“Tirei do Rabo”

o_cu_do_mundo

“A conversa foi gravada em 2008, em vésperas de o Governo meter milhares de milhões de euros no Anglo-Irish Bank, uma instituição falida – o BPN de lá. Um dos executivos pergunta ao outro como chegou ao numero de sete mil milhões como a soma correcta para pedir ao Estado. O outro ri e diz que a tirou do rabo. Mais a sério, explica que inicialmente não convém pedir muito (!). Melhor deixar que o financiamento pelo Estado vá crescendo discretamente, sempre usando o argumento de que deixar o banco afundar-se seria pior para toda a gente. Acima de tudo, sugere o executivo (rindo mais, juntamente com o seu colega) não se pode deixar os contribuintes perceberem que nunca vão recuperar o que é deles. A cada nova solicitação de fundos, tem de se explicar que é para o cidadão comum proteger “o seu dinheiro”. Com um pouco de sorte, acrescentam os executivos, o banco ainda acaba nacionalizado e eles dois conservam os seus lugares. Ao todo, o Estado irlandês já investiu 30 mil milhões de euros, só naquele banco. Estas novas revelações, surgidas no diário Irish Independent, podem vir a ter consequências.”

Porque o título do Expresso é revelador, vale a pena não o deixar esquecido: “Executivos dum grande banco falido riam-se a planear quanto dinheiro iam pedir (e jamais devolver) ao Estado”. Razão tinha Bocage: “Cagando estava a dama mais formosa, E nunca se viu cu de tanta alvura; Porém o ver cagar a formosura, Mete nojo à vontade mais gulosa! Ela a massa expulsou fedentinosa, Com algum custo, porque estava dura; Uma carta d’amores de alimpadura, Serviu àquela parte malcheirosa: Ora mandem à moça mais bonita, Um escrito d’amor que lisonjeiro, Afectos move, corações incita: Para o ir ver servir de reposteiro, À porta, onde o fedor, e a trampa habita, Do sombrio palácio do alcatreiro!” Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a seriedade com que foi discutido o financiamento do Estado à Banca, ficará esclarecido.

Buco del Culo

Quem ainda não percebeu só mesmo Fabrizio para explicar melhor: “E’ triste ritrovarsi adulti senza essere cresciuti, la maldicenza insiste, batte la lingua sul tamburo, fino a dire che un nano e’ una carogna di sicuro, perche’ ha il cuore troppo troppo vicino al buco del culo.”

Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

11 respostas a “Tirei do Rabo”

  1. Vou reblogar no meu blog, se me autorizares. Abraço
    João de Sousa

  2. Reblogged this on ergo res sunt and commented:
    Um texto muito eloquente, do Renato Teixeira, que a imprensa nacional está a ignorar. A ler….

  3. Não sei onde tiraste os versos do Bocage, mas coitado que já anda a ver as suas palavras adulteradas pelo nojo do novo acordo ortográfico.

    Se tu não me dizes que é na Irlanda, ficava a pensar que… espera lá é mesmo na Irlanda? Não é por cá?

  4. Pingback: Como se chama a uma conversa entre um tipo que tira números do rabo e outro que se ri do dinheiro que nunca irá devolver aos contribuintes? | cinco dias

  5. Pingback: Escuta “apanha” 2 Banqueiros Irlandeses | ergo res sunt

Os comentários estão fechados.