“O melhor tempero da comida é a fome.” – Marcus Cícero

Gosto sempre de ver e ouvir os defensores acérrimos da austeridade a defender que a renegociação com os credores internacionais deixar-nos-ia isolados e fragilizados no panorama internacional. Gosto particularmente porque são os mesmos que, alguns até em representação ministerial do nosso Governo, categorizam Portugal como um protectorado e cuja relação com países na mesma situação é inexistente ou mesmo de desprezo. E, agitando a bandeira do “nós ou o caos” fomentam a mesmíssima coisa que dizem combater.

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15 respostas a “O melhor tempero da comida é a fome.” – Marcus Cícero

  1. Dezperado diz:

    Devia explicar no post como fazia a renegociação e quais os seus impactos.

    Falar de renegociação por alto, parece-me muito abstrato.

    • De diz:

      Está equivocado.
      O post tem outro alcance e outra ironia provavelmente não captado por alguns.
      Falta-lhes a esses alguns substracto ou sobra-lhes substracto,Depende do ponto de vista…

      Entretanto seria bom que desesperado se documentasse um pouco sobre as alternativas a esta governação miserável.
      Bolas,não se fala noutra coisa.Que saia da sua zona de conforto em vez de vir repenicar os caminhos únicos dos cavacos e passos e gaspares e swaps e portas e outra canalha miserável

    • Parece-me que passou-lhe ao lado o foco deste post.

      Mas se quiser ir por aí, já agora, diga quais os impactos de não renegociar? Parece-me ser uma discussão prévia necessária para se chegar à discussão da possibilidade de renegociação.

      • Dezperado diz:

        Para haver uma renegociação do quer que seja, é necessário as duas partes estarem de acordo. É que se fala muito da “renegociação” só por si….como se fosse apenas falar com os credores, impôr-lhes as nossas condições e assinar o papel.

        • De diz:

          Fala-se em renegociação e fala-se bem.
          É que esta questão da renegociação, tema tabu de início para os servidores da troika,começa a surgir já no espaço linguístico de alguns destes senhores.
          Por exemplo:
          Grupo criado por Governo propõe renegociação da dívida
          ( um deles um ex-vice presidente do PSD)
          http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=2933016&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA

          Ou por exemplo: Miguel Cadilhe defende renegociação da dívida
          http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=77312

          Ou seja , a recusa, que eu acho abjecta, da renegociação é de facto uma recusa ideologicamente programada que visa apenas a tentativa de impor um sentido de via única ao país.E fazer passar para os grandes interesses económicos a riqueza produzida pelo trabalho
          Inaceitável sob qualquer ponts de vista.Uma espécie de alibi fraudulento,cobarde, venal e necessariamente irrealista.Como a realidade virá mostrar.
          Mas é de exigir depois a responsabilização total e sem perdão dos responsáveis por tal caminho

          ( talvez fosse bom saber o que é renegociação.Depois contrastar com a definição de desperado.Contrastar é mesmo o termo)

  2. JgMenos diz:

    ‘São as palavras e as fórmulas, mais do que a razão, que criam a maioria de nossos julgamentos’ – Gustave Le Bon
    Falta um ano e o anúncio de 4.700 milhões de cortes para acabar o protectorado.
    4.700 milhões de cortes que são menos de metade dos cortes necessários a um cenário optimista do nosso futuro.
    Não temos presente nem futuro sem crédito.
    São precisas palavras, muitas palavras, para ocultar tais evidências.

    • De diz:

      As palavras, as muitas e muitas palavras tão gastas com que Menos tenta ocultar as evidências….
      Replicadas ad infinitum pelos pulhas que nos governam, pelos seus capangas e pelos media amestrados

      Entretanto fala-se em “protectorado”…
      Quem é que gosta de tal termo?
      Ah já sei .É o ministro irrevogável que o repete também, qual boneco de corda a expelir o seu repelente produto.
      Conferem as afinidades “irrevogáveis”
      🙂

    • Carlos Carapeto diz:

      Com a divida publica a subir vertiginosamente não há escapadela possível para sair do sorvedoiro sem primeiro aumentar a produção e o consumo interno.

      A Republica Democratica do Congo é o país mais rico de África em recursos naturais , sobrevive exclusivamente das exportação de matérias primas, nem por isso deixa de ser um dos países mais atrasados do mundo e com piores condições de vida.

