O José Mário Branco já tinha avisado – “O FMI é uma finta vossa!”

Numa nota que publicou no facebook, Alcides Santos, do MSE, faz notar que é “um erro manifestações contra a Troika ou contra o FMI”. Tem alguma razão de ser o seu ponto de vista, sobretudo porque o Governo parece passar entre os pingos da chuva do protesto, usa o FMI como desculpa quando este faz o que ele lhe encomenda e usa da sua estadia em Portugal para legitimar uma política que não foi sufragada nas urnas.

A troika assume-se “como símbolo de todos os sacrifícios que se pedem (que se exigem) aos de baixo” e, tal como nas guerras, “quando se aproxima uma crise económica, é conveniente encontrar um inimigo externo”. Com este mecanismo, salvaguarda-se quer o governo, quer o regime, e exterioriza-se a responsabilidade da austeridade que, como é bom de ver, tem os seus arquitectos bem instalados no país e com responsabilidades governativas sérias, pelo menos nos últimos 30 anos.

Como bem identificou o Alcides Santos, quando Pedro Passos Coelho pediu um relatório ao FMI, ficou “explícito que o governo foi consultado na sua elaboração”, usando o FMI como vantagem na comunicação política e na gestão do seu desgaste, responsabilizando a troika estrangeira por todas as medidas impopulares que há tantos anos a direita tem tentado impor em Portugal.

Tal como o Alcides “considero que é um erro manifestações contra a Troika ou contra o FMI”, sobretudo se estas perderem de vista a expressão regional do capitalismo financeiro. Se o fizermos, arriscamos a “aceitar que o inimigo está lá fora e não cá dentro, e a pagar a manutenção do governo”.

A manifestação do dia 2 de Março, poderá ser – como o 12 de Março, o 15 de Outubro e o 15 de Setembro dos últimos anos – um marco importante de luta contra o governo, mas não deverá redundar nem na coroação de um qualquer Costa de serviço, nem escorregar no derrube de uma qualquer banana que o governo encomende ao FMI nas vésperas do acontecimento, à imagem do que aconteceu com a TSU.

Que se entenda de uma vez por todas que o FMI mais não é do que o “Fornecedor de Servicos Austeritários”, e que se objectivo for abrir caminho a um novo modelo económico e a uma nova concepção do modo de vida, não nos podemos da ao luxo de esquecer ou amnistiar as mãos que têm segurado no chicote.

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3 respostas a O José Mário Branco já tinha avisado – “O FMI é uma finta vossa!”

  1. Rafael diz:

    Não se deixares bem claro que se o FMI é quem sugere, o governo é quem executa. E que governo que execusta as medidas de relatórios de FMI é governo ilegítimo que tem que cair. Foi isso que aconteceu ontem. Mas há quem sofra de surdez selectiva.

  2. andrelara diz:

    “Pensar global, agir local”
    Pensar local, agir global
    Pensar e agir local
    Pensar e agir global
    Felizmente o Ser Humano é “multitask” 😉

  3. Pois é, amigos, a troika, o “efe-eme-i” o governo enfim, máscaras e facetas de algo de mais crucial – e num trajecto suicidário que nos pode arrastar a todos: o sistema do dominio da propriedade privada dos meios de produção, do qual provêm troikas, FMIs e governos.
    Cá por casa, como lá fora.
    Ora centrados domésticamente sim, a manif de 2 de Março fala do “povo é quem mais ordena”. É bonito e tal, mas lá está a porra:
    Eu e o Belmiro – e já agora o António Costa somos do “povo” (há uns anitos atrás era os ‘cidadão?, não era?).
    Não temos é os mesmos interesses, de todo.
    Dia 2 de Março hão-de estar nas ruas muitos interesses cruzados.
    Cá por mim sei ao que vou: unidade do Trabalho contra o Capital pel Democracia Socialista. Dizendo-o claramente.
    Esse é o modelo porque me bato e sei que estarei ao lado de outros modelos, propostas e ideias. Pena é que estejam tão esbatidas.
    Mas a alternatva construi-se assim, não? E claro, estarei ao lado do Alcides.

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