“Nunca mais caminharemos sós”! É possível haver emprego para todos, pão e poesia

Os desempregados são o número mágico que faz com que o trabalho se tenha transformado numa tortura, em que o medo de o perder é permanente; atrás dele vem a aceitação de salários mais baixos, jornadas de trabalho maiores, trabalhos repetitivos e humilhantes, aceitação de tarefas que não estão contratualizadas, trazer trabalho para casa, à noite, ao fim-de-semana. “Livres” de estar presos permanentemente ao patrão, público ou privado, que usa o nosso tempo, todo – como e quando quer.

Quem trabalha, trabalha cada vez mais horas, com mais intensidade, e por isso cada vez pior. Enquanto mais de um milhão de pessoas se sujeita à humilhação de depender de programas assistencialistas ou da família para sobreviver. O paraíso da troika, do Governo, é este: fazer de toda a gente trabalhadores precários, que, a qualquer momento, ficam desempregados.

Ninguém vai escapar se continuar a caminhar só. Há reformas por invalidez a serem retiradas. Anuncia-se a intenção de descer o salário mínimo (que já é de miséria), mais cortes nas reformas. Os despedimentos de estivadores, de funcionários públicos, no sector privado, na RTP, na Lusa, são também o afundar da segurança social, até aqui o mais superavitário de todos os orçamentos, porque quem devia trabalhar está desempregado ou é precário, e por isso não desconta o suficiente.

Ver por isso um acto em que se sentam na mesma mesa comissões de trabalhadores, desempregados e reformados é um fôlego, um alento. Que discutirá esta ideia simples, que hoje parece tão difícil de compreender –  emprego para todos.

Parece difícil porque o senso comum crê, e essa ideia passa todos os dias nos media como uma metralhadora, que riqueza e lucro são a mesma coisa. Ora, em economia, riqueza não é lucro. O emprego para todos não diminui a produção de riqueza no país, pelo contrário, aumenta-a porque colocamos  a produzir 1 400 000 pessoas que são uma força de trabalho em potência (e formada para tal) mas não utilizada. E porque aqueles que estão a trabalhar passam a ser ainda mais produtivos porque trabalham melhor, justamente porque trabalham menos.  O que ganhamos? Tudo: humanidade, tempo para viver, amar, passear, e, acima de tudo, pôr fim a esta tortura diária de não saber se amanhã vamos ter como sobreviver.

É urgente deixar os grilhões do passado, que nos impedem de ser consequentes, creio. Reconquistaremos uma utopia que ponha fim a esta dualidade tremenda, uma chantagem, na verdade, de que temos que aceitar viver com o pão e o salário mínimo, e nada mais, porque a alternativa é um regime estalinista onde também nada mais do que pão foi assegurado, com prisões e repressão. Uma sociedade que sabe que ninguém é livre entre desiguais mas que a liberdade não pode jamais ser questionada, está dentro das nossas possibilidades, não?

Quem paga a factura do sonho? A Galilei (BPN), o Grupo Melo, Mota Egil e Espírito Santo, Belmiro de Azevedo, Soares dos Santos, Amorim, Ricardo Salgado, António Mexia,  Ricardo Espírito Santo, todos os boys que fizeram da política – que deveria ser a arte de tomar conta das nossas vidas – um desfile de medíocres. E, claro, pagam todos os Melos que falam francês, alemão, inglês e que vivem dessa renda fixa de capital, chamada por aqui de “dívida pública”.

E como fazemos nós para trabalhar sem eles? Vai ser difícil, afinal até aqui com eles a nossa vida tem sido um paraíso…

Emprego para Todos, sessão aberta a todos, na Casa do Alentejo, Sábado, às 15 horas.

7939_464318560327750_81047620_n

Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

6 respostas a “Nunca mais caminharemos sós”! É possível haver emprego para todos, pão e poesia

  1. Carolina Teixeira diz:

    Horario de trabalho de 5 horas – beneficios imediatos para as empresas:
    – abolição do subsidio de almoço
    – alargamento do periodo útil de trabalho (2 turnos 5 horas=10 horas úteis)
    – diminuição de periodos de doença
    – diminuição de periodos de parto
    – mais productividade por trabalhador e por dia
    – rentabilização do investimento nos postos de trabalho e outros equipamentos (um posto é rentabilizado para 2 trabalhadores)
    – Maior captação de subsidios por aumento dos postos de trabalho e de estagiários
    – Maior motivação dos trabalhadores
    – Maior satisfação dos clientes pelo horário de trabalho alargado da empresa
    – diminuição de atrasos dos trabalhadores
    – diminuição de faltas dos trabalhadores por motivos familiares ou legais ou médicos

    Beneficios em toda a sociedade:
    – Diminuição do desemprego
    – aumento da natalidade
    – aumento do consumo interno
    – aumento das prestações á segurança social

    … “pior que cego é aquele que não vê!”

    • Don Luka diz:

      Caramba Carolina, tanto recado para quem trabalha! E para quem delibera e executa, por vezes de forma grosseira, incompetente e criminosa, não vai nada, nada , nada? Olha, não queres dar um saltito ao oftalmologista? Para não ires contra os contentores, eu levo-te pelo bracinho, tá bem?

  2. Mário diz:

    presumo que o salário não fosse a dividir pelas duas pessoas que iam fazer o trabalho de uma.

    Assim, no fim do mês, com que dinheiro o empresário pagava o salário de duas pessoas ?

    ou estão a assumir que todos os empresários são porcos gananciosos ?

  3. JgMenos diz:

    A paranóia atinge um novo patamar!
    Quem trabalha presume-se que acresça algo, como serviço ou porque transforma qualquer coisa.
    Se um serviço, é dirigido a alguém que, recebendo-o, não terá de o fazer porsi.
    Se acresce a coisas, necessariamente terão de preexistir algures e haver meios de as adquirir
    A única solução segura é sem dúvida a poesia: consome poucos recursos e entretém vastos auditórios.

    • J Alvarado diz:

      Se o JgMenosquenada não tivesse o intestino grosso no sitio onde devia ter a massa cinzenta de certeza que sabia que nunca se produziram tantos bens e a tão baixo custo na história da humanidade como atualmente.

      Portanto se não padece-se dessa anomalia tinha a capacidade de pensar para onde iam as mais valias adicionais obtidas na produção desses bens.

      E de certeza que chegava à conclusão que não eram distribuídas (as mais valias) por quem as produziu mas sim por os especuladores financeiros senhores absolutos do capital parasitário com o intuito de adicionar capital produtivo ao capital fiticio que alimenta o jogo de casino da finança mundial.

      Ainda não lhe disseram que só o trabalho produz riqueza?

  4. Álvaro Costa diz:

    Plenamente de acordo! Só falta dizer que a maior parte dos lucros da exploração, através da treta da dívida, vai para a Alta Finança Internacional…

Os comentários estão fechados.