A Greve dos Professores e os “Nacional-tótós”

942840_562751650434297_623622819_n

A greve dos professores convocada para dias de exame tem dado que falar. Uma das principais razões prende-se com o facto desta greve não ser apenas um ritual simbólico. Pelo contrário, esta greve causa um considerável impacto no terreno e afecta no concreto a vida de muita gente e o funcionamento das escolas. É assim mesmo que deve ser.

Acontece que o governo e seus lacaios têm movido uma campanha demagógica em que se acusam os sindicatos e os grevistas de “maltratarem as criancinhas”… É fantástico ver essa corja a guinchar por tudo quanto é canto e a rasgar as vestes “pelas pobres criancinhas que estão a ser tão atacadas, usadas e maltratadas por esses malfeitores dos sindicatos”.

Um governo de sociopatas que tem destruído a escola pública e os serviços públicos, que tem arrasado a economia e a sociedade portuguesa. Um governo responsável pela desestruturação de um número enorme de famílias, por via do desemprego, das falências galopantes ou da emigração forçada. Um governo que irá prosseguir com todos os ataques e pretende permanecer no seu rumo. Um governo reiteradamente fora-da-lei, como agora mais uma vez se vê com o não pagamento dos subsídios. Um governo responsável pelo aumento da pobreza e fome infantil. Ora, esse mesmo governo e seus lacaios, ousa agora acusar os sindicatos de atacar “as criançinhas”…

Obviamente que o governo e seus lacaios estão-se a marimbar para a sorte das “criancinhas”, o problema deles é outro. A questão é que aqui está uma luta e um sector onde se pode organizar alguma resistência efectiva às suas políticas. Que certos fascistas-no-armário sigam a retórica governamental, nem outra coisa se esperaria. Pena é que certos sectores que se dizem contra o governo alinhem nesta demagogia… Um exemplo destas atitudes, que denomino de “Nacional-tótó”, pode ser encontrada aqui: “Por muito que discorde deste governo, neste caso concordo com Nuno Crato e com Passos Coelho.”

Assim é o “Nacional-tótó”, diz que é contra o governo, mas opõe-se a formas de luta que ponham em causa o governo. Diz que a greve é um direito, mas se a luta for para lá do simbólico é logo uma “irresponsabilidade”. Por vezes o “nacional-tótó” até afirma que este é um governo fora-da-lei, chega ao ponto de dizer que “Professores e outros funcionários públicos, os cidadãos em geral, têm muitíssimas razões para fazerem greve, geral total e absoluta.“. Mas agir em conformidade com essas declarações, tá quieto… Ou seja, no abstracto o “nacional-tótó” é a favor de greves totais e absolutas, é de um radicalidade extrema, mas quando é confrontado no concreto com uma luta que causa alguma perturbação, por mínima que seja, põe-se logo do lado do status quo… A tod@s @s nacionais-tótós que andam por aí, para esta questão da greve dos professores, aconselho vivamente estes dois textos do Pacheco Pereira, aqui e aqui.

A importância desta greve, e do seu sucesso, ainda mais reforçada é quando o governo pretende usar este pretexto para mudar a lei da greve. A greve é para ser meramente simbólica, sem qualquer valor prático, sem substância. Isto é de resto o que este governo+presidente pretendem para a Democracia em Portugal, em aliança objectiva com os “Nacional-tótós” de serviço.

944352_343898215739982_344230199_n

Esta entrada foi publicada em 5dias com as etiquetas , . ligação permanente.

15 respostas a A Greve dos Professores e os “Nacional-tótós”

  1. Américo Gonçalves diz:

    É uma táctica já muito velhinha, de pôr as pessoas a olhar umas prás outras, em vez de olharem para quem as oprime a todas. Até ver, o grupo profissional com mais poder neste País, é dos camionistas. Num País onde 90% de tudo anda de camião, quanto tempo demora a pôr um governo (qualquer governo!) de joelhos? O meu desejo é ver uma Greve Nacional, por tempo indeterminado, com desobediência civil a rodos, até “eles” terem de fugir de helicóptero, como na Argentina. Se tiverem ideia como se chega lá, digam alguma coisinha.

    • De diz:

      E não só.Com os bens apreendidos e com a nacionalização de tudo o que foi pilhado ao povo português. Devendo ter que responder criminal e socialmente ( o governo , os interesses que serve e os boys acoplados) pelo terrorismo que praticam

      • Américo Gonçalves diz:

        Sim, é mesmo por aí! Tivemos ali uma aberta, em Setembro, mas o momento perdeu-se. Porque os inorgânicos , os sindicalizados e os partidários estiveram mais ocupados a concorrer entre si , que a organizar uma Luta como deve ser. Quando falava dos camionistas, estava a lembrar-me do que aconteceu ao valentão do Socras , em menos de uma semana , estava de joelhos.

        • um neo liberalis...lacaio do capital ismo sauvage diz:

          agora são os camionistas que estão de joelhos em Paris a ver se os sindicalistas os deixam entrar no trust

    • É preciso que haja união. Mas eu li muitos mais comentários a dizer que os profes são miseráveis, que esta greve é obscena… Lá está os nazis do governo conseguem por as pessoas a olhar umas para outras em vez de olharem para quem as oprime. Dividir para reinar. E este governo já é tão ou mais fascista em muita coisa que o Salazar, e só não irá muito mais longe, porque entretanto dão de frosques, pois esta ditadura é diferente, vão pondo novos gajos, para fazerem igual ou pior…

  2. LGF Lizard diz:

    O direito à greve é sagrado e para ser respeitado.
    O governo teria feito muito melhor em mudar a data do exame.
    Como sempre, preferiram a alternativa do conflito.
    Se o governo não quer que os trabalhadores não façam greve, que impeça o direito à greve, aprisione os grevistas e líderes sindicais e proíba os partidos políticos com ideologias diferentes da sua. Mas depois não se admire que Portugal já não seja considerado uma democracia.
    Goste-se ou não, o governo só tem de ceder e alterar a data do exame. Nada mais. Poderia, de facto, alterar a sua política em relação à Educação, mas isso é pedir demais. A lógica vigente é a do paga-para-teres-educação e não a lógica do educação-para-todos.
    Nem Salazar chegou aos extremos que estes idiotas do governo estão a chegar.

