O secretário-geral do PS está reunido com a sua bancada parlamentar para discutir provavelmente os moldes e a substância do diálogo com vista a um compromisso de salvação nacional apelado pelo Presidente da República. É bastante provável que aceite, visto que ainda hoje no debate do Estado da Nação abriu a porta a conversações com a condição de não se envolver no governo e da marcação de eleições para 2014.
Resta então saber se existe margem para um acordo. Parece-me que sim. Não só porque o PS nunca pretendeu mais que uma renegociação superficial do memorando, como ainda está comprometido com o Tratado Orçamental Europeu que impõe um tecto de 60% da dívida pública e 0,5% de défice estrutural. Este é o pós-troika que Cavaco quer estabelecer e sedimentar na realidade portuguesa. A austeridade ad eternum. E uma posição de força para alterar a austeridade aplicada pelo memorando parece-me reforçada e partilhada pelos partidos que assinaram o memorando. O próprio Passos Coelho já convidou Seguro para a próxima mesa de negociações. Provavelmente também acordarão medidas de crescimento económico e o próprio Orçamento de 2014 de modo a garantir o segundo pilar referido no discurso presidencial.
Um acordo desta estirpe representa uma blindagem das escolhas dos eleitores. Reflecte uma marginalização de qualquer outra alternativa ao memorando da Troika e estipula a política de coligações nos anos vindouros. Este horizonte temporal poderá mesmo ser aproveitado para rever e operar um recuo nos direitos consagrados na Constituição.
Talvez possamos ser surpreendidos e a realidade política tem sido pródiga nesse aspecto, mas os compromissos internacionais do PS possuem bastante influência na sua orientação, principalmente neste contexto de pressão política e financeira. De qualquer modo posso apenas garantir um facto: o PS só pode escolher um dos lados. Existem apenas duas barricadas e a abstenção violenta não é nenhuma delas.


Contagem decrescente para a queda do disfarce…
http://inquietar-te.blogspot.pt/2013/07/a-novela-continua.html
O PS subscrever um “Compromisso de Salvação Nacional” pode ser uma coisa muito boa. Pode ajudar a clarificar aos olhos dos portugueses a situação política. Para este efeito o melhor era mesmo um governo patrocinado pelo PR e apoiado pelo CDS, PSD e PS. Não é uma questão de quanto pior melhor, mas não existindo de facto uma alternativa política global, torna-se necessário criar as condições para o seu surgimento. O primeiro passo é obviamente a compreensão de que o problema do país não é uma questão de mais ou menos estado social, mais ou menos impostos, mais ou menos solidariedade, mais ou menos autoritarismo, mais ou menos repartição dos “sacrifícios”, mais ou menos desigualdades: é uma questão de soberania. A evolução de todas aquelas questões depende de relações de força, depende de questões de poder. Em verdade se Portugal mantiver a estratégia dos últimos 30 anos, o melhor é começar a aprender alemão pois só se vão safar os seus aliados internos ( a não ser que haja uma grande reviravolta à escala internacional).