Mas afinal, porque é que o carrasco atravessou a estrada?

Um representante eleito não deveria ter medo do seu povo. Muito menos considerar que o eleitorado – aquele que lhe confere legitimidade numa democracia – é o seu carrasco. Mas ao gritar para as arcadas onde o povo se manifestava exigindo a viva voz a demissão deste governo, a Presidenta da Assembleia da República demonstrou inequivocamente que a legitimidade democrática deste governo há muito se esgotou. Foram demasiados exemplos recentes para se ignorar: o assomo de erro pelo caminho seguido no programa de governo na carta de demissão de Vítor Gaspar, a demissão do líder do partido parceiro de coligação Paulo Portas pela remodelação de Gaspar, e a ‘clareza’ ‘cavaquista’ de assumir que não confia na remodelação apresentada por Passos Coelho e Portas. Simplesmente não há ponta por onde se lhe pegue e houvesse um pingo de decência e dignidade e todos os que enumerei entregariam as suas cartas de demissão (“irrevogáveis”, pois claro, no sentido mais anti-portas possível). Recusar a queda deste Governo, tal como negar o acesso da sociedade civil nas bancadas da ‘casa da democracia’ é simultaneamente aprofundar a ilegitimidade democrática do Governo e aumentar ainda mais o conflito social. O divórcio há muito pretendido tornar-se-á facilmente em ódio. Para Assunção Esteves, apenas isto: a situação de excepcionalidade apresentada tantas vezes como justificação da actuação do Governo só funciona para um lado quando não se vive em Democracia. E quando se manda calar alguém é bom que tenha algo melhor para dizer. Não é o caso.

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Uma resposta a Mas afinal, porque é que o carrasco atravessou a estrada?

  1. xatoo diz:

    a “Presidenta” é palavra que não existe em lingua portuguesa. a “Presidenta” é um brasileirismo. O cargo da Presidente não tem nada a ver com o modelo de cueca que cada género utiliza.

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