    • Rafael Ortega diz:

      Claro que a data de exame vai mudar porque não podem os alunos ficar sem exame.
      Mas mudar antes por causa da greve era só dar mais poder ao Bigode Nogueira.

    • Isto não é nenhuma democracia. E se estes gajos são filhos do Salazar e Hitler e são bem mandados é mais do que natural que consigam ir mais longe que Salazar em muita coisa. Mas atenção muita coisa que o Salazar fez não é falado, ou se é, é levado como uma coisa natural, que não devia ser, ele teve um campo de concentração, várias prisões de morte, teve uma polícia assassina com os mesmos moldes que as SS… A questão é que havia e há muita gente com saudades da Europa Hitler, Mussolini, Franco, Salazar.

  3. Rocha diz:

    Peço desculpa por desviar-me um pouco do assunto, mas este governo está cada vez mais parecido com os rebeldes sírios (isto é, louco e fanático):
    http://www.memritv.org/

    Algumas pérolas do site acima mencionado:
    Kuwaiti Scholar Jassem Al-Mutawa: Wife Beating in Islam Treats Women Suffering from Masochism
    Kuwaiti Cleric Shafi Al-Ajami Wishes to “Have the Pleasure” of Slitting the Throats of Ten Hizbullah Members Fighting in Syria
    Egyptian Cleric Sheik Abd Al-Qader Al-Sibai: Islamic Law Forbids Us to Greet Christians on Easter
    Sunni Scholar Al-Qaradhawi: Saudi Clerics Were Right about Hizbullah and I Was Wrong; King Abdullah a Dear Friend of Mine
    Afghan and Uyghur “Children’s Army”
    Abd Al-Bari Atwan, Editor-in-Chief, “Al-Quds Al-Arabi”: Bin Laden Was Only Half a Terrorist
    Tunisian Salafi Cleric Khamis Mejri Rejects Democracy and Praises Bin Laden

  4. Automático for the people diz:

    Vocês às vezes são injustos para caraças. Um Governo que quase não toca no sector público, sacrificando em vez o sector privado e vocês dizem que anda a destruir os serviços públicos? Não sei se já repararam mas está tudo a ser destruído, público e privado. Chama-se crise. Estou cansado que sejam os empregos do sector privado a pagar para que o sector público continue na mesma. E a continuar a sugar impostos que não conseguimos pagar. Chega!

    • Francisco diz:

      Que grande confusão que vai na sua cabeça, algumas verdades e muitas falácias. Vamos lá por os pontos nos is.
      1º – “o sector público continue na mesma.” FALSO! Nos últimos dois anos Portugal foi o país da Europa que mais cortou em despesa social (fundo desemprego, pensões, etc..). O Rendimento Social de Inserção desceu a pique. Os cortes na Saúde e Educação foram muito acima do exigido pela Troika.Os cortes na Educação já levaram ao despedimento encapotado de dezenas de milhar de professores. Milhares de postos de serviço público (de saúde, educação e outros serviços) foram encerrados!

      É COMPLETAMENTE FALSO QUE A FUNÇÃO PÚBLICA E O ESTADO NÃO ESTEJAM A SER TOCADOS! ESSA É A “NARRATIVA” DO GOVERNO E SEUS ALIADOS DA BANCA E GRANDE CAPITAL PARA POR O NÚ CONTRA O ROTO!

      “Não sei se já repararam mas está tudo a ser destruído, público e privado” Isto sim é verdade, pena que depois se confunda. Trabalhadores do privado e funcionários públicos, desempregados, jovens, pequenos empresários, pensionistas, todos estão a ser triturados! Por uns contra os outros é exactamente o que quer este governo e voçê está a cair nisso. Toda essa gente tem é de estar unida contra o governo e a banca que é quem foi salva com esta política.

      É que se pensa que despedir funcionários públicos, confiscar-lhes os subsídios e reduzir os seus salários vai trazer algo de bom para os trabalhadores do privado está redondamente enganado. Prosseguir a política de empobrecimento da função pública e destruição do estado social vai afundar ainda mais muito do sector privado. É que são centenas de milhar de trabalhadores e suas famílias que vão consumir muito menos! Vai ser mais uma razia no comércio!

      Aconselho que leia este texto.

      Sem derrubar o governo, nacionalizar a banca falida e deixar de alimentar tubarões, fazer uma operação mãos limpas, reformar a nossa relação com a União Europeia (incluindo possível saída do Euro) e mais umas quantas coisas é impossível uma saída digna e democrática desta crise.

      Por o nú contra o roto é exactamente o que a malta das Swaps, PPPs, Banca e restantes criminosos de alto gabarito querem enquanto continuam a sair por cima desta crise…

  5. Pingback: A Greve dos Professores – Ousar Lutar, Ousar Vencer, sem Nacional-Tótósisses | cinco dias

  6. Pingback: Governo à beira da morte! Viva a luta popular que o destruiu! | cinco dias

Os comentários estão fechados.