Contra a Homofobia, Contra o Fascismo, Já amanhã.

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Há uns dias escrevi sobre a convocatória de uma vigília homofóbica que se diz “pelas crianças”. As promotoras do evento apontam as falhas da lei que irá ser aprovada na quarta-feira (algumas delas válidas) e utilizam-nas como linha argumentativa para mostrar que a coadopção por casais homossexuais é imoral, anti-natural e, no fundo, nojenta. Uma pessoa não pode deixar de pensar que de facto teve de ter havido muita gente com infâncias muito, muito complicadas.

A vígilia tem mobilizado mais vozes, acusado homossexuais de serem pedófilos, doentes, acusando todo o movimento LGBT- Queer (ah, não, espera, elas “queer” não conhecem e não usam)de ser um puro lobby. Tem-se esticado pela voz da Zizi Pegado e em curtos comentários contra o “marxismo cultural”. Podem ser baratas totntas, mas são baratas tontas homofóbicas e… fascistas.

É, aliás, a única razão porque volto a escrever sobre esta vigília, e não me prendo aqui sobre considerações mais extensas sobre o próprio projecto de lei (que falhas tem muitas) ou sobre as minhas críticas a parte do movimento LGBT: o novo factor relevante para o paradigma político geral: o aparecimento do fascismo de cara destapada.

Depois de um evento paralelo ter sido convocado em Braga explicitamente por membras do PNR, foi a vez do próprio site do PNR tomar posição relativamente ao protesto convocando todas as suas filiadas e aopiantes e garantindo que “O Presidente do partido, José Pinto-Coelho marcará presença e, com ele, muitos militantes do Partido.”

1005658_197036197123797_852849701_nLonge de querer aqui extensivamente fazer uma análise do movimento fascista em portugal nos últimos tempos, faz falta lembrar que o salazarismo bafiento se aproveita de dogmas de preconceito puro e ignorância conservadora para sair à rua de cara destapada. Foi, aliás, o que aconteceu recentemente em França.

E é nosso dever e direito combater a sua presença, garantir que ‘Fascismo nunca mais!’, não nos deixarmos intimidar e calar a boca que só se abre para insultar, promover o ódio, ameaçar a vida.

Há já três eventos marcados contra a vígilia facho-homofóbica (e vai um, e vão dois, e vão três). O ponto de encontro é às 20h no Rato amanhã. Espero ver-vos a todas amanhã.

(e como sempre, em concordância com o Acordo Queerográfico)

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5 respostas a Contra a Homofobia, Contra o Fascismo, Já amanhã.

  1. José Sequeira diz:

    Meus caros
    Quando os Queers se manifestam, os que se lhes opõem não lhes ligam nenhuma. O folklore Queer passa, com militantes e simpatizantes, e pronto, fazem a sua festa, e vão depois curtir para os inúmeros locais onde a malta é no mínimo indiferente. Deixem as Isisldas e quejandos brincar também um bocadinho, sairem à rua, serem obrigados a consumir nem que seja uns scones e um chá. Faz bem à economia: Portugal não é França. Por cá as coisas são mais calmas; vejam bem que a co-adopção até foi aprovada por um parlamento maioritariamente “fassista”. Vivam e deixem viver. Não sejam chatos nem “heterofóbicos”.

    • Dádinha diz:

      Quer dizer então que é comparável uma manifestação a reinvidincar a mudança social, como faz o movimento LGBT/Queer. e os direitos humanos com um movimento fascista e extremista, que reinvidica discurso de ódio afirmando que os homossexuais são doentes e pedófilos.
      Os movimentos LGBT/Quer manifestam-se individualmente, mas também constantemente são solidários com os movimentos de política gera (contra a austeriade, contra a precariendade, contra o imperialismo e a guerra, contra a exploração e a miséria da classe trabalahdoral. Esse folklore – como chama – mobiliza, participa, trabalha em parceria com todos os activistas que reinvidicam uma sociedade masi justa e democrática – esses activistas do folcklore estão também nos mais diversos movimentos sociais e associações da sociedade cívil que neste momento contextam a política económica de miséria.
      Estes movimentos Queer quando sãem à rua, NO SEU FOLKLORE pedem direitos homanos e justiça social para todas as pessoas.

      A Isilda e os quejandos saem à rua, não para fazer uma crítica a uma lei, mas para nos ofender na nossa dignidade, nos nosso afectos, na nossa forma de estar, de se expressar, de se vestir, de nos exprimir – afirmando que isso faz de nós pessoas com menos direitos e capacidade social. Desfilam na rua, pedindo que fiquemos na margem da sociedade com base na nossa orientação sexual, e expressão de género.

      A Isilda e quejandos não estão a brincar, estão a trazer o fascismo e reinvidicar nas ruas oque nos neguem um dos direirtos mais fundamentais – o direito a ser quem somos.

      Não se trata de adopção ou de casamento… trata-se de democracia. e quem se revê nela, devia estar neste momento solidário com as pessoas LGBT. Num dia em que uma vigília fascista sai á rua para pedir que nos retirem a categoria de seres humanos – como escrevem no evento da Isilda

      • josé sequeira diz:

        A Isilda e os amigos representam-se a si próprios.
        Nesse ponto têm o direito de achar tudo e mais alguma coisa, sobre quem quiserem; como os outros têm o direito de achar tudo e mais alguma coisa sobre a seita da Isilda.
        A generalidade das pessoas liga tanto à Isilda como liga aos queers.
        Para si pode ser uma coisa que não lhe agrade mas é a realidade.

        Diga-me uma coisa s.f.f. Se estivesse nas suas mãos, se tivesse poder para isso, proibia o folklore da Isilda?

        • Dádinha diz:

          Digo-lhe que nas minhas mãos, proibiria expressões fascistas. que foi o que aconteceu naquela manifestação. Neonazis organizados ostentando os seus simbolos.
          Uma leitura atenta dos evento, ou do site do PNR ou da JNR ou do MON permite a qualquer pessoa minimanete esclarecida que a isilda é apenas o rosto do chamamento de massas. porque o que está organizado é a violência.

  2. josé sequeira diz:

    Já agora, para que não fiquem dúvidas, fica aqui escrito que fui contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Utilizei as armas que tinha ao meu alcance e que se resumiram a não votar nos partidos que o propunham; perdi. A lei foi aprovada na Assembleia da República. A partir daí passou também a ser a minha lei. Mais, uma vez que foi aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, acho que tudo o que está ao dispor de um casal deve ser estendido aos casais de pessoas do mesmo sexo, incluindo a adopção plena. A isto chama-se democracia. Fico inclusive grato a esta maioria que achou por bem não tentar voltar atrás. A isto chama-se sequência normal democrática. Por isso, pessoas como a Isilda metem-me nojo. Estas contra-vigílias, de certeza, dão-lhes a importância que nem têm, nem merecem.

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