Carta a um Amigo

Honório,

Não há insubstituíveis. Mas, sem qualquer dúvida, há pessoas que marcam a vida de um país. Pelo seu rigor, pela sua assertividade, o seu bom humor, a sua competência, a sua humanidade.

O fim do teu mandato deixa o Parlamento mais pobre, menos exigente, menos credível. Deixa os funcionários daquela casa certamente mais tristes por verem mais um companheiro (sim, porque sempre foste um companheiro) sair. Um dos bons.

A tua saída, Zé Honório, deixa-me desfalcada de um melhor amigo, um companheiro, descaracteriza-me a vida em Lisboa e as viagens para casa. Quando me obrigavas a comer, quando te recusavas a ver futebol comigo ou quando me gritavas porque lá estava eu a dizer mal do BE. A exigência do rigor e da acuidade em todas as posições fez-me ser mais exigente comigo e com os outros. O humor, a capacidade de encaixe, fez-me mais serena e mais assertiva. Mas a amizade, essa, nem a mil quilómetros se perde. Continuarei a telefonar-te cada vez que o Benfica perde, a chatear-te com os filmes que quero que vejas e a gozar contigo e com a “Internet”.

Nos teus caminhos futuros, meu querido Amigo, sempre presente, sei que serás sempre maior do que tu. Por tudo o que foste fica um humilde agradecimento e a convicção de que ainda muito terás para dar ao teu Partido.

Mas nunca serei do Benfica. (aliás, sabes bem o que acho dessa tua condição!). Diz ao Gaspar que lhe faço uma festinha e que ainda espero os bolinhos (que nunca sei o nome) que fazes pelo natal. Mas o meu Zé será sempre o gato mais lindo e a minha irmã terá sempre um sorriso para ti quando passar por ti e te chamar nonó.

Sinto que é uma parte de mim que se perde, enquanto certamente uma nova página na luta se escreve. Até já meu querido amigo.

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4 respostas a Carta a um Amigo

  1. Vítor Vieira diz:

    Ena. Há quanto tempo não ouvia chamarem-lhe “Zé Honório” – ainda andávamos por Aníbal Cunha… de resto, subscrevo.

    • Lúcia Gomes diz:

      Não o costumo chamar assim a não ser quando discordo. Mas acho que revelar aqui o nome pelo qual chamo já era «abuso» 😉 mas percebi a dica.

  2. De diz:

    Um texto lindo

    De facto Honório Novo Não foi um deputado vulgar.A prova provada que os deputados não são todos iguais
    .
    O Tiago já postou aqui este vídeo

    em que Honório Novo entala Faria de Oliveira com uma limpeza de métodos e uma clareza abissal.
    Vale a pena ver

  3. Só tenho um reparo a fazer, não é o partido dele, é nosso, meu teu, do De, de quem milita, de quem trabalha diariamente.

    E gostava de saber por que é que o camarada Honório te diz para não dizeres mal do Bloco.

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