Não acertes muito ao lado, pá

João Ribeiro, porta-voz do PS (nem sabia que ainda tinham um), diz que o combate ao PCP é tão ou mais importante que o combate à direita. Mas que sectários e atávicos sãos os comunas. Para o Rato, nada de novo. Aquela gaveta já deve ter carbúnculo.

E nada de novo porque, repetindo pela enésima vez, o Partido Socialista não é um partido de esquerda. É um partido catch-all, ou, em bom português, um partido papa-votos. A ideologia fica na mala do carro e saca-se quando convém. Com uma sandes de presunto em Setembro, quer-me parecer.

Não? É comparar o percurso dos manifestos eleitorais do PS, do PSOE, do PSF, do SPD (até  o de Schröder em 2005) e do Labor inglês. Só o SPD de Schröder, em 1998 – o mesmo que veio a implementar as reformas Hartz – e o Labor de Blair conseguem apresentar um manifesto classificado mais à direita que o manifesto 2011 do PS, em 1997 e 2001. É este o centro-esquerda que salvará a Europa. Certo? Certo.

Uma nota: estas classificações valem o que valem. Têm valores puramente indicativos e não chegam para fazer afirmações taxativas. Mas ajudam-nos a perceber ligeiramente melhor por que razão o PS e o PSD são virtualmente indistinguíveis. É que não querem saber de ideologia. A ideologia é coisa de sectário e cheira mal da boca.

O PS tem gente à esquerda? Claro que tem, e gente muito bem preparada. Dizer o contrário seria o mesmo que dizer que todos os marinheiros do Titanic eram burros. Não eram. Mas o barco foi ao fundo na mesma.

 

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12 respostas a Não acertes muito ao lado, pá

  1. Rocha diz:

    O PS é um PARTIDO DE DIREITA. É um partido burguês, é um partido defensor do capitalismo e do imperialismo, a democracia burguesa é a sua casa, o neoliberalismo a sua doutrina e o fascismo o seu aliado.

    Tenho que dizer isto em letras garrafais senão há sempre quem não entenda.

    • O PS nem sempre foi um partido de direita e não tem necessariamente que o ser sempre. A social-democracia keynesiana é uma realidade histórica; a democracia burguesa pode ser a sua casa, pode ter defendido uma certa versão do capitalismo, mas nunca foi imperialista nem aliada do fascismo. Perdeu-se, sim, quando deixou de ser keynesiana e se tornou neoliberal, e perde hoje uma enorme oportunidade por não ver o que tem à frente do nariz: que os keynesianos estão desde 2008 a acertar praticamente em tudo e os neoliberais a errar.

      É claro que ser keynesiano não é grande mérito do ponto de vista dos marxistas clássicos, mas isto não quer dizer que keynesianismo e neoliberalismo sejam a mesma coisa ou sirvam os interesses das mesmas classes sociais. Dos neo-marxistas, como David Harvey, sei apenas que têm influência nos sucessores modernos dos antigos sociais-democratas; não sei se têm alguma influência nos comunistas.

      • Luís Bernardo diz:

        Obrigado pelo comentário.

        Dois pontos:

        o PS, na minha opinião, não é de direita ou de esquerda. É um partido pós-ideológico. A aproximação ao centro da escala RILE mostra-o, com os limites que estas medidas têm.

        O keynesianismo, se reduzido à sua proposição mais básica (política fiscal contra-cíclica), não é incompatível com um posicionamento partidário ou governamental à direita. De resto, não sei se ser keynesiano é passível de mérito político. É uma aproximação consistente e teoricamente fundamentada, desde que não se entre pela ilusão neoclássica do novo keynesianismo. Mas já nos estamos a afastar do tópico. Voltarei a este em breve, se os burros da troika deixarem.

      • Rocha diz:

        Nunca foi imperialista, então as seguintes foram bombas da paz: Portugal na NATO, base das Lages, guerra do Iraque, guerra do Afeganistão, voos da Síria, Líbia, Malí, Síria…

        Nunca foi aliado de fascistas, então porque: apoiou o ELP e MDLP, está a construir uma estátua ao Cónego Melo em Braga, foi responsável pelo 25 de Novembro com o claro intuito de ilegalizar o PCP, promoveu até ao máximo da carreira militar Jaime Ramos, ostracizou e isolou o mais que pode Salgueiro Maia, dissolveu o COPCON, restituiu todo o poder às famílias oligárquicas do fascismo (Espírito Santo, Mello, Champalimaud, Pinto Basto, Ulrich), apoiou ditadores sanguinários (membros da Internacional Socialista) como Mubarak (Egipto), Carlos Andrés Perez (Venezuela) e Ben Ali (Tunísia)…

    • António Carvalho diz:

      Subscrevo o comentário acima sem mais delongas!

    • Estão os dois errados, o PS é um partido de EXTREMA-DIREITA como o psd e o cds.

  2. Rocha diz:

    Gente à esquerda????? O que é isso de gente à esquerda? Uma subtileza para não dizer gente de esquerda?

    Só uma coisa a dizer sobre a mítica/inexistente “ala esquerda do PS”: se estás dentro do PS e afirmas ser de esquerda só pode ser porque não tens escrúpulos, não tens vergonha na cara, a tua consciência está à venda, és mentiroso, cínico e hipócrita.

    Se de esquerda na palavra e nos actos começa por romper com o PS, não só por ser um partido de direita e da classe burguesa em todas as suas dimensões, não só pelas suas políticas neoliberais, não só pela sua fidelidade canina à Troika, mas também porque toda a sua história foi a história de um partido patronal a reprimir e roubar os trabalhadores.

  3. Hernani Rodrigues diz:

    Absolutamente certo, indesmentível! Desde Mário Soares a José Sócrates, que andaram pelo poder, este partido disfarçou sempre muito mal a sua afeição a qualquer tipo de capitalismo. Só por inadmissivel distração ou apatia em reflectir sobre as posições que estes «socialistas» têm assumido ao longo da sua passagem pelo poder se pode considerar que seja um partido de esquerda. De vez em quando foge-lhes a boca para a verdade, como aconteceu com o dr. Jorge Sampaio ao declarar que «não há alternativa ao capitalismo».

  4. Pingback: Sobre João Ribeiro | cinco dias

  5. JPN diz:

    Luís Bernardo, gostava de perceber uma única coisa em relação ao teu pensamento: neste momento o Estado Social, naquilo que são as suas políticas em relação à cultura, à educação, à saúde e à segurança social, estão a ser de uma forma global e concertada, destruídas ( e não estou a perguntar se já começaram a ser destruídas antes). Estas políticas foram construídas através do sistema parlamentar e fazem parte do património ideológico de alguns partidos políticos que votaram na implementação dessas medidas de acordo com os seus programas políticos (sendo que outros se reclamam contra esse ideário). Consideras que o Partido Socialista é um desses partidos que construíram essas políticas públicas e que o fez de acordo com o seu programa político?

  6. Nuno Carneiro diz:

    Labour leva u; ou entao use Trabalhista

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