      ~Sendo Portugal parco “pobre é o que eles apregoam” em matérias primas só nos resta um caminho, alienar o melhor que temos, os trabalhadores, escravizando-os porque foram eles os causadores das tais evidencias que tenta clarificar.

      Mais palavras para quê?

    • “Falta um ano e o anúncio de 4.700 milhões de cortes para acabar o protectorado.”

      Folgo vê-lo tão optimista. Claro que a história das “crises da dívida” não reflectem tal bonança, mas daqui a um ano voltamos a falar, pode ser?

      “Não temos presente nem futuro sem crédito”.

      Também não teremos democracia se continuarmos neste caminho por muito mais tempo. E relativamente a crédito, você não ouviu que os bancos portugueses querem é emprestar dinheiro? Mas os Portugueses, só para chatear o Governo, começaram a viver abaixo das suas possibilidades. Razão tinha o Júlio César.

      E já agora, ficou por provar que Portugal estava na bancarrota. É que não me esqueço que dois meses antes (Janeiro 2011) PS e PSD vetaram em Assembleia da República a limitação a salários milionários de gestores de empresas públicas. Como é que ficamos? Também vi o caso BPN a ser gerido na base que causaria um risco sistémico bancário, e que já se viu que não era de todo o caso (era e é um risco sistémico de uma classe política). E já agora, costumo ver umas quantas empresas no PSI20 a terem lucros anuais bem jeitosos. Curiosamente, tais lucros não parecem ser vistos prioritários para o reinvestimento na produção e fomento da economia, mais que são vistos como dividendos a distribuir por accionistas. Curiosamente, os lucros milionários dessas empresas não as impedem de viver com benesses do Estado.

      Também me lembro da enorme fuga de capitais para off-shores na primeira metade de 2011. Não há dinheiro ou não há distribuição justa do mesmo?

      Já que estamos numa de citações, mais uma:

      “Abundance does not spread; famine does”, provérbio zulu (esses proto-marxistas danados).

      • JgMenos diz:

        Sempre me impressionam os adivinhos que vêm o que não se viu; caso de o BPN não ter constituído risco sistémico.
        Mas o seu radical zulu dar-lhe-à provavelmente tais poderes.
        Tem no entanto que ter em conta que os zulus nunca tiveram o privilégio de receber, nem pesadas heranças, nem os benefícios distributivos de Abril!

        • Não sou o único que o diz JgMenos… bem pelo contrário. Veja lá que até o Miguel Cadilhe o disse!

          Se não acredite em mim, veja: http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/13628657/603

          Tenho sérias dúvidas relativamente aos meus dons de adivinho. De abril “apenas” recebi a democracia, sem valores pecuniários pelo meio.

          Tem no entanto que ter em conta que o JgMenos apenas vê o que quer ver. E conheço diversos casos crónicos de negação da realidade nas suas diferentes dimensões, mas pela sua óptica daqui a um ano já não seremos protectorado pelo que fico à espera que marque o local e a data para celebrarmos. Fico para perceber como é que os cortes previstos não vão acentuar ainda mais o protectorado, mas como não quero ser desmancha-prazeres fica para a próxima.

  3. SWAPS diz:

    Nós, povo português, não temos protecção jurídica em relação aos «swaps» – há um vazio jurídico. Ponto final. Não há BdP ou CMVM ou CNSF ou TContas, ou seja que instituição for que nos proteja.
    É uma absoluta vergonha o que se está a passar.
    Quem fez o banco BPN, os contratos das PPP, SWAPS (entre outros negócios e os que ainda não sabemos), ajudou o BPP ou não?, ajudou o BANIF ou não? , vendeu/privatizou ao preço da chuva, os nossos recursos estratégicos (falta a água e ai deles!!!) , deu de bandeja o dinheiro do povo português aos seus «compadres banqueiros et all» foram os partidos que estiveram no poder (não os que não estiveram) e são esses mesmos partidos que têm a lata que de dizer que a culpa é do povo português.
    É muito simples: quem é a favor deste verdadeiro «massacre» inaceitável do povo português é porque foi, é e será conivente com estes negócios vergonhosos.
    Sim. Eu sei que se trata de uma generalização.
    Mas enquanto houver pessoas à minha volta a dizerem-me que fui eu e outros portugueses, ou seja, que fomos nós que ganhámos ou gastámos demais, eu digo-lhes e tenho mesmo dito: não falo mais convosco, seus ignorantes e corruptos, viro as costas, vou-me embora ou desligo o telefone.

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