometimento. Ora pois.

O que fazer quando o Partido dos Trabalhadores é o principal coveiro dos trabalhadores?

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4 respostas a Sobrará esquerda ao reinado do Partido dos Trabalhadores?

  1. Nuno Cardoso da Silva diz:

    “Uma vez mais a esquerda parece ser a maior inimiga de si própria e mesmo num cenário pré-revolucionário não está capaz de se construir como alternativa. Mas a culpa não morrerá solteira. Haverá por lá, seguramente, meia dúzia de sectários ultra-esquerdistas para responsabilizar pela sua falta de capacidade em fazer unidade e de alergia ao comprometimento. Ora pois…”

    Ou seja, a culpa da falta de unidade é de quem a denuncia… Sem essa “meia dúzia de sectários ultra-esquerdistas” a unidade fazia-se num instantinho…

  2. Francisco Pires Salpico diz:

    Peço a vossa ajuda para me esclarecem para o seguinte:
    -No vosso texto, nas partes sublinhadas, deveria reencaminhar para um determinado site mas surge uma protecção com o seguinte texto:

    “Não é possível apresentar este conteúdo numa frame
    Para ajudar a proteger a segurança das informações introduzidas neste Web site, o publicador deste conteúdo não permite a sua apresentação numa frame.
    O que pode tentar:
    Abrir este conteúdo numa nova janela “

  3. Oh Renato com as políticas deste governo está provado que o PT é um PS, portanto de esquerda, só se for nas orelhas das dobras dos papéis guardados na gaveta. E portanto é impossível que haja tréguas e melhoras quanto à vida dos brasileiros.

    Falaste de os partidos da oposição não conseguirem descolar do PT, falas com certeza nas eleições, correcto? Mas não faltam ai outros partidos? Ou o que te queres referir com esses 3 partidos?

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